14 março, 2008

alla fiera dell'est - Angelo Branduardi



Uma extraordinária descoberta. Para quem goste deste tipo de música. Mistura de sonoridades celtas e medievais. Este disco versa sobretudo sobre o mundo animal , as letras, na sua maioria, são fábulas.



A Sala Magenta


A sala magenta, novo romance de Mário de Carvalho, um dos nomes de referência da novelística portuguesa da actualidade. Advogado de formação, escritor por opção, distinguido com mais de uma dezena de prémios, em Portugal e no Estrangeiro.

É um novo título da colecção "Campo da Palavra", da editorial Caminho.

Fala de gente de aqui e de agora, de gente - nas palavras do autor - "que se equivoca, que sofre, que se apaixona desvairadamente". É "sobre a relação sobremaneira equivocada e frustrante entre homens e mulheres. Sobre o desconsolo. Sobre a tristeza. Sobre todos nós".


Mário de Carvalho nasceu em Lisboa, em 1944. Licenciou-se em Direito, em 1969. O serviço militar foi interrompido por prisão em Caxias e, posteriormente, em Peniche, por actividade política contra a ditadura, ainda nos tempos de estudante. Mais tarde exilou-se em França e na Suécia. Regressa após o 25 de Abril de 1974.


Obras:

Contos da Sétima Esfera (Vega, 1981; 2' Ed. Caminho, 1990);

Casos do Beco das Sardinheiras (Vega, 1982; 2ª ed. Rolim, 1985; 3ª ed. Caminho, 1991);

O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana (Vega, 1982 – Prémio Cidade de Lisboa);

A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho (1ª e 2ª eds. Rolim, 1983, 1984; 3ª e 4ª eds. Caminho, 1992, 1994);

Fabulário (& ETC, 1984);

Contos Soltos (Quatro Elementos Editores 1986);

Era umo vez um Alferes (Rolim, 1ª e 2ª eds. 1984. 1985);

E se tivesse a bondade de me dizer porquê – Em parceria com Clara Pinto Correia, Rolim. 1986; 2ª ed., Relógio d' Água 1996;

A Paixão do Conde de Fróis (Rolim, 1986; Círculo de Leitores, 1987 – Prémio D. Dinis ex aequo; 3ª ed. Caminho, 1991) editado pela Gallimard, Paris, 1992, com o título Le Jeune Homme, La Forteresse et la Mort, tradução de Marie-Hélène Piwnik;

Os Alferes (Ed. Caminho, 1989; Círculo de Leitores, 1990) Gallimard Les Sous Lievtenents, tradução de M.H. Piwnik;

Quatrocentos mil sestércios... (Caminho, 1991) – Grande Prémio do Conto APE; Água em Pena de Pato (teatro, Caminho 1992);

Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde (Caminho 1994) – Grande Prémio A.P.E. do Romance, 3ª Edição; Edição Brasileira: Contraponto, Rio de Janeiro 1995; Prémio Pegasus; Prémio Fernando Namora.

Era Bom que Trocássemos umas ideias sobre o Assunto – Romance 2ª ed. (Caminho, 1995); Fabulário – (Caminho, 1997);

Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina (Caminho, 2003) – Prémio ITF

A Sala Magenta (Caminho, 2008)

08 março, 2008

This flower is a well-known Garden inhabitant. She symbolises “Divine Grace”, a most fortunate vibration. Here the plant is called “Grace” –due to her inner vibration- , scientifically she is known as Hibiscus mutabilus and commonly known as the confederate rose or cotton rose. This beautiful double hibiscus species has amazing flowers. The size of a full grown flower is 6 inches across. The flower blooms only for one day –in colder climates 2 days- and starts in the morning with a beautiful snow white colour and gradually changes into light-pink in midday and at the end of the day it has a purple pinkish flower (like cotton-candy).

Mês da FRANCOFONIA de 6 a 20 de Março

Andorra, Bélgica, Canadá, França, Luxemburgo, Marrocos, Roménia, Senegal, Suiça e Tunísia, celebram em Março a Francofonia com eventos culturais, tendo como prioridade o diálogo intercultural.

