10 maio, 2011

A poesia de Al Berto no 3º Festival do Silêncio


Lisboa, 10 mai (Lusa) - O Festival Silêncio 2011, que decorrerá em junho, quer consolidar-se como o mais importante evento de Lisboa em torno da palavra dita, em diálogo com a música e cinema, disse à Lusa Alexandre Cortez, um dos organizadores.
Para isso contará este ano com uma programação que incluirá vários espetáculos encomendados a músicos portugueses e o convite para escritores e artistas se juntarem em palco em torno da poesia.
A terceira edição do Festival Silêncio decorrerá de 15 a 25 de junho nas três salas do cinema São Jorge e no Musicbox.
A programação completa só será conhecida no dia 17, mas está já confirmada a presença, por exemplo, de Lee Ranaldo, guitarrista dos Sonic Youth, para uma atuação de "spoken word" e projeção de imagem num espetáculo intitulado "Notebook".
Em Lisboa estarão também o músico brasileiro Arnaldo Antunes e o histórico jamaicano Linton Kwesi Johnson, poeta e fundador da "dub poetry", performance que combina interpretação de poesia acompanhada de ritmos jamaicanos.
Na afirmação da palavra dita, a organização do Festival Silêncio quer que o evento seja transversal a outras disciplinas, nomeadamente a música e o cinema, explicou Sandra Silva, da editora 101 Noites.
Por isso foram encomendados dois espetáculos a autores portugueses.
Um deles chama-se "Música de Palavra(s)", foi encomendado ao músico José Mário Branco e contará com Camané, Carlos Bica, José Peixoto e Filipe Raposo.
Outro será "Moradas do Silêncio", uma homenagem ao poeta Al Berto, que contará com a participação de Sérgio Godinho, JP Simões, João Peste, Rui Reininho e Noiserv, projeto de David Santos.
A relação da poesia com o fado será abordada num espetáculo feito de propósito para o festival com Raquel Tavares, Cuca Roseta, Ricardo Ribeiro e António Zambujo e o mesmo será feito com o hip hop e o rap numa retrospetiva intitulada Rapública XXI.
Além do Poetry Slam - uma competição para declamadores, poetas do improviso e estreantes em torno da palavra - a organização propõe, pela primeira vez, um concurso internacional de "poetry film", no qual se desafia o espetador a fazer uma curta-metragem a partir de um poema.
O regulamento está no site oficial do festival.
A palavra é dada a quem a diz e por isso haverá ainda "Conversas do silêncio" que desafiarão escritores portugueses e estrangeiros no mesmo palco.
Foram convidados, por exemplo, Afonso Cruz, José Eduardo Agualusa, João Tordo, Richard Zimler, Zoran Zivkovic, Maylis de Kérangal e Salim Bachi.
"O festival começou por ser uma coisa modesta, relativamente pequena, mas queremos que se venha a afirmar de uma forma transversal para que Lisboa seja a capital da palavra", pelo menos naquela semana, sublinharam à Lusa Gonçalo Riscado, Alexandre Cortez e Sandra Silva, os impulsionadores do festival.
A organização conta com cerca de 50 mil euros da Direção Geral das Artes, ao qual junta apoio da EGEAC e de entidades privadas.
SS.
Lusa/fim

08 maio, 2011

Leituras ...


"São 376 páginas de puro deleite.  Além de toda a beleza das fotos, dos belos poemas e textos,considero o livro  ‘Lisboa em Pessoa -  Guia turístico e literário da capital portuguesa’ um guia para lá de perfeito, já que contém toda informação necessária sobre os mais diversos pontos turísticos de Lisboa e sugestões de itinerários como o itinerário ‘Lisboa antiga’ que sugere um passeio pelos pontos mais antigos da nobre capital portuguesa e que deixará qualquer turista maravilhado.
O leitor encontrará também dicas de expressões portuguesas para não cometer gafes enquanto estiver a passeio,  guia de ruas, dicas de onde e o que comprar, além de dezenas de sugestões sobre o que e onde comer e divertir-se em Lisboa; e para fechar com chave de ouro o guia ainda traz-nos um Guia de Sobrevivência com altas dicas. Imperdível.
Só quem conhece Lisboa reconhece a grande obra de arte que é o livro ‘Lisboa em Pessoa -  Guia turístico e literário da capital portuguesa’. "


07 maio, 2011

3ª edição do Festival Literário - Paris

crédits : Mairie de Paris - Henri Garat

A voir et à écouter : lectures d’écrivains et de comédiens, concerts littéraires, rencontres, performances, promenades littéraires, exercices d’admiration et lectures en bus, banquet, cabaret, bal...seront les principaux ingrédients de ce festival littéraire.

