29 fevereiro, 2008

Ratatouille - Filme de animação


O rato parisiense com paladar apurado provou um Óscar!

Rémy, o jovem rato sonha tornar-se num grande chefe cozinheiro francês. Para isso está pronto para enfrentar tudo e todos...

Elenco: Brad Garrett, Janeane Garofalo, John Ratzenberger, Ian Holm, Patton Oswalt, Brian Dennehy

Realizador:
Brad Bird

Duração: 01:50:00

Site oficial:
http://www.disney.fr/FilmsDisney/ratatouille/

Estreia: 1.août.2007

La Môme


A singular existência de Edith Piaf, da sua infância à glória, das vitórias às feridas, de Belleville a Nova Yorque. A alma de uma grande artista: intima , intensa e frágil esta excepcionalmente representada por Marion Cotillard.


Elenco:
Gérard Depardieu, Sylvie Testud, Jean-Paul Rouve, Marion Cotillard, Clotilde Courau

Realizador:
Olivier Dahan

Duração:02:20:00

Site oficial:
http://www.lamome-lefilm.com

Estreia:14.février.2007

25 fevereiro, 2008

Marion Cotillard - Óscar de Melhor Actriz em "Piaf - Um Hino ao Amor" (2007).


Marion Cotillard , nasceu em Paris, a 30/09/1975.


Com 32 anos de idade, Marion Cotillard, ganha no mesmo ano e com o mesmo filme - La Môme -o Óscar e o César de Melhor Actriz .


Filmografia

2007 -Piaf - Um hino ao amor (La môme)
2006 -Um bom ano (A good year)
2006 - Fair play
2006 - Dikkenek
2006 - Toi et moi
2005 - Caixa preta (La boîte noire)
2005 - Sauf le respect que je vous dois
2005 - Maria (Mary)
2005 - Ma vie en l'air
2005 - Edy
2005 - Cavalcade
2004 -Eterno amor (Un long dimanche de fiançailles)
2004 - Innocence
2003 - Peixe Grande e suas histórias maravilhosas (Big Fish)
2003 - Jeux d'enfants
2003 - Táxi 3 (Taxi 3)
2002 - Une affaire privée
2001 - Les jolies choises
2001 - Une femme piégée (TV)
2001 - Lisa
2001 - Boomer (curta-metragem)
2001 - Heureuse (curta-metragem)
2000 - Táxi 2 (Taxi 2)
2000 - Le marquis (curta-metragem)
2000 - Quelques jours de trop (curta-metragem)
1999 - Du bleu jusqu'en Amérique
1999 - L'appel de la cave (curta-metragem)
1999 - Furia
1999 - La guerre dans le Haut Pays
1998 - Interdit de viellir (TV)
1998- Táxi - Velocidade nas ruas (Taxi)
1996 - La mouette (curta-metragem)
1996 - La belle verte
1996 - Chloé (TV)
1996 - Comment je me suis disputé... (ma vie sexuelle)
1995 - Snuff movie (curta-metragem)
1994 - L'historie du garçon qui voulait qu'on l'embrasse

23 fevereiro, 2008

César 2008



Ontem, o júri presidido por Jean Rochefort recompensou os melhores filmes, actores e realizadores. Alguns Césars de consagração foram atribuídos a Jeanne Moreau, que acabou de festejar as suas 80 primaveras e os seus 60 anos de carreira, e a Roberto Begnini - César d'honneur .

Eis a lista dos filmes nomeados e recompensados, por categoria:

Melhor filme francês : La Graine et le mulet de Abdellatif Kechiche

La Môme de Olivier Dahan
Le Scaphandre et le Papillon de Julian Schnabel
Persepolis de Vincent Paronnaud et Marjane Satrapi
Un secret de Claude Miller

Melhor realizador: Abdellatif Kechiche pour La Graine et le mulet

Olivier Dahan em La Môme
Julian Schnabel em Le Scaphandre et le Papillon
André Téchiné em Les Témoins
Claude Miller em Un secret

Melhor actriz: Marion Cotillard em La Môme

Isabelle Carré em Anna M.
Marina Foïs em Darling
Marion Cotillard em La Môme
Catherine Frot em Odette Toulemonde
Cécile de France em Un secret

