MAR

MAR

25 abril, 2017

25 de Abril, sempre!

                                 

25 de Abril


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo




Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'O Nome das Coisas'

14 fevereiro, 2017

Todas as Cartas de Amor são Ridículas?





Todas as Cartas de Amor são Ridículas



Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, in "Poemas"  (Heterónimo de Fernando Pessoa)



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Segunda-feira à tarde


Seria um mentiroso se não dissesse ainda
mais do que disse hoje na carta desta manhã dizer-te justamente a ti,
perante a qual posso falar tão livremente
como perante ninguém porque ainda ninguém
se pôs de tal modo ao meu lado como tu, consciente e 
voluntariamente, apesar de tudo, apesar de tudo
(distingue o Apesar de Tudo do grande a Despeito de )
As mais belas das tuas cartas (e
isto é dizer muito, pois são,
no seu todo, quase linha por linha, o que de mais belo
aconteceu na minha vida) são aquelas 
em que justificas o meu "medo" e 
simultaneamente procuras explicar que não 
tenho de o ter.Pois também eu, por muito que
às vezes pareça um defensor subornado
do meu medo, no fundo, o justifico provavelmente, 
mais sou feito dele e ele talvez seja o que eu tenho de melhor. E já  que ele é o
melhor de mim, talvez seja também a única coisa que te 
agrada. Porque, de outro modo, que se poderia encontrar 
em mim que fosse tão digno de ser amado. Isto é, no entanto, digno de ser amado.

(...)


in, Três Cartas a Milena Jesenská, Franz Kafka (edição fac-similada do manuscrito)




09 fevereiro, 2017

Luminoso Afogado - Monólogo a partir de Al Berto

Mais uma iniciativa promovida pelo CAS para assinalar os 20 anos da morte do poeta. 







Exposição: José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno


Fundação Calouste Gulbenkian
Até 5 de junho 2017
Quarta a segunda, 10:00 - 18:00

«Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.» (José de Almada Negreiros, 1927)








11 janeiro, 2017

Dia de aniversário - Al Berto



noutros tempos
quando acreditávamos na existência da lua
foi-nos possível escrever poemas e
envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
pelas salivas proibidas - noutros tempos
os dias corriam com a água e limpavam
os líquenes das imundas máscaras


hoje
nenhuma palavra pode ser escrita
nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras
ou se expande pelo corpo estendido
no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se

onde se pode - num vocabulário reduzido e
obsessivo - até que o relâmpago fulmine a língua
e nada mais se consiga ouvir

apesar de tudo
continuamos a repetir os gestos e a beber
a serenidade da seiva - vamos pela febre
dos cedros acima - até que tocamos o místico
arbusto estelar
e
o mistério da luz fustiga-nos os olhos
numa euforia torrencial


Al Berto, Horto de Incêndio

25 dezembro, 2016

Dia de Natal




Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom. 
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, 
de falar e de ouvir com mavioso tom, 
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças. 
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem, 
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria, 
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem, 
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria. 

Comove tanta fraternidade universal. 
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos, 
como se de anjos fosse, 
numa toada doce, 
de violas e banjos, 
entoa gravemente um hino ao Criador. 
E mal se extinguem os clamores plangentes, 
a voz do locutor 
anuncia o melhor dos detergentes. 

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu 
e as vozes crescem num fervor patético. 
(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.) 
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas. 
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante, 
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas 
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante. 

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates, 
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica, 
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates, 
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica. 

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito, 
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores. 
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito, 
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores. 

A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento. 
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar. 
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento 
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar. 

Mas a maior felicidade é a da gente pequena. 
Naquela véspera santa 
a sua comoção é tanta, tanta, tanta, 
que nem dorme serena. 
Cada menino abre um olhinho 
na noite incerta 
para ver se a aurora já está desperta. 
De manhãzinha 
salta da cama, 
corre à cozinha em pijama. 

Ah!!!!!!! 

Na branda macieza 
da matutina luz 
aguarda-o a surpresa 
do Menino Jesus. 

Jesus, 
o doce Jesus, 
o mesmo que nasceu na manjedoura, 
veio pôr no sapatinho 
do Pedrinho 
uma metralhadora. 

