02 setembro, 2014

Leituras de Agosto




  

      
Três leituras muito diferentes, mas todas muito interessantes. 
No 1º livro, Valter Hugo Mãe coloca como protagonistas duas mulheres que nos vão narrando as suas histórias como mulheres a dias, as suas paixões e as dificuldades inerentes da vida.

No 2º livro, há também duas personagens com um percurso diferente, mas ligadas por um estranho mistério. Trata-se de um livro maravilhoso repleto de enigmas, de ações estranhas e de simbologia. 

O Volume I de Guerra e Paz é um clássico que narra a vida da aristocracia russa, no início do sec. XIX, bem como as investidas e os sucessos de Napoleão. Escrita extraordinária de Tolstoi que consegue manter-nos preso à narrativa. 



13 agosto, 2014

Exposição de Maria Keil no CAS e no CCEN


 Exposição “de propósito – Maria Keil, obra artística”
11 JULHO – 26 OUTUBRO

 Centro de Artes de Sines e Centro Cultural Emmerico Nunes 


"Esta mostra procura dar conta do percurso multifacetado da artista, que trilhou os caminhos da ilustração, do azulejo, do design gráfico, da pintura, do desenho, do mobiliário, da tapeçaria, da cenografia e dos figurinos". 











03 agosto, 2014

Leituras de Julho





          
  



No início dos anos 8o, Aimé victor Olivier, tem como projeto colonizar uma parte da África (hoje a Guiné equatorial) bem como instalar uma linha de caminhos de ferro. Estamos perante uma biografia ficionada rica em peripécias numa África bem realista do século XIX.

No 2º livro, a autora narra-nos a história de um homem das finanças judeu que tudo faz para satisfazer os caprichos de uma filha que pretende viver uma vida de luxo e sem privações. 

Nove mil passos é a história da construção do aqueduto das águas livres de Lisboa. Através de um narrador omnisciente e omnipresente, Francisco d'Ollanda, tomamos conhecimento dos ditos e desditos, dos avanços e recuos das intrigas e mais intrigas ao longo de dois séculos. Temos a realeza (sobretudo D. João V) e o clero no seu melhor! Ao povo sedento só lhe resta pagar o real da água.  




27 julho, 2014

Encontro com Afonso Cruz




Integrado no Festival Músicas do Mundo (FMM) de Sines, no dia 24 de julho,  o escritor esteve à conversa com os seus leitores. A apresentação foi feita por Joaquim Gonçalves, livreiro de A Das Artes. 







07 julho, 2014

Leituras de junho




                                 
  

Neste livro,  Erasmo  faz uma crítica fortíssima aos  comportamentos e pensamentos da sociedade da época (séc. XV e XVI). É a deusa da loucura, que metaforicamente justifica os maus comportamentos, mas como é louca não pode ser responsabilizada por tais actos.

Ao ler  O Elogio da Loucura, percebe-se  que a sociedade, de hoje, continua a viver com os mesmos males e problemas de séculos atrás, a hipocrisia e a falta de valores  ainda são uma constante. 

Mais uma vez, Saramago consegue surpreender o leitor com a sua escrita e com a sua capacidade de criar, de inventar. Estamos perante um enredo de duplos, personalidades, identidades. 




02 julho, 2014

Sophia de Mello Breyner Andresen no Panteão Nacional





O corpo da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, falecida há dez anos, foi hoje trasladado do cemitério de Carnide para o Panteão Nacional, em Lisboa. 

A Assembleia da República, no passado 20 de fevereiro passado, decidiu por unanimidade a concessão de honras de Panteão Nacional à escritora. 

Falecida aos 84 anos, Sophia de Mello Breyner Andresen foi autora de oito títulos de literatura infanto-juvenil, de vários livros de poesia, entre os quais "O Nome das Coisas" e "Coral", de obras de ensaio, designadamente "O Nu na Antiguidade Clássica", contos, como "Histórias da Terra e do Mar", e teatro,“O Bojador” e "O Colar", tendo traduzido vários autores, como Dante e William Shakespeare.


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Mar

I

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.


II

Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.



in Poesia, 1944













27 junho, 2014

Rembrandt e Paula Rego em diálogo no Museu Gulbenkian


Meeting Point
 



"Figura de Velho" de Rembrandt (1645)

"O Tempo, Passado e Presente" de Paula Rego (1990)


Primeiro momento de uma iniciativa no espaço do Museu que pretende colocar em diálogo as coleções do Museu Gulbenkian e do Centro de Arte Moderna.


