25 outubro, 2026

𝑽𝒐𝒛𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝑪𝒉𝒆𝒓𝒏𝒐𝒃𝒚𝒍, de Svetlana Alexievich



Autora: Svetlana Alexievich
Título: Vozes de Chernobyl
Tradutora: Galina Mitrakhovich
N.º de páginas: 323
Editora: Elsinore
Edição(4.ª): Julho 2019
Classificação: Não-ficção
N.º de Registo: (3209)


OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐



Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich, Nobel da Literatura em 2015, é uma monumental história de sentimentos humanos perante o horror e o desconhecido. Ao afastar-se da análise da catástrofe de 1986, a autora constrói uma das mais perturbadoras radiografias da alma humana e da mentalidade soviética.

O aspecto mais avassalador, para mim, é a exposição de um patriotismo cego e a obediência absoluta daquelas pessoas. Choca-me ver como liquidadores, cientistas e cidadãos comuns marcharam em direcção a uma morte invisível sem contestar as ordens do Estado. Sem informação, sem equipamentos, sem conhecimento, responderam à chamada.
Moldados por uma cultura de sacrifício, o indivíduo aceitava anular-se em prol do colectivo. “Do ponto de vista da nossa cultura, pensar em si próprio é egoísmo. É fraqueza de espírito.” (p.174)

O Estado usou a retórica da guerra para mascarar a sua própria negligência, transformando pessoas desarmadas e desinformadas em "soldados" de uma frente de batalha radioactiva. Quase que podemos afirmar que foram, tragicamente, usados como “carne para canhão”.

O estilo literário de Svetlana Alexievich é a ferramenta perfeita para traduzir este cenário. A escritora dá a palavra às pessoas que entrevista, desaparecendo quase por inteiro da narrativa. Não há a voz de um narrador tradicional a guiar o leitor; há, sim, um mosaico de monólogos. A autora ocupa-se “da história omitida, dos sinais” e actua colhendo os testemunhos, isto é “o quotidiano dos sentimentos, dos pensamentos, das palavras”(p.45), limpando os excessos e organizando-os para que a oralidade original pulse com uma força literária devastadora. Desta forma, ela resgata a memória emocional. E até ela própria dá uma entrevista “consigo mesma sobre a história omitida e por que Chernobyl lança dúvidas sobre a nossa visão do mundo” .

Outro aspecto marcante é a estrutura do livro que revela uma simetria perfeita (?) e dolorosa. A autora escolheu abrir e fechar a obra com o mesmo título: "Uma solitária voz humana". Parece-me que não é uma coincidência inocente.

No primeiro relato, conhecemos Liudmila Ignatenko e o seu amor sobre-humano pelo bombeiro Vassili, cujo corpo se desintegrava devido à radiação. Ela quebra todas as regras para o abraçar, para o tratar, ignorando a radiação e escondendo uma gravidez.

No último, encontramos Valentina Timoféievna Apanassévitch, a mulher de um liquidador voluntário, que nos fala da sua felicidade conjugal e da dor do luto que a isola do resto do mundo.

Entre estes dois polos de afecto absoluto, há múltiplos monólogos de homens e de mulheres, mas o que me impressiona mesmo é a perspectiva das crianças, cuja inocência foi corrompida ao normalizarem a morte e ao imitarem o patriotismo dos adultos, desenhando reactores, nos hospitais onde passavam os seus últimos dias.

Em suma, Vozes de Chernobyl triunfa porque devolve a dignidade e a identidade a seres humanos que o regime soviético tentou reduzir a meras estatísticas.

O repórter Paulo Mora referiu no seu prefácio que as personagens “contam como os nobres valores que tinham norteado as vidas de gerações no mundo soviético se revelavam de súbito falsos, ridículos, patéticos. O heroísmo no combate, a solidariedade com o povo, o patriotismo, o sacrifício individual, agora misturados com o desapontamento, o medo, a solidão…” (pp. 14 e 15)

É uma leitura obrigatória que nos recorda que, quando o Estado resvala, quando a ciência e tecnologia falham, quando o desrespeito e a monstruosidade imperam, apenas o amor e a solidariedade permanecem como testemunhos da verdade.


20 outubro, 2026

Patti Smith vence Prémio Princesa das Astúrias para as Artes

 


                                                             
            (C) Fotos Fundación Princesa de Asturias


Patti Smith vence o Prémio Princesa das Astúrias para as Artes, 2026.

A cantora, poetisa e escritora americana de 79 anos foi escolhida pelo júri devido à sua trajectória que vai muito além da música, abrangendo poesia, fotografia, performance e vídeo-instalação. Em comunicado oficial, o júri destacou que a artista “expressou a rebeldia do indivíduo na sociedade em canções pulsantes, algumas das quais já se tornaram ícones da música popular de nosso tempo.” 

