12 março, 2026

Valor Sentimental, de Joachim Trier

 

         

        133 min | M/12 | Drama | 2026 | Noruega
Realização: Joachim Trier
Elenco: Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning


Valor Sentimental é um filme monumental. Joachim Trier trabalhou  a memória e o poder reconciliador da arte.

Há no filme várias camadas que nos levam a construir o puzzle de uma família fracturada devido ao afastamento do pai, às ausências de diálogo, de abraços, de afectos. 

Em Valor Sentimental  a arte é trabalhada como um território reconciliador, onde o passado doloroso pode finalmente ser tocado sem receios. Joachim Trier encara a criação artística não como fuga, mas como ferramenta de revelação. Na representação no palco, na leitura do guião, no registo da câmara, na repetição de gestos e falas, as personagens começam a reconhecer aquilo que durante anos permaneceram incapazes de nomear.
É nesse movimento que o filme encontra a sua força maior: a criação como arqueologia emocional, a escavação lenta das camadas emocionais das personagens.
Trier oferece-nos um enredo carregado de emoções e fá-lo magistralmente através de planos fixos de rostos, de olhares que se desviam, de pausas que carregam mais do que qualquer diálogo, de silêncios. São esses momentos que revelam o trauma que atravessa gerações.

No fim, o filme não fecha feridas, ensina, apenas, a olhá-las com mais ternura.  Oferece a possibilidade de reconhecer que a dor herdada não é destino, mas matéria de trabalho. A família não se reconcilia plenamente, mas aprende a olhar-se com mais honestidade. A arte torna-se, assim, a via capaz de traduzir o que a família, pai e filhas, não conseguiu dizer.





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