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02 dezembro, 2017

Os Loucos da Rua Mazur de João Pinto Coelho




Mais um livro magnífico do João Pinto Coelho. Enredo duro, por vezes cruel também aborda a temática da segunda guerra mundial. A acção acontece na Polónia, numa povoação habitada por cristãos e judeus e em Paris. Mais não digo para que os futuros leitores não percam o entusiasmo da descoberta.

É de leitura obrigatória.



20 novembro, 2017

Fábrica de Melancolias Suportáveis



Mais uma promessa na ficção portuguesa. Este primeiro livro da Raquel Gaspar Silva está muito bem escrito. Numa narrativa poética e com uma selecção cuidada das palavras, a autora recorre à memória de Carlota para expor as tradições e a vida da família e de outros habitantes de uma aldeia alentejana.

13 novembro, 2017

Mea Culpa de Carla Pais



Trata-se de uma surpresa agradável, este primeiro romance de Carla Pais. Numa escrita poética, cuidada e crua, a autora narra-nos a história de duas personagens desprotegidas numa sociedade decadente, que nasceram “no outro lado da ponte”. Amadeu Jesus, filho de uma puta que vive na aldeia, cumpriu uma pena de dez anos, acusado de ter assassinado a filha do Sr. Presidente da Junta; Briosa, que tem uma mãe que passa o dia sentada à mesa a beber e um irmão acorrentado, gosta de se deitar em cima do curral das ovelhas para ver as estrelas. A autora desenvolve habilmente a narrativa e conta-nos os factos que levaram o protagonista à prisão, os mexericos próprios de uma aldeia, as injustiças sociais. Apesar da miséria e decadência existentes ao longo do romance, este termina com uma mensagem de esperança. 

Gostei muito.



06 novembro, 2017

O Anjo Mudo de Al Berto






É a segunda vez que leio O Anjo Mudo integralmente e de seguida. Normalmente, e muitas vezes, leio apenas um ou dois textos e fico a pensar, em silêncio, porque a escrita de Al Berto provoca este efeito. É uma escrita para ser sentida. 

Este livro, muito autobiográfico, reúne vários textos do poeta publicados na imprensa e em catálogos de exposições, entre 1985 e 1993. Está dividido em quatro partes. Nas três primeiras, temos textos sobre viagens, lugares, terras, encontros, a infância, o processo de escrita, emoções, desassossegos… Na quarta, Al Berto enaltece alguns escritores que, de certa forma, influenciaram a sua escrita, o seu pensamento, a sua forma de ser. Partindo de factos e personagens reais, ele constrói o seu texto. 

Gosto sobretudo do tom confidencial e metafórico da escrita de Al Berto. 
Recomendo vivamente a leitura da sua escrita, neste pequeno livro de 155 páginas, ou na sua poesia compilada em O Medo.


"Porque é do silêncio poroso do anjo mudo, da fala incandescente do seu olhar que, de quando em quando, surge o poema" (p. 55)

01 novembro, 2017

A Gorda de Isabela Figueiredo



Este romance de carácter autobiográfico (parece-me) aborda uma temática muito interessante e muito actual. Maria Luísa, a protagonista, tendo nascido em Lourenço Marques vem para Portugal, por decisão dos pais que decidem interna-la num colégio, na Lourinhã. É boa aluna, inteligente e trabalhadora, mas é gorda. Numa sociedade como a nossa, Maria Luísa vai ser rejeitada, gozada, humilhada quer pelas colegas quer pelos amigos de David, o rapaz/homem da sua vida que também a abandona, mas que permanecerá para sempre na sua memória. Partindo da descrição das divisões da casa que habita com os pais, depois de estes terem voltado ao país, a protagonista relata-nos a sua vida, em constantes avanços e recuos no tempo e percebemos que o estigma de ser gorda a vai perseguir, mesmo após a gastrectomia, e Maria Luísa acaba por ter uma vida de contradições, de busca da felicidade e de isolamento. A sua vida como professora acaba por estabilizar, mas ela fica só e presa às recordações.





