Agora que somos de novo confrontados com a questão do acordo ortográfico, relembro o " Poema de Helena Lanari" escrito por Sophia de Mello Breyner Andresen:
Gosto de ouvir o português do Brasil
Onde as palavras recuperam sua substância total
Concretas como frutos nítidas como pássaros
Gosto de ouvir a palavra com as suas sílabas todas
Sem perder sequer um quinto da vogal
Quando Helena Lanari dizia o "coqueiro"
O coqueiro ficava muito mais vegetal.
_______
Não será a variedade linguística que torna, a língua de todos nós, mais rica e apaixonante? Como eu compreendo Sophia
Neste espaço pretende-se divulgar actividades culturais/educativas/lúdicas ou simplesmente participar, partilhar opiniões, leituras, viajar...
19 abril, 2008
18 abril, 2008
Auto-retrato com a musa
1.
vejo-me ao espelho: a cara
severa dos sessenta,
alguns cabelos brancos,
os óculos por vezes
já mais embaciados.
sobrancelhas espessas,
nariz nem muito ou pouco,
sinal na face esquerda,
golpe breve no queixo
(andanças da gilette).
ia a passar fumando
mais uma cigarrilha
medindo em tempo e cinza
coisas atrás de mim.
que coisas? tantas coisas,
palavras e objectos,
sentimentos, paisagens.
também pessoas, claro,
e desfocagens, tudo
o que assim se mistUra
e se entrevê no espelho,
tingindo as suas águas
de um dúbio maneirismo
a que hoje cedo. e fico
feito de tinta e feio.
2
quem amo o que é que pode
fazer deste retrato?
nem sabê-lo de cor,
nem tê-lo encaixilhado,
nem guardá-lo num livro,
nem rasgá-lo ou queimá-lo,
mas pode pôr-se ao lado
e ter prazer ou pena
por nos achar parecidos
ou não achar. quem amo
não fica desenhado,
fica dentro de mim
e é quando mais me apago
e deixo de me ver
e apenas me confundo,
amador transformado
na própria coisa amada
por muito imaginar.
assim nem john ashberry,
nem o parmegianino,
nem espelho convexo,
nem mesmo auto-retrato.
só uma sombra que é
na sombra de quem amo
provavelmente a minha.
3
quem amo tem cabelos
castanhos e castanhosos
olhos, o nariz
direito, a boca doce.
em mais ninguém conheço
tal porte do pescoço
nem tão esguias mãos
com aro de safira,
nem tanta luz tão húmida
que sai do seu olhar,
nem riso tão contente,
contido e comovente,
nem tão discretos gestos,
nem corpo tão macio
quem amo tem feições
de uma beleza grave
e música na alma
flutua nas volutas
de um madrigal antigo
em ondas de ternura.
é quando eu sinto a musa
pousando no meu ombro
sua cabeça, assim
me enredo horas a fio
e fico a magicar.
Vasco Graça Moura
(mantida a grafia original)
vejo-me ao espelho: a cara
severa dos sessenta,
alguns cabelos brancos,
os óculos por vezes
já mais embaciados.
sobrancelhas espessas,
nariz nem muito ou pouco,
sinal na face esquerda,
golpe breve no queixo
(andanças da gilette).
ia a passar fumando
mais uma cigarrilha
medindo em tempo e cinza
coisas atrás de mim.
que coisas? tantas coisas,
palavras e objectos,
sentimentos, paisagens.
também pessoas, claro,
e desfocagens, tudo
o que assim se mistUra
e se entrevê no espelho,
tingindo as suas águas
de um dúbio maneirismo
a que hoje cedo. e fico
feito de tinta e feio.
2
quem amo o que é que pode
fazer deste retrato?
nem sabê-lo de cor,
nem tê-lo encaixilhado,
nem guardá-lo num livro,
nem rasgá-lo ou queimá-lo,
mas pode pôr-se ao lado
e ter prazer ou pena
por nos achar parecidos
ou não achar. quem amo
não fica desenhado,
fica dentro de mim
e é quando mais me apago
e deixo de me ver
e apenas me confundo,
amador transformado
na própria coisa amada
por muito imaginar.
assim nem john ashberry,
nem o parmegianino,
nem espelho convexo,
nem mesmo auto-retrato.
só uma sombra que é
na sombra de quem amo
provavelmente a minha.
3
quem amo tem cabelos
castanhos e castanhosos
olhos, o nariz
direito, a boca doce.
em mais ninguém conheço
tal porte do pescoço
nem tão esguias mãos
com aro de safira,
nem tanta luz tão húmida
que sai do seu olhar,
nem riso tão contente,
contido e comovente,
nem tão discretos gestos,
nem corpo tão macio
quem amo tem feições
de uma beleza grave
e música na alma
flutua nas volutas
de um madrigal antigo
em ondas de ternura.
é quando eu sinto a musa
pousando no meu ombro
sua cabeça, assim
me enredo horas a fio
e fico a magicar.
Vasco Graça Moura
(mantida a grafia original)
Prémio de Tradução 2007

Vasco Graça Moura vence Prémio de Tradução 2007 do Ministério da Cultura italiano.
Escritor, poeta, cronista, tradutor e eurodeputado, Graça Moura distinguiu-se pela tradução de algumas das principais obras italianas como Divina Comédia e Vita Nuova, de Dante Alighieri, e ainda Rime e Trionfi de Francesco Petrarca.
