10 janeiro, 2009

Taschen edita Jazz Covers de Joaquim Paulo


Joaquim Paulo vê o "seu projecto de vida" Jazz Covers aceite pela Taschen. Esta lança, este mês, o livro do coleccionador português que reproduz ao longo de 496 páginas cerca de 700 capas de vinis de jazz dos anos 1940 a 1990 da sua discoteca pessoal.

O livro, de capa mole e com um formato aproximado de um LP, reproduz as capas dos perto de 700 discos acompanhados de ficha técnica, comentários e entrevistas que contextualizam historicamente cada vinil.


As capas foram escolhidas a partir da colecção pessoal de 25.000 discos de Joaquim Paulo, profissional ligado à rádio em Portugal há mais de vinte anos e fundador da editora Mad About Records.


No dia 18 deste mês, Joaquim Paulo recebe, em Paris, o Prix du Livre de Jazz 2008 , atribuído pela Academia Francesa de Jazz.

Livraria Poesia Incompleta

(foto retirada do blog)

Abriu em finais de Novembro, em Lisboa, a primeira livraria portuguesa de poesia.

Situa-se na Rua Cecílio de Sousa, 11.

Entre a Praça das flores e o Príncipe Real.

Aberta de segunda a sábado, das 10h às 19.45h.


Tel:00 351 96 000 53 60

Parabéns pela iniciativa e votos de sucesso, já que abrir uma livraria apenas com livros de poesia é efectivamente, em Portugal, um grande risco.

07 janeiro, 2009

Entrei numa livraria


“Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que teria de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido. No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas muito bem vestidas de quem precisa salvar-se."

A invenção do dia claro, José de Almada Negreiros, In Manifestos e Conferências, Ed. Assírio & Alvim, 2006

04 janeiro, 2009

A Estrela




Eu caminhei na noite
E entre o silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava.


Grandes perigos na noite me apareceram:
Da minha estrela julguei que eu a julgara
Verdadeira sendo ela só reflexo
Duma cidade a néon enfeirada.


A minha solidão me pareceu coroa.
Sinal de perfeição em minha fronte.
Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era dum ferro
Tão pesado, que toda me dobrava.

Do frio das montanhas eu pensei:
«Minha pureza me cerca e me rodeia».
Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza das coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu.

E a fraqueza da carne e a miragem do espírito
Em monstruosa voz se transformaram:
Pedi às pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram.
Sozinha me vi, delirante e perdida
E uma estrela serena me espantava.

E eu caminhei na noite, minha sombra
De gestos desmedidos me cercava
Silêncio e medo
Nos confins dos desertos caminhavam:
Então vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava
E assim me disseram: «Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela».
Então soube que a estrela me seguia.

Era real e não imaginada.
Grandes e humanas miragens nos mostraram
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava.
E eu espantada vi que aquela estrela
Para cidade dos homens nos guiava.

E a estrela do céu parou em cima
Duma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha o mesmo tom que a cinza
Longe do verde-azul da Natureza.

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água.
Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais negra e mais sem luz
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado.

Nesse lugar pensei: Quando deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens tão perto.


Sophia de Mello Breyner Andresen

02 janeiro, 2009

Receita de Ano Novo


Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

por Carlos Drummond de Andrade


"Receita de Ano Novo" foi lançado em 1977, no livro Discurso de Primavera e algumas sombras pela Editora Recorde, teve uma segunda edição aumentada pela Livraria José Olympio Editora, em 1978.

01 janeiro, 2009

Eslováquia na zona Euro

No design proposto para as moedas de Euro da Eslováquia foram escolhidos 3 símbolos nacionais:
- uma montanha da cordilheira High Tatras - o creme de la creme turístico da Eslováquia - para as moedas de € 0.01, € 0.02 e € 0.05;
- o castelo de Bratislava para moedas de € 0.10, € 0.20 e € 0.50;
- o brasão da Eslováquia para as moedas de € 1.00 e € 2.00.
(Fonte: Wikipedia)

28 dezembro, 2008

MARIA JOÃO PIRES NO SILÊNCIO DE UMA NOTA


Excelente documentário que a RTP2 exibiu, ontem, sobre a maior pianista portuguesa da actualidade.Parabéns.