Que alegria 
reinou naquela casa em todo o santo dia! 
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas, 
fuzilava tudo com devastadoras rajadas 
e obrigava as criadas 
a caírem no chão como se fossem mortas: 
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá. 
Já está! 
E fazia-as erguer para de novo matá-las. 
E até mesmo a mamã e o sisudo papá 
fingiam 
que caíam 
crivados de balas. 

Dia de Confraternização Universal, 
dia de Amor, de Paz, de Felicidade, 
de Sonhos e Venturas. 
É dia de Natal. 
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade. 
Glória a Deus nas Alturas. 

António Gedeão, in 'Antologia Poética' 

11 novembro, 2016

Leonard Cohen (21.set.1934 - 10.nov.2016)




O cantor, compositor, poeta e escritor canadiano deixou-nos aos 82 anos. Provavelmente incompatível com Donald Trump, o 45.º presidente dos USA, onde residia. Cohen  encontrava-se pronto para partir e atribuiu ao seu último álbum, o título "I'm ready, my Lord" que lançou no mês passado. 

Cohen permanece imortal através das suas belíssimas melodias. Ninguém esquecerá a sua voz rouca e sensual. 








15 outubro, 2016

Bob Dylan Prémio Nobel da Literatura 2016




Bob Dylan é o vencedor do prémio Nobel da Literatura 2016, “por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana”. 

O anúncio foi feito  pela Academia Sueca, em Estocolmo. “É um poeta maravilhoso”, justificou a secretária permanente Sara Danius. É a primeira vez que o Nobel é entregue a um compositor, “que pode e deve ser lido”, para além de escutado.

Em 1971, publicou um livro Tarantula e é um misto de  prosa e poesia. 
Encontra-se traduzido para português pela já extinta Quasi Edições. 

Mas o seu livro mais popula é  Crónicas: Volume 1, lançado em 2004, editado, em Portugal, pela  Ulisseia
É através destas páginas que ficamos a saber que Robert Allen Zimmerman, nascido a 24 de maio de 1941, no Estado americano do Minnesota, numa América onde a segregação racial era a realidade do dia-a-dia, começou a escrever poemas com dez anos de idade. E que aprendeu sozinho a tocar piano e guitarra.



In, Observador (adapatado)

31 maio, 2016

Raduan Nassar é o vencedor do Prémio Camões 2016



O Prémio Camões 2016 foi esta segunda-feira atribuído por unanimidade ao escritor Raduan Nassar, de 80 anos, o 12.º brasileiro a receber aquele que é considerado o mais importante prémio literário destinado a autores de língua portuguesa. O júri sublinhou "a extraordinária qualidade da sua linguagem" e a "força poética da sua prosa".

"Através da ficção, o autor revela, no universo da sua obra, a complexidade das relações humanas em planos dificilmente acessíveis a outros modos do discurso", justificou o júri, acrescentando que "muitas vezes essa revelação é agreste e incómoda, e não é raro que aborde temas considerados tabu". O júri realçou ainda "o uso rigoroso de uma linguagem cuja plasticidade se imprime em diferentes registos discursivos verificáveis numa obra que privilegia a densidade acima da extensão".

Com apenas três livros publicados – os romances Lavoura Arcaica (1975) e Um Copo de Cólera (1978) e o livro de contos Menina a Caminho (1994) –, a exiguidade da obra não impede que Raduan Nassar seja há muito considerado pela crítica um dos grandes nomes da literatura brasileira, ao nível de um Guimarães Rosa ou de uma Clarice Lispector.


 
Notícia completa em Público.pt

08 março, 2016

Dia Internacional da Mulher




O mar dos meus olhos


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma


Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética

13 janeiro, 2016

Al Berto - O nosso poeta por Madalena Patrício Palminha


Estas três pinturas de Al Berto estão expostas no o Centro de Artes de Sines onde  está patente uma exposição de pintura de vários artistas, entra as quais Madalena Patrício Palminha.







