Neste espaço pretende-se divulgar actividades culturais/educativas/lúdicas ou simplesmente participar, partilhar opiniões, leituras, viajar...
29 fevereiro, 2024
24 fevereiro, 2024
Anatomia de uma Queda, de Justine Triet
com Sandra Hüller, Swann Arlaud, Milo Machado-Graner
17 fevereiro, 2024
𝑶 𝑨𝒏𝒊𝒃𝒂𝒍𝒆𝒊𝒕𝒐𝒓, de Rui Zink
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐⭐
15 fevereiro, 2024
Vieste como um barco carregado de vento
Foto GR
Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.
Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos
que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa
e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.
Maria do Rosário Pedreira, in O Canto do Vento nos Ciprestes
14 fevereiro, 2024
𝑶 𝑨𝒎𝒂𝒏𝒕𝒆 𝒅𝒆 𝑳𝒂𝒅𝒚 𝑪𝒉𝒂𝒕𝒕𝒆𝒓𝒍𝒆𝒚, de D. H. Lawrence
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐⭐
13 fevereiro, 2024
Carnaval, de Cecília Meireles
Com os teus dedos feitos de tempo silencioso,
Modela a minha mascara, modela-a…
E veste-me essas roupas encantadas
Com que tu mesmo te escondes, ó oculto!
Põe nos meus lábios essa voz
Que só constrói perguntas,
E, à aparência com que me encobrires,
Dá um nome rápido, que se possa logo esquecer…
Eu irei pelas tuas ruas,
Cantando e dançando…
E lá, onde ninguém se reconhece,
Ninguém saberá quem sou,
À luz do teu Carnaval…
Modela a minha mascara!
Veste-me essas roupas!
Mas deixa na minha voz a eternidade
Dos teus dedos de silencioso tempo…
Mas deixa nas minhas roupas a saudade da tua forma…
E põe na minha dança o teu ritmo,
Para me conduzir…
12 fevereiro, 2024
A Sala de Professores, de Ilker Çatak
com Leonie Benesch, Leonard Stettnisch
04 fevereiro, 2024
𝑶𝒔 𝑺𝒐𝒏𝒉𝒂𝒅𝒐𝒓𝒆𝒔, António Mota
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
03 fevereiro, 2024
Não digas nada
NÃO DIGAS NADA!
Não digas nada!
Não, nem a verdade!
Há tanta suavidade
Em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada!
Deixa esquecer.
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda esta viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz...
Não digas nada.
Fernando Pessoa, Poesias Inéditas (1930-1935)
31 janeiro, 2024
𝑽𝒊𝒂𝒈𝒆𝒏𝒔, de Olga Tokarczuk
27 janeiro, 2024
𝑷𝒆𝒍𝒂 𝑳𝒊𝒃𝒆𝒓𝒅𝒂𝒅𝒆: 𝑹𝒆𝒔𝒑𝒊𝒓𝒂çõ𝒆𝒔, de Ana Luísa Amaral
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
Campo de concentração, de António Gedeão
sobre as amarguras do mundo,
e que bebem até ao fundo das coisas
como se as coisas não tivessem fundo;
teus olhos, de asas bem abertas,
povoaram de voos o claustro do meu rosto,
e interrogaram as sombras, as sombras sempre despertas
deste sono pressuposto
Vai-te. Não interrogues nada que eu não sei dizer-te nada.
Isto, e isso, e aquilo, não é isso, não é aquilo nem isto.
Não é nada.
Ou talvez não seja nada.
Ou talvez só seja isto:
um pavor de madrugada,
um mal que se chama existo.
23 janeiro, 2024
23 de Janeiro (?) de 1524 - 500 Anos
Hilario Sineiro: Luís Vaz de Camões
O dia em que nasci morra e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar,
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o sol padeça.
A luz lhe falte, o céu se lhe escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas, pasmadas de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
22 janeiro, 2024
Fiquei doido, fiquei tonto...
Toulouse Lautrec | Au lit, le baiser | 1892
Meus beijos foram sem conto,
Apertei-a contra mim,
Aconcheguei-a em meus braços,
Embriaguei-me de abraços...
Fiquei tonto e foi assim...
Sua boca sabe a flores,
Bonequinha, meus amores,
Minha boneca que tem
Bracinhos para enlaçar-me,
E tantos beijos p'ra dar-me
Quantos eu lhe dou também.
Ah que tontura e que fogo!
Se estou perto dela, é logo
Uma pressa em meu olhar,
Uma música em minha alma,
Perdida de toda a calma,
E eu sem a querer achar.
Dá-me beijos, dá-me tantos
Que, enleado nos teus encantos,
Preso nos abraços teus,
Eu não sinta a própria vida,
Nem minha alma, ave perdida
No azul-amor dos teus céus.
Não descanso, não projecto
Nada certo, sempre inquieto
Quando te não beijo, amor,
Por te beijar, e se beijo
Por não me encher o desejo
Nem o meu beijo melhor.
