29 junho, 2008

Berry - Le bonheur

Berry, é uma nova voz francesa. O seu primeiro álbum Mademoiselle está a causar sensação perante a crítica francesa. Mesmo os mais cépticos lhe dão um voto de confiança para este primeiro trabalho.


le bonheur é o segundo título do álbum.

N'ayez pas peur du bonheur
Il n'existe pas
Ni ici ni ailleurs

Nous allons mourir demain
Ne dites plus rien
Le bonheur conjugal
Restera de l'artisanat local
Laissez-vous aller le temps d'un baiser
Je vais vous aimer

Le trésor n'est pas caché
Il est juste là
A nos pieds dévoilé
Il nous ferait presque tomber
C'est dommage qu'on ne vive
Qu'une seule fois
C'est le temps d'une joie
Qui s'offre, comme vous à moi
Laissez-vous aller le temps d'un baiser
Je vais vous aimer

Un peu de sel dans la mer
Ne changera rien
On s'adore, on s'enterre,
On trouve une main et on serre

N'ayez pas peur du bonheur
Il n'existe pas
Laissez-vous aller le temps d'un baiser
Je vais vous aimer

Lo Còr de la Plana em Sines - 21 Julho



"Lo Còr de La Plana (prononcez "lou couar dé la plane") est un choeur de Marseille, du quartier de la Plaine. Six chanteurs trépidants, accompagnés de percussions (bendirs et tamburello) et de battements de pieds et de mains. Fondée en 2001, la formation s'est adonnée à la re-création systématique du patrimoine populaire occitan, chantant dans une fièvre inégalée tous les répertoires, du plus religieux au plus débridé, du plus répétitif au plus occasionnel, et tout ça, bien souvent, en même temps! Avec cette volonté nouvelle et définitive d'en finir avec le chant traditionnel, d'en découdre avec la musique vocale et la polyphonie, quitte à réveiller ceux qui rêvaient de voir mourir ces dernières dans leurs chapelles. De fait, nos chanteurs vont partout, dans les églises, les usines, les bars ou les théâtres, n'hésitant pas à mêler au paganisme déroutant du vieux fonds occitan les préoccupations des musiciens marseillais d'aujourd'hui. Ils ne renient alors aucune influence, de Bartok au Massilia Sound System, aucune provenance, d'Oran au Rove, n'ayant pour unique prétention que de faire détonner, résonner et déraisonner dans leur musique tout ce que leur ville et le monde alentour leur donne à entendre. Une sirène de police, un nouveau-né, les restes d'un paradis ou d'un fantasme de paradis, une fête trop arrosée, des moutons, des loups, bref, la fureur paisible et enivrante du quotidien! "

LE NOUVEL ALBUM DANS LA PRESSE :

« Lo Còr de la Plana creuse toujours plus profond son sillon (...) il le laboure de part en part, le fertilise toutes ses expériences, pour en bouturer des hybrides fleuries et vivaces. Celles qu’il nomme si justement "chants à danser" »
Jacques Denis


« Du chant traditionnel ? Sans doute, mais franchement davantage. Des chants à danser qui emportent dans une transe souriante, triomphent de tous les blocages corporels ou mentaux. Des ritournelles viriles, pétillantes d’une fraîcheur mutine. Les six lascars de ce choeur d’hommes du quartier de La Plaine, à Marseille, donnent une élasticité salutaire à l’idée de tradition. Ils revisitent le patrimoine populaire occitan, le recréent en y inventant la polyphonie et transgressent l’idée que l’on pourrait s’en faire, lui injectant swing, groove et bonne humeur dissipée. Ils s’accompagnent de battements de mains et de pieds, de bendirs et autres peaux, invitent à l’occasion des amis, dont la fanfare Auprès de ma blonde ou l’ensemble algérien El Hilal. »
Patrick Labesse

21 junho, 2008

Mia Couto em Sines




Mia Couto esteve hoje, em Sines, na Livraria A das Artes para apresentar o seu novo romance Venenos de Deus, Remédios do Diabo, editado pela Caminho.