«Sur tous les continents, la rencontre fécondante de toutes les cultures» Abdou Diouf, Secretário-Geral da Organização Internacional da Francofonia – OIF

De 6 a 20 de Março a Festa da Francofonia estará presente um pouco por todo o país. Em Lisboa no Instituto Franco-Português (ver programa abaixo), no Porto e em Coimbra, e ainda em muitas escolas e universidades portuguesas com conferências, filmes, exposições e concursos dirigidos aos alunos e professores de francês.

O programa tem a sua maior extensão em Lisboa a partir do dia 7 de Março e até ao dia 19, encerrando com um passeio gastronómico. O Instituto Franco-Português é o epicentro mas haverá incursões noutros locais da cidade como o espaço Zé dos Bois e o Palácio das Necessidades.

Consultar o programa em: http://www.ifp-lisboa.com/

03 março, 2008

Maria Gabriela Llansol 1931-2008



A escritora Maria Gabriela Llansol, autora de «Lisboaleipzig», faleceu esta segunda-feira aos 76 anos, na sua casa em Sintra.

Maria Gabriela Llansol, de ascendência espanhola, é considerada uma das mais inovadoras escritoras da ficção portuguesa contemporânea.

Maria Gabriela Llansol nasceu em Campo de Ourique, a 24 de Novembro de 1931. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas e em 1965 exilou-se na Bélgica durante 20 anos. Foi neste país que escreveu aquela que é considerada uma das suas mais importantes obras: «O livro das Comunidades», de 1977.

Quando regressou a Portugal, nos anos 1980, foi viver para Sintra, onde por opção se isolou.

Entre as distinções contam-se, por duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1990 («Um beijo dado mais tarde») e em 2006 («Amigo e Amiga»).

Maria Gabriela Llansol dedicou-se ainda à tradução de autores como Rilke, Rimbaud, Baudelaire e Paul Éluard.


Além de «Amigo e Amiga», «Amar um Cão» é uma das mais recentes obras, que a Assírio & Alvim acaba de lançar, e que inclui desenhos de Augusto Joaquim, marido da escritora, recentemente falecido.

A obra de Maria Gabriela Llansol inspirou recentemente um espectáculo de dança e cinema, intitulado «Curso de Silêncio», uma criação conjunta do realizador Miguel Gonçalves Mendes e da coreógrafa Vera Mantero. Maria Gabriela Llansol deixa o seu espólio à Associação de Estudos Llansolianos, que desde 2006 tem estado a digitalizar e transcrever os cerca de 70 cadernos de diários e outros manuscritos escritos.

(Fotografia de Álvaro Rosendo)

in, TSF Online

01 março, 2008

Incitação à Fuga

tem os braços esticados, dorme
como as antigas bonecas de porcelana, os braços ancorados
em todos os ventos
todas as seivas escorrendo, dorme
os misteriosos olhos de vidro sempre abertos, perturbam
dorme a fingir o sono

num plano recuado do sonho erguem-se os brinquedos de areia
ele estica os braços, mas não consegue o abraço das margens do rio
talhado à faca
há sempre um rio no fundo de cada sonho
uma planície líquida por detrás de cada retrato
depois, ele feneceu ao anoitecer
porque é a essa hora que morrem as árvores, e surgem as dádivas
da água na carne dos cactos
refulgem corações escavados no cimento das casas

um cipreste entristecido sobe, perfuma o espaço com seu pólen
resplandecente
ele dorme, como um presságio os pássaros marítimos pressentiam-se
nas fendas do sono
na fuga cantante dosaquáticos pulsos.

Dispersos de Milfontes 1978/79, in O Medo - Al Berto



29 fevereiro, 2008

Ratatouille - Filme de animação


O rato parisiense com paladar apurado provou um Óscar!

Rémy, o jovem rato sonha tornar-se num grande chefe cozinheiro francês. Para isso está pronto para enfrentar tudo e todos...