Escritor, poeta, cronista, tradutor e eurodeputado, Graça Moura distinguiu-se pela tradução de algumas das principais obras italianas como Divina Comédia e Vita Nuova, de Dante Alighieri, e ainda Rime e Trionfi de Francesco Petrarca.
Graça Moura viu, assim, reconhecido o seu trabalho e valorizada a sua vasta e multifacetada obra .
Escola das Artes de Sines

A Câmara Municipal de Sines vai inaugurar, em Abril,na antiga estação dos caminhos-de-ferro, a nova Escola das Artes de Sines, visando no futuro um projecto artístico mais amplo para servir a região em que se integra. A música é o primeiro serviço a avançar, com um trimestre de experiência piloto entre Maio e Julho e o início das actividades curriculares em Setembro. Futuramente, serão desenvolvidas actividades de formação em outras áreas artísticas, nomeadamente a dança, o teatro e as artes plásticas.
Um excelente projecto para o município que vem preencher uma lacuna já há muito identificada e que poderá potenciar o Centro de Artes (CAS).
Amigos de Serralves !!?
Um crítico de Arte escreve, no espaço Amigos de Serralves, o seguinte comentário:
" Lisboa tem inveja do Porto por causa do Museu de Serralves. É um sentimento feio, mas, neste caso compreensível."
in, Serralves/Público nº 19 Abr/Jun 2008, p.12
Será que é com afirmações destas que se conquista público? Que se conquistam amigos de Serralves?
Todos conhecemos as "guerrinhas" existentes entre Lisboa e Porto .
12 abril, 2008
Comme une évidence -
Gd Corps Malade "Comme une évidence"[live]ONPC 05 04 08
Colocado por fullhdReady
En fait, ça fait un moment que se croisent dans ma tête
Des mots et des douceurs qui pourraient faire un texte
Un truc un peu différent, je crois que ça parlerait d'elle
Faut avouer que dans mon quotidien, elle a mis un beau bordel
Mais j'ai un gros souci, j'ai peur que mes potes se marrent
Qu'ils me disent que je m'affiche, qu'ils me traitent de canard
C'est cette pudeur misogyne, croire que la fierté part en fumée
Quand t'ouvres un peu ton coeur, mais moi cette fois je veux assumer
J'ai un autre problème, il est peut-être encore plus lourd
C'est que t'as pas droit à l'erreur quand t'écris un texte d'amour
Moi, les trois prochains couplets, je voudraient que ça soit des bombes
Si j'écris un texte sur elle, je voudrais que ça soit le plus beau du monde
Elle mérite pas un texte moyen, j'ai la pression, ça craint
Fini de faire l'intéressant, avec mes voyages en train
Là c'est loin d'être évident, moi je sais pas comment on fait
Pour décrire ses sentiments, quand on vit avec une fée
Il faut avouer qu'elle a des yeux, ils sont même pas homologués
Des fois ils sont verts, des fois jaunes, je crois même que la nuit ils sont violets
Quand je m'enfonce dans son regard, je perds le la je n'touche plus le sol
Je me perds profondément, et j'oublie exprès ma boussole
Depuis que je la connais, je ressens des trucs hallucinants
Je me dis souvent que j'ai eu de la chance de lui avoir plu, sinon
J'aurais jamai su qu'un rire pouvait arrêter la Terre de tourner
J'aurais jamais su qu'un regard pouvait habiller mes journées
Je comprends pas tout ce qui se passe, y a pleins de trucs incohérents
Depuis qu'elle est là rien n'a changé, mais tout est différent
Elle m'apporte trop de désordre, et tellement de stabilité
Ce que je préfère c'est sa force, mais le mieux c'est sa fragilité
Ce n'est pas un texte de plus, ce n'est pas juste un poème
Parfois elle aime mes mots, mais cette fois c'est elle que mes mots aiment
Je l'ai dans la tête comme une mélodie, alors mes envies dansent
Dans notre histoire rien n'est écrit, mais tout sonne comme une évidence
J'ai redécouvert comme ça réchauffe d'avoir des sentiments
Mais si tu me dis que c'est beaucoup mieux de vivre sans, tu mens
Alors je les mets en mots et tant pis si mes potes me chambrent
Moi je m'en fous, chez moi y a une sirène qui dort dns ma chambre
J'avais une vie de chat sauvage, elle l'a réduite en cendres
J'ai découvert un bonheur tout simple, c'est juste qu'on aime être ensemble
On ne calcule pas les démons du passé, on n'a pas peur d'eux
Moi si un jour j'suis un couple, je voudrais être nous deux
Y a des sourires et des soupires, y a des fou rires à en mourir
On peut s'ouvrir et s'en rougir, déjà se nourrir de nos souvenirs
Les pièges de l'avenir nous attendent, mais on n'a pas peur d'eux
Moi si un jour j'suis un couple, je voudrais être nous deux
Et si c'est vrai que les mots sont la voix de l'émotion
Les miens prennent la parole pour nous montrer sa direction
J'ai quitté le quai pour un train spécial, un TGV palace
On roule à 1000km/h, au dessus de la mer, en première classe
Et si c'est vrai que les mots sont la voix de l'émotion
Les miens prennent la parole pour nous montrer sa direction~
J'ai quitté le quai pour un train spécial, un TGV palace
On roule à 1000km/h, au dessus de la mer, en première classe
Grand Corps Malade
Grand Corps Malade - Du Côté Chance
Colocado por GrandCorpsMalade
Grand Corps Malade (Fabien Marsaud) tornou-se, graças à sua voz, num dos cantores principais da música francesa actual.