17 junho, 2008

Germana Tânger e Álvaro de Campos no Câmara Clara

Domingo, dia 15, a jornalista Paula Moura Pinheiro teve como convidada Germana Tânger, uma senhora de 88 anos, amante e divulgadora da poesia dos nossos grandes poetas. Ela fê-lo com grande à vontade, pois teve o prazer de privar com alguns vultos importantes da nossa literatura, como Almada Negreiros, José Régio, Vitorino Nemésio, entre outros.
O motivo da sua presença no programa "Câmara Clara" só podia ser, óbviamente, POESIA! A Poesia de Fernando Pessoa que comemora os 120 anos do seu nascimento.
Mas o que me leva a destacar este programa, de muitos outros que a Paula Moura Pinheiro nos oferece semanalmente (lamentando que seja divulgado na RTP2 , pois merece um maior destaque pela qualidade do programa e dos seus convidados) foi a emoção da senhora ao dizer o poema que aqui deixo.
Quem ama verdadeiramente a poesia, di-la simplesmente!


Aniversário
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.


No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.


Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o eco...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!


O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhaslágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!


Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


in, Poesia, Álvaro de Campos
Assírio & Alvim

14 junho, 2008

Fernando Pessoa - 120 anos



Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935) nasce no dia 13 de Junho de 1988, em Lisboa.

Por razões familiares vai para a África do Sul, onde completa a instrução primária e secundária.

Em 1902, Pessoa inscreve-se numa Escola Comercial. Começa também a escrever poesia, em inglês, sob o nome de Alexander Search.



Em 1903, recebe o Queen Victoria Memorial Prize, como prémio pelo melhor ensaio num exame de admissão à Universidade do Cabo.

Em 1905, interrompe, os estudos universitários e regressa a Lisboa, matriculando-se no Curso Superior de Letras, que não viria a concluir.

Em 1907, começa a trabalhar como correspondente estrangeiro de casas comerciais.

Em 1912, publica três artigos sobre a nova poesia portuguesa na revista A Águia e conhece Mário de Sá-Carneiro, com quem inicia uma correspondência que viria a reflectir os grandes conceitos que marcariam o Modernismo português.
Na altura, nada conseguiu criar. Dias mais tarde, porém, é surpreendido por uma súbita inspiração, escreve mais de 30 poemas a fio e nasce Alberto Caeiro (O mestre).

Surgem depois Ricardo Reis e Álvaro de Campos, discípulos do primeiro. Nasciam assim os mais importantes heterónimos de Pessoa, figuras que, se materializaram em si, e que representam a sua “tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação”. Cada um tem uma biografia, uma vida e um estilo únicos, trazendo, para a literatura, a pluralidade e a fragmentação do eu que marcariam o Modernismo.

Nos anos seguintes, Fernando Pessoa colabora com as revistas Orpheu e Portugal Futurista. Publica ”Chuva Oblíqua”, de Pessoa ortónimo, "Ode Triunfal" e "Ultimatum", de Álvaro de Campos.

Em 1924, Fernando Pessoa dirige a revista Athena, onde edita, pela primeira vez, poemas de Alberto Caeiro e Ricardo Reis.

Em 1929, surge o semi-heterónimo Bernardo Soares, uma "mutilação" da personalidade de Pessoa, como o próprio o define, e autor do Livro do Desassossego.

No dia 1 de Dezembro de 1934 é publicada a obra Mensagem, imbuída, a única, em português, que o autor veria editada em vida.

Em 1935, Pessoa dá entrada no hospital, vindo a falecer no dia 30 de Novembro.

_______________

Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <>
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

12 junho, 2008

Vieira da Silva - cem anos

Maria Helena Vieira da Silva nasceu há cem anos (13/06/2008). Autora de uma obra inovadora, é reconhecida em grande parte do mundo. Casou em 1930 com o pintor húngaro, Arpad Szenes. Viveu em Paris durante muitos anos, onde acabou por morrer em 1992.


Na
Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (FASVS), em Lisboa, foi inaugurada, no dia 5 do corrente mês, a exposição Correspondências.