Prémio merecidíssimo. Por enquanto, li apenas 1 livros da autora, mas tenho outros em lista de espera.

Partilho a minha opinião de Devoção: leituras...trilhos...evasões...: Patti Smith




                                 Patti Smith à l' Olympia | 20.08.2025 | (c) GR





Julian Barnes vence o Prémio Princesa das Astúrias das Letras 2026,

 



                                           (C) Fotos Fundación Princesa de Asturias



O escritor britânico, Julian Barnes, vence o Prémio Princesa das Astúrias das Letras 2026.

O escritor foi premiado por ser, segundo o júri, um extraordinário narrador e ensaísta, dotado de humor, ironia e de um "optimismo melancólico e um pessimismo alegre." 

A fundação, além da obra literária de décadas, reconhecida por múltiplos galardões internacionais, destacou também o compromisso do escritor com os direitos humanos e a sua colaboração com organizações não-governamentais.


Considero que a atribuição do prémio é merecida. Por enquanto, li apenas 3 livros do autor.

Partilho as minhas opiniões dos livros que já li do autor:                   leituras...trilhos...evasões...: Julian Barnes


19 outubro, 2026

Pequenas Vozes da Terra





Carrego o verão às costas
grão a grão, dia após dia
enquanto alguém entrega canto ao vento
eu empilho noites para o frio
dizem que sou previdente
Quem sabe até onde vai uma canção?

Vi cair um gigante
vi um rosto tocar o chão
não vinha do sono
perdeu a altura do mundo
ficou ao nosso nível
Quem sabe até onde vai uma resposta?

Chegamos sem anúncio
moramos em frestas e assombros
nenhuma porta nos detém
regressamos sem passado
somos muitas, quase invencíveis
Quem sabe até onde vai uma invasão?

Não tenho rei nem mestre
mas conheço o carreiro do pão
quando o sol nasce, já caminho
quando a noite desce, imagino
não ensino o que aprendi
Quem sabe até onde vai a fantasia?

Há formigas que guardam estações
há formigas que conhecem a queda
umas labutam, outras resistem
outras chegam onde ninguém as espera
há formigas que regressam
há formigas que atravessam livros
Quem sabe até onde vai uma formiga?

Escolhe a tua formiga e segue-a
Ela sabe para onde vai

GR



13 outubro, 2026

𝑶 Ú𝒍𝒕𝒊𝒎𝒐 𝑨𝒗ô, de Afonso Reis Cabral

 

Autor: Afonso Reis Cabral
Título: O Último Avô
N.º de páginas: 284
Editora: D. Quixote
Edição: Setembro 2025
Classificação: Romance
N.º de Registo: (3743)


OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐


Terminada a leitura de O Último Avô, fiquei com a sensação de ter lido o romance mais conseguido de Afonso Reis Cabral. Se os seus livros anteriores já evidenciavam a capacidade de observar as fragilidades humanas, é neste romance que essa maturidade se manifesta de forma mais plena. A estrutura revela-se especialmente eficaz, articulando diferentes planos temporais e emocionais, permitindo que a história avance ao ritmo da memória e das revelações.

Uma das grandes forças do romance reside nas suas múltiplas camadas de leitura. À superfície encontramos uma história familiar marcada pelos afectos, pelas ausências e pelos silêncios que atravessam gerações. O trauma da Guerra Colonial percorre o livro como uma presença persistente, enquanto facto histórico e sobretudo como uma herança invisível que continua a repercutir-se naqueles que a viveram e nos seus descendentes.

Ao mesmo tempo, Afonso Reis Cabral explora a complexidade dos laços familiares, mostrando que o amor raramente se exprime de forma linear. Os gestos, as ausências, as palavras não ditas e os ressentimentos acumulados compõem um mosaico afectivo de grande autenticidade.

O "último avô" do título ultrapassa a dimensão individual e transforma-se num símbolo daquilo que uma geração transmite à seguinte. O neto não herda só uma memória familiar, mas também a capacidade de escrever. Entre ambos estabelece-se uma verdadeira herança literária. Se o avô, escritor consagrado, transporta uma história que nunca conseguiu escrever, o neto recebe essa vocação, tornando-se depositário de uma memória que procura forma e sentido. A escrita surge então como possibilidade de dar voz ao que permaneceu em silêncio e de preservar aquilo que o tempo ameaça apagar.

Escrever torna-se, assim, um acto de resgate. Afonso Reis Cabral faz da literatura um lugar de encontro entre gerações, onde as histórias podem finalmente encontrar quem as conte.

É nesta conjugação entre história colectiva, intimidade familiar, meditação sobre a morte e consciência literária que reside a riqueza do romance. Afonso Reis Cabral constrói uma narrativa profundamente humana. A qualidade da escrita, a consistência da estrutura e a densidade das questões que levanta fazem de O Último Avô uma obra que permanece no leitor muito para além da última página.