04 maio, 2011

La nuit des musées

Visuel de la nuit des musées 2011

Pour la septième année consécutive, les portes des musées s’ouvrent par une Nuit de mai.

A la faveur de la nuit, dans ce moment où les sens sont singulièrement en éveil, les musées deviennent le théâtre de rencontres et d’événements inattendus. Conservateurs, comédiens, médiateurs, historiens de l’art, musiciens, danseurs, et même spécialistes du monde spatial nous invitent en effet à venir vivre le musée autrement. Dans près de 3000 musées à travers l’Europe, ils partageront à travers des programmations spéciales leurs découvertes, leur curiosité et leurs émerveillementsen résonance avec la diversité du monde qui nous entoure.
Cette année, en écho à l’Année des Outre-mer français, les événements de la Nuit se vivront notamment à travers un prisme ultramarin : c’est l’occasion de voir les collections de nos musées sous un autre angle, avec les spectacles, les concerts, les conférences et les dégustations qui viendront également illustrer l’un des pans les plus vivants de notre culture nationale.
(...)
Fréderic Mitterrand

01 maio, 2011

Poemas de Maram Al Masri




"Les femmes comme moi



Endurent les coups


Et ne savent pas les rendre.


Elles tremblent de colère


Réprimée.


Comme des lionnes en cage


Les femmes comme moi


Rêvent


De liberté."


in, Cerise rouge sur un carrelage blanc

__________

La femme qui regarde par la fenêtre



La femme qui regarde par la fenêtre

a envie d’avoir de long bras
pour prendre le monde
son Nord et son Sud
son Est et son Ouest
dans son giron
comme une tendre mère
envie d’avoir de grandes mains
pour caresser ses cheveux
écrire des poèmes
pour alléger son chagrin
Elle qui lui a fait don

de son être,
qui pleure,
qui sourit avec lui
elle, la mère de tous ses enfants,
la sœur de toutes ses femmes,
reste l’amante de
sa beauté imparfaite.


_____________
Maram al-Masri est née à Lattaquié en Syrie, rive de la Méditerrannée située à vingt milles marins de l’île de Cypris. Après des études de littérature anglaise à Damas, où le recueil Je te menace d’une Colombe blanche paraît en 1984, elle quitte sa terre natale pour s’installer à Paris.

Son second recueil, Cerise rouge sur un carrelage blanc est publié à Tunis et sa poésie est alors saluée par la critique des pays arabes puis traduite dans de nombreuses langues (allemand, anglais, italien, espagnol, serbe, corse ou encore turc).

En 2003, les éditions PHI font paraître une traduction française de ce second recueil, puis les éditions Al Manar éditent Je te Regarde, qui obtient le prix de poésie de la SGDL (Société des Gens de Lettres).

Depuis quelques années, Maram Al Masri se consacre exclusivement à l'écriture et à la poésie et participe à de nombreux festivals internationaux de poésie en France et à l'étranger . Elle écrit et lit ses poèmes en arabe

« Sa poésie est singulièrement attachante, dépouillée à l’estrême. Rien d’ostentatoire, peu d’images, mais le tracé net et le délié de l’émoi, la gravité d’une caresse, la légèreté d’une source. » (Lionel Ray)

Poema à mãe de Eugénio de Andrade

Poema à mãe


No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.


Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.


Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.


Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.


Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.


Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.


Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!


Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;


Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;


Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...


Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.


Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.


Boa noite. Eu vou com as aves.




Eugénio de Andrade



28 abril, 2011

Feira do Livro 2011 - Lisboa




A 81ª edição da Feira do Livro de Lisboa 2011 realiza-se entre os dias 28 de Abril e 15 de Maio, no Parque Eduardo VII.


Horário de funcionamento
•De 2ª a 5ª Feira - Das 12h30 às 22h30;
•6ª Feira - Das 12h30 às 23h30;
•Sábados, Domingos e Feriados - Das 11h00 às 23h30.


