16 agosto, 2012

Trilhos pela Beira Interior

 Oledo

 Proença-a-Velha

                                                                         Monsanto


    Monsanto


   Monsanto

    Monsanto


  Idanha-a-Velha

 Idanha-a-Velha


 Idanha-a-Velha

 Idanha-a-Velha


09 agosto, 2012

Um poema de Mário Cesariny




O poeta chorava...

O poeta chorava
o poeta buscava-se todo
o poeta andava de pensão em pensão
comia mal tinha diarreias extenuantes
nelas buscava Uma estrela   talvez a salvação?
O poeta era sinceríssimo
honesto
total
raras vezes tomava o eléctrico
em podendo
voltava
não podendo
ver-se-ia
tudo mais ou menos
a cair de vergonha
mais ou menos
como os ladrões



E agora o poeta começou por rir
rir de vós ó manutensores
da afanosa ordem capitalista
comprou jornais foi para casa leu tudo
quando chegou à página dos anúncios
o poeta teve um vómito que lhe estragou
as únicas que ainda tinha
e pôs-se a rir do logro é um tanto sinistro
mas é inevitável é um bem é uma dádiva



Tirai-lhe agora os poemas que ele próprio despreza
negai-lhe o amor que ele mesmo abandona
caçai-o entre a multidão
crucificai-o de novo mas com mais requinte.
Subsistirá. É pior do que isso.
Prendei-o. Viverá de tal forma
que as próprias grades farão causa com ele.
E matá-lo não é solução.
O poeta
O Poeta
O POETA DESTROI-VOS



Mário Cesariny

07 agosto, 2012

Morreu Robert Bréchon (1920- 2012)



O ensaísta literário Robert Bréchon, 92 anos, faleceu na sexta-feira, informou hoje a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), no seu sítio na Internet.

A BNP afirma que Bréchon era "um dos mais importantes especialistas estrangeiros na vida e obra, de Fernando Pessoa".
"Robert Bréchon iniciou os seus contactos com a língua portuguesa quando foi diretor do Liceu Francês no Rio de Janeiro, tendo mais tarde dirigido o Institut Français de Lisboa e desempenhado funções de conselheiro cultural da embaixada de França, em que sucedeu a Pierre Hourcade", escreve a BNP.
O ensaísta viveu na capital portuguesa de 1962 a 1968, tendo conhecido "o meio literário português", conforme a BNP que lembra o facto de Bréchon ter sido "amigo de Ramos Rosa, através do qual conheceu autores como Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Vergílio Ferreira e Ruy Cinatti, e descobriu a obra de Pessoa, especialmente pelo contacto com Jacinto Prado Coelho e João Gaspar Simões".
"Fernando Pessoa et ses personnages", publicado na revista Critique, nº 251, em abril de 1968, foi o seu primeiro artigo sobre o poeta de "A Mensagem".
O investigador francês "produziu numerosos artigos, ensaios e prefácios, mas também conferências, não só sobre a obra de Pessoa, em que se destacou, mas sobre outros autores da literatura portuguesa contemporânea, como José Régio, Vitorino Nemésio e António Ramos Rosa".

in DN

Caetano Veloso faz 70 anos.





Às vezes no silêncio da noite,
eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado,
juntando o antes o agora e o depois

Porque você me deixa tão solto?
Porque você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho

Não sou nem quero ser o seu dono,
É que um carinho as vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos,
Só abro pra você mais ninguém

Porque você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela de repente me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida.
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana ou não está madura
Onde está você agora?

24 julho, 2012

Corto Maltese: Viagem à Aventura, em Evora


Fórum Eugénio de Almeida
 25 de julho - 2 de dezembro de 2012

51 obras de Hugo Pratt, desde aguarelas  a tinta da china e guache, que retratam uma das muitas viagens da personagem de banda desenhada Corto Maltese, é apresentada em Évora na Fundação Eugénio de Almeida. A mostra apresenta viagens de Corto Maltese de Veneza a África, de Samarcanda à Polinésia, do Caribe à ilha de Escondida.

Corto Maltese chega a Évora quando se assinalam os 45 anos da criação do personagem de Pratt.

22 julho, 2012

Caricaturas de escritores no metro de Lisboa

António com Fernando Pessoa


Algumas figuras do Portugal do século XX “desfilam”, desde a passada terça-feira, na nova estação de Metro do Aeroporto. A responsabilidade é do cartoonista António, a quem o Metropolitano de Lisboa encomendou a decoração artística da nova estação. São 48 painéis que representam 49 personagens, já que Gago Coutinho e Sacadura Cabral partilham o mesmo painel. 