 




11 outubro, 2026

Clube de Leitura - Uma Casa sem Livros | Maré d'Escrita

 


Quinta-feira, dia 8 de Outubro, ainda imbuídos do entusiasmo da Onda Literária, na cafetaria do Centro de Artes, decorreu mais um encontro do Clube de Leitura - Uma Casa sem Livros, dinamizado pela Biblioteca Municipal de Sines.
O encontro foi precedido da sessão Maré d'Escrita. Lemos alguns dos 7 textos escritos e discutimos alguns pormenores que suscitaram dúvidas.

Para o Clube de leitura, apresentámos algumas das nossas leituras no âmbito da Onda Literária, entre outras. As leituras dos 11 participantes foram ricas, diversificadas e proporcionaram outras tantas descobertas e fizeram crescer a maioria das nossas listas de livros a ler.
Como também já é habitual, e como o refiro sempre, lemos, ouvimos, sorrimos e maravilhámo-nos.
A literatura tem esse poder! A partilha de bons livros encanta-nos!
Para o próximo encontro, no dia 5 de Novembro, vamos ler a nossa Lídia Jorge.

Eis os livros apresentados na sessão e que vos convido a descobrirem:

. Os Loucos da Rua Mazur, de João Pinto Coelho;
. Compêndio para desenterrar nuvens, de Mia Couto;
. Uma longa viagem com José Saramago, de João Céu e Silva;
. O Sangue da Buganvília, de Ana Paula Tavares;
. O Avô tem uma borracha na cabeça, de Rui Zink;
. Anibaleitor, de Rui Zink;
. Um Tempo a Fingir, de João Pinto Coelho;
. O Mundo às Avessas, de João Céu e Silva;
. Natália Correia, entre o riso e a paixão, de Maria João Martins;
. A Mulher por detrás da parede, de Filipa Fonseca Silva;
. Moral - a Invenção do Bem e do Mal, de Hanno Sauer;
. O Fim de um Romance, de Péter Nádas;
. Balada de Amor ao Vento, de Paulina Chiziane;
. Os nossos avós, de Andrew O'Hagan;
. A Parede, de Marlen Haushofer;



09 outubro, 2026

Onda Literária | 2, 3, 4 e 5 de Outubro 2026

 


       








                                  








A 4.ª Edição da Onda Literária promovida pelo Centro de Artes  e Biblioteca Municipal de Sines ofereceu-nos um excelente programa, superando largamente a edição anterior. Foram quatro dias intensos de iniciativas e de partilha de livros, leituras, poesia, conversas, passeios literários, fotografias, sorrisos, provas de vinho e abraços.
Descobri novos autores, confirmei valores certos da nossa literatura portuguesa e também angolana.
Este ano, tive o privilégio de moderar o encontro com João Pinto Coelho, um escritor que muito aprecio. Cada um dos  seus cinco livros merece ser lido. 

Fiquei muito mais rica com as aprendizagens adquiridas e feliz com os momentos vividos. 

O público compareceu, mas constatei, mais uma vez, que um excelente Festival Literário não enche recintos. 
Até pró ano!

08 outubro, 2026

Anne Carson Vence Prémio Nobel da Literatura 2026

 


Anne Carson, especialista em Literatura Clássica e Comparada, é a vencedora do Prémio Nobel da Literatura 2026. A Academia Sueca destaca a “obra ousada e criativa que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.

A Academia acrescenta ainda que “ao longo de toda a sua carreira, Anne Carson conciliou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em várias universidades. Quase toda a sua produção literária se tem centrado no cruzamento entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos significados. A própria autora identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra”.

Em Portugal estão publicadas algumas das suas obras:

Águalisa; Autobiografia do Vermelho; Eros, amargo e doce: um ensaio; Homens nas Horas Vagas; A Beleza do Marido e Vidro, Ironia e Deus.

A escritora de 76 anos é a segunda autora canadiana a ser laureada após Alice Munro, em 2013. Foi a primeira mulher a ganhar o TS Eliot Prize.


06 outubro, 2026

João Pinto Coelho | Onda Literária





João Pinto Coelho escreve a partir de uma ferida histórica que conhece bem.
 Em Perguntem a Sarah Gross (2015), Os Loucos da Rua Mazur (2017), Um Tempo a Fingir (2020), e Aguarela de Paris (2026), o seu olhar fixa-se na maldade humana, na crueldade que atravessa épocas, sustentado por investigação rigorosa que desenvolveu em  Auschwitz durante anos.
Mas  em 2022, desvia-se dessa temática e regressa a si com Mãe, Doce Mar. Aqui, abandona a sombra da História para entrar na luz íntima da memória pessoal. É um livro autobiográfico, libertador, detentor, também ele, de uma escrita bela e emotiva.