11 janeiro, 2016

Al Berto... 68 anos

(foto retirada da net)

O MODELO E A PAISAGEM POR ROSA CARVALHO

no deserto do tempo insone
há um movimento de musgos e de asas
onde imobilizo o sorriso do modelo pinto
o rosto daquele que sobreviverá
ao breve silencioso fulgor do poema

perco o olhar na paisagem esquecida noutra
 e noutra mais sombria paisagem sem saber 
se durmo se acordo ou morro de aflição

o modelo atravessa sonâmbulo a floresta de luzes
os montes e os rios
na enlameada escuridão dos caminhos 
espia-me
do interior claro-escuro onde subo as escadas
que levam a melancolia da vida ao sossegado coração


Al Berto, O MEDO, "A secreta vida das imagens", p. 436



29 dezembro, 2015

Um Novo Ano (2016)



                                                         «Voar», de Marc Chagall

UM NOVO ANO


Conduz-nos o tempo
devagar
até um novo ano


por entre paixões
esperanças e ruínas


Conduz-nos o tempo
no seu extremo engano
ano, após ano, após ano


por entre dores
júbilos e vertigens


Conduz-nos o tempo
mudando
até um novo ano


por entre o sonho
princípios e ideais


A levar-nos voando
num segundo
até ao cabo do mundo


Maria Teresa Horta
Lisboa, 27/28 de Dezembro de 2015-12-29


15 outubro, 2015

FOLIO - Obidos


Começa, hoje, na vila de Óbidos o Festival Literário. Este evento decorre até dia 25 do corrente mês.

Programa completo: aqui

08 outubro, 2015

Prémio Nobel da Literatura 2015



A jornalista bielorrussa tem 22 obras publicadas, mas em Portugal só há um livro publicado. Trata-se de O Fim do Homem Soviético – Um Tempo de Desencanto, editado pela Porto Editora. 


Svetlana, de 67 anos, é a 14.ª mulher a ganhar um Nobel da Literatura e foi distinguida "pela sua escrita polifónica, um monumento ao sofrimento e coragem do nosso tempo".





06 outubro, 2015

Lídia Jorge vence prémio Urbano Tavares Rodrigues de 2015





A escritora Lídia Jorge venceu o prémio Urbano Tavares Rodrigues, com o romance Os Memoráveis, Este galardão, instituído pela  Fenprof,  assinala o Dia Mundial do Professor.

O prémio foi atribuído por unanimidade pelo júri - os escritores e professores Teresa Martins Marques, José Manuel Mendes e Paulo Sucena - à obra publicada em 2014.

01 julho, 2015

Hélia Correia vence Prémio Camões 2015






O Prémio Camões 2015 foi atribuído por unanimidade à escritora Hélia Correia.

"Ideia fundamental dos romances de Hélia Correia desde A Casa Eterna: a vida só tem sentido se transformada em arte. Hoje, dia 18 de Junho de 2015, a arte tranformou-se em Prémio Camões, justamente o grande autor português que escrevia os seus poemas com o corpo todo, queimando od dedos em cada verso." (Miguel Real, JL)

"A Hélia é um dos escritores que melhor trata a língua portuguesa, com uma obra muito diversificada – romance, poesia, obras dramáticas, contos, literatura infanto-juvenil". "O português dela é muito fecundo. Tem um estilo próprio, com uma grande precisão de linguagem. Cada frase tem o número exacto de sílabas. Ela leva o rigor da escrita a esse ponto". Além de que "consegue criar personagens muito originais que vão ficar na literatura portuguesa", refere Francisco Vale, editor da Relógio d'Água (edita a obra da escritora desde 1983).

_____________


I
Epidauro


Contra o céu de Epidauro, enquanto o grito
Dos pássaros nocturnos fere o ar,
Eu, acordando, encontro o teu olhar,
Mais do que o céu sereno e infinito.

Sobre o calor das pedras eu repito
Aquele deslumbramento de acordar
Que alguma outra mulher, neste lugar,
Num outro tempo de palavras e mito

Junto ao corpo do amado conheceu,
Igual. Ou quase igual. Que um tal desejo
Essa outra mulher o não sentiu

Se o corpo onde acordou não era o teu.
Contra o céu de Epidauro acordo e vejo
O mais divino olhar que alguém já viu.


Hélia Correia, JL 24 junho 2015 (inédito)


                                            (Epidauro- 2006)

11 maio, 2015

Hélia Correia vence Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco





    


A escritora Hélia Correia venceu a 23.ª edição do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco com a obra Vinte Degraus e Outros Contos que reúne onze contos.

Instituído em 1991, ao abrigo de um protocolo entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e a Associação Portuguesa de Escritores (APE), o Grande Prémio do Conto destina-se a galardoar uma obra em língua portuguesa de um autor português ou de um país africano de expressão portuguesa.

