leituras...trilhos...evasões...
Neste espaço pretende-se divulgar actividades culturais/educativas/lúdicas ou simplesmente participar, partilhar opiniões, leituras, viajar...
01 abril, 2026
31 março, 2026
𝑨 𝑽𝒊𝒔𝒕𝒂 𝒅𝒆 𝑪𝒂𝒔𝒕𝒍𝒆 𝑹𝒐𝒄𝒌, de Alice Munro
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐⭐
29 março, 2026
28 março, 2026
Flores de Cerejeira
Flores de Cerejeira
flores de cerejeira
cinco ou seis 𝒍𝒊 caminhei por dia
à vossa procura
flores de cerejeira no céu escuro
e entre elas a melancolia
quase a florir
usando o meu leque como taça
pretendo beber
debaixo das cerejeiras em flor
Matsuo Bashô [1644 - 1694]
𝑫𝒊á𝒓𝒊𝒐𝒔 𝒅𝒆 𝑽𝒊𝒂𝒈𝒆𝒎
Versões e introdução de Jorge Sousa Braga
Assírio & Alvim, 2026
in Revista LER OUT/NOV | 2025/26
25 março, 2026
𝑷𝒆𝒒𝒖𝒆𝒏𝒐-𝒂𝒍𝒎𝒐ç𝒐 𝒅𝒆 𝑪𝒂𝒎𝒑𝒆õ𝒆𝒔, de Kurt Vonnegut
Tradutor: Miguel Cardoso
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
Pedro | Crónica de António Lobo Antunes
(c) Susa Monteiro
– Pedro isto não é hotel
– Sim mãe
– Não voltas a chegar tarde
– Sim mãe
– O jantar é às oito e um quarto
– Sim mãe
– E estás à mesa a essa hora
– Sim mãe
e depois, claro, não aparecia. Telefonava às dez da noite.
– Onde é que tu estás Pedro?
– Do outro lado da linha
– E vais voltar imediatamente para casa.
– Sim mãe
e chegava, claro, às horas que lhe apetecia, tranquilo, suave, educadíssimo.
– Sim mãe
– Pedro amanhã não sais de castigo
– Sim mãe
e claro que saía. A nossa mãe
– Pedro lembras-te do que eu te disse ontem?
– Sim mãe
– Que ficavas em casa de castigo
– Sim mãe
– E mesmo assim saíste
– Sim mãe
– Não achas que eu devia bater-te?
– Sim mãe
– Fecha-te depressa no quarto antes que eu perca a cabeça
– Sim mãe
mas como a porta do quarto e a porta da rua se confundiam, aliás para o Pedro todas as portas eram portas da rua, descia as escadas outra vez, sereníssimo, sem pressa, e a nossa mãe, exausta, acabava por desistir pronunciando a frase do costume
– E uma luta constante para tudo
que significava um acto de rendição por absoluto cansaço. O Pedro foi toda a vida assim porque era irresistível e o seu sorriso, lindo, desarmava o mundo. Não me lembro de me zangar uma única vez com ele, de qualquer dos meus irmãos se zangar uma única vez com ele. Não conseguíamos. E depois até fisicamente era diferente de nós, o único moreno, de cabelo preto, silencioso, para lá do
– Sim mãe
quase não falava, nem o pai, de exaltação fácil, era capaz de lhe dar um berro. Toda a vida só fez o que quis. As pessoas tentavam uma censura tímida, ele concordava
– É verdade
e o que se podia acrescentar depois de tanta compreensão da sua parte? Entrou para o seminário, com imenso desgosto do pai, a casa a encher-se de padres que o tentavam convencer da bondade da decisão do Pedro, e quando, resignado, o pai declarou à mãe
O Pedro saiu do seminário e ofereceu-se para a guerra em África para despachar o assunto. Novo drama.
