Autora: Olga Tokarczuk
Título: A Alma Perdida
Ilustradora: Joanna Concejo
Ilustradora: Joanna Concejo
Tradutora: Teresa Fernandes Swiatkiewicz
N.º de páginas: 48
Editora: Fábula
Edição (3.ª): Junho 2024
Classificação: Conto
N.º de Registo: (3765)
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
O texto conciso de Olga Tokarczuk, laureada com o Prémio Nobel da Literatura (2019), alia-se às ilustrações maravilhosas de Joanna Concejo para tornar A Alma Perdida num livro maravilhoso, com uma história apaixonante e silenciosa. Em Portugal, o livro está classificado como literatura infanto-juvenil, mas eu diria que é para todas as idades e tenho dúvidas que os mais jovens captem a verdadeira essência da obra.
Na epígrafe, destaca-se esta passagem: “Se alguém pudesse olhar para nós lá do alto, veria que o mundo está repleto de pessoas que correm apressadas, transpiradas e muito cansadas, e que atrás delas correm, atrasadas, as suas almas perdidas...”, uma mensagem que nos acompanha ao longo da leitura, como uma sombra.
O texto é muito curto, pelo que são as ilustrações que expandem a narrativa e lhe transmitem profundidade; acrescentam sentido e convidam à reflexão.
São fragmentos de uma espera, de uma alma que precisa de tempo para reencontrar o corpo. Cada página é uma pausa, uma respiração, uma janela entreaberta para o tempo interior, para as memórias.
É um livro que nos obriga a reflectir sobre a forma agitada como vivemos. Sobre o que deixamos para trás quando corremos sem pausa. A Alma Perdida não nos pede pressa, pede presença, contemplação. E ao folheá-lo, percebemos que há uma parte de nós que ficou sentada numa cadeira, tal como Jan, à espera que a outra parte volte com tempo e disposição para desfrutar as coisas simples da vida.

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