23 outubro, 2017

Os Despojos do Dia de Kazuo Ishiguro





Os Despojos do Dia, de Kazuo Ishiguro, é um romance magnífico sobre um mordomo digno e responsável que dedicou a sua vida a servir cavalheiros importantes, na mansão Darlington Hall. Durante uma viagem de seis dias sugerida pelo seu novo patrão, Stevens, o mordomo, escolhe cuidadosamente o seu percurso e decide visitar uma governanta que trabalhou sob a sua administração e que deixou Darlington Hall para se casar. Ao longo desta viagem, Stevens recorda com saudade as suas escolhas pessoais e profissionais. Percebe-se que a personagem foi exemplar no seu trabalho, mas revela ter dificuldade em expressar sentimentos. Quando reencontra Miss Kenton, entende que o tempo passou e que nada pode fazer para alterar o rumo da sua vida. 

Numa dessas recordações, Stevens afirma “Este patrão personifica tudo quanto considero nobre e admirável. Doravante dedicar-me-ei a servi-lo”. Este pensamento define muito bem a forma de pensar e de ser deste mordomo. 

Recomendo vivamente a leitura.

Kazuo Ishiguro foi nomeado Prémio Nobel da Literatura, 2017



20 outubro, 2017

João Pinto Coelho vence prémio Leya 2017





João Pinto Coelho venceu o prémio Leya 2017 com o romance Os Loucos da Rua Mazur. Em 2014, o autor foi finalista, deste prémio com o grande romance Perguntem a Sarah Gross.

"É um livro muito bem escrito, com muita força", disse Manuel Alegre sobre o livro que aborda a temática do extermínio dos judeus, acrescentando que o romance tem "personagens fortíssimas".


Dos 400 originais que foram apresentados a concurso, o júri selecionou cinco finalistas.

O Prémio Leya, no valor de 100 mil euros, foi criado em 2008 com o objetivo de distinguir um romance inédito escrito em português.

É o maior prémio para uma obra inédita escrita em língua portuguesa. 






Ana Margarida Carvalho vence Grande Prémio da APE



Ana Margarida Carvalho venceu mais uma vez o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) com a obra Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato.



Em 2013, vencera como seu primeiro livro Que Importa a Fúria do Mar.

Desde que foi instituído em 1982, o prémio de 15 mil euros já foi atribuído a 29 autores, sendo que seis já o receberam duas vezes: Ana Margarida Carvalho, Vergílio Ferreira, Agustina Bessa-Luís, António Lobo Antunes, Maria Gabriela Llansol e Mário Cláudio.




 

11 outubro, 2017

Aldeia Nova de Manuel da Fonseca




Temos 12 pequenos contos que focam aspetos do quotidiano dos habitantes da vila Cerromaior e de outras pequenas aldeias alentejanas, dos anos trinta. São histórias simples, mas que retratam bem a realidade do povo que labuta de sol a sol, que vive com dificuldades, que parte à procura de emprego, que sofre, que morre, que vive de intrigas e de favores. A descrição do espaço envolvente é muito importante para a compreensão dos acontecimentos. Verifica-se que há uma sequência cronológica porque algumas personagens são recorrentes. É o caso de Rui Parral que aparece como criança, mais tarde como estudante universitário e ainda como adulto.
Foi bom voltar a Manuel da Fonseca, excelente escritor que marcou uma época e que considero um pouco esquecido na nossa literatura.



04 outubro, 2017

O Tambor de lata de Günter Grass



Este romance, dividido em três partes/”livros”, narra a história, de Oskar Matzerath, um anão alemão, nascido em Danzig, na época, uma cidade sob o domínio alemão (hoje Gdänsk). 