Para mais informação: aqui

24 dezembro, 2008

A noite de Natal




«(...) Então Joana foi ter com os primos. Daí a uns minutos apareceram as pessoas grandes e foram todos para a mesa. Tinha começado a festa do Natal.Havia no ar um cheiro de canela e de pinheiro. Em cima da mesa tudo brilhava: as velas, as facas, os copos, as bolas de vidro, as pinhas doiradas. E as pessoas riam e diziam umas as outras: "Bom Natal". Os copos tilintavam com um barulho de alegria e de festa. E vendo tudo isto Joana pensava:-Com certeza que a Gertrudes se enganou. 0 Natal é uma festa para toda a gente. Amanhã o Manuel vai-me contar tudo. Com certeza que ele também tem presentes.E consolada com esta esperança Joana voltou a ficar quase tão alegre como antes.0 jantar do Natal era igual ao de todos os anos. Primeiro veio a canja, depois o bacalhau assado, depois os perus, depois os pudins de ovos, depois as rabanadas, depois os ananazes. No fim do jantar levantaram-se todos, abriu-se de par em par a porta e entraram na sala.As luzes eléctricas estavam apagadas. Só ardiam as velas do pinheiro.Joana tinha nove anos e já tinha visto nove vezes a árvore do Natal. Mas era sempre como se fosse a primeira vez. Da árvore nascia um brilhar maravilhoso que pousava sobre todas as coisas. Era como se o brilho de uma estrela se tivesse aproximado da Terra. Era o Natal. E por isso uma árvore se cobria de luzes e os seus ramos se carregavam de extraordinários frutos em memória da alegria que, numa noite muito antiga, se tinha espalhado sobre a Terra.E no presépio as figuras de barro, o Menino, a Virgem, São José, a vaca e o burro, pareciam continuar uma doce conversa que jamais tinha sido interrompida. Era uma conversa que se via e não se ouvia.Joana olhava, olhava, olhava. As vezes lembrava-se do seu amigo Manuel. Um dos primos puxou-a por um braço.- Joana, ali estão os teus presentes.Joana abriu um por um os embrulhos e as caixas: a boneca, a bola, os livros cheios de desenhos a cores, a caixa de tintas. À sua volta todos riam e conversavam. Todos mostravam uns aos outros os presentes que tinham tido, falando ao mesmo tempo.E Joana pensava:-Talvez o Manuel tenha tido um automóvel.E a festa do Natal continuava. As pessoas grandes sentaram-se nas cadeiras e nos sofás a conversar e as crianças sentaram-se no chão a brincar. Até que alguem disse:- São onze horas e meia. São quase horas da missa. E são horas de as crianças se irem deitar.Então as pessoas começaram a sair.0 pai e a mãe de Joana tambem saíram- Boa noite, minha querida. Bom Natal - disseram eles. E a porta fechou-se.Daí a um instante saíram as criadas. (...)»

in A Noite de Natal, de Sophia de Mello Breyner Andresen

Natal de Fernando Pessoa

Chove. É dia de Natal
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

_______________________

Nasce um deus. Outros morrem. A Verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.

Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.

15 dezembro, 2008

Vozes Afonsinas


Centro Cultural de Belém

Canções europeias do Renascimento e vilancicos ibéricos (séculos XV-XVII),


16 Dez 2008 - 19:00
C/INTERVALO
PEQUENO AUDITÓRIO

VOZES AFONSINAS
MARIA REPAS GONÇALVES soprano
SUSANA CONDE TEIXEIRA mezzo soprano
GONÇALO PINTO GONÇALVES tenor
SÉRGIO PEIXOTO tenor
VICTOR GASPAR barítono
MADALENA CABRAL rabeque
PEDRO SOUSA SILVA flautas de bisel
NUNO TORKA MIRANDA alaúde e guitarra renascentista
MANUEL PEDRO FERREIRA direcção e apresentação

13 dezembro, 2008

«Terra» de Mariza entre os dez melhores álbuns do ano


O álbum "Terra", de Mariza, editado a 30 de Junho em Portugal, foi considerado um dos dez melhores do mundo na área da "world music" por três publicações britânicas.