Cidade à beira-mar / Ville au bord de la mer



7./1980

ao coração da terra desce o luar
pressinto as quilhas dos navios romperem a cinza da manhã

(escrevo um diário
fumo
bebo

aborreço-me)

atravesso o relâmpago esquecido na veia óssea da noite
reconheço o sítio onde os corpos já não se encontram

(estou sentado numa cadeira de lona
olho o mar
é tudo o que sei fazer
olhar o mar e não pensar)

tocámo-nos apesr do que violentemente ficou dito

agora só vens no veludo manchado dos sonhos
pétala mastigada na queimadura da boca
ou quando arrumo as fotografias surges inesperadamente
do fundo da gaveta com o perfume áspero da madeira

anoitece... o ar está impregnado de iodo
um fio de luz define o rosto contra a parede
a cal retém o sussurrar antigo dos corpos
e quando a manhã se aproxima da janela
a memória seca ou dorme para sempre

(a boca
talvez fosse a boca de A. surgindo
sobre a folha de papel
respirando)


ainda continuei a escrever durante alguns dias
sem grande rigor é cert ... uma aranha movia-se nos vidros
a melancolia trepava ao cimo das árvores
assustando os insectos da folhagem e os pássaros
esperei o sono com sua pálpebras vegetais e a paixão
apareceu naquele rosto orvalhado abrindo-se enfim
à contemplação doutro rosto de tinta e de palavras

Al Berto

07 junho, 2008

Venenos de Deus, Remédios do Diabo de Mia Couto


Mia Couto, o autor Moçambicano, publica mais um romance:

"O jovem médico português Sidónio Rosa, perdido de amores pela mulata moçambicana Deolinda, que conheceu em Lisboa num congresso médico, deslocou-se como cooperante para Moçambique em busca da sua amada.
Em Vila Cacimba, onde encontra os pais dela, espera pacientemente que ela regresse do estágio que está a frequentar algures. Mas regressará ela algum dia?
Entretanto vão-se-lhe revelando, por entre a névoa que a cobre, os segredos e mistérios, as histórias não contadas de Vila Cacimba — a família dos Sozinhos, Munda e Bartolomeu, o velho marinheiro, o administrador, Suacelência e sua Esposinha, a misteriosa mensageira do vestido cinzento espalhando as flores do esquecimento
."

Utopia - Museu Berardo


Foi inaugurada no museu Berardo uma mostra fotográfica colectiva que versa sobre arquitectura moderna. Trata-se de uma co-produção com o PhotoEspaña 2008 - XI Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais.

Comissariada por Paul Wombell, a exposição apresenta ensaios fotográficos que abordam aspectos que relacionam o seculo XX com a ideia de utopia ,mas através de visões arquitectónicas.

02 junho, 2008

Morreu Yves Saint-Laurent


Yves Saint-Laurent (Oran, Argélia, 1 de Agosto de 1936 — Paris, 1 de Junho de 2008)
Estilista francês, considerado um dos nomes mais importantes da alta-costura do século XX.
Começou a trabalhar na maison Christian Dior(1954). Fundou mais tarde a sua própria casa, em parceria com Pierre Bergé.
Em mais de quarenta anos de carreira, teve mais de setenta coleções de alta-costura e uma infinidade de produtos que levam a sua marca a todo o mundo. A marca de Yves Saint Laurent é, sem dúvida, o smoking feminino, apresentado pela primeira vez em 1966 com uma blusa transparente e uma calça masculina.

Falando sobre o seu trabalho, Yves Saint Laurent disse que "A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, eu estou aqui."

28 maio, 2008

Festival Músicas do Mundo, Sines - Programa


O FFM de Sines comemora o 10.º aniversário com 10 dias intensos de música.

São quarenta espectáculos e iniciativas paralelas repartidos por quatro palcos montados na aldeia de Porto Covo (junto ao Porto de Pesca) e na cidade de Sines (Centro de Artes de Sines - CAS, Avenida Vasco da Gama e Castelo).