O personagem encontra-se internado num hospital psiquiátrico após ter sido acusado de um crime que não cometeu e tenta perpetuar as memórias da sua infância e juventude, do quotidiano da sua família e amigos e, claro, da guerra e suas consequências. Para tal, serve-se do seu tambor de lata, que sempre o acompanhou, desde o seu terceiro aniversário, para narrar a sua vida ao enfermeiro Bruno. E a aparente loucura de Oskar permite que a narração, na primeira pessoa, seja também feita pelo seu tambor, confundindo-se com ele próprio. 

Günter Grass pretende criticar de forma irónica, por vezes surreal e grotesca, uma sociedade muito marcada pela guerra (invasão da Polónia e presença das tropas russas). Oskar com o seu tambor torna-se um instrumento do poder e a sua aparente loucura é uma forma de sobrevivência. Torna-se uma personagem fria, calculista, mas ao mesmo tempo feliz e sempre apaixonado.



08 setembro, 2017

Filme Al Berto, de Vicente Alves do Ó





É no dia 9 de setembro, às 21h30, no castelo de Sines, que temos a  antestreia o filme do realizador Vicente Alves do Ó sobre Al Berto. 
A estreia realizar-se-á no dia 5 de outubro, em Lisboa. 


03 setembro, 2017

Mataram a Cotovia de Harper Lee



Mataram a Cotovia é um romance que vai em crescendo, isto é, quanto mais se avança no enredo mais conquistado se vai ficando. É mais uma obra sobre a natureza humana, centrada numa pequena cidade americana, narrada através da vivência de uma criança, Scout, ao longo de 3 anos (dos 5/6 aos (8/9 anos).
Ela inicia o seu primeiro ano escolar e a pouco e pouco, com o irmão, um amigo e o pai, um advogado viúvo, vai descobrindo a sociedade preconceituosa na qual está inserida. Miúda traquina, inteligente e muito curiosa não compreende certas atitudes hipócritas, injustas, racistas das pessoas que a rodeiam. Não devemos esquecer que este romance foi escrito em 1959, nos Estados Unidos, época em quem a cor da pele, a classe social, a educação e mesmo o temperamento das pessoas eram aspectos fundamentais desta sociedade.

Considero este livro magnífico, na medida em que se trata de um apelo à intolerância no geral apesar da questão racial ser o ponto fulcral do romance.  


29 agosto, 2017

Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo de António Lobo Antunes



Quando em 2003 comprei este livro, tentei lê-lo de imediato, mas não consegui avançar… nessa altura não tinha a disponibilidade nem a concentração necessárias que a leitura deste romance exige. Nestas férias, decidi retomá-lo (também para dar resposta a um desafio) e li-o de fio a pavio. O romance de António Lobo Antunes apresenta uma estrutura da narrativa complexa, pois as acções, os pensamentos e as memórias do presente e do passado misturam- se e repetem-se, as personagens multiplicam-se. Estamos numa Angola da pós-descolonização e o enredo é apresentado em três livros com prólogo e epílogo. Cada livro relata os acontecimentos de um agente de espionagem enviado pelo “Serviço” com a missão de apagar os vestígios deixados pelo agente anterior, de contrabandear diamantes e de os trazer para Lisboa. Todos falham.

O leitor é convidado a organizar as frases para melhor entender e reconstruir a história e assim desfrutar da escrita do autor que se revela muito rica e metafórica. 


15 agosto, 2017

O que faria eu se estivesse no meu lugar? de Celso Filipe




10 conversas descontraídas, conduzidas pelo Celso Filipe e com as quais ficamos a conhecer um pouco melhor o António Lobo Antunes. As conversas incidem sobretudo sobre a escrita e os livros do autor, as suas leituras e um pouco da sua vida privada (muito pouco mesmo, pois o autor não gosta de explorar/divulgar essa vertente). Lê-se muito bem.




09 agosto, 2017

Filme sobre Al Berto apaga imagem de poeta maldito


Relação amorosa entre o poeta e o irmão do realizador, nos anos 70, cruza-se com a história de um grupo de jovens esclarecidos de Sines, deslumbrados com a liberdade. Estreia a 14 de setembro.