David Mourão Ferreira


Mário Cesariny

Sophia de Mello Breyner

Eça de Queirós


Natália Correia

José Cardoso Pires

António Lobo Antunes

Alexandre O' Neil

Ferreira de Castro

Aquilino Ribeiro

Vitorino Nemésio

Vergílio Ferreira

Agostinho da Silva

António Sérgio


Fotos retiradas do site http://paramimtantofaz.blogspot.pt/



09 julho, 2012

Um poema de Al Berto

Snow Storm-Steam-Boat off a Harbour's Mouth. JMW Turner. 1842.



Euforia

cai neve no cérebro vivo do imaculado - dizem
que estes milagres só são possíveis com rosas e
enganos - precisamente no segundo em que a insónia
transmuda os metais diurnos em estrume do coração
dizem também
que um duende dança na erecção do enforcado - o fulgor
dos sémenes venenosos alastra no brilho dos olhos e
um sussurro de tinta preta aflora os lábios
fere a mão de gelo que se aproxima da boca
o vómito da luz ergue-se
das palavras ditas em surdina
a seguir vem o sono
e o miraculado entra no voo dos cisnes
o dia cansa-se
na brutalidade com que a voz se atira contra as paredes
abrindo fendas
em toda a extensão das veias e dos tendões
quando desperta com o crepúsculo
o miraculado olha-nos fixamente e sorri
dá-nos uma rosa em forma de estilete - fechamos os olhos
sabendo que este é o maior engano
da eternidade

Al Berto
 

A Dama Pé de Cabra de Paula Rego e Adriana Molder

Fotos retiradas do site cm-cascais

7 de julho a 28 de outubro
Diariamente das 10h às 19h00
Casa das Histórias Paula Rego, Cascais

Sob inspiração direta da narrativa histórica de Alexandre Herculano, A Dama Pé de Cabra, as duas artistas conceberam, em simultâneo, um conjunto de trabalhos autónomos, de grandes formatos, para serem expostos Casa das Histórias Paula Rego.

Paula Rego (n. 1935) desenvolve neste novo ciclo de trabalhos um fulgor imagético e narrativo que a lenda lhe inspira, em total liberdade de traço e composição.

Adriana Molder (n.1975) artista portuguesa, residente em Berlim, responsável pelo conceito subjacente a este projecto e pelo desafio lançado a Paula Rego, tem desenvolvido na sua obra uma linguagem plástica de matriz figurativa com assinalável sucesso internacional. Nos desenhos que agora apresenta, constrói imagens poderosas de síntese psicológica e narrativa dos vários personagens selecionados.

30 junho, 2012

Fortificações de Elvas - Património Mundial





A maior fortificação abaluartada do mundo, em Elvas, foi hoje classificada como Património Mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).  
As fortificações de Elvas foram classificadas, na categoria de bens culturais, ao início da tarde de hoje na 36.ª sessão do Comité do Património Mundial, que está reunido até 6 de julho, em São Petersburgo, na Rússia.
O conjunto de fortificações de Elvas, cuja fundação remonta ao reinado de D. Sancho II, é o maior do mundo na tipologia de fortificações abaluartadas terrestres, possuindo um perímetro de oito a dez quilómetros e uma área de 300 hectares.

Ler mais: Expresso

18 junho, 2012

Um poema de Al Berto


Depois da vitória de Portugal sobre a Holanda,lembrei-me de um poema de Al Berto...


 



“[...]
A noite cerca a mão inteligente do homem que possui uma cabeça transparente.
Em redor dele chove.
Podemos adivinhar um chuva espessa, negra, plúmbea.
Depois, o homem abre a mão, uma laranja surge, esvoaça.
As cidades como em todos os livros que li ardem.
Incêndios que destroem o último coração do sonho.
Mas aquele que se veste com a pele porosa da sua própria escrita olha, absorto, a laranja.
.

.
A queda da laranja provocará o poema?
A laranja voadora é, ou não é, uma laranja imaginada por um louco?
E um louco, saberá o que é uma laranja?
E se a laranja cair?  E o poema? E o poema com uma laranja a cair?
E o poema em forma de laranja?
E se eu comer a laranja, estarei a devorar o poema? A ficar louco?
E a palavra laranja existirá sem a laranja?
E a laranja voará sem a palavra laranja?
E se a laranja se iluminar a partir do seu centro, do seu gomo mais secreto, e alguém a esquecer no meio da noite – servirá o brilho da laranja para iluminar as cidades há muito mortas?

