173 min. | M/14 | Aventura, Ação, História | 2026 | Reino Unido, USA
Realização: Christopher Nolan |
Elenco: Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway Robert Pattison, Lupita Nyong´O, Zendaya, Charlize Theron, John Leguizamo
A adaptação cinematográfica do poema épico de Homero, A Odisseia, por Christopher Nolan, é uma obra monumental de quase três horas que passam sem se dar por elas. Nolan consegue prender o espectador do início ao fim com um ritmo que desafia o tempo. Contudo, e na minha simples opinião, o realizador peca, por vezes, pelo excesso, com cenas de acção exageradas ou sequências visuais que se estendem mais do que o necessário. Ainda assim, a força das personagens principais resgata a alma da narrativa.
O grande trunfo do filme reside na densidade psicológica de Ulisses (Matt Damon). Ele surge como um herói cansado da guerra, marcado pelo trauma e pela obsessão de regressar a Ítaca. É o que o impede de se dissolver no caos das ilhas, das criaturas mitológicas, das divindades, das seduções, dos perigos do mar e sobretudo das relações humanas.
A narrativa eleva acima de tudo o valor sagrado da honra, da palavra dada e da promessa mantida. Esta integridade contrasta fortemente com o oportunismo moral dos pretendentes que invadem o seu lar, transformando o filme numa lição actual sobre a importância do carácter contra a ganância do poder.
No núcleo familiar e afectivo de Ulisses, a estabilidade de Ítaca é sustentada por três figuras fundamentais que resistem ao caos. Penélope (Anne Hathaway) personifica a lealdade inabalável e a resistência psicológica, usando a astúcia como arma para manter viva a promessa feita ao marido. Ao seu lado, o jovem Telémaco (Tom Holland) carrega o peso do legado de um pai que mal conheceu, amadurecendo sob a pressão de proteger a honra da sua linhagem. A ligação emotiva a Ítaca ganha uma dimensão ainda mais profunda e simbólica através de Eumeu (John Leguizamo), personagem quase cega, que funde a figura do fiel amigo e do próprio Homero, cujo olhar interior e cantos preservam a memória mítica de Ulisses, mantendo viva a chama da esperança mesmo no período de maior escuridão.
O desfecho do filme sela o triunfo da justiça, onde o reencontro final em Ítaca prova que a honra e a palavra dada superam qualquer obstáculo ou oportunismo.

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