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O primeiro filme biográfico sobre Al Berto não conta a história de vida do poeta. Não por inteiro. A película realizada por Vicente Alves do Ó centra-se apenas no período de 1975 a 1978, depois de Al Berto regressar do exílio em Bruxelas e se instalar em Sines. Na vila da costa alentejana onde tinha crescido, vive naqueles anos uma relação amorosa que a comunidade censura. É este um dos temas principais do filme.

Intitulado “Al Berto”, tem estreia agendada para 14 de setembro nas salas portuguesas. A produtora, Ukbar Filmes, ainda não organizou sessões de visionamento para a imprensa, mas, em conversa com o Observador, Vicente Alves do Ó adiantou o conteúdo da obra.
Notícia completa em Notícias de Sines 



Al Berto (trailer) por Vicente Alves do Ó


Publicado a 08/08/2017
Verão de 1975: depois de uns anos em Bruxelas, Alberto Raposo Pidwell Tavares regressa a Sines e instala-se no palácio da família, onde ensaia uma vida de comunidade. Encontra João Maria e apaixonam-se. Abre uma livraria na vila. Mas a gente da terra não estava preparada para tanta liberdade.

Al Berto​, brevemente nos cinemas!

08 agosto, 2017

Grandes Esperanças de Charles Dickens



Comprei este livro por volta de 79/80. Deve ter sido dos primeiros livros que comprei em Portugal, como sócia do Círculo de Leitores (está catalogado com o n.º 60). Tem capa dura, vermelha com letras douradas. Fui adiando a sua leitura até que me esqueci dele. Para dar resposta a um dos desafios de leitura que estou a cumprir, tinha de escolher um livro cujo título iniciasse com a letra do meu nome. Grandes Esperanças responde a essa condição, então, optei por lê-lo e em boa hora o fiz porque considero que é um romance avassalador.

Pip, a personagem principal, dialoga, através das suas memórias, com o leitor de uma forma sublime, e convoca-o a tomar conhecimento da sua história desde a infância até à vida de adulto. Pip é rígida e “convenientemente” educado pela sua irmã e pelo seu cunhado num lar humilde. Mais tarde, Pip herda inesperadamente uma fortuna e este facto vai provocar uma reviravolta quer na sua vida social quer na sua personalidade. Abandona a sua terra natal, a sua família e amigos e vai viver para Londres, passando a ser tratado por Senhor Pip.

Ao longo da narração, o leitor encontra-se dividido entre a sinceridade da personagem e a sua imoralidade ao afastar-se dos seus por ter vergonha da sua origem. Mas é nesta contradição da personalidade de Pip que vamos acompanhando todo o processo de construção da sua própria identidade, pela forma como reage perante situações inesperadas de violência, e de intriga, mas sobretudo perante as relações de amizade e de amor. No final, assistimos ao arrependimento e à busca pela redenção de Pip.


24 julho, 2017

Rebeldia de Cristina de Carvalho



Leninha, a protagonista desta história, miúda da província recusa-se a seguir o que a vida lhe vai impondo. Mas as opções que toma nunca a satisfazem e então vive constantemente em contradições, em indecisões e nada bate certo.
A escrita fluída e mantém-nos presos ao percurso desta personagem.



16 julho, 2017

Até que o Amor me Mate de Maria João Lopo de Carvalho



Neste livro, temos a vida e obra do nosso grande poeta, Luís de Camões. São sete as vozes femininas e apaixonadas que nos narram a sua vida, os seus amores, desamores, desavenças e nos transcrevem versos quer das Rimas quer da Epopeia. Simultaneamente, dão-nos a conhecer o reinado de D. Sebastião, o seu desejo de combater no norte de África, a hipocrisia da Corte, e a inveja que grassava em relação ao engenho e arte de Camões.