CONCERTOS

Quinta-feira, 17 de Julho

- Siba e a Fuloresta (Brasil), 19h00, Ruas do CAS

- Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali), 22h00, Auditório do CAS

- Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais (Galiza), 00h00, Ruas do CAS

Sexta-feira, 18 de Julho

- A Naifa (Portugal), 21h30, Porto Covo

- Herminia (Cabo Verde), 23h00, Porto Covo

- Hazmat Modine (EUA), 00h30, Porto Covo


Sábado, 19 de Julho

- Flat Earth Society meets Jimi Tenor (Bélgica / Fin.), 21h30, Porto Covo

- The Last Poets (EUA), 23h00, Porto Covo

- Enzo Avitabile & Bottari (Itália), 00h30, Porto Covo

- Domingo, 20 de JulhoDanças Ocultas (Portugal), 21h30, Porto Covo

- Asha Bhosle (Índia), 23h00, Porto Covo

- A Tribute to Andy Palacio feat. Special Guests (Belize / Honduras), 00h30, Porto Covo

Segunda-feira, 21 de Julho

- Moscow Art Trio (Rússia / Noruega), 22h00, Auditório do CAS

- Lo Còr de la Plana (Occitânia), 23h30, Auditório do CASDanae (Portugal), 01h00, Ruas do CAS

Terça-feira, 22 de Julho

- Iva Bittová (Rep. Checa), 22h00, Auditório do CAS

- Moriarty (EUA / França), 23h30, Auditório do CAS

- Dead Combo (Portugal), 01h00, Ruas do CAS

Quarta-feira, 23 de Julho

- Waldemar Bastos (Angola), 21h30, Castelo

- Justin Adams & Juldeh Camara (R. Unido / Gâmbia), 23h00, Castelo

- Kasaï Allstars (RD Congo), 00h30, Castelo

- Anthony Joseph & The Spasm Band feat. Joe Bowie (Trinidad / R. Unido / Estados Unidos), 02h30, Av. Praia

Quinta-feira, 24 de Julho

- Mandrágora & Special Guests (Portugal / Bretanha), 19h30, Av. Praia

- Marful “Salón de Baile” (Galiza), 21h30, Castelo

- Toto Bona Lokua (Antilhas Fr./Camarões/Congo), 23h00, Castelo

- Orquestra Baobab (Senegal), 00h30, Castelo

- Silvério Pessoa (Brasil), 02h15, Av. Praia

- Toubab Krewe (EUA), 03h45, Av. Praia

Sexta-feira, 25 de Julho

- Rachel Unthank & The Winterset (Reino Unido), 19h30, Av. Praia

- Asif Ali Khan & Party (Paquistão), 21h30, Castelo

- KTU (Finlândia/EUA), 23h00, Castelo

- Cui Jian (China), 00h30, Castelo

- Firewater (EUA), 02h15, Av. Praia

- Nortec Collective presents Bostich and Fussible (México), 03h45, Av. Praia

Sábado, 26 de Julho

- The Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble (África Sul), 19h30, Av. Praia

- Koby Israelite (Israel / Reino Unido), 21h30, Castelo

- Rokia Traoré (Mali / França), 23h00, Castelo

- Doran - Stucky - Studer - Tacuma (Irl. / Suíça / EUA), 00h30, Castelo

- Antibalas (EUA), 02h30, Av. Praia

- Boom Pam (Israel), 04h00, Av. Praia


BILHETES

Concertos no Auditório do Centro de Artes (CAS): 10 euros / dia

Concertos nas ruas do Centro de Artes: entrada livre

Concertos em Porto Covo: 5 euros / dia

Concertos no Castelo: 10 euros / dia

Concertos na Avenida Vasco da Gama: entrada livre

25 maio, 2008

Palma de Oiro - 2008

A palma de oiro do 61º Festival de Cannes foi entregue pelo actor Robert de Niro ao realizador francês Laurent Cantet, pelo seu filme "Entre les murs" (entre paredes).


Sinopse:
Este filme retrata as dificuldades sentidas por um professor de francês numa turma problemática do 8º ano.

24 maio, 2008

Avódezanove e o Segredo do Soviético - Ondjaki


Ondjaki esteve de novo em Sines, na livraria A das Artes, para apresentar o seu novo livro.
Mais uma vez cativou pela sua simplicidade e sobretudo pela magnífica imaginação/
criatividade que coloca nas coisas mais simples da vida, e que obviamente transpõe para as suas histórias.

