30 agosto, 2026

Ainda vamos escrever sobre isto!

 

Copilot 03_08_2026 _ 19H



Tudo começou com a partilha de um vídeo no nosso grupo de leitores, no WhatsApp. Um daqueles pequenos fragmentos que subitamente acendem a imaginação colectiva. Mal o vídeo apareceu, alguém declarou: “Que iniciativa gira! Muito bom!”.
O vídeo ainda nem tinha terminado e já se sentia movimento no ar porque outra voz, movida pela mesma energia, escreveu: “Adorava participar”.
O entusiasmo espalhou-se pela porta já escancarada: “Que bela iniciativa e fácil de concretizar!”.

A primeira exigência caiu logo ali, como se o vídeo tivesse convocado a bicharada e não os leitores: “E precisamos de coelho, ovelha…porque uma galinha, eu posso arranjar”. A galinha, ofendida e assustada, pensando que ia parar à grelha, bateu as asas para fora do ecrã.

Cada vez mais entusiasmado, o grupo decidiu recriar o evento dando-lhe um toque particular: “Eheheh. Fazemos um piquenique literário”.
E alguém, muito atento, lembrou: “Olha os animais!”. Não fôssemos fugir à ideia original que tanto animou o grupo. Já imaginaram termos um rato de biblioteca a ler… este meu brilhante pensamento foi cortado por uma alma bem mais prudente que tentou organizar o caos que se antevia: “Mas nós prescindimos dos animais. Quem tiver cão ou gato, pode levar. Só esses.”. Ora bolas!!! Esta proposta vem retirar todo o encanto ao nosso evento! Mas há mais derrotistas porque, discretamente, alguém lançou: “Só falta a relva ...”.

A imaginação levantou voo: “Temos de descobrir um campo”. E a necessidade repetiu-se, insistente, como se o vídeo tivesse ficado preso num loop: “E precisamos de coelho, ovelha…porque uma galinha, eu posso arranjar!”.

Uma das intervenientes, sempre pronta a puxar a conversa para o digital, comentou: “Original…mas a IA também pode andar por ali”. Outra, cansada de tanto bicho e de projectos loucos, respondeu: “Concordo... são coelhos a mais”. Até que alguém, mais lúcido, alertou para um possível perigo: “Ainda nos comem os livros”. Mas uma voz tranquilizou: “Não Graciosa ... Eles vão é pedir emprestados ...”. Contudo, o receio instalou-se e o alerta repetiu-se: “Eles são devoradores. E roedores”.
Como sempre, há alguém que se aproveita das ocasiões e como quem não quer nada lança: “Ainda vamos escrever sobre isto”… mas o eco insistiu: “Eles são devoradores”. E uma leitora marota, conhecedora dos hábitos desta gente, piscou o olho e sussurrou: “Algumas de nós também 'devoram'”.

O título provisório nasceu logo ali: “piquenique literário com coelhos”. A leitora marota, feliz com a sua observação repetiu-se: “Algumas de nós também ‘devoram’” e só se calou quando um grito breve assentiu: “Ya!!”. E, aí, o refrão regressou: “Olha os animais!”.

A certa altura, até a fauna local entrou em cena: “Sempre temos os javalis que se passeiam por Santiago e Santo André... Em Sines não se atrevem?”. Alguém antecipou o caos: “Vai ser um festim”. E uma voz acrescentou mais um ponto à história: “Na Ribeira de Moinhos, sim. Por vezes vou às pinhas ou aos espargos, quando é tempo, e vejo a devastação no pinhal! E outro dia vi um coelho! Mas ele assustou-se mais do que eu”.

Outra lamentou: “Vegetação envolvente, aqui, não temos muita”. E alguém animou: “Pois, aí é diferente. Mas as galinhas e os coelhos já animam. E ainda chamam a comadre”. À insistência de “Sempre temos os javalis que se passeiam por Santiago e Santo André... Em Sines não se atrevem?”, a resposta veio certeira: “Ainda não! Temos gaivotas”.

Quando se pensava que a criatividade tinha acalmado, surgiu outra voz bem-humorada: “Vocês são muito criativas. Nada que não pudesse vir a acontecer. Mas para termos essa bicharada toda à nossa volta era mais fácil as vacas criarem asas.” E alguém acrescentou, de imediato: “Mas se as vacas criarem asas, vão afugentar as gaivotas.” Com esta possibilidade teríamos um caos aéreo ou a solução para o fim das gaivotas? Um caso de estudo a propor à CMS.

Mas logo um pedido desesperado surgiu: “Por favor, por favor, não deixem as vacas criar asas...isto com as gaivotas, já é mau demais!”. E alguém sensato lembrou: “Sim, tem razão. Já temos uma pandemia suficiente”. Ao que outra voz ainda acrescentou: “Muito bem. Se já tenho a varanda suja, imaginem as descargas vacarinas”.
- “Tal e qual!”- Rematou outrem.

O caos cresceu: “Que animação... Ausentei-me um bocadinho e já temos vacas voadoras ... Não tarda nada até entra um porquinho a andar de bicicleta...”. E outra voz, enigmática, sugeriu: “Quem sabe!?”.

A gaivota infantil, que não constava no vídeo inicial, entrou em cena por alguém desesperado: “Eu tenho uma gaivota em idade de infantário…no meu quintal” que acrescentou ainda : “E os progenitores a tomarem conta dela e de mim. Ando de varapau em punho para me defender, se necessário.”

É caso para afirmar que Fiado por fiado, o fio puxa o novelo porque outra história nasceu: “Aqui perto da minha casa há duas, que caíram do telhado onde nasceram, e ali estão no quintal com os pais sempre a ‘falar’ para elas, aflitos porque não as conseguem pôr a voar...”

Como para um bom leitor há sempre uma solução, seja ela fantasiosa ou absurda, esta apareceu, naturalmente: “Temos de chamar o gato do Sepúlveda, que ele trata do assunto”. E uma voz diplomática confessou: “Gosto de animais, mas se fossem passear para outro lado…fecharia o portão!!!”

A memória literária iluminou a atmosfera: “ (História da gaivota e do gato que a ensinou a voar, para mim é das mais bonitas que li)”, referiu alguém e eu magiquei logo que também poderíamos convocar a Alice no País das Maravilhas ou mesmo O Principezinho, ou ….
“E não me ponham estendida na relva porque depois não conseguem levantar-me!!!!” ecoou, de repente, uma Carolinice!


E então, como se o grupo piscasse o olho ao próprio delírio, surgiu a nota que fecha tudo com graça: “Carolina e o seu (bom) humor…

Assim termina esta divagação que nasceu de um vídeo partilhado no grupo e cresceu com a espontaneidade das falas que o seguiram. A bicharada entrou sem pedir licença, o absurdo tomou conta da relva inexistente e a imaginação manteve tudo unido. Carolina fechou o círculo com o seu (bom) humor, lembrando-nos que, no fim, o que importa é a alegria de inventar juntos.

 11.07.2026

GR 




Sem comentários: