145 min | M/12 | Thriller, Ficção Científica, Drama | 2026 | EUA
Realização: Steven Spielberg
Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Wyatt Russell, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson
Quando saí do cinema após ver "O Dia da Revelação", confesso que estava dividida. A minha cabeça não parava de pensar na lógica da história. Afinal, como é que um grupo tão poderoso, que mandava em tudo e escondeu este segredo durante tantos anos, é derrotado assim tão facilmente no final?
Na era dos deepfakes, da inteligência artificial e da desinformação instantânea, a escolha de Steven Spielberg em basear a maior revelação da história da humanidade numa transmissão televisiva linear pareceu-me, ao início, antiquada e logicamente frágil. Tem de haver uma razão.
O cinema tem esta capacidade mágica de nos fazer mudar de perspectiva. E foi quando mudei a "lente" através da qual olhava para o filme que tudo ganhou outro valor.
Percebi (ou quis perceber) que Steven Spielberg não queria fazer um filme focado na tecnologia ou na política do mundo de hoje. Ele quis entregar-nos uma metáfora sobre a paz e a esperança.
Sob esta nova perspectiva, a cena em que o vilão Noah Scanlon desiste de disparar e deixa a transmissão continuar ganha um novo entendimento. Ele não falha por incompetência; ele é desarmado pela própria magnitude da verdade. E assim, há algo transformador na mensagem de que a verdade liberta todos, incluindo os próprios opressores que passaram a vida a escondê-la.
Mas só cheguei a este entendimento, após longa reflexão sobre o final. Intrigou-me o corte abrupto para os créditos logo a seguir à palavra "Ouçam" dita por Emily Blunt. Esse era o foco, tinha de ter um significado. E só podia ser um apelo. Spielberg está a dizer-nos que, perante a imensidão do universo, as nossas guerras, discussões e divisões perdem todo o sentido. Temos de parar e ouvir o que realmente importa.
"O Dia da Revelação" pode não ser perfeito na lógica, ou melhor, pode causar estranheza, mas mexe connosco. Lembra-nos da nossa humanidade e mostra que a esperança na paz continua a ser um caminho válido.
E, verdade seja dita, isso faz-nos muita falta hoje em dia.


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