Ondjaki nasceu em Luanda, em 1977.
prosador e poeta, também escreve para cinema e co-realizou um documentário sobre a cidade de Luanda (“Oxalá cresçam Pitangas – histórias de Luanda”, 2006). É membro da União dos Escritores Angolanos. Alguns livros seus foram traduzidos para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês e chinês.


LIVROS

“Actu Sanguíneu" (poesia, 2000);

"Bom Dia Camaradas" (romance, 2001);

"Momentos de Aqui" (contos, 2001);

"O Assobiador" (romance, 2002);

"Há prendisajens com o xão" (poesia, 2002);

"Quantas Madrugadas Tem a Noite" (romance, 2004);

“Ynari: a menina das cinco tranças” (infantil, 2004);

“E se amanhã o medo” (contos, 2005);

“Os da minha rua” (estórias, 2007);

“AvóDezanove e o segredo do soviético” (romance, 2008).


TRADUÇÕES

ITÁLIA
- “Il Fischiatore” - [O Assobiador]
Editora: Lavoro, 2005
Tradução de: Vincenzo Barca
- “Le aurore della notte” - [Quantas madrugadas tem a noite]
Editora: Lavoro, 2006
Tradução de: Vincenzo Barca


URUGUAY
- “Buenos días camaradas” - [Bom dia Camaradas]
Editora: Banda Oriental, 2005 (Uruguay only)
Tradução de: Ana García Iglesias


SUIÇA
- “Bonjour Camarades” - [Bom dia Camaradas]
Editora: La Joie de Lire (French rights), 2005
Tradução de: Dominique Nédellec
(also available in France)
- “Bom Dia Camaradas: Ein Roman aus Angola”
Editora: NordSüd 2006 (German rights), 2005
Tradução de: Claudia Stein
(also available in Germany)
- “Ceux de ma rue” - [“Os da minha rua”]
Editora: La Joie de Lire (French rights), 2007
Tradução de: Dominique Nédellec
(also available in France)


ESPANHA
- “Y si mañana el miedo” - [E se amanhã o medo]
Editora: Xordica, 2007, (Spanish rights)
Tradução de: Félix Romeo


INGLATERRA (UK)
- “The Whistler” - [O Assobiador]
Editora: Aflame Books, 2008
Tradução de: Richard Bartlett


CANADÁ
- “Good Morning Comrades” - [Bom dia Camaradas]
Editora: Biblioasis (rights for Canada/USA), 2008
Tradução de: Stephen Henighan


MÉXICO (em curso)
- “Buenos dias camaradas” - [Bom dia Camaradas]
Tradução de: Ana García Iglesias


CHINA / MACAU (em curso)
- “Uma escuridão bonita”
- “As asas do Golfinho”


PRÉMIOS:
- "Actu Sanguíneu" (poesia) Menção Honrosa no prémio António Jacinto (Angola, 2000).
- "E se amanhã o medo" (contos), Prémio Sagrada Esperança (Angola, 2004).
- "E se amanhã o medo" (contos), Prémio António Paulouro (Portugal, 2005).
- Finalista do prémio “Portugal TELECOM” (Brasil, 2007).

23 maio, 2008

Rokia Traoré no Festival Músicas do Mundo

Rokia Traoré, "a diva africana" regressa ao mítico palco do Festival Músicas do Mundo (FMM).

No dia 26 de Julho apresentará, no Castelo de Sines, o seu novo disco, “Tchamanché”.



18 maio, 2008

Feira do Livro de Lisboa


Pois é! Como o Eça se deve estar a rir com a nossa mentalidade tacanha!

A polémica que gira à volta da realização da feira deve-se à mera questão de pavilhões, barracas ou barraquitas, como queiram chamar-lhes!

Se a dita polémica se baseasse na falta de livros, de títulos recentes ou de escritores, mas não! Felizmente, temos muitos e bons escritores que publicam obras interessantes e de qualidade! E mesmo que não houvesse títulos recentes, há sempre o Pessoa, a Sophia, o Eugénio, o Torga, o Al Berto e tantos outros ...
Daí a minha indignação! Como se pode pensar, num país em que se lamenta constantemente a falta de hábitos de leitura, em privar os leitores e o público em geral do contacto directo com os escritores e com os livros.

