16 maio, 2017

Três irmãs de Anton Chekhov



Trata-se de um magistral texto dramático de Tchékhov. Com diálogos excelentes e uma certa dose de ironia, o autor retrata o ambiente provinciano e tédio de quem não tem nada para fazer e que apenas se preocupa com o bem-estar próprio e o luxo vivido em casa das três irmãs, do irmão e da odiada cunhada.

 

 

10 maio, 2017

Os da Minha Rua de Ondjaki



22 pequenos contos (ou serão poemas em prosa?) maravilhosos de Ondjaki. Guiados pela narração e memória de Ndalu partilhamos aventuras, vivemos momentos de alegria, tristeza, saudade, amizade, entre outros. Sentimos o cheiro das coisas e conhecemos personagens maravilhosas de uma rua onde vão crescendo.
Este livro, à semelhança de todos os que já li deste autor, encantou-me. A sua leitura faz-nos sorrir e permite-nos, apesar da sua simplicidade, conhecer um pouco melhor a sociedade angolana, da época.

Ao terminar, senti um pouco isto:
"Nas despedidas acontece isso: a ternura toca a alegria, a alegria traz uma saudade quase triste, a saudade semeia lágrimas, e nós, as crianças não sabemos arrumar essas coisas dentro do nosso coração" (pp. 101-102). (será que nós, adultos, sabemos?)



04 maio, 2017

A Varanda do Frangipani de Mia Couto



Neste livro, Mia Couto retrata as tradições e a história de Moçambique. A personagem principal, o fantasma de Ermelindo Mucanga, apropria-se do corpo de um polícia que investiga, num asilo, a morte do seu diretor e é através dos testemunhos e da memória dos poucos idosos que vamos compreendendo a história deste país. A acção ocorre vinte anos após a sua independência.
É através de uma escrita poética, mas sobretudo crítica que Mia Couto nos mostra esta realidade. Mais um livro excelente deste autor.


26 abril, 2017

Terra de Neve de Yasunari Kawabata




O autor japonês, Yasunari Kawabata, narra a história de um homem de Tóquio que vai passar uns dias a uma estância termal, em Terra de Neve. Aí conhece uma gueixa com quem vai manter uma relação. Percebe-se que este relacionamento não vai durar muito tempo devido ao comportamento inseguro de Komako (a gueixa).
Toda a acção gira à volta destas duas personagens, sem muita vivacidade.
No entanto, apreciei a escrita do autor sobretudo as suas descrições minuciosas das fisionomias das mulheres e da transformação da natureza (as cores, o frio, a neve, as montanhas...)




25 abril, 2017

25 de Abril, sempre!

                                 

25 de Abril


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo




Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'O Nome das Coisas'

23 abril, 2017

Pour que tu ne te perdes pas dans le quartier, de Patrick Modiano




Fiel à sua escrita, Patrick Modiano apresenta-nos um romance ao longo do qual se regista uma busca de identidade.
A personagem, um escritor, tenta através da sua memória, e visitando locais e espaços, recordar a sua infância e as pessoas marcantes com quem viveu. O autor vai-nos apresentando questões, factos, enigmas, mas nunca dá as respostas e as personagens vai desaparecendo tal como vão aparecendo.