Ler notícia completa em Visão on-line.

11 dezembro, 2008

Livro Antigo

William Turner


violetas secas entre páginas de um livro
onde em tempos anunciaram o amargor da noite
e a humidade tremenda das insónias

o mar
o mar ao longe

debruça-se então para o interior do livro
lê qualquer coisa sobre o coração dos líquenes
ou deambula de sílaba em sílaba onde
os dedos se mancham de tinta e no cérebro
ergue-se uma planta de cinza noite adiante

fechou o livro ao amanhecer
era como se tivesse envelhecido séculos
com as violetas
fecha a persiana e adormece

Al Berto, O Medo

08 dezembro, 2008

Anita na web ...


"Anita é um sucesso editorial com mais de 40 anos que tem deliciado gerações e gerações!" consta (e é verdade!!) no site da Editorial Verbo, a Editora que publica esta colecção.

A colecção da "Anita", escrita por Gilbert Delague e ilustrada por Marcel Marlier, iniciou-se em 1954 com o título Anita na Quinta, pela conhecida editora francesa Casterman.

Esta célebre personagem que ficciona o universo infantil de muitas crianças é de origem belga “Martine” e tem tradução em muitos países do mundo.
Mas se, hoje, falo desta colecção que, obviamente, li na minha infância e, bem mais tarde, de novo como mãe, deve-se ao facto de, ontem, na Pública, ter lido o artigo Anita 2.0 que refere o regresso, em força, da Anita ao mundo da web, mais concretamente no Twitter.


Será que estamos perante um caso de Anitamania ... se levar algumas crianças à descoberta e ao prazer da leitura, tudo bem...

07 dezembro, 2008

Morreu o escritor Alçada Baptista


O escritor António Alçada Baptista morreu hoje, aos 81 anos.

Ler notícia completa do Público:
aqui


António Alçada Baptista nasceu em 1927, na Covilhã. Licenciado em Direito, esteve ligado ao jornalismo e à edição. Em 1971, publica o seu primeiro livro

Títulos
Documentos Políticos (1970)
Reflexões Sobre Deus (1971)
Peregrinação Interior I – Reflexões Sobre Deus (1971)
O Tempo Das Palavras (1973)
Conversas Com Marcelo Caetano (1973)
Peregrinação Interior II – O Anjo Da Esperança (1982)
Os Nós E Os Laços (1985)
Catarina Ou O Sabor Da Maçã (1988)
Tia Suzana. Meu Amor (1989)
O Riso De Deus (1994)

Sarah Maclachlan

Closer - O melhor de Sarah Maclachlan num duplo CD.

U want me 2



Angel


Spend all your time waiting
for that second chance
for a break that would make it okay
there's always one reason
to feel not good enough
and it's hard at the end of the day
I need some distraction
oh beautiful release
memory seeps from my veins
let me be empty
and weightless and may be
I'll find some peace tonight

in the arms of an angel
fly away from here
from this dark cold hotel room
and the endlessness that you fear
you are pulled from the wreckage
of your silent reverie
you're in the arms of the angel
may you find some comfort there

so tired of the straight line
and everywhere you turn
there's vultures and thieves at your back
and the storm keeps on twisting
you keep on building the lie
that you make up for all that you lack
it don't make no difference
escaping one last time
it's easier to believe in this sweet madness oh
this glorious sadness that brings me to my knees

in the arms of an angelfly away from here
from this dark cold hotel room
and the endlessness that you fear
you are pulled from the wreckage
of your silent reverie
you're in the arms of the angel
may you find some comfort there
you're in the arms of the angel
may you find some comfort here

29 novembro, 2008

Levantado do Chão - Edição Especial


MODO DE LER editores e livreiros, lda - PORTUGÁLIA EDITORA - Grupo FUNDAÇÃO AGOSTINHO FERNANDES uniram-se para lançar uma nova edição do livro Levantado do Chão, de José Saramago para comemorar os dez anos da atribuição do Prémio Nobel da Literatura.