Pois é Eça! Como vês NADA MUDOU, neste país.

17 maio, 2008

Dia Internacional de Museus


O Dia Internacional de Museus é celebrado no dia 18 de Maio em todo o Mundo.

Este ano, o tema escolhido pelo ICOM (International Council of Museums) é ”Museus como agentes de Mudança Social e Desenvolvimento”. Em Lisboa, os vários espaços museológicos criaram uma programação especial para a noite o dia , mas também para a noite da véspera.


Além dos museus e palácios dependentes do IMC, também os restantes museus integrados na Rede Portuguesa de Museus se associam às celebrações de 17 e 18 de Maio, com a promoção de um programa que inclui 348 actividades no total dos 52 museus envolvidos.

Em Lisboa surge uma novidade - a Rota dos Museus que se concretiza na disponibilização de 2 autocarros que farão o percurso Saldanha – Palácio da Ajuda passando por vários museus, devidamente assinalados no percurso.

A viagem terá a duração de 60 mn e terá lugar no dia 17 de Maio das 9h00 às 24h00 e no dia 18 de Maio das 10h00 às 18h00.

Salvador Dalí (1904-1989)




A inauguração da nova galeria do Centro Português da Serigrafia no CCB(nova galeria na Loja nº 7), é assinalada com uma exposição de Salvador Dalí "100 Gravuras da Divina Comédia de Dante - o Inferno"

Para além deste espaço, a mostra organizada pelo CPS pode também ser vista até ao dia 25 de Maio, na sede do CPS, a São Bento - o "Purgatório" e o "Paraíso", na Galeria das Twin Towers, em Campolide.

As séries "Inferno", "Purgatório" e "Paraíso" mostram a visão de Dalí sobre esta alegoria poética de Dante (1265-1321), um dos maiores poetas renascentistas, que a terá criado entre 1307 e 1321, reflectindo uma cosmovisão medieval. O poema escrito em tercetos, divide-se em três partes e em cem Cantos, no decurso dos quais o Poeta realiza uma viagem imaginária, primeiro aos círculos infernais, acompanhado por Virgílio, até ao centro da terra onde se encontra Lúcifer, depois regressando à superfície terrestre, sobe a montanha do purgatório, para, guiado pela sua amada Beatriz, ser admitido no paraíso, de onde voando pelos nove céus, termina a maravilhosa viagem na contemplação divina.

IV Festival Internacional de BD em Beja


Entre os dias 10 e 25 de Maio, o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja volta a arrastar a cidade para o mundo das imagens.

O Festival estende-se por todo o centro histórico - 16 exposições, distribuídas pelos seguintes espaços:
- Casa da Cultura (o núcleo principal do evento),
- Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago,
- Conservatório Regional do Baixo Alentejo,
- Museu Jorge Vieira - Casa das Artes,
- Museu Regional de Beja,
- Pousada de S. Francisco.

Cerca de 500 pranchas de banda desenhada em exposição, mais de 80 autores de países como a Alemanha, o Brasil, a Espanha, os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Itália e Portugal, no maior evento ligado à banda desenhada do Sul do país.

14 maio, 2008

Obra de Le Corbusier no Museu Berardo

"Le Corbusier, Arte da Arquitectura", exposição que vai estar patente no museu Berardo, em Lisboa de 19 de Maio a 17 de Agosto.

A retrospectiva do "arquitecto do século" divide-se em três módulos:

- Contextos

- Privacidade e Publicidade

- Arte Construída

Apresenta-se, assim, a possibilidade de observarmos e compreendermos a evolução do pensamento do arquitecto,urbanista, pintor e designer francês, de origem suiça, Charles-Edouard Jeanneret (1887-1965.

13 maio, 2008

Festival de Cannes 2008 _2

Este ano, o Festival de Cinema de Cannes vai abrir com "Blindness", a adaptação cinematográfica do livro de José Saramago - Ensaio sobre a Cegueira -

O seu realizador é o brasileiro Fernando Meirelles e conta com o seguinte elenco: Julianne Moore,
Mark Ruffalo,
Danny Glover
Gael Garcia Bernal,
Alice BRAGA,
Yusuke ISEYA,
Yoshino KIMURA,
Don MC KELLAR
Sandra OH

O fio condutor do romance é a cegueira que leva não só as personagens como também o leitor a reflectirem sobre as relações entre o individual e o coletivo.
A "cegueira branca" é o símbolo do discurso da perplexidade. É a fantasia de um autor que nos relembra "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".