– A guerra é perigosa
– Sim pai
– Arriscas-te a morrer lá
– Sim pai
só veio a Portugal uma vez dado que parece que aplicou uns estalos num polícia que lhe bateu num dos soldados, penso que esteve em Cabinda e depois, bastante tempo acho eu, internado no Hospital Militar de Luanda e pouco mais conhecemos porque ele não falava. Voltou, matriculou-se em Arquitectura, teve cinco filhos de cinco mulheres diferentes, fez parte de um movimento qualquer contra a ditadura, mas nós praticamente nunca soubemos de nada. Dois dos seus filhos morreram bebés. Nunca mencionou isso. Andou pela reforma Agrária. Cantava canções revolucionárias e algumas delas tornaram-se conhecidas. Finalmente, e após vários séculos, lá acabou o curso e começou a trabalhar como arquitecto. A única obra sua de que me falou foi um urinol que fez em Torres Novas. Fiquei cheio de curiosidade de entrar num urinol concebido pelo Pedro mas nunca me mostrou a sua catedral de chichis ribatejanos. Na minha opinião deve ser um mimo, uma espécie de Mosteiro de Alcobaça para bexigas aflitas. Também concebeu um museu para um pintor qualquer, que nem quero imaginar como seria. E continuava lindíssimo, calado e parecia feliz. As mulheres caíam de amor por aquele moreno tão secreto que decerto levantou bem alto, em todos os sentidos, a fama máscula da família. Eu adorava-o. Era impossível não o adorar. Quando estive muito doente veio a minha casa, agarrou-me nos ombros e gritou-me com força enquanto me abanava
– Não me morras, não me morras
foi a única vez que disse palavras diferentes de
– Sim mãe
enquanto as lágrimas lhe corriam pela cara. Não tornei a vê-lo chorar, nunca vi um homem tão cheio de amor. Uns tempos depois, sem idade para morrer, morreu. Estávamos em casa dos pais para o almoço de Natal, o telemóvel do João tocou, o João respondeu sentado, depois continuou a falar baixinho, de pé, depois guardou o telemóvel no bolso, disse num cochicho, para a mãe não ouvir
– O Pedro morreu
atamancámos o resto do almoço, distribuímos meia dúzia de presentes pelas crianças, arranjámos uma desculpa qualquer para a mãe e fomos, os cinco, para o Hospital da Cuf. O Pedro lá estava, quieto, numa cama. Saí do quarto porque o Nuno me levou, a dizer-me
– Anda meu bebé, anda meu bebé
que era uma palavra que eu nunca tinha ouvido chamarem-me. Obrigado, mano. Estávamos todos na merda por causa daquele idiota com a mania de ser original. O Hospital da Cuf tem um pátio cá fora e ficámos para ali, imóveis. No dia seguinte fomos dizer à mãe. Ela, de olhos secos
– Deus tenha misericórdia de mim
a seguir
– Uma mãe não tem o direito de estar viva com um filho morto
e morreu pouco depois, de desgosto. Dantes jantávamos em casa dos meus pais às quintas-feiras e, ao irmo-nos embora, o Pedro e eu, lado a lado no escuro, fazíamos chichi contra a cascata. Agora não tenho mais quem mije ao meu lado.
António Lobo Antunes
21 março, 2026
Clube de Leitura - Uma Casa sem Livros | Maré d'Escrita
19 março, 2026
Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson (PTA)
17 março, 2026
Pecadores, de Ryan Coogler
16 março, 2026
Marty Supreme, de Josh Safdie
Vencedores dos Óscares 2026
A 98.ª edição dos Óscares aconteceu neste domingo, 15 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Uma Batalha Após a Outra foi o grande vencedor da noite, com seis estatuetas: Filme, Realizador, Actor Secundário, Argumento Adaptado, Montagem e Casting.
Pecadores arrecadou quatro: Actor Principal, Argumento Original, Banda Sonora e Fotografia.
Frankenstein granjeou três: Direcção Artística, Caracterização, e Guarda-Roupa.
As Guerreiras da K-Pop levou dois: Filme de Animação e Canção Original
Com uma estatueta ficam Hamnet, A Noite do Desaparecimento, Valor Sentimental, F1 e Avatar: Fogo e Cinzas.
Premiados:
Melhor Filme - Uma Batalha Após a Outra
Melhor Actor - Michael B. Jordan (Pecadores)
Melhor Actriz - Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
Melhor Actriz Secundária - Amy Madigan (A Hora do Mal)
Melhor Actor Secundário - Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra)
Melhor Argumento Original - Pecadores
Melhor Filme Internacional - Valor Sentimental (Noruega)
Melhor Filme de Animação - Guerreiras do K-Pop
Melhor Caracterização - Frankenstein
Melhor Guarda-Roupa - Frankenstein
Melhor Banda Sonora - Pecadores
Melhor Canção Original - Guerreiras do K-Pop, Tema Golden
Melhor Som - F1
Melhor Efeitos Visuais - Avatar: Fire and Ash
Melhor Documentário - Mr Nobody Against Putin
Melhor Documentário em Curta-Metragem - All the Empty Rooms
Two People Exchanging Saliva
Melhor Curta-Metragem de Animação - The Girl Who Cried Pearls
15 março, 2026
𝑰𝒏𝒕𝒆𝒓𝒗𝒂𝒍𝒐 (in Poesia Completa), de Maria Alberta Menéres
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
14 março, 2026
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho
158 min | M/14 | Crime, Policial, Drama, Thriller | 2025 | França, Brasil
Kleber Mendonça Filho apresenta um filme que revisita o regime militar brasileiro através de uma lente onde a ironia, o absurdo e a memória se entrelaçam. O Agente Secreto aborda temas como corrupção, autoritarismo e resistência, procurando retratar com fidelidade o clima opressivo da época. Há momentos em que o humor expõe com precisão o ridículo estrutural do poder, mas também há exageros que quebram a verosimilhança e afastam o espectador da densidade histórica que o filme convoca.
