Neste espaço pretende-se divulgar actividades culturais/educativas/lúdicas ou simplesmente participar, partilhar opiniões, leituras, viajar...
29 janeiro, 2017
O gato de Uppsala de Cristina Carvalho
Trata-se de uma história de amor entre dois jovens. Elvis veio de Kiruna até Uppsala onde conheceu uma jovem rapariga e o seu gato. Apaixonam-se e casam. Mais tarde, iniciam uma caminhada até Estocolmo para verem partir Vasa, o imponente navio de guerra.
Este livro inclui o PNL. Lê-se muito bem e dá-nos a conhecer um pouco da história e dos costumes da Suécia.
28 janeiro, 2017
24 janeiro, 2017
As fabulosas histórias da Tapada de Mafra de Cristina Carvalho
É realmente um pequeno livro maravilhoso com histórias fabulosas dos animais e das plantas que vivem na Tapada de Mafra.
Apetece programar uma visita a este local único e tão perto de Lisboa. Afinal "A Tapada de Mafra está mesmo aqui."
21 janeiro, 2017
Nocturno: O romance de Chopin de Cristina Carvalho
A leitura deste livro fez-me (re)descobrir a música de Chopin. Há muito que não o ouvia - o que é lamentável. A autora consegue transmitir-nos a sua paixão pelo compositor de uma maneira admirável e nós, leitores, ficamos inebriados pela genialidade e impetuosidade musical de Chopin. Pena ter vivido tão pouco.
Gostei muito e recomendo vivamente a leitura deste livro.
(Façam como eu, à medida que vão descobrindo o génio através das palavras de Cristina Carvalho, ouçam as músicas citadas na obra... é tudo bem mais fácil e belo.)
16 janeiro, 2017
Porque escolhi viver de Yeonmi Park
O que sabemos da Coreia do Norte? Pouco, muito pouco é a conclusão que se tira depois de ler este testemunho escrito na primeira pessoa.
Foi um autêntico murro no estômago! História dura e cruel que relata a realidade norte-coreana: a ausência total de liberdade (de pensar, de escolher, de viver), a fome, a perseguição, o tráfico de bens, o tráfico humano, a violação, a fuga, a sobrevivência...
Yeonmi foi e é uma vencedora! Lutou pela sua sobrevivência, pela sua mãe e nunca desistiu de encontrar a sua irmã. Agora, luta pela liberdade do seu povo.
Foi um autêntico murro no estômago! História dura e cruel que relata a realidade norte-coreana: a ausência total de liberdade (de pensar, de escolher, de viver), a fome, a perseguição, o tráfico de bens, o tráfico humano, a violação, a fuga, a sobrevivência...
Yeonmi foi e é uma vencedora! Lutou pela sua sobrevivência, pela sua mãe e nunca desistiu de encontrar a sua irmã. Agora, luta pela liberdade do seu povo.
11 janeiro, 2017
Dia de aniversário - Al Berto
noutros tempos
quando acreditávamos na existência da lua
foi-nos possível escrever poemas e
envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
pelas salivas proibidas - noutros tempos
os dias corriam com a água e limpavam
os líquenes das imundas máscaras
hoje
nenhuma palavra pode ser escrita
nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras
ou se expande pelo corpo estendido
no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se
onde se pode - num vocabulário reduzido e
obsessivo - até que o relâmpago fulmine a língua
e nada mais se consiga ouvir
apesar de tudo
continuamos a repetir os gestos e a beber
a serenidade da seiva - vamos pela febre
dos cedros acima - até que tocamos o místico
arbusto estelar
e
o mistério da luz fustiga-nos os olhos
numa euforia torrencial
Al Berto, Horto de Incêndio
10 janeiro, 2017
A Desgraça de Amarílio Mendietta de Norberto Morais
Gostei do conto, lê-se numa horita, mas soube a pouco, Norberto Morais. Queremos mais!!
Coitado do Amarílio! Será que se virou mesmo o feitiço contra o feiticeiro ou será que quem ri por último, ri melhor!!
09 janeiro, 2017
Não Se Pode Morar Nos Olhos De Um Gato de Ana Margarida de Carvalho
Terminada a leitura... ficam as personagens (sim, ficam na nossa mente, não desgrudamos delas), as emoções (fortíssimas), as perguntas (como pode o Homem ser tão cruel? Ter tantos preconceitos?)
O remorso do passado que alimenta as memórias deste grupo improvável, que sobreviveu a um naufrágio, deixá-los-á viver ou conduzi-los-á à morte?
A escrita de Ana Margarida de Carvalho transporta o leitor para uma viagem alucinante, arrebatadora, surpreendente e duríssima!
Recomendo!O remorso do passado que alimenta as memórias deste grupo improvável, que sobreviveu a um naufrágio, deixá-los-á viver ou conduzi-los-á à morte?
A escrita de Ana Margarida de Carvalho transporta o leitor para uma viagem alucinante, arrebatadora, surpreendente e duríssima!
25 dezembro, 2016
Dia de Natal
Dia de Natal
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha em pijama.
Ah!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
António Gedeão, in 'Antologia Poética'
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha em pijama.
Ah!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
António Gedeão, in 'Antologia Poética'
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