A feira é organizada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL).

27 abril, 2011

Gato Malhado e Andorinha Sinhá

Pedro e Inês pelo Grupo de Teatro O Bando no CAS



CAS - Auditório
30 de Abril
22h00



Pretendendo revisitar e reinventar a história de Pedro e Inês e partindo do texto inédito “Inês Morre”, de Miguel Jesus - o qual caminha progressivamente dum registo dramático e realista para o poético e para o metafórico - o Teatro O Bando convidou Anatoly Praudin, director do Experimental Stage of Baltic House, em S. Petersburgo, a criar um espectáculo onde a sua visão externa, profundamente influenciada pela tradição teatral russa, pudesse levantar novas inquietações sobre esta lenda e espalhar uma nova luz sobre este mito. Uma grande história por uma grande companhia, no palco do Centro de Artes de Sines.

22 abril, 2011

Livraria Bertrand do Chiado - mais antiga do mundo



Desde que abriu em 1732, a Livraria Bertrand do Chiado nunca deixou de funcionar. É por isso que entrou para o Guiness como a livraria mais antiga do mundo ainda em actividade.

A Livraria Bertrand do Chiado foi reconhecida pelo Guiness como a livraria mais antiga do mundo ainda em actividade. O atestado, certificado pelo Guiness Book of Records, está exposto desde ontem à noite no interior da loja.

A livraria Bertrand do Chiado está em funcionamento desde 1732 e o processo de candidatura a livraria mais antiga do mundo obedeceu “a uma rigorosa prestação de provas”. Foi necessário confirmar que a actividade da livraria não foi interrompida ao longo destes anos e para isso contribuíram o historiador contemporâneo e colaborador da LisbonWalker, José Antunes; o sociólogo Miguel Cabrita; Ana Salvado, que no momento da candidatura era subdirectora do Instituto Nacional para a Reabilitação; o escritor, historiador e crítico de arte José Augusto-França, entre outros.

A primeira Bertrand, fundada por Pedro Faure em 1732, abriu portas na Rua Direita do Loreto, em Lisboa. Mais tarde, em 1755, quando já era o genro de Faure, Pierre Bertrand que dirigia a livraria foi instalar-se junto da Capela de Nossa Senhora das Necessidades por causa do Grande Terramoto. Dezoito anos depois, em 1773, a Bertrand voltou a abrir as portas na já reconstruída baixa pombalina. No texto de José António Saraiva, “Bertrand – a história de uma editora” é-nos dito pelo historiador que a Bertrand teve 11 nomes e conheceu quatro moradas.


Notícia completa no Público

18 abril, 2011

Manet, inventeur du Moderne - Musée d'Orsay

Exposition Manet, inventeur du moderne
Musée d’Orsay - Paris
5 avril - 3 juillet 2011



Edouard Manet (1832-1883)
Amazone/l'été, 1882. Fondation Thyssen- Bornemisza, Madrid



Plus qu'une rétrospective monographique, Manet, inventeur du Moderne entend explorer et éclairer  la situation historique d'Edouard Manet (1832-1883), entre l'héritage réaffirmé du romantisme, l'impact de ses contemporains et le flux médiatique de son époque.
Moderne, Manet l'est situation historique d'Edouard Manet (1832-1883), entre l'héritage réaffirmé du romantisme, l'impact de ses contemporains encore en défiant les maîtres anciens, de Fra Angelico à Vélasquez. Cette exposition repense de même les multiples liens que le peintre a résolument noués ou dénoués avec la sphère publique et politique. Car la modernité est aussi affaire d'inscription, voire d'opposition. Le parcours s'attarde donc sur l'enseignement de Thomas Couture, l'impulsion de Baudelaire, la réforme de l'art religieux, l'imaginaire érotique, l'art du fragment(é), le rapport à la peinture féminine (Berthe Morisot, Eva Gonzalès), la tentation mondaine, son impressionnisme décalé comme sa complicité avec le Mallarmé le plus noir.