Fernando Pessoa
21 janeiro, 2024
Papoilas
Claude Monet | Champs de coquelicots en Argenteuil | 1873
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas
o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro
aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me
qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos
coisa estranha
opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro
para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras
20 janeiro, 2024
À 𝑬𝒔𝒑𝒆𝒓𝒂 𝒅𝒆 𝑩𝒐𝒋𝒂𝒏𝒈𝒍𝒆𝒔, Olivier Bourdeaut
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
19 janeiro, 2024
Eugénio de Andrade - Dia de Aniversário
Foto GR
Procuro-te
Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre – procuro-te.
13 janeiro, 2024
“O menino que escrevia versos” – um conto de Mia Couto
11 janeiro, 2024
Al Berto - Dia de aniversário
A partir de dois versos de Al Berto escrever uma carta :
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem
in Uma existência de papel - Poema 5 "Eremitério"
Premissas:
- escrever à mão com letra bem desenhada, numa folha de papel personalizada;
- iniciar a carta com os dois versos indicados;
- usar, no corpo da carta, as seguintes palavras: luz, papel, tinta, terra, mar, coração
Eis a minha carta:
Sines, 11 Janeiro 2024
Ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem...
Como te esperei ansiosa e desesperadamente !
A saudade atormentava-me o coração e ofuscava a luz radiante do sol que aquecia a terra e se espelhava no mar, único confidente do meu desassossego.
Agora que te tenho finalmente comigo, afasto a melancolia e recupero o ensejo de preencher a folha de papel que há muito esperava a tinta que lhe daria algum sentido.
Promete que não voltas a partir...
Preciso de ti. Aqui. Sempre.
Só contigo saberei justificar a minha existência de papel.
Teu amigo,
GR
10 janeiro, 2024
Comboio de palavras - escrita criativa
Hoje, escrevi intensamente!
Encontrei-me estranhamente envolvida, agitada, alegre em mitigar, raivosamente, esta ansiedade e este ensejo obstinado ou urgente em me entregar!
Texto criado em formação com DC em 11|10|2022
haiku - Escrita criativa
Haiku (haicai):
nome masculino
1. [Literatura] Forma poética muito breve, de origem japonesa, composta geralmente por três versos de cinco, sete e cinco sílabas.
"haicai", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/haicai.
08 janeiro, 2024
Globos de Ouro - Vencedores nas categorias de cinema
Melhor Filme – Drama
“Oppenheimer”
Melhor Filme – Comédia ou Musical
“Pobres Criaturas"
Melhor Realização
Christopher Nolan, “Oppenheimer”
Melhor Ator – Drama
Cillian Murphy, “Oppenheimer”
Melhor Atriz – Drama
Lily Gladstone, “Assassinos da Lua das Flores”
Melhor Ator – Comédia ou Musical
Paul Giamatti, “Os Excluídos” (vencedor)
Melhor Atriz – Comédia ou Musical
Emma Stone, “Pobres Criaturas” (vencedor)
Melhor Ator Secundário
Robert Downey Jr., “Oppenheimer
Melhor Atriz Secundária
Da’Vine Joy Randolph, “Os Excluídos”
Melhor Argumento
“Anatomia de uma Queda”
Melhor Filme Estrangeiro
“Anatomia de uma Queda” (França)
Melhor Filme de Animação
“O Rapaz e a Garça”
Melhor Banda Sonora Original
Ludwig Görranson, “Oppenheimer”
Melhor Canção Original
“What was I Made For?”, de “Barbie” (Billie Eilish O’Connell, Finneas O’Connell)
Melhor Filme por Mérito Cinematográfico e Comercial
“Barbie”
07 janeiro, 2024
𝑨 𝑪𝒂𝒔𝒂 𝒅𝒂𝒔 𝑩𝒆𝒍𝒂𝒔 𝑨𝒅𝒐𝒓𝒎𝒆𝒄𝒊𝒅𝒂𝒔, de Yasunari Kawabata
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
03 janeiro, 2024
𝑩𝒂𝒍𝒂𝒅𝒂 𝒅𝒆 𝑨𝒎𝒐𝒓 𝒂𝒐 𝑽𝒆𝒏𝒕𝒐, de Paulina Chiziane
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
02 janeiro, 2024
Eis-me, de Sophia de Mello Breyner Andresen
Glauco Cambon | Moon Symphony | 1927
Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face
Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio
Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente
OBRA POÉTICA, Sophia de Mello Breyner Andresen
01 janeiro, 2024
Recomeçar porque hoje é já outro dia e outro ano !!!
Freepik
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
31 dezembro, 2023
As escadas, Manuel António Pina
As Escadas
Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas
em direção à tua escuridão, deixando-me,
ou a alguma coisa menos tangível,
no seu lugar.
Também elas envelheceram, as escadas,
também, como eu, desabitadas.
Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus,
e, à nossa volta, os nossos corpos desvanecem-se como terras estrangeiras.
30 dezembro, 2023
𝑨 𝑴𝒂𝒅𝒐𝒏𝒂, de Natália Correia
«𝑪𝒂𝒓𝒐 𝑷𝒓𝒐𝒇𝒆𝒔𝒔𝒐𝒓 𝑮𝒆𝒓𝒎𝒂𝒊𝒏» 𝑪𝒂𝒓𝒕𝒂𝒔 𝒆 𝑬𝒙𝒄𝒆𝒓𝒕𝒐𝒔, de Albert Camus
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐

























