Autor: Rui Couceiro
Título: A mais Bela Maldição
N.º de páginas: 201
Editora: Porto editora
Edição (2.ª): Maio 2026
Classificação: Não-Ficção
N.º de Registo: (3814)
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
Em A Mais Bela Maldição, Rui Couceiro constrói um tributo à literatura através de dez narrativas distintas. O subtítulo, Histórias de gente apaixonada por livros, define, desde logo, o mote principal. Para estas pessoas, a leitura vai muito para além de um mero passatempo ou de uma ocupação. Ela funciona como um refúgio e uma forma de sobrevivência emocional.
O grande trunfo do autor reside na forma como escuta e restitui estas vidas. Deslocou-se ao encontro de cada uma delas, viajando pelos diferentes cantos do mundo para ouvir os seus testemunhos, pelo que descreve minuciosamente o meio envolvente que as molda. Seja através da caracterização geográfica das paisagens, do peso das dinâmicas familiares ou das pressões do contexto social. Cada atmosfera é desenhada com precisão e mostra que o amor aos livros nasce, resiste e floresce em cenários quotidianos muito concretos.
Em cada história, o autor demonstra que a leitura e o ambiente social coexistem e se influenciam mutuamente. Para uns, os livros são o ponto de ligação com um passado familiar esquecido; para outros, representam a única janela de liberdade contra um meio social sufocante. Ao cruzar a envolvência geográfica e social com o ato de ler, o autor humaniza profundamente estas pessoas e revela a diversidade de formas que a paixão literária pode assumir.
Como coleccionadora de livros e leitora ávida, este livro tocou-me de forma muito especial. Reconheci a essência de cada história, pois conheço bem o prazer de acumular histórias nas estantes e de me perder nas suas páginas. Num tempo em que quase tudo se vive através de ecrãs e ligações instantâneas, estas histórias lembram‑nos que a leitura continua a ser a mais bela maldição que nos afasta da ignorância e nos devolve a liberdade de pensar com autonomia.
A Mais Bela Maldição é, para mim, a validação perfeita de que a nossa paixão partilhada pela literatura e pela leitura é, sem dúvida, a mais bela e necessária das obsessões humanas.