E se a laranja se deslocar no espaço – mais depressa que o pensamento, e muito mais devagar que a laranja escrita - criará uma ordem ou um caos?

[...]

Al Berto

15 junho, 2012

Festival do Silêncio 2012

 
De 26 de Junho a 1 de Julho . Lisboa

O Festival Silêncio está prestes a invadir vários espaços da cidade

O Festival Silêncio pretende devolver o poder à palavra cruzando-a com as diferentes artes e sublinhando o papel vital desta na criação artística.

De 26 de Junho a 1 de Julho, a palavra inscreve-se na vida da cidade pela mão de escritores, artistas plásticos, encenadores, músicos, actores, cineastas que exploram essa íntima relação com a linguagem.

Seja qual for o seu modus operandi, é através da palavra que grandes nomes da cena literária e artística irão partilhar com o público a sua própria visão do mundo.

Dos concertos aos espectáculos multimédia, das conversas às leituras encenadas, do cinema à poesia, cruzam-se disciplinas, práticas e públicos.

Numa época em que se valorizam as imagens em detrimento das palavras, o Festival Silêncio pretende dar voz aos criadores num palco transversal aberto à reflexão e ao debate.

Programa completo no
Site do Festival do Silêncio


JORNAL do FESTIVAL

14 junho, 2012

Joana Vasconcelos - Versailles (Paris)

Marilyn, 2011
Photomontage © Château de Versailles / DMF, Lisbon

 
Mary Poppins, 2010
Photomontage © Château de Versailles / Peter Mallet / Courtesy Haunch of Venison, Londres

Coração Independente Vermelho [Coeur Indépendant Rouge], 2005
Photomontage © Château de Versailles / DMF, Lisbon / Courtesy Atelier Joana Vasconcelos


Consultar site oficial

07 junho, 2012

Petit Gâteau de Joana Vasconcelos - Gulbenkian à Paris


du 21 juin au 29 septembre 2012

Entrée libre.
Séduisant, au même titre que les stratégies de conquête qui régissent l'époque contemporaine, Petit Gâteau se présente sous forme d'un immense cupcake construit à partir de l'empilement de diverses couches de moules à sable. Le gigantisme et la bigarrure de l'œuvre captent aussitôt l'attention du public sans laisser deviner le vide sous-jacent des volumes. Même la nourriture n'échappe pas à l'insolence des stratégies de séduction actuelles qui ne font que compenser, par une apparence exubérante, un manque d'essence.
Cette pièce est exposée dans le jardin de la Délégation en France de la Fondation Calouste Gulbenkian.

Photo © DMF, Lisboa // Courtoisie
Atelier Joana Vasconcelos


Philip Roth ganha Prémio Princípe das Astúrias 2012

Philip Roth
                                           (Sara Krulwich/The New York Times)

O romancista norte-americano Philip Roth , 79 anos, venceu o Prémio Príncipe das Astúrias para as Letras, juntando mais uma prestigiada medalha à sua vasta colecção de prémios literários. 

A escolha do autor de Pastoral Americana foi decidida por maioria, tendo havido, entre os 16 jurados do prémio espanhol, quem defendesse até à votação final o ficcionista japonês Haruki Murakami, já depois de terem ficado pelo caminho nomes como o espanhol Antonio Gala, o francês Doninique Lapierre, o colombiano Gabriel García Márquez, o guatemalteco Rodrigo Rey Rosa, o senegalês Cheikh Hamidou ou o chinês Yan Lianke.

Nesse duelo final com Murakami, talvez possa ver-se uma vitória do romance do século XX sobre o que poderá vir a ser o romance do século XXI. Na sua breve declaração, o júri destacou que “a obra narrativa de Philip Roth faz parte da grande novelística norte-americana, na tradição de [John] Dos Passos, Scott Fitzgerald, [Ernest] Hemingway, [William] Faulkner, [Saul] Bellow ou [Bernard] Malamud”.


Notícia completa em Público


A obra de Philip Roth está publicada em Portugal, sobretudo pela D. Quixote, incluindo títulos como "Pastoral Americana", "Casei com um comunista", "O complexo de Portnoy", "A mancha humana", "O fantasma sai de cena", "Todo-o-mundo", "A conspiração contra a América", "Património", "Humilhação" e "Nemésis".