Elenco: Brad Garrett, Janeane Garofalo, John Ratzenberger, Ian Holm, Patton Oswalt, Brian Dennehy

Realizador:
Brad Bird

Duração: 01:50:00

Site oficial:
http://www.disney.fr/FilmsDisney/ratatouille/

Estreia: 1.août.2007

La Môme


A singular existência de Edith Piaf, da sua infância à glória, das vitórias às feridas, de Belleville a Nova Yorque. A alma de uma grande artista: intima , intensa e frágil esta excepcionalmente representada por Marion Cotillard.


Elenco:
Gérard Depardieu, Sylvie Testud, Jean-Paul Rouve, Marion Cotillard, Clotilde Courau

Realizador:
Olivier Dahan

Duração:02:20:00

Site oficial:
http://www.lamome-lefilm.com

Estreia:14.février.2007

25 fevereiro, 2008

Marion Cotillard - Óscar de Melhor Actriz em "Piaf - Um Hino ao Amor" (2007).


Marion Cotillard , nasceu em Paris, a 30/09/1975.


Com 32 anos de idade, Marion Cotillard, ganha no mesmo ano e com o mesmo filme - La Môme -o Óscar e o César de Melhor Actriz .


Filmografia

2007 -Piaf - Um hino ao amor (La môme)
2006 -Um bom ano (A good year)
2006 - Fair play
2006 - Dikkenek
2006 - Toi et moi
2005 - Caixa preta (La boîte noire)
2005 - Sauf le respect que je vous dois
2005 - Maria (Mary)
2005 - Ma vie en l'air
2005 - Edy
2005 - Cavalcade
2004 -Eterno amor (Un long dimanche de fiançailles)
2004 - Innocence
2003 - Peixe Grande e suas histórias maravilhosas (Big Fish)
2003 - Jeux d'enfants
2003 - Táxi 3 (Taxi 3)
2002 - Une affaire privée
2001 - Les jolies choises
2001 - Une femme piégée (TV)
2001 - Lisa
2001 - Boomer (curta-metragem)
2001 - Heureuse (curta-metragem)
2000 - Táxi 2 (Taxi 2)
2000 - Le marquis (curta-metragem)
2000 - Quelques jours de trop (curta-metragem)
1999 - Du bleu jusqu'en Amérique
1999 - L'appel de la cave (curta-metragem)
1999 - Furia
1999 - La guerre dans le Haut Pays
1998 - Interdit de viellir (TV)
1998- Táxi - Velocidade nas ruas (Taxi)
1996 - La mouette (curta-metragem)
1996 - La belle verte
1996 - Chloé (TV)
1996 - Comment je me suis disputé... (ma vie sexuelle)
1995 - Snuff movie (curta-metragem)
1994 - L'historie du garçon qui voulait qu'on l'embrasse

23 fevereiro, 2008

César 2008



Ontem, o júri presidido por Jean Rochefort recompensou os melhores filmes, actores e realizadores. Alguns Césars de consagração foram atribuídos a Jeanne Moreau, que acabou de festejar as suas 80 primaveras e os seus 60 anos de carreira, e a Roberto Begnini - César d'honneur .

Eis a lista dos filmes nomeados e recompensados, por categoria:

Melhor filme francês : La Graine et le mulet de Abdellatif Kechiche

La Môme de Olivier Dahan
Le Scaphandre et le Papillon de Julian Schnabel
Persepolis de Vincent Paronnaud et Marjane Satrapi
Un secret de Claude Miller

Melhor realizador: Abdellatif Kechiche pour La Graine et le mulet

Olivier Dahan em La Môme
Julian Schnabel em Le Scaphandre et le Papillon
André Téchiné em Les Témoins
Claude Miller em Un secret

Melhor actriz: Marion Cotillard em La Môme

Isabelle Carré em Anna M.
Marina Foïs em Darling
Marion Cotillard em La Môme
Catherine Frot em Odette Toulemonde
Cécile de France em Un secret

Melhor actriz secundária: Julie Depardieu em Un secret

Noémie Lvovsky em Actrices
Bulle Ogier em Faut que ça danse !
Sylvie Testud em La Môme
Julie Depardieu em Un secret
Ludivine Sagnier em Un secret