Melhor actriz secundária: Julie Depardieu em Un secret

Noémie Lvovsky em Actrices
Bulle Ogier em Faut que ça danse !
Sylvie Testud em La Môme
Julie Depardieu em Un secret
Ludivine Sagnier em Un secret

Melhor filme estrangeiro: La Vie des autres de Florian Henckel von Donnersmarck

4 mois, 3 semaines, 2 jours de Cristian Mungiu
De l'autre côté de Fatih Akin
La Nuit nous appartient de James Gray
Les Promesses de l'ombre de David Cronenberg

Melhor filme documentário: L'Avocat de la terreur de Barbet Schroeder

Le Premier cri de Gilles de Maistre
Les Animaux amoureux de Laurent Charbonnier
Les LIP, l'imagination au pouvoir de Fabrice Rouaud
Retour en Normandie de Nicolas Philibert

Melhor actor: Mathieu Amalric dansLe Scaphandre et le Papillon

Vincent Lindon em Ceux qui restent
Jean-Pierre Darroussin em Dialogue avec mon jardinier
Jean-Pierre Marielle em Faut que ça danse !
Michel Blanc emLes Témoins

Melhor actor secundário: Sami Bouajila emLes Témoins

Laurent Stocker em Ensemble, c'est tout
Pascal Greggory em La Môme
Michael Lonsdale em La Question humaine
Sami Bouajila em Les Témoins
Fabrice Luchini em Molière

O Gosto "à Grega" - Nascimento do Neoclassicismo em França


Esta exposição, iniciativa conjunta do Museu do Louvre, do Património Nacional de Espanha e da Fundação Calouste Gulbenkian, está patente em Lisboa, até ao dia 4 de Maio, na Sala de Exposições Temporárias.


Ver a apresentação em: www.expresso.pt/fotogalerias


18 fevereiro, 2008

Morreu Alain Robbe-Grillet (1922-2008)



Alain Robbe-Grillet, engenheiro agrónomo, escritor e cineasta, nasceu a 18 de Agosto 1922, em Brest.

Considerado como o precursor do "nouveau roman", movimento literário que há meio século renovou a literatura francesa, morreu hoje, aos 85 anos, vítima de doença cardíaca. A morte do autor foi comunicada pela Academia Francesa, da qual fazia parte desde 2004.


O livro Les Gommes, de 1953, é considerado o primeiro exemplo desse novo movimento de renovação do romance.
Além de Robbe-Grillet, dessa nova escola faziam ainda parte nomes como Claude Simon, Marguerite Duras e Nathalie Sarraute.


Bibliografia:


Un Régicide, Éd. de Minuit, 1949 (publicado em 1978).
Les Gommes, Éd. de Minuit, 1953.
Le Voyeur, Éd. de Minuit, 1955.
La Jalousie, Éd. de Minuit, 1957.
Dans le labyrinthe, Éd. de Minuit, 1959.
L'Année dernière à Marienbad (AM), Éd. de Minuit, 1961.
Instantanés, Éd. de Minuit, 1962.
L'Immortelle, Éd. de Minuit, coll. « 10/18 », 1963.
Pour un nouveau roman, Éd. de Minuit, 1963.
La Maison de rendez-vous, Éd. de Minuit, 1965.
Projet pour une révolution de New York, Éd. de Minuit, 1970.
Glissements progressifs du plaisir, Éd. de Minuit, 1974.
Topologie d'une cité fantôme, Éd. de Minuit, 1976.
Souvenirs du triangle d'or, Éd. de Minuit, 1978.
Djinn, Éd. de Minuit, 1981.
Le Miroir qui revient, Éd. de Minuit, 1984.
Angélique ou l'enchantement (A), Éd. de Minuit, 1987.
Les Derniers jours de Corinthe, Éd. de Minuit, 1994.
La Belle captive, ilustrado por quadros de René Magritte, Cosmos Textes, Bruxelles, 1975.
Temple aux miroirs, Seghers, 1977 (photografies de Irina Ionesco).
Le Rendez-vous, Holt, Rinehart et Winston, New York, 1981 (em colaboração com Yvonne Lenard).
Filmografia:


L'Année dernière à Marienbad, 1961 (realizador Alain Resnais).
L'Immortelle, 1963.
Trans-Europe-Express, 1966.
L'Homme qui ment, 1968.
L'Éden et après, 1971.
N. a Pris les dés, 1972.
Glissements progressifs du plaisir, 1974.
Le Jeu avec le feu, 1975.
La Belle captive, 1982.
Un Bruit qui rend fou, 1995.