05 junho, 2012

Dois poemas de Federico García Lorca (5-06-1898/19-08-1936)


de açúcar e  lúcia-lima
Oh, que planície empinada
tendo vinte sóis em cima.
Que rios postos de pé
lhe vislumbra a fantasia!
Mas continua com as flores,
enquanto de pé, na brisa,
a luz joga o xadrez
muito alto da gelosia.


de azúcar y yerbaluisa.
Oh!, qué llanura empinada
con veinte soles arriba.
que ríos puestos de pie
vislumbra su fantasía!
Pero sigue con sus flores,
mientras que de pie, en la brisa,
la luz juega el ajedrez
alto de la celosía.

_____________________

A erva cobreem silêncio
o vale pardo de teu corpo.

Já pelo arco do encontro
a cicuta vem crescendo.

Mas deixa tua lembrança.
Deixa-a sozinha em meu peito.


La hierba cubre en silencio
el valle gris de tu cuerpo.

Por el arco del encuentro
la cicuta está cresciendo.

pero deja tu recuerdo,
déjalo solo en mi pecho.


in  Antologia Poética (seleção, tradução, prólogo e notas de José Bento) pp. 73 e 367

Foto retirada do site Fundación Federico García Lorca


26 maio, 2012

Partiu um amigo...

                                                                 Cézanne


Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"

23 maio, 2012

Portugal premiado na VIII Bienal Ibero-americana de Arquitectura e Urbanismo

foto retirada de biau.es




Entre as 26 obras finais que, este ano, o júri da Bienal Ibero-americana de Arquitectura e Urbanismo (BIAU) decidiu galardoar, seis são de Portugal, fazendo do nosso país o mais premiado de todos. A selecção final foi feita a partir de uma lista de 152 candidatos, vindos de 22 países, com o intuito de premiar e dar reconhecimento às melhores obras de arquitectura e desenvolvimento urbano que foram desenvolvidas, nos últimos anos, em Portugal, Espanha e América do Sul.

A decisão foi dada a conhecer, pela organização, no dia 18, tendo sido contempladas, além de Portugal, ideias concretizadas em Espanha (com cinco obras), México (três), Argentina, Colômbia e Paraguai (duas cada), e ainda Chile, Equador e Venezuela (um cada).

Os seis premiados portugueses foram: o lar Alcácer do Sal, da autoria de Francisco Aires Mateus e Manuel Aires Mateus; as Estações de Teleférico na zona histórica de Vila Nova de Gaia, de Ana Cristina Alves Guedes e Francisco Castello Branco Vieira de Campos; a ponte pedonal sobre a ribeira de Carpinteira, na Covilhã, de João Luís Carrilho da Graça, António Adão da Fonseca e Carlos Quinaz; o projecto de reabilitação da Casa do Arco – onde vai ser instalada a Casa da Escrita, em Coimbra – e que teve o ‘dedo’ de João Mendes Ribeiro; a renovação urbana da praça do Toural, em Guimarães, projectada por Maria Manuel Oliveira; assim como dois edifícios na freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, idealizados por Ricardo Alberto Bagão Quininha e Bak Gordon.



  ponte pedonal da Covilhã

22 maio, 2012

Dalton Trevisan - Prémio Camões 2012

Dalton Trevisan vence Prémio Camões 2012

                                                   


Dalton Trevisan, escritor brasileiro de 86 anos ganhou o Prémio Camões 2012, a distinção mais importante da literatura de língua portuguesa.


O escritor brasileiro, que completa dia 14 de junho 87 anos, foi premiado pela sua "dedicação ao fazer literário", disse Silviano Santiago, um dos membros do júri.

O escritor brasileiro tem-se destacado no conto e "O Vampiro de Curitiba" (1965) é uma das suas obras mais conhecidas. Recentemente, escreveu "Vozes do Retrato - Quinze Histórias de Mentiras e Verdades" (1998), "O Maníaco do Olho Verde" (2008), "Violetas e Pavões" (2009), "Desgracida" (2010) e "O Anão e a Ninfeta" (2011).

Dalton Trevisan é também conhecido por viver afastado da vida pública. O escritor não dá entrevistas e não gosta de ser fotografado. Assina apenas como D. Trevis e vive "escondido" dos media em Curitiba, cidade onde nasceu.

"Escondeu-se no anonimato para vencer um concurso de contos no Paraná, em 1968. Gosta de filmes de bangue-bangue [cowboys] e de passear pelas ruas da capital paranaense", diz a biografia publicada no site da sua editora, o grupo editorial "Record".