Melhor filme estrangeiro: La Vie des autres de Florian Henckel von Donnersmarck

4 mois, 3 semaines, 2 jours de Cristian Mungiu
De l'autre côté de Fatih Akin
La Nuit nous appartient de James Gray
Les Promesses de l'ombre de David Cronenberg

Melhor filme documentário: L'Avocat de la terreur de Barbet Schroeder

Le Premier cri de Gilles de Maistre
Les Animaux amoureux de Laurent Charbonnier
Les LIP, l'imagination au pouvoir de Fabrice Rouaud
Retour en Normandie de Nicolas Philibert

Melhor actor: Mathieu Amalric dansLe Scaphandre et le Papillon

Vincent Lindon em Ceux qui restent
Jean-Pierre Darroussin em Dialogue avec mon jardinier
Jean-Pierre Marielle em Faut que ça danse !
Michel Blanc emLes Témoins

Melhor actor secundário: Sami Bouajila emLes Témoins

Laurent Stocker em Ensemble, c'est tout
Pascal Greggory em La Môme
Michael Lonsdale em La Question humaine
Sami Bouajila em Les Témoins
Fabrice Luchini em Molière

O Gosto "à Grega" - Nascimento do Neoclassicismo em França


Esta exposição, iniciativa conjunta do Museu do Louvre, do Património Nacional de Espanha e da Fundação Calouste Gulbenkian, está patente em Lisboa, até ao dia 4 de Maio, na Sala de Exposições Temporárias.


Ver a apresentação em: www.expresso.pt/fotogalerias


18 fevereiro, 2008

Morreu Alain Robbe-Grillet (1922-2008)



Alain Robbe-Grillet, engenheiro agrónomo, escritor e cineasta, nasceu a 18 de Agosto 1922, em Brest.

Considerado como o precursor do "nouveau roman", movimento literário que há meio século renovou a literatura francesa, morreu hoje, aos 85 anos, vítima de doença cardíaca. A morte do autor foi comunicada pela Academia Francesa, da qual fazia parte desde 2004.


O livro Les Gommes, de 1953, é considerado o primeiro exemplo desse novo movimento de renovação do romance.
Além de Robbe-Grillet, dessa nova escola faziam ainda parte nomes como Claude Simon, Marguerite Duras e Nathalie Sarraute.


Bibliografia:


Un Régicide, Éd. de Minuit, 1949 (publicado em 1978).
Les Gommes, Éd. de Minuit, 1953.
Le Voyeur, Éd. de Minuit, 1955.
La Jalousie, Éd. de Minuit, 1957.
Dans le labyrinthe, Éd. de Minuit, 1959.
L'Année dernière à Marienbad (AM), Éd. de Minuit, 1961.
Instantanés, Éd. de Minuit, 1962.
L'Immortelle, Éd. de Minuit, coll. « 10/18 », 1963.
Pour un nouveau roman, Éd. de Minuit, 1963.
La Maison de rendez-vous, Éd. de Minuit, 1965.
Projet pour une révolution de New York, Éd. de Minuit, 1970.
Glissements progressifs du plaisir, Éd. de Minuit, 1974.
Topologie d'une cité fantôme, Éd. de Minuit, 1976.
Souvenirs du triangle d'or, Éd. de Minuit, 1978.
Djinn, Éd. de Minuit, 1981.
Le Miroir qui revient, Éd. de Minuit, 1984.
Angélique ou l'enchantement (A), Éd. de Minuit, 1987.
Les Derniers jours de Corinthe, Éd. de Minuit, 1994.
La Belle captive, ilustrado por quadros de René Magritte, Cosmos Textes, Bruxelles, 1975.
Temple aux miroirs, Seghers, 1977 (photografies de Irina Ionesco).
Le Rendez-vous, Holt, Rinehart et Winston, New York, 1981 (em colaboração com Yvonne Lenard).
Filmografia:


L'Année dernière à Marienbad, 1961 (realizador Alain Resnais).
L'Immortelle, 1963.
Trans-Europe-Express, 1966.
L'Homme qui ment, 1968.
L'Éden et après, 1971.
N. a Pris les dés, 1972.
Glissements progressifs du plaisir, 1974.
Le Jeu avec le feu, 1975.
La Belle captive, 1982.
Un Bruit qui rend fou, 1995.