É o melhor representante do Slam francês, lançou agora um novo disco - Enfant de la ville. Entre sensibilidade e humor, vai esculpindo as palavras dos seus textos para as servir ritmadas e doces. Por detrás da sua voz, ouve-se a música de um piano e por vezes um pouco de ritmo groovy, mas o verdadeiro encanto das suas canções é mesmo a sua voz profunda, melancólica e cheia de poesia.
Progressivamente, Grand Corps Malade vai-se impondo como o mestre de uma nova poesia urbana e moderna.
Para o conhecer um pouco mais: http://www.grandcorpsmalade.com/accueil.htm
07 abril, 2008
FMM SINES: FESTIVAL MÚSICAS DO MUNDO


Grandes de África no FMM. Quatro dos mais importantes projectos da música africana actual apresentam-se, em Julho, na 10.ª edição do Festival Músicas do Mundo de Sines.
Orchestra Baobab (Senegal), Kasaï Allstars (República Democrática do Congo), Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali) e Juldeh Camara & Justin Adams (Gâmbia / Reino Unido) são os quatro novos nomes confirmados do alinhamento do Festival Músicas do Mundo 2008, o maior evento do género realizado em Portugal, que tem lugar em Sines e Porto Covo entre os dias 17 e 26 de Julho.Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali) é o primeiro grande destaque da programação africana do FMM 2008.
Dia 17 de Julho, Bassekou Kouyaté, antigo músico de Ali Farka Touré, sobe ao palco com o seu quarteto de "ngoni" (tipo de alaúde africano) para um espectáculo de "blues" malianos assente no disco de estreia "Segu Blue", que acaba de ser considerado o melhor de 2007 nos prestigiados prémios BBC Radio 3 Awards for World Music. A banda está também nomeada para melhor do ano na categoria “África”.
Os Kasaï Allstars são o super-grupo da música "trance" congolesa.
Revelados ao mundo no contexto do projecto “Congotronics”, cruzam ritmos de transe nativos com experiências domésticas de amplificação eléctrica de instrumentos tradicionais. Em relação a outros representantes desta estética, distinguem-se pela força visual do seu espectáculo, com o grupo de dançarinos em fatos e pinturas tradicionais a tomar conta do palco desde o primeiro minuto. Actuam dia 23 de Julho.
Um dos discos mais explosivos de 2007, "Soul Science", é trazido a Sines por Juldeh Camara & Justin Adams, nomeados para os prémios de “world music” da BBC Radio 3 na categoria "Cruzamento de culturas". O inglês Justin Adams, guitarrista de Robert Plant, produziu três discos dos Tinariwen e agora junta-se ao gambiano Juldeh Camara (vocalista e mestre do"riti", violino de uma corda tocado por toda a África Ocidental) para uma combinação de rock e afro-blues que vai aquecer a noite de 23 de Julho.
Originária de um dos países musicalmente mais fortes do continente, o Senegal, a Orchestra Baobab é um das bandas pioneiras da pop africana. Fundada em 1970, funde ritmos afro-cubanos, rumba congolesa, “high life” e um amplo leque de ritmos locais. Em 2003, venceu dois prémios BBC Radio 3 (melhor grupo africano e melhor álbum do ano) e recebeu uma nomeação para um Grammy. O concerto de Sines, que terá lugar na noite de 24 de Julho, será baseado no disco lançado no final de 2007, “Made in Dakar”, um dos cinco melhores do ano para a BBC.
O FMM Sines apresentará 38 concertos na sua edição de 2008. Serão distribuídos por quatro palcos: Centro de Artes, Castelo e Avenida Vasco da Gama, na cidade de Sines, e palco de Porto de Covo.
Aguarda-se o resto da programação.
Vídeos de algumas músicas dos artistas convidados em: http://www.fmmblog.blogspot.com/
Mãe (LIVRO + CD)

Depois do sucesso da colecção de audiolivros “Livros para Ouvir”, a 101 Noites lança um novo título para assinalar o Dia da Mãe. O audiolivro Querida Mãe lido pelo actor Filipe Vargas acompanha o livro Mãe – uma antologia literária.
Este livro será lançado no Dia Mundial do Livro, dia 23 de Abril, pelas 19h, no Bairro Alto Hotel.
Querida Mãe reúne cartas de Lord Byron, Edgar Allan Poe, Gogol, Baudelaire, Flaubert, Dostoievski, Tolstoi, Rimbaud, Oscar Wilde, Proust e Fernando Pessoa às suas mães. Estes escritores revelam nesta correspondência as suas angústias e as suas conquistas, disputas e reconciliações, desgostos e alegrias e, acima de tudo, o seu profundo amor filial. Na sua maioria inéditas em português, estas páginas íntimas constituem, graças às biografias que as acompanham, um documento valioso para o conhecimento da vida e obra de alguns dos maiores vultos da literatura mundial. Uma homenagem a todas as mães do mundo.
O livro Mãe – uma antologia literária reúne textos de grandes vultos da literatura nacional e internacional. Uma viagem não só pela escrita de diferentes autores, estilos e épocas, como pela diversidade dos significados que a maternidade pode assumir.De Camões a Florbela Espanca, de Eça de Queirós a António Nobre, de Victor Hugo a Baudelaire, de Oscar Wilde a Proust, de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro, de Marguerite Duras a José Luís Peixoto, os escritores reunidos nesta antologia dão o seu contributo para a criação de um “panegírico mundial” à figura ímpar da Mãe. Porque, sem dúvida, o amor materno é o sentimento mais puro e genuíno e, como disse Balzac, “O coração de uma mãe é como um abismo no fundo do qual encontramos sempre perdão”.