Bande annonce de l'exposition Manet au musée... por musee-orsay

16 abril, 2011

Dias da Música - CCB

 
15, 16 e 17 Abr 2011
DIAS DA MÚSICA EM BELÉM
DA EUROPA AO NOVO MUNDO 1883-1945  

LeV - Literatura em Viagem 2011


6ª edição do LEV - Literatura em Viagem, um festival internacional de literatura, que se irá realizar entre os dias 16 e 19 de Abril, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos.

Ao longo de 4 dias, um vasto leque de iniciativas terá espaço e tempo, designadamente mesas-redondas, lançamentos de livros, exposições e concertos de música clássica.

12 abril, 2011

Arte Portuguesa do Século XIX (1850-1910) - MNAC


ARTE PORTUGUESA DO SÉCULO XIX (1850-1910)
MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA - MUSEU DO CHIADO 

CURADORIA DE MARIA DE AIRES SILVEIRA

07.04.2011 - 12.06.2011




José Malhoa 
(1855-1933)
Clara 
1903
óleo sobre tela
MNAC-Museu do Chiado, inv. 1604

Arte Portuguesa do Século XIX (1850-1910)
Arte Portuguesa do Século XIX (1850-1910) é a primeira de três grandes exposições que inauguram o ano do Centenário do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, criado por decreto da República em 26 de Maio de 1911.
Perante a impossibilidade de revelar a verdadeira dimensão e a diversidade do acervo numa única exposição, optou-se por apresentar os três períodos da colecção (1850-1910, 1910-1960 e 1960-2011) em três momentos expositivos sucessivos, que cobrem toda a história da arte portuguesa, de 1850 até à actualidade. 
A primeira destas exposições corresponde ao núcleo fundador da colecção que, historicamente, antecede a criação do MNAC. Através de 100 obras fundamentais dos maiores artistas deste período, exploram-se as rupturas e permanências da arte portuguesa do século XIX (1850-1910), em seis núcleos temáticos que traduzem o espírito da geração romântica e as novidades das propostas naturalistas, entre a descoberta da luz e das atmosferas, a paisagem e os costumes, a afirmação da figura popular, o retrato, o intimismo e os simbolismos de finais de século. 
H.B.
ARTISTAS REPRESENTADOS
Simões de Almeida, Alfredo de Andrade, Tomás da Anunciação, Carlos de Bragança, José de Brito, António Carneiro, José Ferreira Chaves, Ernesto Condeixa, Luciano Freire, Adriano de Sousa Lopes, Teixeira Lopes, Alfredo Keil, Artur Loureiro, Miguel Ângelo Lupi, Duarte Faria e Maia, José Malhoa, Luís de Menezes, Francisco Metrass, Marques de Oliveira, António José Patrício, Columbano Bordalo Pinheiro, Sousa Pinto, Silva Porto, Henrique Pousão, António Ramalho, Carlos Reis, José Veloso Salgado, Francisco dos Santos, João Cristino da Silva, Aurélia de Sousa, Soares dos Reis, João Vaz.


10 abril, 2011

Mon Père est Femme de Ménage de Saphia Azzeddine


Réalisé par Saphia Azzeddine


Avec François Cluzet, Jérémie Duvall, Nanou Garcia, entre autres.

Genre : Comédie dramatique

Durée : 01h20min Année de production : 2010

Distributeur : ARP Sélection

04 abril, 2011

GOTAN PROJECT | TANGO 3.0 TOUR

Gotan Project Multimedia 1




"É já na próxima semana, dia 08 de Abril que os Gotan Project voltam a subir ao palco do Coliseu dos Recreios, para um espectáculo alucinante de música e audiovisual.

Tudo o que prometem é dar-nos o seu ritmo, próprio, único, intenso para dançar ao som tango electrónico.

Phillipe Cohen Solal, Eduardo Makaroff e Christoph H. Müller, estão já no seu sétimo álbum, dos quais La Revancha del Tango obteve maior sucesso, e trazem nos a Lisboa o TANGO 3.0.

O Tango 3.0 foi lançado em Abril de 2010 pela XL Recordings e possui como principais singles ‘Rayuela’ e ‘La Gloria’. Conta também com participações especiais e colaborações como a de Dr. John na ‘Tango Square’ ou o autor argentino Julio Cortázar em ‘Rayuela’.