Unidas pela abordagem do tempo, as obras em exposição permitem refletir sobre o modo como, em todas as épocas, os artistas trabalham de diferentes modos os mesmos temas, intemporais, através dos quais interrogam as perplexidades perante a vida e a mort


De 27 jun a 21 set 2014 
Museu Calouste Gulbenkian - Galeria de exposições temporárias


in Fundação Calouste Gulbenkian





13 junho, 2014

Um poema de Al Berto



                                                                     


A Invisibilidade de Deus


dizem que em sua boca se realiza a flor
outros afirmam:
a sua invisibilidade é aparente
mas nunca toquei deus nesta escama de peixe
onde podemos compreender todos os oceanos
nunca tive a visão de sua bondosa mão

o certo
é que por vezes morremos magros até ao osso
sem amparo e sem deus
apenas um rosto muito belo surge etéreo
na vasta insónia que nos isolou do mundo
e sorri
dizendo que nos amou algumas vezes
mas não é o rosto de deus
nem o teu nem aquele outro
que durante anos permaneceu ausente
e o tempo revelou não ser o meu



Al Berto


02 junho, 2014

Leituras de maio

                              



Ler ou reler a obra de Gabriel Garcia Márquez  é a melhor forma de o homenagear. Este livro narra a última viagem de El  Libertador - Simón Bolívar. Estamos perante um romance onde ficção e real se mesclam de forma extraordinária.   
O segundo livro, de Doris Lessing, apresenta quatro  contos bem diferentes, mas que retratam de forma incisiva a sociedade. É o primeiro livro que leio desta autora e a sua forma de abordar os temas, sem complexidades, conquistou-me.



31 maio, 2014

Alberto da Costa e Silva é prémio Camões 2014






O poeta e historiador Alberto da Costa e Silva, de 83 anos, foi o escolhido do júri para o Prémio Camões 2014, a distinção mais importante da criação literária em língua portuguesa. 

"A obra de Alberto da Costa e Silva é também uma contribuição notável na construção de pontes entre países e povos de língua portuguesa", disse Affonso Romano de Sant’Anna, presidente do júri. 




29 maio, 2014

84ª Edição da feira do Livro de Lisboa




Em 2014, a Feira do Livro em Lisboa vai ser como é habitual no Parque Eduardo VII. 

O evento vai realizar-se de 29 de Maio a 15 de Junho e,  além da venda de livros, irá ter uma programação para promover a leitura e o diálogo entre escritores e leitores.

Para conhecer o programa, consultar o site oficial.

21 maio, 2014

Quino galardoado com o prémio "Príncipe das Astúrias"






Quino, Salvador Lavado Tejón, criador da personagem Mafalda, foi distinguido com o prémio "Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades 2014". A sua personagem, Mafalda, é conhecida mundialmente.

o júri referiu que "a obra de Quino tem um enorme valor educativo e foi traduzida para muitas línguas, o que revela sua dimensão universal. Os seus personagens transcendem qualquer geografia, idade e condição social".

O diretor do Instituto Cervantes e presidente do júri, Víctor García de la Concha relembrou o aniversário de 50 anos da criação de Mafalda, e elogiou o cartunista pela combinação de sabedoria nas tiras e histórias, com a simplicidade. 

A primeira vez em que Mafalda foi publicada, ainda como tira, foi em 29 de setembro de 1964, na revista Primera Plana, de Buenos Aires, expandindo-se e sendo traduzida em várias línguas posteriormente.






17 maio, 2014

Cannes 2014



Hervé Chigioni e o seu designer gráfico Gilles Frappier conceberam e realizaram o cartaz da 67.ª edição do Festival de Cannes a partir dum fotograma extraído de "Oito e Meio" de Federico Fellini, filme apresentado na Selecção Oficial de 1963.


06 maio, 2014

Para onde Vão os Guarda-chuvas vence Prémio Autores para Melhor Livro de Ficção Narrativa





A obra de Afonso Cruz recebe a distinção na categoria Literatura, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). A entrega do prémio decorre no dia 8 de maio, pelas 18.00, no Salão Nobre dos Paços do Conselho da Câmara Municipal de Lisboa.

A Rocha Branca, de Fernando Campos, e No Labirinto de Centauro, de Rui Vieira, estavam também nomeados para o prémio de Melhor Livro de Ficção Narrativa. Irmão Lobo, de Carla Maia de Almeida, foi nomeado para Melhor Livro Infantojuvenil.

Em 2011, Afonso Cruz conquistou o prémio Autores SPA/RTP com o livro A Contradição Humana.








04 maio, 2014

MÃE



                                                                          Kolongi




Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!


Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar!
Quando voltar, é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça, é tudo tão verdade!


 Almada Negreiros 

01 maio, 2014

Leituras de abril

    O Beco dos Milagres


A Sala de Aula relata episódios que acontecem frequentemente nas escolas portuguesas e aborda alguns aspetos importantes do ensino em Portugal. Para quem está inserido no sistema, este livro apenas confirma o estado da educação que se vem agravando ao longo dos tempos.