Esta edição especial, em caixa cartonada, contém dez pinturas de Armando Alves e uma série de fotografias sobre o Alentejo e ainda uma carta de Pilar del Río intitulada «Levantar-se do chão». (ler excerto)



24 novembro, 2008

Le Cancre

Il dit non avec la tête
Mais il dit oui avec le coeur
Il dit oui à ce qu’il aime
Il dit non au professeur
Il est debout
On le questionne
Et tous les problèmes sont posés
Soudain le fou rire le prend
Et il efface tout
Les chiffres et les mots
Les dates et les noms
Les phrases et les pièges
Et malgré les menaces du maître
Sous les huées des enfants prodiges
Avec des craies de toutes les couleurs
Sur le tableau noir du malheur
Il dessine le visage du bonheur.

Jacques PRÉVERT, Paroles (1945)
©1972 Editions Gallimard


Museu de Sines, Casa Vasco da Gama


Hoje, 24 de Novembro,dia do município, é inaugurado o núcleo sede do Museu de Sines e a Casa de Vasco da Gama, instalados nos edifícios interiores do Castelo, acabados de restaurar.


O horário da inauguração é o seguinte:
11h00 – Inauguração, com a presença de S. Exa. o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva

Até às 15h00 – Animação musical

Até às 18h00 – Visitas

17 novembro, 2008

Os Gigantes da Montanha

OS GIGANTES DA MONTANHA
de Luigi Pirandello

De 13 Novembro a 21 de Dezembro de 2008
Teatro do Bairro Alto, Lisboa


3ª a sábado às 21:30h. Domingo às 16:00h

Tradução: Luis Miguel Cintra
Encenação: Christine Laurent
Cenário e figurinos: Cristina Reis
Desenho de luz: Daniel Worm D’Assumpção

Distribuição: David Almeida, Dinis Gomes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Márcia Breia, Paulo Moura Lopes, Pedro Lacerda, Pedro Lamas, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Rita Loureiro, Sofia Marques e Tiago Matias.

16 novembro, 2008

Miguel Telles da Gama no Centro de Arte de Sines

O Centro de Artes de Sines, em parceria com a Galeria 111, recebe uma exposição do pintor Miguel Telles da Gama.

CAS - Centro de Exposições

15 Novembro - 31 Dezembro

Todos os dias, 14h00-20h00

PINTURA E ESCULTURA NA GALERIA PEPPER'S

Na Galeria Pepper's (Caldas da Rainha) encontra-se uma exposição colectiva de pintura e de escultura. Dela fazem parte obras de Alfredo Luz, António Bartolo, Armanda Passos, Artur Bual, Cruzeiro Seixas, Florentina Resende, José de Guimarães, Malangatana, Nadir Afonso, Nemésio Pedrajas, Roberto Chichorro e de Varatojo. A exposição vai estar patente até 31 de Dezembro.

Algumas das obras apresentadas pertencem ao acervo da Galeria São Mamede, outras foram retiradas dos blogs dos próprios artistas.


Alfredo Luz


António Bartolo

Armanda Passos

Artur Bual

Chichorro
Florentina Resende

José de Guimarães
Malangatana

Nadir Afonso

Nemesio Pedrajas
Roberto Chichorro
Varatojo

11 novembro, 2008

Ensaio sobre a Cegueira nas salas de cinema

"Blindness" (Ensaio sobre a Cegueira), o filme de Fernando Meirelles baseado no romance de José Saramago tem a sua estreia prevista nas salas de cinema portuguesas para 13 de Novembro. Com interpretação de Julianne Moore, Mark Ruffalo e Gael García Bernal, o filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles teve antestreia mundial em Maio, na abertura do Festival de Cinema de Cannes.