Ruy Duarte de Carvalho é o vencedor do Prémio do 9º Correntes d'Escrita




O escritor angolano Ruy Duarte de Carvalho é o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído no âmbito do encontro de escritores de expressão ibérica Correntes d'Escritas, com o romance Desmedida (Cotovia).

Ruy Duarte de Carvalho é um angolano por naturalização. Nasceu em Santarém, em 1941. Passou a infância na Província do Namibe cuja paisagem, espaços físicos e sociais ocupam ainda hoje um lugar privilegiado nas suas actividades de escritor e investigador em antropologia. É Antropólogo doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales,Paris.

Foi laureado com o Prémio Nacional de Literatura em 1988.
Exerceu a actividade de Professor da Universidade de Luanda e foi Professor Convidado na Universidade de Coimbra (Portugal) e na Universidade de São Paulo (Brasil). Estudou cinema em Londres e realizou inúmeras horas de cinema directo filmado entre populações do sul de Angola.

A sua estreia literária ocorre em 1972, quando arrebatando o Prémio Mota Veiga, publica Chão de Oferta, o seu primeiro livro de poesia.

A sua produção é variada, cobrindo a poesia, a ficção narrativa, o ensaio e o cinema.

Depois de 1972, publicou:

A Decisão da Idade (poesia, 1976);
Como se o Mundo não Tivesse Leste (ficção narrativa,1977);
Exercícios de Crueldade (poesia,1978);
Sinais Misteriosos…Já se Vê…(poesia,1979);
Ondula Svana Branca (poesia,1982);
O Camarada e a Câmara (ensaio, 1984);
Lavra Paralela (poesia,1987);
Hábito da Terra (poesia,1988);
Ordem de Esquecimento
(poesia,1997);
A Câmara, a Escrita e a Coisa Dita, (ensaio, 1997);
Aviso à Navegação (ensaio,1997);
Vou lá Visitar Pastores (ficção narrativa);
Observação Directa (poesia, 2000);
E acaba de publicar Lavra Reiterada, uma antologia de textos extraídos de livros anteriores, nomedamente Exercícios de Crueldade e Ordem de Esquecimento (poesia, 2000), Os Pepeis do Inglês(ficção, 2000).

11 fevereiro, 2008

Também para o 14 de Fevereiro _


                                 Robert Doisneau - Les amoureux aux poireaux - Paris -1950




Para o 14 de Fevereiro


“Photographier : c’est retenir son souffle quand toutes nos facultés convergent pour capter la réalité fuyante ; c’est alors que la saisie d’une image est une grande joie physique et intellectuelle.”


Henri Cartier-Bresson

07 fevereiro, 2008

Charles Aznavour - Lisboa 23Fev

La bohème - Canção popular do repertório de Aznavour.

Aqui fica como aperitivo para o concerto no Pavilhão Atlântico
O vídeo foi publicado no Youtube por CafeDaria


La Bohème - Charles Aznavour

Je vous parle d'un temps
Que les moins de vingt ans
Ne peuvent pas connaître
Montmartre en ce temps-là
Accrochait ses lilas
Jusque sous nos fenêtres
Et si l'humble garni
Qui nous servait de nid
Ne payait pas de mine
C'est là qu'on s'est connu
Moi qui criait famine
Et toi qui posais nue

La bohème, la bohème
Ça voulait dire on est heureux
La bohème, la bohème
Nous ne mangions qu'un jour sur deux

Dans les cafés voisins
Nous étions quelques-uns
Qui attendions la gloire
Et bien que miséreux
Avec le ventre creux
Nous ne cessions d'y croire
Et quand quelque bistro
Contre un bon repas chaud
Nous prenait une toile
Nous récitions des vers
Groupés autour du poêle
En oubliant l'hiver