Esta 23.ª edição destinava-se a obras editadas em 2014.

Nascida em Lisboa, em 1949, Hélia Correia licenciou-se em Filologia Românica, foi professora de Português do Ensino Secundário, tendo também feito um curso de Pós-Graduação em Teatro Clássico.

Apesar do seu gosto pela poesia, é como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 80.


in DN Artes  




02 abril, 2015

Manoel de Oliveira (1908-2015)



Manoel de Oliveira, uma vida dedicada à sétima arte / Rui Duarte Silva



Morreu o mais velho realizador do mundo em atividade. Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu a 11 de dezembro de 1908, no Porto.


A sua carreira intensa  terminou com “O Velho do Restelo”, uma curta-metragem rodada no Porto, que lhe levou tempo a financiar e que disse ser “uma reflexão sobre a Humanidade”.

Oliveira recebeu inúmeros prémios, da Palma de Ouro de Cannes, passando pelo Leão de Ouro de Veneza. Os vários festivais internacionais que premiaram os seus filmes vão de Tóquio a Munique, passando por Locarno e Berlim. Recebeu também um Globo de Ouro pela sua carreira. O ano passado foi condecorado pelo Presidente francês, François Hollande.

Em 2011, entrevistado pelo DN já com 103 anos, Manoel de Oliveira falou sobre a sua vida, mas também sobre a sua morte: “Não me assusta nada. O sofrimento, sim, a morte não. Quando se morre, solta-se o espírito. O espírito é como o ar que sai. E o espírito sai e junta-se. Ao sair, perde a personalidade, onde está todo o bem e todo o mal, liberta-se desse bem e mal e junta-se ao absoluto, que é a configuração do espírito, o absoluto. É Deus.”




Filmografia

Longas-metragens


1942 - Aniki-Bobó
1963 - Acto da Primavera (docuficção)
1971 - O Passado e o Presente
1974 - Benilde ou a Virgem Mãe
1979 - Amor de Perdição
1981 - Francisca
1985 - Le Soulier de Satin
1986 - O Meu Caso
1988 - Os Canibais
1990 - Non, ou a Vã Glória de Mandar
1991 - A Divina Comédia
1992 - O Dia do Desespero
1993 - Vale Abraão
1994 - A Caixa
1995 - O Convento
1996 - Party
1997 - Viagem ao Princípio do Mundo
1998 - Inquietude
1999 - A Carta
2000 - Palavra e Utopia
2001 - Porto da Minha Infância
2001 - Vou para Casa
2002 - O Princípio da Incerteza
2003 - Um Filme Falado
2004 - O Quinto Império - Ontem Como Hoje
2005 - Espelho Mágico
2006 - Belle Toujours
2007 - Cristóvão Colombo – O Enigma
2009 - Singularidades de uma Rapariga Loura
2010 - O Estranho Caso de Angélica
2012 - A Igreja do Diabo
2012 - O Gebo e a Sombra
Curtas e médias metragens
1931 - Douro, Faina Fluvial
1932 - Estátuas de Lisboa
1931 - Douro, Faina Fluvial
1932 - Estátuas de Lisboa
1938 - Já se Fabricam Automóveis em Portugal
1938 - Miramar, Praia das Rosas
1941 - Famalicão (filme)
1956 - O Pintor e a Cidade
1964 - A Caça
1965 - As Pinturas do meu irmão Júlio (documentário)
1966 - O Pão (documentário)
1982 - Visita ou Memórias e Confissões
1983 - Lisboa Cultural
1983 - Nice - À propos de Jean Vigo
1985 - Simpósio Internacional de Escultura em Pedra - Porto
2010 - Painéis de São Vicente de Fora, Visão Poética
2011 - "Do Visível ao Invisível" em Mundo Invisível
2014 - O Velho do Restelo

Outros filmes

1937 - Os Últimos Temporais: Cheias do Tejo (documentário)
1958 - O Coração (documentário, 1958)
1964 - Villa Verdinho: Uma Aldeia Transmontana (documentário)
1987 - Mon Cas (1987)
1987 - A Propósito da Bandeira Nacional (1987)
2002 - Momento (2002)
2005 - Do Visível ao Invisível (2005)
2006 - O Improvável não é Impossível (2006)
2011 - O Conquistador conquistado (2011), curta-metragem inspirado pela escolha de Guimarães como Capital Européia da Cultura.