Carlos Ruiz Zafón - El Juego del Ángel

El Juego del Ángel - A la venta el 17 de Abril
Pocas semanas después del anuncio de su publicación en lengua española por parte de Editorial Planeta (17 de abril), El Juego del Ángel de Carlos Ruiz Zafón se ha convertido ya en el acontecimiento editorial del año en todo el mundo.Los contratos para los principales países ya se han cerrado, y prevén lanzamientos de primer orden, con expectativas que constituyen récords. Doubleday publicará la novela en Estados Unidos, Orion lo hará en el Reino Unido, Fischer en Alemania, Mondadori en Italia, Robert Laffont en Francia, Bruna en Holanda y Text en Australia.
Mientras tanto, siguen las negociaciones para el resto de países, que se irán cerrando las próximas semanas. El Juego del Ángel se va a convertir así en el libro estrella de la Feria Internacional de Londres que tendrá lugar la próxima semana. La nueva novela de Carlos Ruiz Zafón será publicada en tantos países como La Sombra del Viento (más de cincuenta). Millones de lectores en todo el mundo han convertido La Sombra del Viento en un libro único y fascinante, un auténtico icono de la nueva literatura, y a Carlos Ruiz Zafón en uno de los autores más leídos y reconocidos en todo el mundo. La Sombra del Viento, publicada por Editorial Planeta en mayo de 2001, lleva vendidos más de 10 millones de ejemplares.
Mientras tanto, siguen las negociaciones para el resto de países, que se irán cerrando las próximas semanas. El Juego del Ángel se va a convertir así en el libro estrella de la Feria Internacional de Londres que tendrá lugar la próxima semana. La nueva novela de Carlos Ruiz Zafón será publicada en tantos países como La Sombra del Viento (más de cincuenta). Millones de lectores en todo el mundo han convertido La Sombra del Viento en un libro único y fascinante, un auténtico icono de la nueva literatura, y a Carlos Ruiz Zafón en uno de los autores más leídos y reconocidos en todo el mundo. La Sombra del Viento, publicada por Editorial Planeta en mayo de 2001, lleva vendidos más de 10 millones de ejemplares.
06 abril, 2008
O Desejo de Pintar

Desgraçado o homem, mas feliz o artista a quem o desejo dilacera. Anseio por pintar aquela que me apareceu de surdina e tão depressa fugiu, como algo belo qu com pena deixa para trás o viajante a mergulhar na noite. Há quanto tempo ela desapareceu!
Ela é bonita, é mais que bonita: ela é surpreendente. Nela o negro prevalece; e tudo o que ela inspira é nocturno e profundo. Os seus olhos são duas grutas onde cintila vagamente o mistério, e o seu olhar ilumina como o relâmpago; é uma explosão nas trevas.
Compará-la-ia a um sol negro, se pudéssemos conceber um astro negro derramando luz e felicidade. Mas ela faz pensar mais na lua, que sem dúvida a marcou com a sua temível influência; não a lua branca dos ídolos, que se parece com uma recém-casada, mas a lua sinistra e inebriante, suspensa lá no fundo duma noite tempestuosa e transtornada pelas nuvens qu correm; não a Lua sossegada e discreta que visita o sono dos homens puros, mas a Lua arrancada do céu, vencida e revoltada, que as feiticeiras tessálicas constrangem duramentea dançar sobre a erva terrificada!
No seu pequeno rosto habitam a vontade tenaz e o amor da presa. No entanto, por baixo dessa face inquietante, onde narinas móveis aspiram o desconhecido e o impossível, rebenta, com uma graça inexprimível, o riso de uma grande e deliciosa boca vermelha e branca, que faz sonhar com o milagre de uma soberba flor, nascida num terreno vulcânico.
Há mulheres que inspiram o desejo de vencer ou de as gozar; mas esta provoca o desejo de morrer lentamente sob o seu olhar.
Charles Baudelaire, Poemas em Prosa
05 abril, 2008
Comboio Nocturno para Lisboa

Editor: Dom Quixote
ISBN: 978-972-20-2983-4
Páginas: 424
Colecção: FICÇÕES
Depois de ter permanecido durante 140 semanas na lista dos livros mais vendidos na Alemanha, com 2,5 milhões de exemplares vendidos e traduzido para 15 línguas, Nachtzug nach Lissabon foi finalmente publicado em português.
"Um sucesso inesperado", segundo o próprio autor, o suíço Peter Bieri, que assina a obra com o pseudónimo literário Pascal Mercier.
Peter Bieri nasceu em Berna em 1944 e actualmente vive na Alemanha. Filho da pequena burguesia, muito cedo decidiu que não queria para ele o tipo de vida que os homens da casa levavam.
A história começa numa manhã chuvosa, uma mulher prepara-se para saltar de uma ponte, em Berna. Raimund Gregorius evita que ela o faça. A mulher depressa desaparece, mas antes escreve um número de telefone na testa deste professor míope, que mais tarde e por acaso, descobre um livro de um autor português, Amadeu Inácio de Almeida Prado, intitulado "Um Ourives das Palavras".
Depois de ter permanecido durante 140 semanas na lista dos livros mais vendidos na Alemanha, com 2,5 milhões de exemplares vendidos e traduzido para 15 línguas, Nachtzug nach Lissabon foi finalmente publicado em português.