La bohème, la bohème
Ça voulait dire tu es jolie
La bohème, la bohème
Et nous avions tous du génie

Souvent il m'arrivait
Devant mon chevalet
De passer des nuits blanches
Retouchant le dessin
De la ligne d'un sein
Du galbe d'une hanche
Et ce n'est qu'au matin
Qu'on s'asseyait enfin
Devant un café-crème
Epuisés mais ravis
Fallait-il que l'on s'aime
Et qu'on aime la vie

La bohème, la bohème
Ça voulait dire on a vingt ans
La bohème, la bohème
Et nous vivions de l'air du temps

Quand au hasard des jours
Je m'en vais faire un tour
A mon ancienne adresse
Je ne reconnais plus
Ni les murs, ni les rues
Qui ont vu ma jeunesse
En haut d'un escalier
Je cherche l'atelier
Dont plus rien ne subsiste
Dans son nouveau décor
Montmartre semble triste
Et les lilas sont morts

La bohème, la bohème
On était jeunes, on était fous
La bohème, la bohème
Ça ne veut plus rien dire du tout

Paroles: Jacques Plante. Musique: Charles Aznavour 1965 "Monsieur Carnaval"
© Editions Djanik

06 fevereiro, 2008

António Vieira

O céu 'strela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e à glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.

No imenso espaço do seu meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge,prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não,não é luar:é luz do etéreo.
É um dia;e,no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.

Fernando Pessoa, in Mensagem

Nasceu há 400 anos


Padre António Vieira – figura extraordinária da nossa História, mas também cidadão do mundo – nasceu há exactamente 400 anos, no dia 6 de Fevereiro. Missionário, pregador, político, defensor dos judeus, dos pobres, dos escravos. Foi perseguido pela Inquisição e venceu-a. Escreveu obras-primas que, quatro séculos depois, continuam a surpreender pela sua actualidade.

11 janeiro, 2008

Al Berto - 60 anos

Encontrei, por acaso, este video no You tube. O seu autor é joaotiagokk.
E como hoje, é dia de aniversário do Al Berto (ele permanecerá, para sempre, vivo através das suas obras) decidi colocá-lo neste espaço para celebrar Al Berto.


05 janeiro, 2008

XX Le Masque

illustration de Ulrich Mertens


Statue allégorique dans le goût de la Renaissance
A Ernest Christophe, statuaire.



Contemplons ce trésor de grâces florentines;
Dans l'ondulation de ce corps musculeux
L'Elégance et la Force abondent, soeurs divines.
Cette femme, morceau vraiment miraculeux,
Divinement robuste, adorablement mince,
Est faite pour trôner sur des lits somptueux
Et charmer les loisirs d'un pontife ou d'un prince.


- Aussi, vois ce souris fin et voluptueux
Où la Fatuité promène son extase;
Ce long regard sournois, langoureux et moqueur;
Ce visage mignard, tout encadré de gaze,
Dont chaque trait nous dit avec un air vainqueur:
"La Volupté m'appelle et l'Amour me couronne!
"A cet être doué de tant de majesté
Vois quel charme excitant la gentillesse donne!
Approchons, et tournons autour de sa beauté.


O blasphème de l'art! ô surprise fatale!
La femme au corps divin, promettant le bonheur,
Par le haut se termine en monstre bicéphale!


- Mais non! ce n'est qu'un masque, un décor suborneur,
Ce visage éclairé d'une exquise grimace,
Et, regarde, voici, crispée atrocement,
La véritable tête, et la sincère face
Renversée à l'abri de la face qui ment
Pauvre grande beauté! le magnifique fleuve
De tes pleurs aboutit dans mon coeur soucieux
Ton mensonge m'enivre, et mon âme s'abreuve
Aux flots que la Douleur fait jaillir de tes yeux!


- Mais pourquoi pleure-t-elle? Elle, beauté parfaite,
Qui mettrait à ses pieds le genre humain vaincu,
Quel mal mystérieux ronge son flanc d'athlète?


