02 julho, 2026

Lídia Jorge vence a 38.ª Edição do Prémio Camões


(c) GR | Out. Santiago do Cacém



O Camões é de Lídia Jorge.

Aos 80 anos, a autora de Misericórdia é a décima mulher distinguida com o mais importante galardão literário da língua portuguesa. Recebe-o pela “análise profunda da história recente de seu país”, referiu o Público.

https://www.publico.pt/2026/07/02/culturaipsilon/noticia/premio-camoes-2026-escritora-portuguesa-lidia-jorge-2180242

A distinção de Lídia Jorge  consagra uma escrita marcante que explora a identidade, a memória colectiva e a condição humana. Este reconhecimento celebra uma voz indispensável da literatura portuguesa. 

Como leitora atenta e apaixonada da sua obra, sinto esta distinção não apenas como um acto de justiça literária, mas como uma celebração da nossa própria identidade.
Ler Lídia Jorge sempre foi, para mim, um exercício de desassossego e beleza. Ao longo dos anos, folhear os seus livros tem sido uma viagem profunda à memória colectiva, às feridas da história e à força invisível das mulheres.

Quem já se perdeu nas páginas de O Dia dos Prodígios, sentiu o peso do silêncio em A Costa dos Murmúrios, se deixou envolver pelas vozes e ambições de A Noite das Mulheres Cantoras, revisitou os mitos e desilusões da nossa Revolução em Os Memoráveis, ou se comoveu com a sensibilidade de Misericórdia, sabe perfeitamente do que falo. Ela esculpe a condição humana com uma prosa poética que nos ecoa na alma muito depois de fecharmos o livro.

Este prémio celebra uma carreira extraordinária e celebra, também, o presente de uma autora que continua viva, sagaz e indispensável. 


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