Nesse território de fricção, entre a crónica política e a caricatura, destaca‑se o excelente desempenho de Wagner Moura, que oferece ao filme uma âncora emocional e uma inteligência subtil. A sua presença equilibra o tom e devolve humanidade a um enredo que, por vezes, se aproxima do absurdo.
No conjunto, O Agente Secreto é uma obra irregular mas inquieta, que ilumina o passado recente com humor, desconforto e uma certa melancolia.
12 março, 2026
Valor Sentimental, de Joachim Trier
No fim, o filme não fecha feridas, ensina, apenas, a olhá-las com mais ternura. Oferece a possibilidade de reconhecer que a dor herdada não é destino, mas matéria de trabalho. A família não se reconcilia plenamente, mas aprende a olhar-se com mais honestidade. A arte torna-se, assim, a via capaz de traduzir o que a família, pai e filhas, não conseguiu dizer.
10 março, 2026
Al Berto in Lovesong
Fotografia de Al Berto (Porto, 9 de Abril de 1992) impressa no livro Lovesong, de Álvaro Rosendo.
"O universo visual é o da música e o título remete para a urgência das canções de amor. Mas o que encontramos nas fotografias de Lovesong é uma constelação de afectos que faziam vibrar a Lisboa das décadas de 80 e 90."
Lê-se no artigo de Sérgio B. Gomes, in Ípsilon, Público de 6.03.2026
Lovesong, editado pela Tinta-da-china é o primeiro livro de Álvaro Rosendo um "dos primeiros cronistas da movida lisboeta". O fotojornalista documenta uma era de modernidade do meio artístico português.
09 março, 2026
𝑴𝒂𝒓𝒈𝒖𝒆𝒓𝒊𝒕𝒆 𝒀𝒐𝒖𝒓𝒄𝒆𝒏𝒂𝒓 - 𝑳𝒊𝒃𝒆𝒓𝒅𝒂𝒅𝒆 𝒆 𝑷𝒂𝒊𝒙ã𝒐, de Cristina Carvalho
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
08 março, 2026
Poemar é Amar!
(c) GR | S. Torpes 01.03.2020
Poemar é amar
Alinho as canetas - as de tinta permanente -
como quem encosta o ouvido ao mar
para escutar o que ainda não sabe dizer.
Alinho-as de novo,
devagar,
como quem prepara um pequeno ritual.
É Março e a maré impõe-se.
Mulher e Poesia
tocam-se como duas ondas que se reconhecem.
Há uma maresia a soprar pelas páginas,
um rumor de vozes que não se calam,
mesmo quando o vento tenta apagar-lhes o nome.
Há um sopro de Lorca a atravessar a mente:
“A poesia não quer adeptos, quer amantes.”
O mar entra pelas palavras
e as mulheres entram pelo mar.
Mareamos juntas: eu, a poesia, a maresia,
as vozes antigas, benevolentes.
Os poetas-fantasmas pairam sobre a página,
trazem versos húmidos,
uma espuma invisível que permanece.
E penso nas mulheres
que escreveram contra a corrente,
que guardaram a luz,
que desbravaram a onda para que eu
pudesse chegar aqui.
Poemar é amar.
E amar é deixar que o mar me atravesse
como quem sussurra: continua.
GR
05 março, 2026
António Lobo Antunes
António Lobo Antunes
António Lobo Antunes | 1.09.1942 - 05.03.2026
O seu último livro publicado foi O Tamanho do Mundo.
partilho a apreciação que escrevi quando o li.