Este álbum aparece depois de alguns rumores de que a banda iria acabar, e é a prova de que o "projecto Tango" não tem intenções de parar pois a receptividade por parte do público cresce dia a pós dia…"



in http://www.peventertainment.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=27691&eventoId=27932

02 abril, 2011

Exposition Odilon Redon au Grand Palais

 Grand Palais, Galeries Nationales, Paris
 23 mars - 20 juin 2011

Peintre de l’imaginaire et du subconscient, contemporain des impressionnistes, Odilon Redon (Bordeaux 1840 – Paris 1916) demeure un artiste à part.

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Odilon Redon (1840-1916)

Profil sur méandres rouges, pastel, vers 1900. Musée d’Orsay, Paris © service presse Rmn-Grand Palais / Hervé Lewandowski


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Odilon Redon (1840-1916)
Buste d’homme aux yeux clos, entouré de fleurs. Aquarelle et mine de plomb, vers 1905-1914 © service presse Rmn-Grand Palais / Michelle Bellot

29 março, 2011

Aniversário (poema de Fernando Pessoa)


Aniversário Fernando Pessoa

(Álvaro de Campos)


No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.



No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.



Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...

A que distância!...

(Nem o eco...)


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!


O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhaslágrimas),


O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!



Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,

O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...



Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...





in, Poesia, Álvaro de Campos

Assírio & Alvim

28 março, 2011

Mísia agraciada pelo governo francês



Mísia vai ser novamente agraciada pelo governo francês. É a segunda vez que Mísia é agraciada pelo governo francês. Em Janeiro de 2004 foi condecorada pelo Ministro da cultura francês, Jean-Jacques Aillagon, com o grau de Cavaleiro desta mesma Ordem. Um ano depois, recebeu do Presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë, a Grande Medalha de Vermeil da Cidade. A fadista vai receber as insígnias de Oficial da Ordem das Artes e Letras do Embaixador de França em Portugal, Pascal Teixeira da Silva. A cerimónia está marcada para 30 de Março no Palácio de Santos, em Lisboa.
Este ano Mísia, além do lançamento do novo álbum totalmente constituído por fados tradicionais com letras escritas por mulheres, irá actuar em Nova Iorque, no âmbito da apresentação do filme “Passione”, de John Turturro.

Souto de Moura vence o prémio Pritzker 2011

ishot 10 500x305 Estádio Municipal de Braga

Estádio Municipal de Braga


Casa das Histórias - Paula Rego, Cascais

Souto Moura vence o prémio Pritzker 2011, o Nobel da arquitectura.


"Durante as últimas três décadas, Eduardo Souto Moura produziu um corpo de trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitectura tradicional. Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza”, pode-se ler no comunicado emitido pelo júri do prémio.


Entre os projectos mencionados, o júri destacou a obra do Estádio Municipal Braga, mais conhecido como o estádio AXA, construído numa antiga pedreira.

Nascido em 1952, no Porto, Eduardo Souto Moura é o segundo arquitecto português a receber esta distinção, depois de Álvaro Siza Vieira ter vencido em 1992.

Eduardo Souto Moura sucede , assim, a nomes como Oscar Niemeyer, Frank Gehry, Jean Nouvel e Rem Koolhaas. Entre as suas obras mais conhecidas, destacam-se, além do Estádio Municipal de Braga, a Casa das Histórias em Cascais, a Casa das Artes no Porto, a Estação de Metro da Trindade, o Centro de Arte Contemporânea de Bragança, o Hotel do Bom Sucesso em Óbidos, o Mercado da Cidade de Braga, a Marginal de Matosinhos-Sul, o Crematório de Kortrijk (Bélgica), o Pavilhão de Portugal na 11ª Bienal de Arquitectura de Veneza (Itália) ou a Casa Llabia (Espanha).

in Público

27 março, 2011

"Poesia" de Lee Chang-Dong



Sinopse:Uma avó, com um neto problemático a seu cargo, é desafiada, pela primeira vez na vida, a escrever um poema. E, enquanto tenta encontrar a beleza presente no seu quotidiano, enfrenta a realidade nua e crua que existe, muito além da sua imaginação, apercebendo-se de que a vida talvez não seja tão bela como supunha...

