MAR

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16 fevereiro, 2018

as primeiras coisas de Bruno Vieira Amaral




as primeiras coisas narra o regresso de Bruno Eugénio à casa materna e ao Bairro Amélia, bairro onde nasceu. Num longo prólogo ficamos a saber que uma profunda depressão causada pelo divórcio e pela perda de emprego são as razões desse acontecimento.

Para combater a solidão e o desespero em que se encontra, Bruno com a ajuda de Virgílio, o fotógrafo do bairro, procura recolher toda a informação possível sobre várias figuras do bairro bem como de alguns espaços e eventos. É esta informação que nos é narrada, por ordem alfabética, no seu romance através de uma escrita simples, bem-humorada e crua, (própria deste tipo de bairros).

Fica claro que o comportamento destas personagens representa em grande parte o retrato de muitos outros bairros deste país cheio de personagens inativas, doentes, incultas e corruptas.





04 fevereiro, 2018



Livro autobiográfico. Primo Levi narra o período que passou num campo de concentração alemão, o Lager. De forma objectiva e rigorosa descreve os comportamentos do homem submetidos a condições de extrema violência, os modos de vida, as “actividades” praticadas como meio de sobrevivência, as doenças, a “selecção”, a gestão dos campos. Ao longo destas páginas, Primo Levi, magistralmente, revela-nos a maldade humana e o horror do extermínio, mas ressalva também a presença de alguma bondade humana. 
De leitura obrigatória, este livro levanta questões que hoje, estão de novo presentes na nossa sociedade. Afinal, qual é o valor do ser humano? Se isto é um Homem está, de novo, ou nunca deixou de estar, na ordem do dia.


31 janeiro, 2018

O 'Moturista' Acidental de Tiago Salazar




Este último livro de Tiago Salazar é muito divertido e lê-se de um trago. No seu tuk-tuk, o autor mostra aos turistas a luminosa e encantadora cidade: “Lisboa é uma mulher, a mais bela da criação”. Ao longo dos percursos, mais ou menos longos de acordo com o interesse e o bolso do cliente, surgem conversas “como se de um “confessionário de um consultório médico” se tratasse e algumas são bem surpreendentes. 
As crónicas que compõem este livro são algumas das memórias desses passeios.


Evasões...Hamburgo














29 janeiro, 2018

O Livreiro de Paris de Nina George





Trata-se de um livro sobre livros, sobre o amor e a amizade, mas sobretudo sobre a redenção. O protagonista, Jean Perdu vende livros num barco, atracado no Sena, que transformou em livraria e à qual atribuiu o nome excepcional de Farmácia Literária. Isto porque Jean se recusa a vender um livro qualquer aos seus clientes. Ele receita-lhes livros que vão de encontro aos seus problemas. No entanto, este “farmacêutico”, leitor de almas não consegue resolver o seu próprio problema que dura há vinte anos, desde que Manon, a sua amada, o abandonou deixando-lhe uma carta que ele nunca leu. Ele isola-se do mundo, vive fechado nas suas memórias e na dor de um amor perdido. Só passado todo esse tempo, quando finalmente leu a carta, que lhe foi entregue por outra mulher, ele compreendeu a razão pela qual Manon, o deixara. Este acontecimento vai alterar por completo a sua vida. Foge de Paris, no seu barco, e dirige-se até ao sul (Provença) para tentar resolver esse capítulo da sua vida. Se não conseguir afastar os fantasmas que o perseguem nunca mais conseguirá ser feliz. 
Com ele viaja um jovem escritor, Max, que também procura inspiração para um novo livro. A viagem revela-nos várias peripécias, dá-nos a conhecer algumas personagens divertidas e divulga-nos livros interessantes. 

O livro é interessante com algum sentido de humor, e acaba por conquistar o leitor porque o amor, a amizade, a perda, o autoconhecimento e a reconciliação com o passado são os pontos fortes desta obra.



Olhares sobre Al Berto

O Estendal Poético sobre Al Berto, criado pelos alunos, professores e funcionários da escola está agora  patente no Centro de Artes de Sines. O Estendal, no CAS, pretende assinalar a data de nascimento do poeta, que comemoraria os seus 70 anos, no dia 11 de janeiro.







21 janeiro, 2018

é no peito a chuva de Gonçalo Naves



O autor revela-nos uma escrita trabalhada, cuidada e arriscada, atrevo-me a dizer, porque subverte algumas regras estabelecidas na nossa gramática. No entanto, fá-lo já com mestria à semelhança de alguns escritores famosos. O que não é um defeito, mas uma característica que exige apenas uma maior atenção durante a leitura. 

Gosto da temática abordada, o Gonçalo apesar de ser ainda um jovem já demonstrou que está atento e informado. Neste segundo livro, temos a dicotomia cidade/ campo. Como na cidade existe a solidão, a doença, a miséria, as pessoas deslocam-se para o campo e aí encontram a pureza da natureza, o belo e a bondade. Recorrendo a algumas, poucas personagens, o autor expõe a sua visão e de forma inteligente vai interagindo com o leitor na busca de um entendimento.