- Elle pleure insensé, parce qu'elle a vécu!
Et parce qu'elle vit! Mais ce qu'elle déplore
Surtout, ce qui la fait frémir jusqu'aux genoux,
C'est que demain, hélas! il faudra vivre encore!
Demain. après-demain et toujours! - comme nous!



Baudelaire, Les Fleurs du Mal

Les Fleurs du Mal



AU LECTEUR


La sottise, l'erreur, le péché, la lésine,
Occupent nos esprits et travaillent nos corps,
Et nous alimentons nos aimables remords,
Comme les mendiants nourrissent leur vermine.


Nos péchés sont têtus, nos repentirs sont lâches;
Nous nous faisons payer grassement nos aveux,
Et nous rentrons gaiement dans le chemin bourbeux,
Croyant par de vils pleurs laver toutes nos taches.


Sur l'oreiller du mal c'est Satan Trismégiste
Qui berce longuement notre esprit enchanté,
Et le riche métal de notre volonté
Est tout vaporisé par ce savant chimiste.


C'est le Diable qui tient les fils qui nous remuent!
Aux objets répugnants nous trouvons des appas;
Chaque jour vers l'Enfer nous descendons d'un pas,
Sans horreur, à travers des ténèbres qui puent.


Ainsi qu'un débauché pauvre qui baise et mange
Le sein martyrisé d'une antique catin,
Nous volons au passage un plaisir clandestin
Que nous pressons bien fort comme une vieille orange.


Serré, fourmillant, comme un million d'helminthes,
Dans nos cerveaux ribote un peuple de Démons,
Et, quand nous respirons, la Mort dans nos poumons
Descend, fleuve invisible, avec de sourdes plaintes.


Si le viol, le poison, le poignard, l'incendie,
N'ont pas encore brodé de leurs plaisants dessins
Le canevas banal de nos piteux destins,
C'est que notre âme, hélas ! n'est pas assez hardie.


Mais parmi les chacals, les panthères, les lices,
Les singes, les scorpions, les vautours, les serpents,
Les monstres glapissants, hurlants, grognants, rampants,
Dans la ménagerie infâme de nos vices,


Il en est un plus laid, plus méchant, plus immonde!
Quoiqu'il ne pousse ni grands gestes ni grands cris,
Il ferait volontiers de la terre un débris
Et dans un bâillement avalerait le monde;


C'est l'Ennui ! – l'œil chargé d'un pleur involontaire,
Il rêve d'échafauds en fumant son houka.
Tu le connais, lecteur, ce monstre délicat,
– Hypocrite lecteur, – mon semblable, – mon frère !

26 novembro, 2007

A Luz da Madrugada


Trata-se do novo livro de poesia de Fernando Pinto do Amaral, editado pela D. Quixote

A ler!

Deixo aqui um poema ...



Alentejo

Regressa devagar à luz da tarde,
ao voo de uma cegonha que se entrega
ao azul. Também tu
quiseste acreditar no coração,
no fogo que alimenta as suas leis,
nessa comédia quase inofensiva
das relações humanas.

Regressa devagar a esta luz
e esquece-te de tudo: das palavras
que alguém te segredou de madrugada;
das notícias que lês no teu jornal,
das cotações, das fotos, das mensagens
que hibernam no telefone desligado.
Esquece acima de tudo
esse disco riscado de mil frases
mil vezes repetidas a que chamam
poesia.

Regressa devagar à planície
e ama a sua luz, as suas sombras:
ignora os disfarcs do destino,
o rasto das estrelas. o seu rosto
de febres e cansaços;
e aceita com um olhar esse perdão
que as aves te concedem por estares vivo.

in A Luz da Madrugada

22 outubro, 2007

Idades Cidades Divindades

Trata-se do novo livro de poesia de Mia Couto, publicado pela Caminho.

Transcrevo um poema (escolha arbitrária) para aguçar o apetite.

Sementes


Olhos,
vale tê-los,
se, de quando em quando,
somos cegos
e o que vemos não é o que olhamos
mas o que o olhar semeia no mais denso escuro.

Vida
vale vivê-la
se, de quando em quando,
morremos
e o que vivemos
não é o que a vida nos dá
nem o que dela colhemos
mas o que semeamos em pleno deserto.