Festivais e Prémios:- Festival de Cannes 2010 - Melhor Argumento

Actores: Yun Junghee - Soon-mi
An Naesang - Pai de Kibum
Kim Hira - M. Kang
Lee David - Jongwook

27 de Março - Dia Mundial do Teatro


No dia 27 de Março comemora-se o Dia Mundial do Teatro. Espectáculos teatrais, encontros e eventos celebram essa arte, numa tentativa de destacar o seu significado e a sua importância. O Dia Mundial do Teatro foi criado em 1961, pelo Instituto Internacional de Teatro, ligado à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

20 março, 2011

21 de Março - Dia Mundial da Poesia





Pudesse Eu
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes! 

Sophia de Mello Breyner Andresen
__________
Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
________
Vestígios
noutros tempos

quando acreditávamos na existência da lua

foi-nos possível escrever poemas e

envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído

pelas salivas proibidas - noutros tempos

os dias corriam com a água e limpavam

os líquenes das imundas máscaras



hoje

nenhuma palavra pode ser escrita

nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras

ou se expande pelo corpo estendido

no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se



onde se pode - num vocabulário reduzido e

obcessivo - até que o relâmpago fulmine a língua

e nada mais se consiga ouvir



apesar de tudo

continuamos e repetir os gestos e a beber

a serenidade da seiva - vamos pela febre

dos cedros acima - até que tocamos o místico

arbusto estelar

e

o mistério da luz fustiga-nos os olhos

numa euforia torrencial



Al Berto

19 março, 2011

Fête de la francophonie






A festa da francofonia organizada em Portugal entre 14 e 20 de Março, é uma ocasião
para relembrar que setenta Estados e governos conduzem em 2011 uma acção comum
Este ano, sob o signo dos prazeres partilhados, esta festa pretende desvendar algumas
das riquezas culturais dos países que ela reúne, em torno da língua francesa em toda a
sua diversidade. Esta acção situa-se no contexto da promoção, na Europa e no mundo,
da diversidade linguística e da abertura intercultural.
Portugal é por essência um país da globalização; francofonia e lusofonia têm muitos
pontos em comum e muitas coisas a dizer-se.
A língua francesa e as culturas francófonas são reconhecidas em Portugal pelas suas
contribuições intelectuais, artísticas – ou gastronómicas – e por todos os pensamentos
e valores humanistas que estes sustentam. Desejamos que este tema dos prazeres
partilhados seja seja uma vez mais este ano a ocasião para dar a conhecer estas várias
dimensões e revelar aos lusófonos a diversidade e a beleza de todos estes sabores
linguísticos e culturais francófonos.
A festa da francofonia é realizada em Portugal por um grupo amigável de parceiros e
Embaixadas. Desejamo-vos a todos uma alegre festa da francofonia.

HYMNE À LA FRANCOPHONIE


Philippe Richard, installé depuis vingt en Chine, en 2009, a réuni vingt enfants de 4 à 12 ans, déjà ou futurs francophones, pour interpréter une de ses chansons, un hymne à la Francophonie, dans un clip qui sera présenté lors du gala d’ouverture de la Semaine de la Francophonie organisé par l’Association des francophones de Pékin (mars 2009) et ouvert à tous les amis de la Francophonie.



FRANCOPHONIE
Paroles et musique : Philippe Richard

Je suis né(e) en Europe en France Moi en Océanie Je suis né(e) en Afrique Et moi en Amérique Je suis né(e) en Asie

NOUS SOMMES TOUS DES ENFANTS DU MONDE DE PAYS DIFFERENTS MAIS NOS MOTS ET NOS CHANTS JOUENT A LA MEME RONDE ECOUTEZ DANS LE VENT

FRANCOPHONIE, MELODIE FRANCOPHONIE, C’EST MA VIE

J’ai grandi en Europe en France Moi en Océanie J’ai grandi en Afrique Et moi en Amérique J’ai grandi en Asie

NOUS SOMMES TOUS DES ENFANTS DU MONDE, DE PAYS DIFFERENTS MAIS NOS MOTS ET NOS CHANTS JOUENT A LA MEME RONDE, ECOUTEZ DANS LE VENT

