Neste espaço pretende-se divulgar actividades culturais/educativas/lúdicas ou simplesmente participar, partilhar opiniões, leituras, viajar...
24 setembro, 2026
Literatura Impura
29 agosto, 2026
Ainda vamos escrever sobre isto!
28 agosto, 2026
Quando um livro relincha
GR
30 julho, 2026
Entre páginas e mar
Sentada na esplanada,
acolho o calor que sobra da tarde.
Abro o livro, as palavras avançam,
tocam-me subtilmente.
Entre goles de sumo fresco,
a marginal move-se
crianças, adultos,
corpos ainda salgados do mar.
Afasto o olhar das páginas
e deixo que a vida dos outros
se misture à minha.
Memórias felizes emergem,
o presente aproxima-se delas,
e uma história nova começa.
Mais crianças surgem
uma bola que escapa,
um grito que se eleva,
um instante de alegria.
Gaivotas atravessam o ar,
umas exibem-se, outras desaparecem
no azul esverdeado.
Eis a espuma dos meus dias
serenidade que se instala,
melancolia que me acompanha.
Fico ainda na esplanada.
A tarde abranda,
o sol inclina-se num gesto lento.
O cheiro do mar aproxima-se,
traz consigo uma memória antiga
que não sei nomear.
As conversas ao redor dissolvem-se,
ficam apenas fragmentos,
uma gargalhada,
um pedido ao empregado,
um silêncio partilhado entre dois.
Viro mais uma página
As palavras avançam,
abrem espaço dentro de mim.
Uma brisa leve
atravessa a mesa,
move a folha,
traz o grito das gaivotas.
A marginal continua a passar
passos apressados,
passos vagarosos,
vidas que não conheço.
E eu permaneço
entre páginas,
entre memórias,
entre o que chega e o que fica.
Na marginal, os passos abrandam.
Há quem pare,
há quem observe,
há quem siga sem olhar.
E então a luz transforma-se.
O sol aproxima-se da linha do mar,
desce num gesto lento.
O horizonte acende-se em tons suaves,
o dia despede-se
com a mesma serenidade.
Fico a ver essa descida,
espuma dos meus dias,
onde a melancolia repousa
e a luz se recolhe.
07 julho, 2026
Submissão
Portugal ardeu em campo,
jogadores a rasgar o tempo
com o país nas veias.
Força.
Entrega.
No banco, o medo sentou-se,
um treinador preso a um nome,
incapaz de tocar no intocável.
Um gesto que travou o jogo.
E o “melhor” tornou-se peso de passado,
num presente que clamava mudança.
Quem não ousa, não lidera,
num país que joga com o coração inflamado.
No horizonte, ergue-se um amanhã
emergente
promitente.
11 junho, 2026
Da minha janela vivo o mar
@ GR
23 maio, 2026
Lua
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Lua
Como uma actriz vaidosa
que só revela o rosto quando lhe convém,
a Lua cresce, mingua, desaparece, regressa.
O telescópio procura-a, paciente,
mas ela esconde-se atrás de véus de sombra,
ora meia, ora inteira, ora quase nada,
mostrando apenas o brilho que quer.
O vento, cúmplice eterno,
ajeita-lhe o vestido de luz
para que o seu reflexo tremule no mar
onde ensaia em silêncio
um bailado secreto
12 maio, 2026
Samica, Alguém!
16 abril, 2026
A história que Abril abriu
(c) GR Sines, 24 Abril 2024 - Espectáculo Teatro do Mar
29 março, 2026
08 março, 2026
Poemar é Amar!
(c) GR | S. Torpes 01.03.2020
Poemar é amar
Alinho as canetas - as de tinta permanente -
como quem encosta o ouvido ao mar
para escutar o que ainda não sabe dizer.
Alinho-as de novo,
devagar,
como quem prepara um pequeno ritual.
É Março e a maré impõe-se.
Mulher e Poesia
tocam-se como duas ondas que se reconhecem.
Há uma maresia a soprar pelas páginas,
um rumor de vozes que não se calam,
mesmo quando o vento tenta apagar-lhes o nome.
Há um sopro de Lorca a atravessar a mente:
“A poesia não quer adeptos, quer amantes.”
O mar entra pelas palavras
e as mulheres entram pelo mar.
Mareamos juntas: eu, a poesia, a maresia,
as vozes antigas, benevolentes.
Os poetas-fantasmas pairam sobre a página,
trazem versos húmidos,
uma espuma invisível que permanece.
E penso nas mulheres
que escreveram contra a corrente,
que guardaram a luz,
que desbravaram a onda para que eu
pudesse chegar aqui.
Poemar é amar.
E amar é deixar que o mar me atravesse
como quem sussurra: continua.
GR
16 fevereiro, 2026
Valha-me Deus ! (e os outros também)
Primeiro alinhas as canetas de tinta permanente. Uma com tinta
negra, outra com tinta azul. A terceira está vazia. Sentas‑te e debruças‑te para o caderno de
capa preta. Abres na primeira página em branco. Lês, relês e voltas a ler
as premissas para a redacção do texto que se supõe ser criativo e sentido. O
peso dos poetas‑fantasmas bloqueia‑te a inspiração.