10 novembro, 2008

Prix Goncourt 2008 - Atiq Rahimi



O Prémio Goncourt, o mais prestigioso das letras francesas, foi atribuído nesta segunda-feira ao escritor de origem afegã Atiq Rahimi pelo romance Syngué sabour. Pierre de patience.
Escritor e cineasta de origem afegã, Atiq Rahimi, de 46 anos, é autor de quatro romances, mas Syngué sabour é seu primeiro livro escrito directamente em francês.

É considerado um livro poético, composto de frases curtas e ritmadas, onde Rahimi descreve a realidade opressiva da sociedade afegã.
Atiq Rahimi é autor também de Milles maison du rêve et de la terreur ("Mil casas de sonho e de terror", 2002) e Retour imaginaire ("Regresso imaginário", 2005). Os seus livros são publicados pela editora P.O.L.
O escritor adaptou ele mesmo o seu primeiro romance, Terre et cendres ("Terra e cinzas", 2000), ao cinema, e este primeiro filme foi selecionado em 2004 no Festival de Cannes , tendo ganho o prémio "Regard sur l'avenir".


Nasceu em 1962, em Cabul (Afeganistão). Estudou no liceu franco-afegão Estiqlal de Cabul e literatura na universidade. Hoje, Atiq Rahimi vive e trabalha em Paris
Em 1984, abandona o Afeganistão em guerra e vai para o Paquistão , mais tarde pede exílio politico em França. Aí, na Sorbonne, obtém um doutoramento de comunicação audiovisual.

Lista dos laureados do Prix Goncourt de 1903 a 2008:

• 1903 : John Antoine Nau, Force ennemie , La Plume.

• 1904 : Léon Frapié, La Maternelle, Librairie Universelle.

• 1905 : Claude Farrère, Les Civilisés, Ollendorf.

• 1906 : Jérôme et Jean Tharaud Dingley, l'illustre écrivain , Pelletan.

• 1907 : Emile Moselly, Terres lorraines, Plon.

• 1908 : Francis de Miomandre, Ecrits sur l'eau, Editions du Feu.

• 1909 : Marius-Ary Leblond, En France, Fasquelle.

• 1910 : Louis Pergaud, De Goupil à Margot, Mercure de France.

• 1911 : Alphonse de Chateaubriant, Monsieur des Lourdines, Grasset.

• 1912 : André Savignon, Filles de la pluie, Grasset.

• 1913 : Marc Elder, Le Peuple de la mer, Oudin.

• 1914 : Adrien Bertrand, l'Appel du Sol (décerné en 1916), Calman-Lévy.

• 1915 : René Benjamin, Gaspard, Fayard.

• 1916 : Henri Barbusse, Le Feu, Flammarion.

• 1917 : Henri Malherbe, La Flamme au poing, Albin Michel.

• 1918 : Georges Duhamel, Civilisation, Mercure de France.

• 1919 : Marcel Proust, A l'ombre des jeunes filles en fleur, Gallimard.

• 1920 : Ernest Pérochon, Nêne, Georges Clouzot (repris ensuite par Plon).

• 1921 : René Maran, Batouala, Albin Michel.

• 1922 : Henry Béraud, Le vitriol de la lune et Le martyre de l'obèse, Albin Michel.

• 1923 : Lucien Fabre, Rabevel ou Le Mal des ardents, Gallimard.

• 1924 : Thierry Sandre, Le Chèvrefeuille, le Purgatoire, le Chapitre XIII, Gallimard.

• 1925 : Maurice Genevoix, Raboliot, Grasset.

• 1926 : Henry Deberly, Le Supplice de Phèdre, Gallimard.

• 1927 : Maurice Bedel Jérôme, 60° Latitude Nord, Gallimard.

• 1928 : Maurice Constantin Weyer, Un Homme se penche sur son passé, Rieder.

• 1929 : Marcel Arland, L'Ordre, Gallimard.