FRANCOPHONIE, MELODIE FRANCOPHONIE, C’EST MA VIE

FRANCOPHONIE, POESIE FRANCOPHONIE, POUR LA VIE POUR LA VIE

17 março, 2011

um poema de Al Berto

Caspar David Friedrich (1774-1840)

a leitura dos dias faz-se a partir de vitrais de água
e sombra de palavras
paisagens cidades descobertas algures sob os dedos
estranguladas na incerteza mineral da noite
onde o cansaço me devora impedindo-me de prosseguir

e ao aproximar-me do centro vertiginoso da página
o movimento da mão torna-se lento e a caligrafia meticulosa
a sede devassa a escassez dos corpos
o monólogo embate
despenha-se pelas brancas margens da desolação

o enigma de escrever para me manter vivo
a memória desaguando a pouco e pouco no esquecimento perfeito
para que nada sobreviva fora deste corpo viandante

vou assinalar os percursos da ausência e as visões
doutros lugares de sossegados amarantos... alimentar a escrita
com o sangue de cidades e de facas engorduradas
onde os corpos adquirem a violência noctívaga da fala
desfazendo-se depois na carícia viscosa dos néons

mas existe sempre um qualquer lume eterno
um coração feliz à esquina dos sonhos
surge agora o deserto que toda a noite procurei
está em cima desta mesa de trabalho no meio das palavras
donde nascem indescifráveis sinais... irrompe
o movimento doutro corpo colado ao aparo da caneta
desprende-se da folha de papel agride-me e foge
deixando-me as mãos tolhidas num fio de tinta


Al Berto, O Medo

07 março, 2011

O Discurso do Rei de Tom Hooper




  • Título Original: The King´s Speech
  • Intérpretes: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Derek Jacobi, Timothy Spall, Michael Gambon
  • Realização: David Seidler
  • Distribuido em Portugal por: ZON Lusomundo
  • Género: Drama/História‎‎
  • Ficha Técnica: Duração: 1h58m | Origem: EUA, 2010

Após a morte de seu pai, o Rei George V, e da escandalosa abdicação do Rei Eduardo VIII, Bertie, que toda a sua vida sofreu de um debilitante problema de fala, é coroado Rei George VI de Inglaterra. Com o país à beira de uma guerra e a necessitar desesperadamente de um líder, a sua mulher, Elizabeth, futura Rainha-mãe, encaminha o marido para um excêntrico terapeuta da fala, Lionel Logue. Depois de um começo difícil, os dois homens iniciam uma terapia pouco ortodoxa e acabam por formar um vínculo inquebrável. Com a ajuda da sua família, do seu governo e de Winston Churchill, o Rei vai superar a gaguez e tornar-se numa inspiração para o povo.



Filme vencedor de 4 Óscares de 2011 nas seguintes categorias:

Melhor Filme
Melhor Realizador
Melhor Actor Principal
Melhor Argumento Original


02 março, 2011

Arquitecto João Luis Carrilho da Graça agraciado pelo governo francês


O arquitecto português vai ser homenageado pelo seu trabalho, nesta quinta-feira, pelo embaixador de França em Portugal, Pascal Teixeira da Silva. João Luis Carrilho da Graça vai receber as insígnias de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras.

Em comunicado, a embaixada francesa explicou que "o governo francês pretende homenagear o talento de um dos mais prestigiados arquitectos portugueses, reconhecido a nível internacional"

Entre as suas importantes obras contam-se o Teatro e Auditório de Poitiers (TAP) em França, o Núcleo Arqueológico do Castelo de São Jorge em Lisboa, o Museu do Oriente, a Escola Superior de Música de Lisboa, o Centro de Documentação e Informação no Palácio de Belém, o Pavilhão do Conhecimento dos Mares da Expo 98, a Recuperação e Musealização das Ruínas de São Paulo em Macau e a Escola Superior de Comunicação Social em Lisboa.

O arquitecto deixará ainda a sua marca no futuro de Lisboa, com o novo Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia que deverá ficar concluído em 2013.

Ao longo da sua carreira, João Luis Carrilho da Graça já foi distinguido com a Ordem do Mérito da República Portuguesa e foi agraciado pela Associação Internacional dos Críticos de Arte em 1992, pelo conjunto da sua obra. Do seu currículo fazem ainda parte os prémios "Luzboa 2004", o Prémio Fernando Pessoa em 2008 e o Prémio Piranesi Prix de Rome em 2010.

in Público