Maputo, 2004

09 agosto, 2007

Degredo no Sul


A Associação dos Municípios do Baixo Alentejo e do Alentejo Litoral, através do jornal Diário do Alentejo, a Assírio & Alvim, a Longitude Zero Associação e o Centro Cultural Emmerico Nunes sentiram necessidade de homenagear Al Berto, por ocasião dos dez anos da sua morte. Sentiram urgência em celebrar o poeta refixando as suas próprias palavras. Sentiram, afinal, precisão de regressar. De regressar ao mar, tornando ao sudoeste, ao mar de leva, seguindo os desertos e as cidades e anotando no jornal desta breve viagem algumas geografias assumidas por Al Berto. Ao Sul. No Alentejo.

25 maio, 2007

Não me lembro o que aconteceu a seguir ...

(...)

Nenhum de nós sabia se o sonho, ou a morte, nos conduziria a algum
porto de felicidade.

Não me lembro o que aconteceu a seguir.
A noite deixava-se habitar por um silêncio escorregadio.
Veio-me então ao pensamento o grande porto do sul onde aportaras e
dizias ter sido feliz.
As horas começaram a cair umas sobre as outras, iguais, sem frémito,
melancólicas.
Quando te digo que vou de novo partir, perguntas-me: morre-se porquê?

(...)

Al Berto, excerto de "Luminoso Afogado, in O Medo

Foi a 13 de Junho de 1997 que Al Berto partiu... ´


Para recordar ...

Poeta e Editor


Al Berto, nasceu em Coimbra em 1948, e passa a sua infância a adolescência em Sines. Exila-se em Bruxelas durante os anos da Guerra Colonial onde prossegue os seus estudos nas Belas Artes. Regressa a Portugal em 1975, após o 25 de Abril.
Em 1970 abandona definitivamente a Pintura, muito embora subsista o interesse pelas Artes Gráficas e pela Fotografia.
Começa a publicar com regularidade nos finais da década de 70: "Mar de Leva" (1976), sete textos dedicados à Vila de Sines; "À Procura do Vento num Jardim d' Agosto" (1977); "Trabalhos do Olhar" (1982); "Salsugem" (1984); "Uma Existência de Papel" (1985).
Todos estes títulos de poesia são reunidos em 1987 sob uma única publicação "O Medo" que lhe granjeou o Prémio PEN-Clube de Poesia. Em 1988 envereda pela prosa com "Lunário" e, mais tarde, em 1993, publica "O Anjo Mudo".
Em 1991, "A Secreta Vida das Imagens", inspira-se na obra de artistas clássicos e contemporâneos, nacionais e estrangeiros: Giotto, Van Gogh, Chagall, Andy Warhol, Mário Cesariny, Cabrita Reis, Ilda David. Em 1995, publica o seu mais recente livro de poesia, "Luminoso Afogado".
O reconhecimento público da sua vasta obra culminou em 92 com a atribuição por parte de Sua Excelência o Presidente da República do grau Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, no dia 10 de Junho, Dia de Portugal e das Comunidades.
Exerceu ainda funções de Animador Cultural da Câmara Municipal de Sines e Director do Centro Cultural Emmerico Nunes.
Foi convidado por várias vezes para representar oficialmente Portugal em manifestações de divulgação da Cultura Portuguesa: Belles Etrangères, Europe à livre ouvert, Le Portugal à Bordeaux, em França, e Europália 91, na Bélgica.
Foi-lhe concedida Medalha de Mérito Municipal, em 1995, não só pelo trabalho de inovação prestado à Cultura Portuguesa mas, também, à nossa terra (Sines), pelo superior desempenho de um nosso conterrâneo numa área cujo sucesso e notoriedade são demasiadas vezes glórias póstumas de um futurismo incompreendido.
O Poeta leu excertos da sua obra poética na altura da entrega da medalha.

Publica o seu último livro "Horto de Incêndios" em Março de 1997.
Faleceu em Lisboa a 13 de Junho de 1997.
GIRP / C.M.S.