• 1930 : Henri Fauconnier, Malaisie, Stock.

• 1931 : Jean Fayard, Mal d'amour, Fayard.

• 1932 : Guy Mazeline, Les Loups, Gallimard.

• 1933 : André Malraux, La Condition humaine, Gallimard.

• 1934 : Roger Vercel, Capitaine Conan, Albin Michel.

• 1935 : Joseph Peyré, Sang et Lumière, Grasset.

• 1936 : Maxence Van Der Meersch, L'Empreinte de Dieu, Albin Michel.

• 1937 : Charles Plisnier, Faux Passeports, Corrêa.

• 1938 : Henri Troyat, L'Araigne ,Plon.

• 1939 : Philippe Heriat, Les Enfants gâtés, Gallimard.

• 1940 : Francis Ambrière, Les Grandes vacances (décerné en 1946), La Nouvelle France.

• 1941 : Henri Pourrat, Vent de Mars , Gallimard.

• 1942 : Marc Bernard, Pareil à des enfants, Gallimard.

• 1943 : Marius Grout, Passage de l'Homme (décerné en 1944), Gallimard.

• 1944 : Elsa Triolet, Le premier accroc coûte 200 Francs (décerné en 1945), Denoël.

• 1945 : Jean-Louis Bory, Mon village à l'heure allemande, Flammarion.

• 1946 : Jean-Jacques Gautier, Histoire d'un Fait divers ,Julliard.

• 1947 : Jean-Louis Curtis, Les Forêts de la Nuit, Julliard.

• 1948 : Maurice Druon, Les Grandes familles, Julliard.

• 1949 : Robert Merle , Week-end à Zuydcoote, Gallimard.

• 1950 : Paul Colin, Les Jeux sauvages, Gallimard.

• 1951 : Julien Gracq, Le Rivage des Syrtes (Refusé par l'auteur), José Corti.

• 1952 : Béatrice Beck Léon Morin, prêtre, Gallimard.

• 1953 : Pierre Gascar, Les Bêtes, Le Temps des morts, Gallimard.

• 1954 : Simone de Beauvoir, Les Mandarins, Gallimard.

• 1955 : Roger Ikor, Les Eaux mêlées, Albin Michel.

• 1956 : Romain Gary (alias Emile Ajar, voir année 1975), Les racines du ciel, Gallimard.

• 1957 : Roger Vailland, La Loi, Gallimard.

• 1958 : Francis Walder, Saint Germain ou la Négociation, Gallimard.

• 1959 : André Schwartz-Bart, Le dernier des Justes, Seuil.

• 1960 : Vintila Horia , Dieu est né en exil (Le prix attribué à cet auteur lui a été retiré ensuite en raison de révélations sur son passé fasciste), Fayard.

• 1961 : Jean Cau, La Pitié de Dieu, Gallimard.

• 1962 : Anna Langfus, Les Bagages de sable, Gallimard.

• 1963 : Armand Lanoux, Quand la mer se retire, Julliard.

• 1964 : Georges Conchon, L'Etat sauvage, Albin Michel.

• 1965 : Jacques Borel, L'Adoration, Gallimard.

• 1966 : Edmonde Charles-Roux, Oublier Palerme, Grasset.

• 1967 : André Pieyre de Mandiargues, La Marge, Gallimard.

• 1968 : Bernard Clavel, Les Fruits de l'hiver, Robert Laffont.

• 1969 : Félicien Marceau, Creezy, Gallimard.

• 1970 : Michel Tournier, Le Roi des Aulnes, Gallimard.

• 1971 : Jacques Laurent, Les Bêtises, Grasset.

• 1972 : Jean Carrière, L'Epervier de Maheux, Jean-Jacques Pauvert.

• 1973 : Jacques Chessex, L'Ogre, Grasset.

• 1974 : Pascal Lainé, La Dentellière, Gallimard.

• 1975 : Emile Ajar (alias Romain Gary, voir année 1956), La vie devant soi, Mercure de France.