Ruy Duarte de Carvalho é o vencedor do Prémio do 9º Correntes d'Escrita




O escritor angolano Ruy Duarte de Carvalho é o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído no âmbito do encontro de escritores de expressão ibérica Correntes d'Escritas, com o romance Desmedida (Cotovia).

Ruy Duarte de Carvalho é um angolano por naturalização. Nasceu em Santarém, em 1941. Passou a infância na Província do Namibe cuja paisagem, espaços físicos e sociais ocupam ainda hoje um lugar privilegiado nas suas actividades de escritor e investigador em antropologia. É Antropólogo doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales,Paris.

Foi laureado com o Prémio Nacional de Literatura em 1988.
Exerceu a actividade de Professor da Universidade de Luanda e foi Professor Convidado na Universidade de Coimbra (Portugal) e na Universidade de São Paulo (Brasil). Estudou cinema em Londres e realizou inúmeras horas de cinema directo filmado entre populações do sul de Angola.

A sua estreia literária ocorre em 1972, quando arrebatando o Prémio Mota Veiga, publica Chão de Oferta, o seu primeiro livro de poesia.

A sua produção é variada, cobrindo a poesia, a ficção narrativa, o ensaio e o cinema.

Depois de 1972, publicou:

A Decisão da Idade (poesia, 1976);
Como se o Mundo não Tivesse Leste (ficção narrativa,1977);
Exercícios de Crueldade (poesia,1978);
Sinais Misteriosos…Já se Vê…(poesia,1979);
Ondula Svana Branca (poesia,1982);
O Camarada e a Câmara (ensaio, 1984);
Lavra Paralela (poesia,1987);
Hábito da Terra (poesia,1988);
Ordem de Esquecimento
(poesia,1997);
A Câmara, a Escrita e a Coisa Dita, (ensaio, 1997);
Aviso à Navegação (ensaio,1997);
Vou lá Visitar Pastores (ficção narrativa);
Observação Directa (poesia, 2000);
E acaba de publicar Lavra Reiterada, uma antologia de textos extraídos de livros anteriores, nomedamente Exercícios de Crueldade e Ordem de Esquecimento (poesia, 2000), Os Pepeis do Inglês(ficção, 2000).

11 fevereiro, 2008

Também para o 14 de Fevereiro _


                                 Robert Doisneau - Les amoureux aux poireaux - Paris -1950




Para o 14 de Fevereiro


“Photographier : c’est retenir son souffle quand toutes nos facultés convergent pour capter la réalité fuyante ; c’est alors que la saisie d’une image est une grande joie physique et intellectuelle.”


Henri Cartier-Bresson

07 fevereiro, 2008

Charles Aznavour - Lisboa 23Fev

La bohème - Canção popular do repertório de Aznavour.

Aqui fica como aperitivo para o concerto no Pavilhão Atlântico
O vídeo foi publicado no Youtube por CafeDaria


La Bohème - Charles Aznavour

Je vous parle d'un temps
Que les moins de vingt ans
Ne peuvent pas connaître
Montmartre en ce temps-là
Accrochait ses lilas
Jusque sous nos fenêtres
Et si l'humble garni
Qui nous servait de nid
Ne payait pas de mine
C'est là qu'on s'est connu
Moi qui criait famine
Et toi qui posais nue

La bohème, la bohème
Ça voulait dire on est heureux
La bohème, la bohème
Nous ne mangions qu'un jour sur deux

Dans les cafés voisins
Nous étions quelques-uns
Qui attendions la gloire
Et bien que miséreux
Avec le ventre creux
Nous ne cessions d'y croire
Et quand quelque bistro
Contre un bon repas chaud
Nous prenait une toile
Nous récitions des vers
Groupés autour du poêle
En oubliant l'hiver

La bohème, la bohème
Ça voulait dire tu es jolie
La bohème, la bohème
Et nous avions tous du génie