Dalton Trevisan, antes de ter livros impressos, chegou a publicar os seus contos em folhetos. Licenciado em Direito, foi crítico de cinema e, em 1996, recebeu, no Brasil, o prémio Ministério da Cultura de Literatura. Os seus livros já foram traduzidos para inglês, espanhol e italiano.

Ler mais: Expresso


17 maio, 2012

Dia Internacional dos Museus



18 de Maio - Dia Internacional dos Museus - entre as 10h00 e as 18h00
19 de Maio - Noite dos Museus - entre as 18h00 e as 24h00.



No dia 18 de Maio será celebrado em todo o mundo o 35º aniversário do Dia Internacional dos Museus. este ano, o tema é "Museus num Mundo em Mudança: Novos Desafios, Novas Inspirações"

Nas comemorações do Dia dos Museus, as entradas serão gratuitas em todas as actividades


16 maio, 2012

Festival de Cannes 2012


A 65ª edição do Festival de Cinema de Cannes começa hoje e prolonga-se até ao dia 27 de maio.

O júri da secção principal será presidido pelo realizador italiano Nanni Moretti.

Para mais informações consultar o site oficial.

09 maio, 2012

Um poema de Mário Cesariny



Vladimir Kush


Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

Mário Cesariny


Um poema de Paul Éluard



L'Amoureuse


Elle est debout sur mes paupières
Et ses cheveux sont dans les miens,
Elle a la forme de mes mains,
Elle a la couleur de mes yeux,
Elle s'engloutit dans mon ombre
Comme une pierre sur le ciel.


Elle a toujours les yeux ouverts
Et ne me laisse pas dormir.
Ses rêves en pleine lumière
Font s'évaporer les soleils,
Me font rire, pleurer et rire,
Parler sans avoir rien à dire. 

Paul ELUARD, Mourir ne pas mourir (1924)


08 maio, 2012

Leituras

Imagem:


Sinopse

A Terceira Miséria é um notável poema composto por 33 fragmentos que evidencia as raízes da formação helenística de Hélia Correia. No início, uma citação de Hölderlin: “Para quê, perguntou ele, para que servem / Os poetas em tempo de indigência?”. A autora identifica os três tempos de miséria: a primeira, a deserção dos Deuses; a segunda, a sua morte. A terceira “é esta, a de hoje, / A de quem já não ouve nem pergunta, / A de quem não recorda”. O poema termina com o chamamento da Grécia clássica no seu apogeu cultural, numa referência a Lord Byron. No centro desta profunda reflexão sobre a crise europeia contemporânea encontram-se os temas do desconhecimento do passado, do abandono da herança cultural e da perda da mitologia grega como forma de interpretação da realidade (“Nós, os ateus, nós os monoteístas, / Nós os que reduzimos a beleza / A pequenas tarefas”). E a resposta à função dos poetas em tempo de crise: a de propor um inicio fazendo ressurgir a “Atenas [que] se mantém oculta / E de algum modo intacta, por debaixo / Do alcatrão, do ferro retorcido”.

06 maio, 2012

Um poema de Flobela Espanca

August Macke "Nu"


De Joelhos

“Bendita seja a Mãe que te gerou.”
Bendito o leite que te fez crescer
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama, pra te adormecer!

Bendita essa canção que acalentou
Da tua vida o doce alvorecer ...
Bendita seja a Lua, que inundou
De luz, a Terra, só para te ver ...

Benditos sejam todos que te amarem,
As que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!

E se mais que eu, um dia, te quiser
Alguém, bendita seja essa Mulher,
Bendito seja o beijo dessa boca!!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

"Os livros abrigam-nos por dentro"

Home, instalação de Miler Lagos

Instalação do artista colombiano Miler Lagos, intitulada de Home.  Trata-se de um iglu construído com livros cuidadosamente empilhados para criar uma cúpula compacta.  A obra esteve exposta, no ano passado, na Galeria MagnanMetz, em Nova York.

A última crónica de Valter Hugo Mãe, no JL nº 1085, intitula-se "Um livro por uma casa" (foi aí que descobri esta instalação) e entre muitas coisas interessantes, escreveu o seguinte:

"(...) Pensámos, eu e os miúdos com quem falava, como haveria de ser feita a troca de um livro por uma casa. E um acabou por ter a ideia perfeita. Teria de ser um livro tão bonito e tão divertido que, alguém que tivesse casas a mais, poderia preferir ler aquela história abdicando alegremente de uma propriedade. " 

É um texto fabuloso!