• 1976 : Patrick Grainville, Les Flamboyants, Seuil.

• 1977 : Didier Decoin, John l'enfer, Seuil.

• 1978 : Patrick Modiano, Rue des boutiques obscures, Gallimard.

• 1979 : Antonine Maillet, Pélagie la Charette, Grasset.

• 1980 : Yves Navarre, Le Jardin d'acclimatation, Flammarion.

• 1981 : Lucien Bodard, Anne-Marie, Grasset.

• 1982 : Dominique Fernandez, Dans la main de l'Ange, Grasset.

• 1983 : Frédérick Tristan, Les Égarés, Balland.

• 1984 : Marguerite Duras, L'Amant, Minuit.

• 1985 : Yann Queffélec, Les Noces barbares, Gallimard.

• 1986 : Michel Host, Valet de nuit, Grasset.

• 1987 : Tahar ben Jelloun, La Nuit sacrée, Seuil.

• 1988 : Erik Orsenna, L'Exposition coloniale, Seuil.

• 1989 : Jean Vautrin, Un grand pas vers le Bon Dieu, Grasset.

• 1990 : Jean Rouaud, Les Champs d'honneur, Minuit.

• 1991 : Pierre Combescot, Les Filles du Calvaire, Grasset.

• 1992 : Patrick Chamoiseau, Texaco, Gallimard.

• 1993 : Amin Maalouf, Le Rocher de Tanios, Grasset.

• 1994 : Didier Van Cauwelaert, Un Aller simple, Albin Michel.

• 1995 : Andreï Makine, Le Testament français, Mercure de France.

• 1996 : Pascale Roze, Le Chasseur Zéro, Albin Michel.

• 1997 : Patrick Rambaud, La Bataille, Grasset.

• 1998 : Paule Constant, Confidence pour confidence, Gallimard.

• 1999 : Jean Echenoz, Je m'en vais, Minuit.

• 2000 : Jean-Jacques Schuhl, Ingrid Caven , Gallimard.

• 2001 : Jean-Christophe Rufin, Rouge Brésil , Gallimard.

• 2002 : Pascal Quignard, Les Ombres errantes, Grasset.

• 2003 : Jacques-Pierre Amette, La Maîtresse de Brecht, Grasset.

• 2004 : Laurent Gaudé, Le Soleil des Scorta , Actes Sud.

• 2005 : François Weyergans, Trois jours chez ma mère, Grasset.

• 2006 : Jonathan Littell, Les Bienveillantes ,Gallimard.

• 2007 : Gilles Leroy, Alabama song, Mercure de France.

• 2008 : Atiq Rahimi,Syngué sabour -Pierre de patience, POL.

08 novembro, 2008

A Viagem do Elefante, de José Saramago



O lançamento do novo livro de José Saramago, A Viagem do Elefante, ocorreu 5.ª feira (6 de Novembro).

Trata-se de um conto histórico do Nobel português, baseado em pouquíssimos dados.

"Neste livro, escrito em condições de saúde muito precárias não sabemos o que mais admirar - o estilo pessoal do autor exercido ao nível das suas melhores obras; uma combinação de personagens reais e inventadas que nos faz viver simultaneamente na realidade e na ficção; um olhar sobre a humanidade em que a ironia e o sarcasmo, marcas da lucidez implacável do autor, se combinam com a compaixão solidária com que o autor observa as fraquezas humanas.
Escrita dez anos após a atribuição do Prémio Nobel, A Viagem do Elefante mostra-nos um Saramago em todo o seu esplendor literário."

O autor resumiu assim a obra:
"O livro narra uma viagem de um elefante que estava em Lisboa, e que tinha vindo da Índia, um elefante asiático que foi oferecido pelo nosso rei D. João III ao arquiduque da Áustria Maximiliano II (seu primo). Isto passa-se tudo no século XVI, em 1550, 1551, 1552. E, portanto, o elefante tem de fazer essa caminhada, desde Lisboa até Viena, e o que o livro conta é isso, é essa viagem."