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14 maio, 2023

Desassossego

 





há dias em que tudo em mim sou eu
outros há em que me não conheço
há dia em que o mundo todo é meu
e outros em que nem a mim pertenço

há dias em que todo eu sou desprezo
outros há em que tudo em mim é saudade
há dias em que indivisível
                                          uno
                                                   ileso
e outros
             como hoje
em que sou metade da metade da metade


Norberto Morais, Poesia Vol. 1 



21 março, 2023

Dia Mundial da Poesia



como é que eu te explico isto que não sei se sinto ou invento
mas é como se um inverno cá dentro
como se o corpo me ardesse todo em veneno
e
ao mesmo tempo
                              tão sereno
                                                    tão pétalas de príncipe negro

como é que eu te explico
eu que das palavras me sustento
que tu em mim és um vento
um tornado
um arrancar de árvores pela raiz
que tu em mim és por um triz
um atirar-me do alto da ponte
com a certeza de ser pássaro
                                              nuvem
                                                                 de ser um sonho

como é que eu te explico
como é
eu que de palavras me componho
que tu em mim és a crença onde jamais vingou fé
e que a tua presença
a tua presença

todo eu me baralho
todo eu me complico
mas como é que caralho eu te explico
como
como
como
como é que eu te explico

Norberto Morais



28 junho, 2020

A Balada do Medo, de Norberto Morais


OPINIÃO



Neste livro, Norberto Morais transporta-nos de novo para um espaço imaginário. São Gabriel dos Trópicos é o país inexistente onde decorre uma parte da acção já que o protagonista, Cornélio Santos Dias de Pentecostes, passa muitos anos da sua vida, primeiro como suposto caixeiro-viajante, a circular pela região e mais tarde a fugir de uma morte anunciada. 
Ao longo da narrativa, o leitor fica deslumbrado quer pelas descrições dos locais quer pela caracterização das numerosas personagens pitorescas e extraordinárias presentes. 
O próprio protagonista é uma personagem fabulosa. Tem uma vida múltipla, com várias identidades, vive rodeado de mentira e de subterfúgios para trair a sua mulher e enganar as restantes mulheres que vai conquistando por onde passa. “Era com elaborado engenho que mantinha uma vida múltipla, conjugando afectos em todas as províncias do Norte, onde tinha mulheres aguardando-lhe o regresso. A solidão e a lonjura entre as cidades amparavam-lhe os pretextos” (p.9) 

Mas um dia tudo muda, e o folgazão passa a viver sob a égide do medo e do desespero de ludibriar o seu algoz e de assim escapar com vida. 

A leviandade e a falsidade protagonizadas por Cornélio são apresentadas com grande sentido de humor e uma grande mestria ao nível da escrita e da construção do romance. Porém, o autor pretende mais do que divertir com as peripécias amorosas da personagem, ele convoca o leitor a uma reflexão sobre a irracionalidade do ser humano perante a iminência da morte.


10 janeiro, 2017

A Desgraça de Amarílio Mendietta de Norberto Morais



Gostei do conto, lê-se numa horita, mas soube a pouco, Norberto Morais. Queremos mais!!
Coitado do Amarílio! Será que se virou mesmo o feitiço contra o feiticeiro ou será que quem ri por último, ri melhor!!



09 novembro, 2014

Norberto Morais apresentou o seu livro em Sines



No dia 8, pelas 16h00, Norberto Morais acompanhado pela sua editora Maria do Rosário Pedreira, esteve em Sines, na Livraria A das Artes para apresentar os seus dois livros Vícios de Amor e O Pecado de Porto Negro.

Numa conversa informal e agradável, Maria do Rosário Pedreira fez uma apresentação breve do livro e explicou de que forma conheceu o escritor. Por sua vez,  Norberto falou-nos dos seus livros e presenteou o público com alguns episódios da sua vida.