"Um sucesso inesperado", segundo o próprio autor, o suíço Peter Bieri, que assina a obra com o pseudónimo literário Pascal Mercier.
Peter Bieri nasceu em Berna em 1944 e actualmente vive na Alemanha. Filho da pequena burguesia, muito cedo decidiu que não queria para ele o tipo de vida que os homens da casa levavam.
A história começa numa manhã chuvosa, uma mulher prepara-se para saltar de uma ponte, em Berna. Raimund Gregorius evita que ela o faça. A mulher depressa desaparece, mas antes escreve um número de telefone na testa deste professor míope, que mais tarde e por acaso, descobre um livro de um autor português, Amadeu Inácio de Almeida Prado, intitulado "Um Ourives das Palavras".
Raimund é, desde há muito tempo, professor de latim e grego, o que já o entusiasma tão pouco como o seu casamento, já em estado de desagregação.
Aprende português e, uma noite, sem conseguir explicar porquê, entra num comboio para Lisboa para descobrir a real história de Amadeu Almeida Prado, médico, que morreu 30 anos antes, em 1975, pouco depois da Revolução dos Cravos, "numa descoberta do outro que acaba por ser uma descoberta de si próprio".
Almeida Prado era filho de um austero juiz, com um sério problema físico, que se suicida durante a ditadura salazarista e que seguiu a carreira de médico por indicação do pai.
Amado pelos pobres que atendia de graça no seu consultório, passa a ser rejeitado pelo povo no dia em que aceita tratar o "Carniceiro de Lisboa", assim conhecido por ser chefe da polícia política.
Amadeu integra a resistência contra o regime de Salazar e morre pouco depois da revolução, aos 50 anos.
Lisboa torna-se para Raimund Gregorius o local de todas as revelações: dos mistérios da vida humana, da coragem, do amor e da morte.
Para além de Lisboa, Coimbra, Almada, Esposende, Viana do Castelo, Galiza e Salamanca são outros lugares percorridos por Raimund nesta viagem de autodescoberta, neste livro sobre a identidade.
Para além de Lisboa, Coimbra, Almada, Esposende, Viana do Castelo, Galiza e Salamanca são outros lugares percorridos por Raimund nesta viagem de autodescoberta, neste livro sobre a identidade.
É um livro excepcional. Que se lê de um fôlego.
Coeurs / Corações de Alain Resnais
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FICHA TÉCNICA
Título: Corações
Título original: Coeurs
Realizador: Alain Resnais
Elenco: Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi, Laura Morante, Isabelle Carré e Claude Rich
Classificação: M/12
Ano: 2006
País: França e Itália
Género: Comédia dramática e Romântico
Cor: Cores
Duração: 120 minutos
Distribuidor: Atalanta Filmes
Thierry (André Dussollier) é um agente imobiliário com dificuldade em encontrar um apartamento para Nicole (Laura Morante) e Dan (Lambert Wilson), um casal de clientes difícil. Na agência, Charlotte (Sabine Azéma), sua colaboradora, empresta-lhe uma cassete de uma emissão de televisão que ela adora, "As canções que mudaram a minha vida", um programa religioso de variedades que perturba fortemente Thierry. A irmã mais nova deste, Gaëlle (Isabelle Carré), procura secretamente o amor, chegando a recorrer a anúncios. Dan, militar de carreira que acabou de ser expulso do exército, passa os seus dias no bar de um novo hotel do 13.º bairro onde confidencia a Lionel (Pierre Arditi), o "barman", as suas aventuras profissionais e sentimentais com Nicole. Para assegurar o bom funcionamento do serviço à noite, Lionel viu-se obrigado a contratar uma assistente para tratar do seu pai, um homem velho, doente e em fúria. O nome dela é Charlotte. É assim que o desenvolvimento de um personagem pode perturbar o destino de um outro sem que para tal o conheça ou o venha sequer a encontrar.
FICHA TÉCNICA
Título: Corações
Título original: Coeurs
Realizador: Alain Resnais
Elenco: Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi, Laura Morante, Isabelle Carré e Claude Rich
Classificação: M/12
Ano: 2006
País: França e Itália
Género: Comédia dramática e Romântico
Cor: Cores
Duração: 120 minutos
Distribuidor: Atalanta Filmes
Tempo 76

4 e 5 de Abril, 21h30, grande Auditório - Culturgest
Criação 2007 de Mathilde Monnier, co-produzida pela Culturgest, Tempo 76 pesquisa uma forma recorrente da história da dança e da música: o uníssono.Forma ainda hoje muito utilizada para finalidades espectaculares em manifestações diversas – paradas militares, desfiles carnavalescos, bailados clássicos, óperas, operetas, espectáculos de revista, espectáculos musicais, etc. – o uníssono tornou-se relativamente tabu para a comunidade da dança contemporânea, tendo perdido a sua glória a favor de uma desconstrução e de uma outra utilização do espaço.Em Tempo 76 Mathilde Monnier aborda-o de modo crítico mas também jubilatório, não apenas como uma forma coreográfica mas também ao serviço de uma geografia espacial, de um espaço a construir e destruir, em que o indivíduo interage com o ambiente e o espaço está em uníssono com o gesto.
