A todos os que me felicitaram, deixo um agradecimento sincero.
Este poema é para vós.
Neste espaço pretende-se divulgar actividades culturais/educativas/lúdicas ou simplesmente participar, partilhar opiniões, leituras, viajar...
flores de cerejeira
cinco ou seis 𝒍𝒊 caminhei por dia
à vossa procura
flores de cerejeira no céu escuro
e entre elas a melancolia
quase a florir
usando o meu leque como taça
pretendo beber
debaixo das cerejeiras em flor
Matsuo Bashô [1644 - 1694]
𝑫𝒊á𝒓𝒊𝒐𝒔 𝒅𝒆 𝑽𝒊𝒂𝒈𝒆𝒎
Versões e introdução de Jorge Sousa Braga
Assírio & Alvim, 2026
in Revista LER OUT/NOV | 2025/26
(c) Susa Monteiro
Kleber Mendonça Filho apresenta um filme que revisita o regime militar brasileiro através de uma lente onde a ironia, o absurdo e a memória se entrelaçam. O Agente Secreto aborda temas como corrupção, autoritarismo e resistência, procurando retratar com fidelidade o clima opressivo da época. Há momentos em que o humor expõe com precisão o ridículo estrutural do poder, mas também há exageros que quebram a verosimilhança e afastam o espectador da densidade histórica que o filme convoca.
Nesse território de fricção, entre a crónica política e a caricatura, destaca‑se o excelente desempenho de Wagner Moura, que oferece ao filme uma âncora emocional e uma inteligência subtil. A sua presença equilibra o tom e devolve humanidade a um enredo que, por vezes, se aproxima do absurdo.
No conjunto, O Agente Secreto é uma obra irregular mas inquieta, que ilumina o passado recente com humor, desconforto e uma certa melancolia.
No fim, o filme não fecha feridas, ensina, apenas, a olhá-las com mais ternura. Oferece a possibilidade de reconhecer que a dor herdada não é destino, mas matéria de trabalho. A família não se reconcilia plenamente, mas aprende a olhar-se com mais honestidade. A arte torna-se, assim, a via capaz de traduzir o que a família, pai e filhas, não conseguiu dizer.
Fotografia de Al Berto (Porto, 9 de Abril de 1992) impressa no livro Lovesong, de Álvaro Rosendo.
"O universo visual é o da música e o título remete para a urgência das canções de amor. Mas o que encontramos nas fotografias de Lovesong é uma constelação de afectos que faziam vibrar a Lisboa das décadas de 80 e 90."
Lê-se no artigo de Sérgio B. Gomes, in Ípsilon, Público de 6.03.2026
Lovesong, editado pela Tinta-da-china é o primeiro livro de Álvaro Rosendo um "dos primeiros cronistas da movida lisboeta". O fotojornalista documenta uma era de modernidade do meio artístico português.
(c) GR | S. Torpes 01.03.2020

OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐⭐
Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais), realizado e produzido por Emerald Fennell (2026), assume-se como uma adaptação livre do romance de Emily Brontë, mais interessada na vibração emocional do que na fidelidade literal.
Fennell trabalha a narrativa com um olhar contemporâneo. Atribui alguma futilidade ao enredo e acentua a intensidade das relações e a dimensão febril dos encontros. As imagens, de um gótico luminoso, e as cores saturadas criam um território visual onde o agreste e o belo convivem, eco fiel da atmosfera literária daquela que muitos chamam “a maior história de amor de todos os tempos”.
No fim, permanece a sensação de que Fennell não procura substituir Brontë, mas dialogar com ela, deixando que a carga emocional continue a vibrar através dos tempos e fá-lo a partir da sua interpretação juvenil do romance (ela própria o referiu), transformando essa primeira leitura na bússola íntima desta adaptação.