Numa mescla de literatura e sabedoria, José Saramago obriga o leitor a reflectir, a fechar os olhos e a ver. Resgatar a lucidez e o afecto numa sociedade em crise é afinal a principal mensagem.

Trata-se de uma livro excepcional , revelador da extrêma lucidez do seu autor perante a nossa sociedade.

Aguardemos pela exibição do filme em Portugal.


12 maio, 2008

Poema de Al Berto

no exíguo espaço do corpo ou da casa
tentas perpetuar a forma dos brinquedos acesos
por um misterioso cordel de poeira luminosa

sabes como é falso o tempo das imagens
dos gestos inacabados que te evocam o rosto
perdido no confuso sémen dos sonhos

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia


O Livro dos Regressos, Al Berto(1989)

11 maio, 2008

Obrigada Rui Costa



E hoje, é Rui Costa, o maestro, que após o Benfica/Vitória de Setúbal (3-0) se despediu dos relvados de futebol. Mas felizmente, para os adeptos benfiquistas, e para o Benfica, vai permanecer na direcção do clube e assim dedicar-se com alma, como sempre o fez como jogador, ao seu clube de eleição. Que também é o meu!

Merci encore Pedro Pauleta

Merci Pedro Pauleta


Pedro Pauleta despediu-se, ontem, no jogo PSG/Saint-Etienne,em Paris no Parc des Princes.
Pedro Miguel (como é conhecido pelos parisienses) muito comovido agradeceu os fortes aplausos da bancada e depois dirigiu-se à imprensa para formalizar a sua saída do futebol francês.






Les adieux de Pauleta au Parc des Princes. - Videos Sport365.fr
Les adieux de Pauleta au Parc des Princes. - Videos Sport365.fr

10 maio, 2008

Festival de Cannes 2008


O cartaz do Festival de Cannes 2008 é uma foto de David Lynch, traduzida para cartaz pelo designer Pierre Collier.
Esta homenagem ao talento de David Lynch dará o mote du 61º Festival de Cannes.



GAL


Filme promocional

Actores : José Coronado, José Garcia, Natalia Verbeke, Bernard Le Coq, Jordi Molla, Ana Alvarez
Réalisateur: Miguel Courtois
Duração: 01:45:00
Data da estreia: 7.mai.2008
Género: Drama

Espana, anos 80 : o país é marcado diariamente pelos atentados da ETA, movimento separatista basco, aos quais responde a violência do GAL, grupo Anti-terrorista de Libertação. Manuel Mallo e Marta Castilho, jornalista de um diário nacional, são contactados por uma "toupeira" que afirma poder fornecer-lhes a prova da ligação do GAL com altos responsáveis do governo espanhol. Motivos suficientes para provocar o escândalo do século, na condição de se estar pronto em arriscar a sua vida em troca da informação...

09 maio, 2008

Mai 68 expliqué à Nicolas Sarkozy


Liquidar ? Esquecer ?

No dia 29 de Abril, André et Raphaël Glucksmann, pai e filho, encontram-se em Bercy quando Nicolas Sarkozy profere um discurso violento contra o Maio 68. Ele promete enterrar Maio. Mas Sarkozy não será também ele um dos muitos herdeiros rebeldes dessa época?

De Montaigne a Cohn-Bendit et Sarkozy, passando por Stendhal et Shakespeare, o leitor é convidado a viajar pelos meandros de uma revolução permanente. A revolução da liberdade humana.

04 maio, 2008

Poema à MÃE de Eugénio de Andrade

Gustav Klimt (1862-1918)
"The Three Ages of Woman", 1905

Mother and Child
(detail from The Three Ages of Woman), 1905

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras

que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo

são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas

que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,

talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me?
-às vezes ainda sou o menino

que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa

no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,

e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.


Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

in "Os Amantes Sem Dinheiro" (1950)