Cenografia: Annie Tolleter
Música: György Ligeti
Realização sonora: Olivier Renouf
Luz: Éric Wurtz
Figurinos: Dominique Fabrège
com assistência: de Laurence Alquier
Aconselhamento artístico: Herman Diephuis
Elaboração da partitura: Enora Rivière
Interpretação: Yoann Demichelis, Herman Diephuis, Olivier Normand, Jung-Ae-Kim, Natacha Kouznetsova, Maud le Pladec, I-Fang Lin, Arend Pinoy, Rachid Sayet
Produção: Festival Montpellier Danse 07, Théatre de la Ville – Paris, Festival d’Automne – Paris, Culturgest – Lisboa, Steirischer Herbst – Graz, La Halle aux Grains – Scène Nationale de Blois, Centre Chorégraphique National de Montpellier Languedoc-Roussillon
Criação: Festival Montpellier Danse 07
04 abril, 2008
Luther King (1929-1968)

Martin Luther King ficou famoso por liderar protestos pacíficos contra a segregação, como ficou para sempre memorável o seu conhecido discurso «Eu tenho um sonho/ I have a dream», em Washington em 1963.
«Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais», disse Martin para aproximadamente 250 mil pessoas no Memorial Lincoln.
Em 1964 foi aprovada a lei que acabaria com a segregação racial. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1964.
A 4 de Abril de 1968, Luther King foi assassinado com um tiro, quando saiu à varanda de um motel em Memphis, onde se encontrava para se associar a um protesto de um grupo de trabalhadores do lixo da cidade em greve.
30 março, 2008
Pó dos livros

Para quem aprecia os livros e a leitura e prefere as livrarias de bairro com alma! A Livraria Pó dos Livros fica na av. Marquês de Tomar, nº59 (paralela à 5 de Outubro)em Lisboa.
Trata-se de um espaço agradável onde pode tomar um café e ouvir música ambiente enquanto os olhos absorvem palavras e mais palavras num qualquer livro desejado ou conquistado!
Hier encore
Paroles et Musique:Charles Aznavour
Hier encore
J'avais vingt ans
Je caressais le temps
Et jouais de la vie
Comme on joue de l'amour
Et je vivais la nuit
Sans compter sur mes jours
Qui fuyaient dans le temps
J'ai fait tant de projets
Qui sont restés en l'air
J'ai fondé tant d'espoirs
Qui se sont envolés
Que je reste perdu
Ne sachant où aller
Les yeux cherchant le ciel
Mais le cœur mis en terre
Hier encore
J'avais vingt ans
Je gaspillais le temps
En croyant l'arrêter
Et pour le retenir
Même le devancer
Je n'ai fait que courir
Et me suis essoufflé
Ignorant le passé
Conjuguant au futur
Je précédais de moi
Toute conversation
Et donnais mon avis
Que je voulais le bon
Pour critiquer le monde
Avec désinvolture
Hier encore
J'avais vingt ans
Mais j'ai perdu mon temps
A faire des folies
Qui ne me laissent au fond
Rien de vraiment précis
Que quelques rides au front
Et la peur de l'ennui
Car mes amours sont mortes
Avant que d'exister
Mes amis sont partis
Et ne reviendront pas
Par ma faute j'ai fait
Le vide autour de moi
Et j'ai gâché ma vie
Et mes jeunes années
Du meilleur et du pire
En jetant le meilleur
J'ai figé mes sourires
Et j'ai glacé mes pleurs
Où sont-ils à présent
A présent mes vingt ans?
Madame Butterfly


A Classic Stage apresentou Madame Butterfly da Ekaterinburg Opera, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, nos dias 28 e 29 de Março.
Composição: Giacomo Puccini (1858-1924)
Libreto: Luigi Illica e Giuseppe Giacosa
Ópera em 3 actos, cantada em italiano, baseada no drama de David Belasco
Première no Teatro Scala em Milão, a 17 de Fevereiro de 1904
Sinopse:
A história passa-se em Nagasaki. O Japão era um país quase totalmente isolado do resto do mund, até que por volta de 1870 um presidente americano mandou uma expedição de reconhecimento a Sua Majestade Imperial, cujo intuito era forjar laços de amizade com o Império do Sol nascente. Nas décadas que se seguiram, vários Oficiais da Marinha Americana visitaram o Japão e contraíram casamentos temporários com jovens Japonesas. A história de Cio-Cio-San (Butterfly) portanto, baseia-se em factos reais e descreve as trágicas consequências de um desses casamentos contraídos com leviandade.
Personagens:
Cio-Cio-San - Butterfly, uma Geisha - soprano
Suzuki - criada de Butterfly - mezzo-soprano
B.F. Pinkerton - oficial da marinha dos EUA -tenor
Sharpless - cônsul dos EUA em ngasaki - barítono
Goro - nakodo, agente imobiliário e matrimonial -tenor
Príncipe Yamador - prometido à mão de Cio-Cio-San - barítono
Um bonzo - monge budista, tio de Cio-Cio-San - baixo
Comissário Imperial - baixo
Um notário - barítono
Kate Pinkerton -esposa americana de Pinkerton - mezzo-soprano
23 março, 2008
JE
Qui donc es-tu ? – Je suis La Personne qui Parle !