Souvent il m'arrivait
Devant mon chevalet
De passer des nuits blanches
Retouchant le dessin
De la ligne d'un sein
Du galbe d'une hanche
Et ce n'est qu'au matin
Qu'on s'asseyait enfin
Devant un café-crème
Epuisés mais ravis
Fallait-il que l'on s'aime
Et qu'on aime la vie

La bohème, la bohème
Ça voulait dire on a vingt ans
La bohème, la bohème
Et nous vivions de l'air du temps

Quand au hasard des jours
Je m'en vais faire un tour
A mon ancienne adresse
Je ne reconnais plus
Ni les murs, ni les rues
Qui ont vu ma jeunesse
En haut d'un escalier
Je cherche l'atelier
Dont plus rien ne subsiste
Dans son nouveau décor
Montmartre semble triste
Et les lilas sont morts

La bohème, la bohème
On était jeunes, on était fous
La bohème, la bohème
Ça ne veut plus rien dire du tout

Paroles: Jacques Plante. Musique: Charles Aznavour 1965 "Monsieur Carnaval"
© Editions Djanik

06 fevereiro, 2008

António Vieira

O céu 'strela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e à glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.

No imenso espaço do seu meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge,prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não,não é luar:é luz do etéreo.
É um dia;e,no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.

Fernando Pessoa, in Mensagem

Nasceu há 400 anos


Padre António Vieira – figura extraordinária da nossa História, mas também cidadão do mundo – nasceu há exactamente 400 anos, no dia 6 de Fevereiro. Missionário, pregador, político, defensor dos judeus, dos pobres, dos escravos. Foi perseguido pela Inquisição e venceu-a. Escreveu obras-primas que, quatro séculos depois, continuam a surpreender pela sua actualidade.

11 janeiro, 2008

Al Berto - 60 anos

Encontrei, por acaso, este video no You tube. O seu autor é joaotiagokk.
E como hoje, é dia de aniversário do Al Berto (ele permanecerá, para sempre, vivo através das suas obras) decidi colocá-lo neste espaço para celebrar Al Berto.


05 janeiro, 2008

XX Le Masque

illustration de Ulrich Mertens


Statue allégorique dans le goût de la Renaissance
A Ernest Christophe, statuaire.



Contemplons ce trésor de grâces florentines;
Dans l'ondulation de ce corps musculeux
L'Elégance et la Force abondent, soeurs divines.
Cette femme, morceau vraiment miraculeux,
Divinement robuste, adorablement mince,
Est faite pour trôner sur des lits somptueux
Et charmer les loisirs d'un pontife ou d'un prince.


- Aussi, vois ce souris fin et voluptueux
Où la Fatuité promène son extase;
Ce long regard sournois, langoureux et moqueur;
Ce visage mignard, tout encadré de gaze,
Dont chaque trait nous dit avec un air vainqueur:
"La Volupté m'appelle et l'Amour me couronne!
"A cet être doué de tant de majesté
Vois quel charme excitant la gentillesse donne!
Approchons, et tournons autour de sa beauté.


O blasphème de l'art! ô surprise fatale!
La femme au corps divin, promettant le bonheur,
Par le haut se termine en monstre bicéphale!


- Mais non! ce n'est qu'un masque, un décor suborneur,
Ce visage éclairé d'une exquise grimace,
Et, regarde, voici, crispée atrocement,
La véritable tête, et la sincère face
Renversée à l'abri de la face qui ment
Pauvre grande beauté! le magnifique fleuve
De tes pleurs aboutit dans mon coeur soucieux
Ton mensonge m'enivre, et mon âme s'abreuve
Aux flots que la Douleur fait jaillir de tes yeux!


- Mais pourquoi pleure-t-elle? Elle, beauté parfaite,
Qui mettrait à ses pieds le genre humain vaincu,
Quel mal mystérieux ronge son flanc d'athlète?


- Elle pleure insensé, parce qu'elle a vécu!
Et parce qu'elle vit! Mais ce qu'elle déplore
Surtout, ce qui la fait frémir jusqu'aux genoux,
C'est que demain, hélas! il faudra vivre encore!
Demain. après-demain et toujours! - comme nous!