E Sines conhece bem este percurso criativo. O João Pinto Coelho esteve em Sines pela primeira vez no dia 08 de abril de 2016, na livraria A Das Artes quando trouxe consigo essa forma tão própria de ler o passado e de conversar com o presente, apresentando-nos o surpreendente Perguntem a Sarah Gross; regressou à livraria em 2017 para nos falar de Os loucos da Rua Mazur; à Escola Sec Poeta Al Berto, em 2023 e agora aqui. Na 4.ª edição da Onda Literária.

Nesta  quarta presença, traz-nos Aguarela de Paris, onde a escrita se afina, ainda mais poética, como uma claridade, ou melhor, uma luminosidade própria da arte, porém  assombrada pela dor e pelo sofrimento que atravessam Auschwitz. Um romance denso, de contrastes, sedutor e exigente, que começa na Escócia e atravessa outras geografias e percorre os anos mais hediondos do século passado. Um livro que nos prova, mais uma vez, que a sua escrita é  capaz de pintar a luz e a sombra da alma humana com a mesma mestria.


02 outubro, 2026

Um Verão com Platero

 

                                                          IA - Copilot - 16.09.2026



Platero é pequeno, peludo, suave; tão macio que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche dos seus olhos são dois escaravelhos de cristal negro. Deixo-o solto, e vai para o prado, e acaricia levemente com o focinho, mal as roçando, as florinhas róseas, azuis-celestes e amarelas... Chamo-o docemente: " Platero", e ele vem até mim com um trote curto e alegre que parece rir em não sei que guizalhar ideal ...

Eu conhecia bem aquele trote alegre, mas, naquele dia, ele foi música de boas-vindas para a família que recebíamos no alojamento rural.
Nascidos e criados entre o betão cinzento da grande cidade, os pequenos irmãos nunca tinham visto um burro de perto. Para eles, o mundo media-se pela altura dos prédios e o único reino animal que conheciam, resumia-se aos pombos do parque e ao cão do vizinho. Nunca tinham visto um burro de perto. Para eles, os animais do campo eram figuras estáticas nas páginas dos livros.

Lembro-me de como recuaram, fascinados e temerosos, quando Platero se aproximou. Mas a doçura daquele olhar de azeviche desfez qualquer receio. Vi a mais nova estender a mão pequenina, tocando no pêlo macio e ouvi a gargalhada do irmão ao sentir o sopro morno do focinho na sua palma.

Platero, habituado aos meus silêncios e à calmaria do campo, rendeu-se imediatamente àquela energia nova. Descobri que ele adorava aqueles mimos ruidosos dos nossos hóspedes. Com uma paciência infinita, o meu velho amigo deixava que as crianças lhe fizessem tudo o que a imaginação ditava; aceitava com bonomia as coroas de papoilas que lhe penduravam nas orelhas; caminhava devagar para acompanhar os passos deles e deitava-se na erva, servindo de almofada viva para as brincadeiras da tarde. Havia uma cumplicidade dócil entre eles e Platero respondia a cada risada e a cada gritinho com um abanar de cauda e um pequeno relincho que fazia, ainda mais, gargalhar as crianças. Pela primeira vez, os ecrãs dos telemóveis e os jogos de vídeo foram substituídos pelo cheiro a terra molhada e pela amizade pura de um animal que os entendia sem palavras.

Mas o tempo não pára. O vento de fim de Verão começou a soprar mais fresco ao entardecer e a bagagem foi novamente arrumada na mala do carro, desta vez com algumas pedrinhas do riacho e flores secas guardadas como tesouros.

Na manhã da partida, assisti à despedida silenciosa. A menina abraçou-se ao pescoço do burro, chorando baixinho, enquanto o irmão lhe oferecia a última maçã com os olhos marejados. Platero, sentindo a tristeza no ar, permaneceu imóvel, encostando o focinho húmido nas mãos deles, soltando um sopro demorado. Ficámos os dois na vedação a vê-los partir, com as orelhas caídas, vendo o carro desaparecer.

De volta à rotina da cidade, os miúdos passaram os últimos dias em casa imersos numa súbita saudade, estranhando o silêncio do apartamento e sentindo a ausência daquele burrito que lhes roubara o coração, enquanto aqui, o prado também se recolhia na mesma nostalgia.

Passaram as férias, e, com as primeiras folhas amarelas, as crianças regressaram ao colégio. Solidão. O sol da casa parece vazio. Na imaginação soam gritos longínquos e risos de outrora...

17.09.2026

GR

Nota: Trata-se de um exercício de escrita criativa. O início e o final, em itálico, foram retirados da obra Platero e Eu, de Juan Ramón Jiménez