Celle qu’on nomme JE, et qui, de corps en corps,
De visage en visage et même en toute vie / forme /
A le moment pour acte et ne sait faire qu’Être
Paul Valéry, Cahiers II
Celle qu’on nomme JE, et qui, de corps en corps,
De visage en visage et même en toute vie / forme /
A le moment pour acte et ne sait faire qu’Être
Paul Valéry, Cahiers II
17 março, 2008
Bernard Pivot
Ontem, no programa Câmara Clara, da RTP2, Paula Moura Pinheiro passou uma entrevista que fez a Bernard Pivot, aquando da apresentação do seu livro Dicionário Sentimental do Vinho, editado pela casa das letras. Trata-se de um livro muito interessante para "degustar com muito prazer". Pivot considera que o vinho é cultura e escreveu-o com base nas suas memórias, nas suas leituras e nas suas degustações. "O vinho tem o poder de encher a alma de toda a verdade, do saber, da filosofia" citação de Bossuet, um exemplo dos muitos incluidos no livro.
Pequena alusão para prestar uma singela homenagem a este homem que muito fez pela cultura francesa e que acompanhei, durante uns anos, de bem perto e de há outros (muitos) para cá, à distância, mas sempre com prazer. Programas como Apostrophe, Bouillon de Culture, La dictée d'or e mais recentemente Double Je, ficam na memória de qualquer um sobretudo se serviram de motor de arranque para a paixão dos livros, da leitura, dos autores, da música, da arte ...
Há uma frase de André Gide - "Le sage est celui qui s'étonne de tout" - que o caracteriza, de certa forma, porque sempre procurou coisas novas, surpreendendo-se e surpreendendo os outros.
Coloco um video, retirado do You tube, com a música de apresentação do programa Bouillon de Culture.
Pequena alusão para prestar uma singela homenagem a este homem que muito fez pela cultura francesa e que acompanhei, durante uns anos, de bem perto e de há outros (muitos) para cá, à distância, mas sempre com prazer. Programas como Apostrophe, Bouillon de Culture, La dictée d'or e mais recentemente Double Je, ficam na memória de qualquer um sobretudo se serviram de motor de arranque para a paixão dos livros, da leitura, dos autores, da música, da arte ...
Há uma frase de André Gide - "Le sage est celui qui s'étonne de tout" - que o caracteriza, de certa forma, porque sempre procurou coisas novas, surpreendendo-se e surpreendendo os outros.
Coloco um video, retirado do You tube, com a música de apresentação do programa Bouillon de Culture.
16 março, 2008
Dia da Poesia
Entre as 12 e as 20 e 30 poder-se-á assistir/participar em várias iniciativas: feira do livro, exposições, conferências (15h-Fernando Pinto do Amaral fala de Cesário Verde; 16.30-Osvaldo Silvestre fala de Luís Quintais), projecção de DVD de poetas, recital de poesia com vários autores (entre as 14 e as 16) e para terminar o dia um espectáculo de música e poesia.
(Foto de Pat)
15 março, 2008
Salão do Livro - Paris
14 março, 2008
alla fiera dell'est - Angelo Branduardi
A Sala Magenta

A sala magenta, novo romance de Mário de Carvalho, um dos nomes de referência da novelística portuguesa da actualidade. Advogado de formação, escritor por opção, distinguido com mais de uma dezena de prémios, em Portugal e no Estrangeiro.
É um novo título da colecção "Campo da Palavra", da editorial Caminho.
Fala de gente de aqui e de agora, de gente - nas palavras do autor - "que se equivoca, que sofre, que se apaixona desvairadamente". É "sobre a relação sobremaneira equivocada e frustrante entre homens e mulheres. Sobre o desconsolo. Sobre a tristeza. Sobre todos nós".
Mário de Carvalho nasceu em Lisboa, em 1944. Licenciou-se em Direito, em 1969. O serviço militar foi interrompido por prisão em Caxias e, posteriormente, em Peniche, por actividade política contra a ditadura, ainda nos tempos de estudante. Mais tarde exilou-se em França e na Suécia. Regressa após o 25 de Abril de 1974.
Obras:
Contos da Sétima Esfera (Vega, 1981; 2' Ed. Caminho, 1990);
Casos do Beco das Sardinheiras (Vega, 1982; 2ª ed. Rolim, 1985; 3ª ed. Caminho, 1991);
O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana (Vega, 1982 – Prémio Cidade de Lisboa);
A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho (1ª e 2ª eds. Rolim, 1983, 1984; 3ª e 4ª eds. Caminho, 1992, 1994);
Fabulário (& ETC, 1984);
Contos Soltos (Quatro Elementos Editores 1986);
Era umo vez um Alferes (Rolim, 1ª e 2ª eds. 1984. 1985);
E se tivesse a bondade de me dizer porquê – Em parceria com Clara Pinto Correia, Rolim. 1986; 2ª ed., Relógio d' Água 1996;
A Paixão do Conde de Fróis (Rolim, 1986; Círculo de Leitores, 1987 – Prémio D. Dinis ex aequo; 3ª ed. Caminho, 1991) editado pela Gallimard, Paris, 1992, com o título Le Jeune Homme, La Forteresse et la Mort, tradução de Marie-Hélène Piwnik;
Os Alferes (Ed. Caminho, 1989; Círculo de Leitores, 1990) Gallimard Les Sous Lievtenents, tradução de M.H. Piwnik;
Quatrocentos mil sestércios... (Caminho, 1991) – Grande Prémio do Conto APE; Água em Pena de Pato (teatro, Caminho 1992);
Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde (Caminho 1994) – Grande Prémio A.P.E. do Romance, 3ª Edição; Edição Brasileira: Contraponto, Rio de Janeiro 1995; Prémio Pegasus; Prémio Fernando Namora.
