OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
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OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
O filme trabalha com precisão a sua metáfora central: um ouvido absoluto que se torna mão leve. Niki White, afinador de pianos com hiperacusia, transforma a sensibilidade extrema numa arma capaz de abrir cofres. Daniel Roher filma o som com delicadeza musical. É a linguagem unificadora desta história. Cada silêncio entre Niki e Ruthie, cada nota de piano, cada ruído que o fere ou o salva constrói uma intimidade que nenhum diálogo alcançaria.
A hiperacusia faz do mundo um território agressivo, mas também molda a forma como Niki o habita. A sua vulnerabilidade transforma cada gesto numa batalha íntima. Por isso, o relacionamento com Ruthie torna-se o verdadeiro eixo do filme. Quando ela fala, quando o silêncio se instala, quando o piano surge como refúgio, oferece‑lhe uma frequência emocional onde o mundo deixa de o ferir.
Dusty Hoffman, numa interpretação luminosa, funciona como contraponto moral e afectivo. Como mentor, percebe que o talento de Niki é também uma ferida. A sua presença bem‑disposta e ternurenta abranda a acção, dá‑lhe humanidade; afina-a. O desempenho é irresistível.
O desfecho de Tuner é apoteótico. Quando Niki se senta ao piano, regressa a si próprio. O gesto é quase sagrado; as mãos avançam antes do ouvido, como se o corpo guardasse uma memória que o trauma não conseguiu apagar. Há um contraste arrebatador entre o silêncio pesado que o envolve, a música que começa a emergir, e o rosto de Ruthie, que o observa com aquele sorriso suave, emocionado, quase incrédulo, mas esperançoso. Ele não voltou a ouvir o mundo; voltou a ouvir o que importa, porque “o Mi bemol está desafinado”.
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
(C) GR
In, Platero e Eu, de Juan Ramón Jiménez, pág. 16
@ GR
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐⭐
Copilot_20260515_191430
Lua
Como uma actriz vaidosa
que só revela o rosto quando lhe convém,
a Lua cresce, mingua, desaparece, regressa.
O telescópio procura-a, paciente,
mas ela esconde-se atrás de véus de sombra,
ora meia, ora inteira, ora quase nada,
mostrando apenas o brilho que quer.
O vento, cúmplice eterno,
ajeita-lhe o vestido de luz
para que o seu reflexo tremule no mar
onde ensaia em silêncio
um bailado secreto
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
(c) Festival de Cinema de Cannes
O cartaz oficial da edição de 2026 presta homenagem a Thelma & Louise, aventura feminista na estrada de Ridley Scott, estreada em Cannes há 35 anos.
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