Como actor

1928 - Fátima Milagrosa, de Rino Lupo
1933 - A Canção de Lisboa, de Cotinelli Telmo
1980 - Conversa Acabada, de João Botelho
1981 - Cinématon #102, de Gérard Courant
1994 - Lisbon Story, de Wim Wenders

Como supervisor

1966 - A Propósito da Inauguração de Uma Estátua - Porto 1100 Anos, de Artur Moura, Albino Baganha e António Lopes Fernandes.
1970 - Sever do Vouga… Uma Experiência, de Paulo Rocha


29 março, 2015

Um presente






Faz por ti

Faz o Sol por ti antes que arda. 

Faz a chuva por ti antes que chores. 
Faz a Lua por ti antes do dia. 
Faz um sonho por ti antes do pequeno-almoço. 
Faz um filho por ti com alguém. 
Faz um negócio por ti por dinheiro. 
Faz um vestido, não por ti, mas pelo teu corpo. 
Faz um caminho por ti antes que te doam as pernas pela falta de uso. 
Faz um festival da canção, afasta a mesa da sala, usa uma escova como microfone, faz as canções todas do mundo por ti e as brilhantinas todas do mundo por ti. 
Faz uma corrida por alguém e corta por ti a meta. 
Corta por ti uma laranja e sorve o sumo por uma pessoa só se tiveres muita sede. 
Faz por ti um facho… e alumia quem te segue. 
Faz por ti com rigor mesmo rodeado de indolentes. 
Faz por ti com calma mesmo assolado por patrões. 
Faz por ti a coragem e serás assustador sempre que for preciso. 
Faz por ti a sabedoria e saberás sempre que estiveres calado. 
Não faças pouco de ti. 
Não faças pouco dos outros. 
Faz por ti como o dia quando acordas.


João Negreiros

24 março, 2015

Herberto Hélder (1930-2015)






Se houvesse degraus na terra...


Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.




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Poesia


Poesia – O Amor em Visita (1958)
A Colher na Boca (1961)
Poemacto (1961)
Retrato em Movimento (1967)
O Bebedor Nocturno (1968)
Vocação Animal (1971)
Cobra (1977)
O Corpo o Luxo a Obra (1978)
Photomaton & Vox (1979)
Flash (1980)
A Cabeça entre as Mãos (1982)
As Magias (1987)
Última Ciência (1988)
Do Mundo, (1994)
Poesia Toda (1º vol. de 1953 a 1966; 2º vol. de 1963 a 1971) (1973)
Poesia Toda (1ª ed. em 1981)
A Faca Não Corta o Fogo - Súmula & Inédita (2008)
Ofício Cantante (2009)
Servidões (2013)
A Morte Sem Mestre (2014)

Ficção

Os Passos em Volta (1963)
Apresentação do Rosto (1968).
A Faca Não Corta o Fogo (2008).






21 março, 2015

Hoje é o Dia da Poesia

                                                      Donnadieu Rémy Photographer


Heureux, le rêveur, aux nuits de l'éternelle destinée,
Qui, tel un vagabond qui erre de bon matin,
Se réveille, l'esprit empli de songes éthérés,
Et, à la rosée du jour, se met à vivre sans chemin !
À mesure qu'il marche, la vie vient lentement,
Et fait des étoiles ainsi qu'au firmament.
Il ne voit plus bien, à cette clarté blême,
Les choses dans son errance et la quête en elle-même,
Tout dort en ce monde ; il est seul, il le croit.
Et, cependant, fermant les yeux de son doigt,
Derrière sa vie de clochard l'univers s'enivre,
L'ange souriant se penche sur sa vie qui le délivre.
Il comprend qu'on le traite de bête,
Qu'on boit, qu'on roule,
Qu'on fasse, passants, ce que vous faites,
Et qu'on trouve cela joyeux ;
A jeter l'obole,
Pour s'offrir le bon rôle !
Mais il vit au pavé sous les étoiles,
Va et vient sous les toiles
De la rue où nous oublions, de respirer l'atmosphère,
C'est âpre et triste, mais il préfère
Cette hébétude plutôt qu'être un mouton.



Copyright Donnadieu Rémy.
www.donnadieuremyphotographe.com