Obra:

Poesia

À Procura do Vento num Jardim d'Agosto. Lisboa: 1977.
Meu Fruto de Morder, Todas as Horas. Lisboa: 1980.
Trabalhos do Olhar. Lisboa: Contexto, 1982.
O Último Habitante. Lisboa, 1983.
Salsugem. Lisboa: Contexto, 1984.
A Seguir o Deserto. Lisboa: & etc., 1984.
Três Cartas da Memória das Índias. Lisboa: 1985.
Uma Existência de Papel. Porto: Gota d'Água, 1985.
O Medo (Trabalho Poético 1974-1986). Lisboa: Contexto, 1987.
O Livro dos Regressos. Lisboa: Frenesi, 1989.
A Secreta Vida das Imagens. Lisboa: Contexto, 1991.
Canto do Amigo Morto. Lisboa: 1991.
O Medo (Trabalho Poético 1974-1990). Lisboa: Contexto, 1991.
Luminoso Afogado. Lisboa: Salamandra / Casa Fernando Pessoa, 1995.
Horto de Incêndio. Lisboa: Assírio & Alvim, 1997.
O Medo. Lisboa: Assírio & Alvim, 1998.

Prosa

Lunário. Lisboa: Contexto, 1988.
O Anjo Mudo. Lisboa: Contexto, 1993.

Traduções:

Castelhano
Doce señales. Trad. Adolfo Navas. Madrid: Cuaderno de Poesía Portuguesa, 1989.
Una Existencia de Papel. Trad. Ángel Campos Pámpano. Valencia: Pre-Textos, 1993.
La secreta vida de las imágenes. Trad. José Luis Puerto, Amarú Ediciones, 1997.

Francês
Voyage d'un Portugais avec un stylo en Cévennes. (Viagem de um Português com uma Caneta nas Cévennes). In Les itinéraires littéraires en Corèze. Ed. Jacques Brémond, 1989.
Chant de l'ami mort /Canto do Amigo Morto (ed. bil.). Lisboa: Europália, 1991.
La peur et les signes (anthologie). Trad. Michel Chandeigne. Bordeaux: L'Escampette, 1993.
La secrete vie des images. Trad. Jean-Pierre Leger. Bordeaux: L'Escampette, 1996.

Inglês
(A Secreta Vida das Imagens). Trad. Richard Zenith. Dublin: Mermaid Turbulence, 1997

Italiano
Lavori dello sguardo. Trad. Carlo Vittorio Cattaneo. Roma: Florida, 1985.

Há-de flutuar uma cidade

há-de flutuar uma cidade...

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto, O Medo

18 maio, 2007

O livro...A leitura

Um objecto, uma actividade
Uma mensagem...

Um culto, um passatempo, um recurso, uma necessidade

Marcas de um autor;
Marcas de um leitor.

06 maio, 2007

Eis-me acordado muito tempo depois de mim

Este livro de Golgona Anghel, editado pelas Edições Quasi, pretende ser uma biografia de Al Berto (assim consta na capa como subtítulo). Por este motivo, e como apreciadora da obra de Al Berto, decidi comprá-lo e lê-lo.

Mas durante a leitura verifiquei que este trabalho contém erros gravíssimos (científicos, ortográficos e sintácticos), que uma revisão atenta da editora (para não falar da autora) deveria ter corrigido...

Como exemplo, cito este: "(...) afirma Enrique Vilas-Matas, heterónimo de António Tabucchi (...)", p.39.

Tanto um como outro são escritores de "pele e osso":

O primeiro nasceu e vive em Barcelona e é autor de uma vasta obra em prosa;
O segundo nasceu em Pisa e tem vivido pelo mundo(Bolonha, Roma, Génova, Siena, Nova Iorque, Paris, Lisboa...)foi professor universitário e também autor de uma vasta obra(romances, contos, ensaios, teatro), traduzida em mais de 30 línguas.

Penso que Al Berto, como primeira biografia merecia bem melhor!

Dia do Francês - 2007

23 abril, 2007

LER

"Leio e estou liberto. Adquiro objectividade. Deixei de ser eu e disperso. E o que leio, em vez de ser um trajo meu que mal vejo e por vezes me pesa, é a grande clareza do mundo externo..."

Fernando Pessoa