O livro de Afonso Cruz está pleno de poesia... e de amor. É de leitura obrigatória.

O Beco dos Milagres, como o título indica, acontece num beco, no Cairo,  e por isso temos muitos mexericos (próprios de vizinhos que se conhecem bem), paixões, ódios e muito mais que o leitor deve descobrir por si. 

27 abril, 2014

Morreu Vasco Graça Moura (3-1-1942 / 27-4-2014)


Poeta, ensaísta, romancista, tradutor de grandes poetas, ensaísta, homem de cultura, grande defensor da língua portuguesa. Vasco Graça Moura nasceu no Porto, na Foz do Douro, em 1942, licenciou-se em Direito, pela Universidade de Lisboa, e chegou a exercer a advocacia, de 1966 a 1983, até a carreira literária se estabelecer em pleno.



Soneto do amor e da morte


quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

25 abril, 2014

25 de abril ... 40 anos



ilustração de Rie Nakajima


Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
onde emergimos da noite e do silêncio
e livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Adresen

23 abril, 2014

Dia Mundial do Livro


"Um livro é um animal vivo." (Aristóteles)

" Que é um livro? Uma sucessão de pequenos sinais. apenas isso. Compete ao leitor extrair por si-próprio as formas, as cores e os sentimentos a que esses sinais correspondem." (Anatole France)

"Pode-se avaliar a beleza de um livro pelo vigor dos safanões que ele nos deu e pelo tempo que levamos depois a recompor-nos." (Gustave Flaubert)

" O livro, como incomparável instrumento de cultura (é o único que permite todas as espécies de convivência entre a mensagem, o mensageiro e o receptor), pede imaginação, dinamismo, de que as mais das vezes somos carecidos." (Fernando Namora)

                             

17 abril, 2014

Morreu Gabriel Garcia Márquez (6-3-1927/17-4-2014)






O escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez morreu, hoje, aos 87 anos.

Gabriel Garcia Márquez era um dos autores mais importantes do século XX. Venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1982.


Principais obras:

Cem Anos de Solidão (1967)
Relato de um náufrago (1970)
O Outono do Patriarca (1975)
Crónica de uma morte anunciada (1981)
Cheiro de Goiaba (1982)
O Amor nos Tempos do Cólera (1985)
Do Amor e Outros Demónios (1994)
Notícia de um sequestro (1966)
Viver para Contar (2002)
Memória de minhas putas tristes (2004)



02 abril, 2014

Leituras de março



Dois livros autobiográficos. 
O primeiro relata vivências da vida quotidiana e das vicissitudes da história. 
O segundo aborda a vida familiar centrada na infância do narrador.

Dois romances muito diferentes, mas ambos cativantes que se leem de um fôlego.





27 março, 2014

21 março, 2014

Um poema de Al Berto no Dia Mundial da Poesia



OUTRO DIA

cai na manhã do coração desolado
a toutinegra que longe daqui cantava e
nesse instante
a tristeza do rosto subiu ao lábios
para queimar a morte próxima do corpo e
da terra

mas se a noite vier
cheia de luzes ilegíveis de véus
de relógios parados - ergue as asas
fere o ar que te sufoca e não te mexas
para que eu fique a ver-te estilhaçar
aquilo que penso e já não escrevo - aquilo
que perdeu o nome e se bebe como cicuta
junto ao precipício e à beleza do teu corpo

depois
deixarei o dia avançar com o barco
que levanta voo e traz as más notícias dos jornais
e o cheiro espesso das coisas esquecidas - os óculos
para ver o mar que já não vejo e um dedo incendiado
esboçando na poeira uma janela de ouro
e de vento

Al Berto, O Medo

19 março, 2014

Pai | Saudade





Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.


Pablo Neruda, in "Crepusculário"





11 março, 2014

Leituras de fevereiro


       


A Bibliotecária de Auschwitz é um daqueles livros que deixam marcas e que te impedem de iniciar outro porque ainda estás a viver no mundo interior da sua história.
Firmin é uma história divertida e triste que os apaixonados por livros não podem deixar de ler.

02 março, 2014

Morreu o realizador francês Alain Resnais (1922-2014)



O mestre do cinema francês Alain Resnais, realizador do clássico dos anos 60 "Hiroshima Meu Amor", morreu sábado à noite em Paris, aos 91 anos.


O realizador foi homenageado, neste anoa, na 64ªedição do Festival de Berlim, onde estreou o seu último filme, "Amar, beber e cantar".

Autor de clássicos  como "Hiroshima Meu Amor" "Nuit et Brouillard" e "O Último Ano em Marienbad", Alain Resnais é uma referência fundamental na história do moderno cinema francês.


"Hiroshima meu amor" (com argumento de Marguerite Duras) foi a sua primeira longa-metragem, em 1959.