Era Bom que Trocássemos umas ideias sobre o Assunto – Romance 2ª ed. (Caminho, 1995); Fabulário – (Caminho, 1997);
Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina (Caminho, 2003) – Prémio ITF
A Sala Magenta (Caminho, 2008)
08 março, 2008
This flower is a well-known Garden inhabitant. She symbolises “Divine Grace”, a most fortunate vibration. Here the plant is called “Grace” –due to her inner vibration- , scientifically she is known as Hibiscus mutabilus and commonly known as the confederate rose or cotton rose. This beautiful double hibiscus species has amazing flowers. The size of a full grown flower is 6 inches across. The flower blooms only for one day –in colder climates 2 days- and starts in the morning with a beautiful snow white colour and gradually changes into light-pink in midday and at the end of the day it has a purple pinkish flower (like cotton-candy).
Mês da FRANCOFONIA de 6 a 20 de Março
Andorra, Bélgica, Canadá, França, Luxemburgo, Marrocos, Roménia, Senegal, Suiça e Tunísia, celebram em Março a Francofonia com eventos culturais, tendo como prioridade o diálogo intercultural. «Sur tous les continents, la rencontre fécondante de toutes les cultures» Abdou Diouf, Secretário-Geral da Organização Internacional da Francofonia – OIF
De 6 a 20 de Março a Festa da Francofonia estará presente um pouco por todo o país. Em Lisboa no Instituto Franco-Português (ver programa abaixo), no Porto e em Coimbra, e ainda em muitas escolas e universidades portuguesas com conferências, filmes, exposições e concursos dirigidos aos alunos e professores de francês.
O programa tem a sua maior extensão em Lisboa a partir do dia 7 de Março e até ao dia 19, encerrando com um passeio gastronómico. O Instituto Franco-Português é o epicentro mas haverá incursões noutros locais da cidade como o espaço Zé dos Bois e o Palácio das Necessidades.
Consultar o programa em: http://www.ifp-lisboa.com/
03 março, 2008
Maria Gabriela Llansol 1931-2008

Maria Gabriela Llansol, de ascendência espanhola, é considerada uma das mais inovadoras escritoras da ficção portuguesa contemporânea.
Maria Gabriela Llansol nasceu em Campo de Ourique, a 24 de Novembro de 1931. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas e em 1965 exilou-se na Bélgica durante 20 anos. Foi neste país que escreveu aquela que é considerada uma das suas mais importantes obras: «O livro das Comunidades», de 1977.
Quando regressou a Portugal, nos anos 1980, foi viver para Sintra, onde por opção se isolou.
Entre as distinções contam-se, por duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1990 («Um beijo dado mais tarde») e em 2006 («Amigo e Amiga»).
Maria Gabriela Llansol dedicou-se ainda à tradução de autores como Rilke, Rimbaud, Baudelaire e Paul Éluard.
Além de «Amigo e Amiga», «Amar um Cão» é uma das mais recentes obras, que a Assírio & Alvim acaba de lançar, e que inclui desenhos de Augusto Joaquim, marido da escritora, recentemente falecido.
A obra de Maria Gabriela Llansol inspirou recentemente um espectáculo de dança e cinema, intitulado «Curso de Silêncio», uma criação conjunta do realizador Miguel Gonçalves Mendes e da coreógrafa Vera Mantero. Maria Gabriela Llansol deixa o seu espólio à Associação de Estudos Llansolianos, que desde 2006 tem estado a digitalizar e transcrever os cerca de 70 cadernos de diários e outros manuscritos escritos.
(Fotografia de Álvaro Rosendo)
in, TSF Online
01 março, 2008
Incitação à Fuga
tem os braços esticados, dorme
como as antigas bonecas de porcelana, os braços ancorados
em todos os ventos
todas as seivas escorrendo, dorme
os misteriosos olhos de vidro sempre abertos, perturbam
dorme a fingir o sono
num plano recuado do sonho erguem-se os brinquedos de areia
ele estica os braços, mas não consegue o abraço das margens do rio
talhado à faca
há sempre um rio no fundo de cada sonho
uma planície líquida por detrás de cada retrato
depois, ele feneceu ao anoitecer
porque é a essa hora que morrem as árvores, e surgem as dádivas
da água na carne dos cactos
refulgem corações escavados no cimento das casas
um cipreste entristecido sobe, perfuma o espaço com seu pólen
resplandecente
ele dorme, como um presságio os pássaros marítimos pressentiam-se
nas fendas do sono
na fuga cantante dosaquáticos pulsos.
Dispersos de Milfontes 1978/79, in O Medo - Al Berto
como as antigas bonecas de porcelana, os braços ancorados
em todos os ventos
todas as seivas escorrendo, dorme
os misteriosos olhos de vidro sempre abertos, perturbam
dorme a fingir o sono
num plano recuado do sonho erguem-se os brinquedos de areia
ele estica os braços, mas não consegue o abraço das margens do rio
talhado à faca
há sempre um rio no fundo de cada sonho
uma planície líquida por detrás de cada retrato
depois, ele feneceu ao anoitecer
porque é a essa hora que morrem as árvores, e surgem as dádivas
da água na carne dos cactos
refulgem corações escavados no cimento das casas
um cipreste entristecido sobe, perfuma o espaço com seu pólen
resplandecente
ele dorme, como um presságio os pássaros marítimos pressentiam-se
nas fendas do sono
na fuga cantante dosaquáticos pulsos.
Dispersos de Milfontes 1978/79, in O Medo - Al Berto
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