leituras...trilhos...evasões...: 𝑶 𝑻𝒂𝒎𝒂𝒏𝒉𝒐 𝒅𝒐 𝑴𝒖𝒏𝒅𝒐, de António Lobo Antunes
António Lobo Antunes tem uma vasta obra publicada:
Memória de Elefante, (1979)
Os Cus de Judas, (1979)
Conhecimento do Inferno, (1980)
Explicação dos Pássaros, (1981)
Fado Alexandrino, (1983)
Auto dos Danados, (1985)
As Naus, (1988)
Tratado das Paixões da Alma, (1990)
A Ordem Natural das Coisas, (1992)
A Morte de Carlos Gardel, (1994)
A História do Hidroavião (com ilustrações de Vitorino), (1994)
Manual dos Inquisidores, (1996)
O Esplendor de Portugal, (1997)
Livro de Crónicas, (1998)
Exortação aos Crocodilos, (1999)
Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, (2000)
Que farei quando tudo arde?, (2001)
Segundo Livro de Crónicas, (2002)
Letrinhas das Cantigas (edição limitada), (2002)
Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, (2003)
Eu Hei-de Amar Uma Pedra, (2004)
D'este viver aqui neste papel descripto: cartas da guerra ("Cartas da Guerra"), (2005)
Terceiro Livro de Crónicas, (2006)
Ontem Não Te Vi Em Babilónia, (2006)
O Meu Nome é Legião, (2007)
O Arquipélago da Insónia, (2008)
Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?, (2009)
Sôbolos Rios Que Vão, (2010)
Quarto Livro de Crónicas, (2011)
Comissão das Lágrimas, (2011)
Não É Meia Noite Quem Quer, (2012)
Quinto Livro de Crónicas, (2013)
Caminho Como Uma Casa Em Chamas, (2014)
Da Natureza dos Deuses, (2015)
Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera, (2016)
Até Que as Pedras Se Tornem Mais Leves Que a Água, (2017)
A Última Porta Antes da Noite, (2018)
A Outra Margem do Mar, (2019)
Dicionário da Linguagem das Flores, (2020)
O Tamanho do Mundo (2022)
As Outras Crónicas (2024)
28 fevereiro, 2026
𝑺𝒊𝒈𝒖𝒓𝒅 𝒆 𝒐𝒔 𝑺𝒆𝒖𝒔 𝑩𝒓𝒂𝒗𝒐𝒔 𝑪𝒐𝒎𝒑𝒂𝒏𝒉𝒆𝒊𝒓𝒐𝒔, de Sigrid Undset
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
27 fevereiro, 2026
Clube de Leitura - Uma Casa sem Livros | Maré d'Escrita

- Se isto é um homem, Primo Levi;
- A Trégua, Primo Levi;
- Sem Destino, Imre Kertész;
- Cartas a Um Amigo Alemão, Albert Camus;
- O Barracão das Mulheres, Fermina Cañaveras;
- O Rouxinol, Kristin Hannah;
- Em Busca de Sentido, Viktor Frankl;
- O Clube de Xadrez, John Donoghue;
- A Violonista de Auschwitz, Alma Rosé;
- 70072 a menina que não sabia odiar, Lidia Maksymowicz;
- O Homem mais Feliz do Mundo, Eddie Jaku;
- Nós tivemos Sorte, Giorgia Hunter;
- Um Tempo a Fingir, João Pinto Coelho;
- Auschwitz, Laurence Rees
25 fevereiro, 2026
𝑺𝒆𝒎 𝑫𝒆𝒔𝒕𝒊𝒏𝒐, de Imre Kertész
Autor: Imre Kertész
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐⭐
21 fevereiro, 2026
O Monte dos Vendavais, de Emerald Fennell
Elenco:
Charlotte Mellington - Catherine Earnshaw (jovem)
Jacob Elordi - Heathcliff
Owen Cooper - Heathcliff (jovem)
Shazad Latif - Edgar Linton
Hong Chau - Nelly
Alison Oliver - Isabella Linton
Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais), realizado e produzido por Emerald Fennell (2026), assume-se como uma adaptação livre do romance de Emily Brontë, mais interessada na vibração emocional do que na fidelidade literal.
Fennell trabalha a narrativa com um olhar contemporâneo. Atribui alguma futilidade ao enredo e acentua a intensidade das relações e a dimensão febril dos encontros. As imagens, de um gótico luminoso, e as cores saturadas criam um território visual onde o agreste e o belo convivem, eco fiel da atmosfera literária daquela que muitos chamam “a maior história de amor de todos os tempos”.
No fim, permanece a sensação de que Fennell não procura substituir Brontë, mas dialogar com ela, deixando que a carga emocional continue a vibrar através dos tempos e fá-lo a partir da sua interpretação juvenil do romance (ela própria o referiu), transformando essa primeira leitura na bússola íntima desta adaptação.
18 fevereiro, 2026
𝑫𝒆𝒅𝒊𝒄𝒐-𝒍𝒉𝒆 𝒐 𝑴𝒆𝒖 𝑺𝒊𝒍ê𝒏𝒄𝒊𝒐, de Mario Vargas Llosa
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐⭐
17 fevereiro, 2026
Teodoro e o nome das ruas
Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)
Filipe Samuel Nunes
17 Fevereiro 2026 00:00













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