Pensas
longamente. Pegas na caneta de tinta azul, insinuas o primeiro gesto de
escrita. As palavras permanecem mudas. Amaldiçoas quem propôs este exercício.
- Valha‑me
Deus! - Exclamas.
Segue‑se um
silêncio tão espesso que até os teus pensamentos parecem andar descalços para
não o perturbar. Pressentes um sorriso sarcástico dos deuses Al Berto, Eugénio,
Sophia e Fernando, reunidos no Olimpo como quem assiste a uma peça
experimental. E Baco, claro, está com eles! Não por devoção, mas porque nunca
perde uma oportunidade de servir um bom néctar.
- Valha‑me
Deus! - Repetes, angustiada, enquanto ecoa uma gargalhada e um “Ah, ah, ah!
Débrouille‑toi, ma chère!”. Só pode ser Al Berto. Se fosse o Fernando, tê-lo-ia
dito em inglês, com aquele ar de quem sabe sempre mais do que tu.
- Valha‑me
Deus ou valham‑me os deuses! - Insistes, já sem saber a quem te diriges.
Esboças a
palavra AMOR
sem convicção, riscas, suspiras. Não se pode começar assim, pensas. O desespero
instala‑se e, no fundo, sabes que não é só o exercício que te pesa. Há dias em
que escrever parece um acto de resistência, e hoje é um deles.
Mas então,
uma voz doce sussurra‑te ao ouvido: - Pensa no tempo presente. Aproxima‑se um
dia de decisões importantes. O dia 8 de Fevereiro. Relaciona‑o com a data que
hoje se assinala: Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
- És tu,
Calíope? Minerva? - Perguntas, aturdida.
- Não importa
quem sou. Debruça‑te para a página que ainda tens em branco e verás que um
poema surgirá.
E assim,
retomas a caneta de tinta azul. A página continua branca, mas já não te
intimida tanto. Talvez fosse do sussurro, talvez fosse da presença silenciosa
dos poetas que, apesar das gargalhadas, sempre te empurram para a palavra
certa. Ou talvez fosse apenas a consciência de que, mesmo quando tudo parece
vacilar, há sempre uma frase que nos salva.
Como tens em
ti ainda alguns sonhos do mundo, respiras fundo, voltas a alinhar as canetas, como
se esse gesto tivesse algum poder mágico e deixas que as palavras surjam. As
primeiras chegam tímidas, mas vêm cheias de memórias. Outras trazem urgência. E
então, quase sem dares por isso, o poema começa a escrever‑se a si próprio:
É urgente o amor, é urgente permanecer.
27.Jan.2026
GR
09 fevereiro, 2026
Ontem foi um bom dia
04 fevereiro, 2026
21 janeiro, 2026
Incidência
Incidência
Vejo‑te de tantos sítios,
silhueta calma.
Mas é daqui,
onde o horizonte respira,
que melhor te desenho.
Daqui,
a tua forma arredonda‑se
num seio firme,
cedendo ao vai‑e‑vem
das águas claras que te embalam.
Caminho a linha que nos separa.
Estás morena!
O sol pousa em ti
como quem te reclama.
E brilhas!
Sinto uma brisa leve,
cúmplice,
que te acaricia.
Como desejaria tocar‑te,
colher o pêssego secreto
que dissimulas.
O mar impede o gesto,
aquieto-me na incidência do teu brilho.
GR
10 janeiro, 2026
Sublimidade
Sublimidade
tingem o horizonte
Inicia a descida
segura
Aproxima-se
Beija o oceano
entra nele
uma parte
num só brilho
06 janeiro, 2026
24 dezembro, 2025
Manta de RetalhEcos
21 novembro, 2025
𝑨 𝑴𝒂𝒏𝒕𝒂, de Isabel Minhós Martins e Yara Kono
GR
10 novembro, 2025
Vigília em desassossego
A partir de dois versos de Al Berto escrever um texto
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem
in Uma existência de papel - Poema 5 "Eremitério"
Premissas:
- iniciar o texto com os dois versos indicados;
- usar, no corpo do texto, as seguintes palavras: luz, alga(s), mulheres, nocturno, obsessão, mar.
demoraste tanto a voltar dessa viagem...
Como te esperei — ansioso, desolado.
Deambulando pelas ruas, procurava-te no rosto fechado das mulheres sentadas à soleira das portas, espiando o crepúsculo da vida.
Nada. Absolutamente nada.
Sentado na areia, desejava que as algas te arrastassem até mim.
Na mesma posição, ocupado em memórias fugazes, apenas perturbado pelo silêncio sibilante das ondas, vivi dias lentíssimos… sem ti.
A saudade, feroz, atormentava-me o coração e ofuscava a luz radiante do sol que se espelhava no mar — único confidente do meu desassossego.
A espera tornou-se obsessão, a inquietude dos dias invadiu-me e tornei-me, como tu, um rosto louco, nocturno, em continuada vigília.
Agora que regressaste, afasto a melancolia e recupero o ensejo de preencher a folha de papel que há muito aguardava a tinta capaz de lhe dar sentido.
“ESCREVO-TE A SENTIR tudo isto
e num instante de maior lucidez ”
Promete que não voltas a partir...
Preciso de ti — aqui, continuamente.
Só contigo saberei justificar esta existência de papel.











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