Baudelaire, Les Fleurs du Mal

Les Fleurs du Mal



AU LECTEUR


La sottise, l'erreur, le péché, la lésine,
Occupent nos esprits et travaillent nos corps,
Et nous alimentons nos aimables remords,
Comme les mendiants nourrissent leur vermine.


Nos péchés sont têtus, nos repentirs sont lâches;
Nous nous faisons payer grassement nos aveux,
Et nous rentrons gaiement dans le chemin bourbeux,
Croyant par de vils pleurs laver toutes nos taches.


Sur l'oreiller du mal c'est Satan Trismégiste
Qui berce longuement notre esprit enchanté,
Et le riche métal de notre volonté
Est tout vaporisé par ce savant chimiste.


C'est le Diable qui tient les fils qui nous remuent!
Aux objets répugnants nous trouvons des appas;
Chaque jour vers l'Enfer nous descendons d'un pas,
Sans horreur, à travers des ténèbres qui puent.


Ainsi qu'un débauché pauvre qui baise et mange
Le sein martyrisé d'une antique catin,
Nous volons au passage un plaisir clandestin
Que nous pressons bien fort comme une vieille orange.


Serré, fourmillant, comme un million d'helminthes,
Dans nos cerveaux ribote un peuple de Démons,
Et, quand nous respirons, la Mort dans nos poumons
Descend, fleuve invisible, avec de sourdes plaintes.


Si le viol, le poison, le poignard, l'incendie,
N'ont pas encore brodé de leurs plaisants dessins
Le canevas banal de nos piteux destins,
C'est que notre âme, hélas ! n'est pas assez hardie.


Mais parmi les chacals, les panthères, les lices,
Les singes, les scorpions, les vautours, les serpents,
Les monstres glapissants, hurlants, grognants, rampants,
Dans la ménagerie infâme de nos vices,


Il en est un plus laid, plus méchant, plus immonde!
Quoiqu'il ne pousse ni grands gestes ni grands cris,
Il ferait volontiers de la terre un débris
Et dans un bâillement avalerait le monde;


C'est l'Ennui ! – l'œil chargé d'un pleur involontaire,
Il rêve d'échafauds en fumant son houka.
Tu le connais, lecteur, ce monstre délicat,
– Hypocrite lecteur, – mon semblable, – mon frère !

26 novembro, 2007

A Luz da Madrugada


Trata-se do novo livro de poesia de Fernando Pinto do Amaral, editado pela D. Quixote

A ler!

Deixo aqui um poema ...



Alentejo

Regressa devagar à luz da tarde,
ao voo de uma cegonha que se entrega
ao azul. Também tu
quiseste acreditar no coração,
no fogo que alimenta as suas leis,
nessa comédia quase inofensiva
das relações humanas.

Regressa devagar a esta luz
e esquece-te de tudo: das palavras
que alguém te segredou de madrugada;
das notícias que lês no teu jornal,
das cotações, das fotos, das mensagens
que hibernam no telefone desligado.
Esquece acima de tudo
esse disco riscado de mil frases
mil vezes repetidas a que chamam
poesia.

Regressa devagar à planície
e ama a sua luz, as suas sombras:
ignora os disfarcs do destino,
o rasto das estrelas. o seu rosto
de febres e cansaços;
e aceita com um olhar esse perdão
que as aves te concedem por estares vivo.

in A Luz da Madrugada

22 outubro, 2007

Idades Cidades Divindades

Trata-se do novo livro de poesia de Mia Couto, publicado pela Caminho.

Transcrevo um poema (escolha arbitrária) para aguçar o apetite.

Sementes


Olhos,
vale tê-los,
se, de quando em quando,
somos cegos
e o que vemos não é o que olhamos
mas o que o olhar semeia no mais denso escuro.

Vida
vale vivê-la
se, de quando em quando,
morremos
e o que vivemos
não é o que a vida nos dá
nem o que dela colhemos
mas o que semeamos em pleno deserto.

Maputo, 2004

09 agosto, 2007

Degredo no Sul


A Associação dos Municípios do Baixo Alentejo e do Alentejo Litoral, através do jornal Diário do Alentejo, a Assírio & Alvim, a Longitude Zero Associação e o Centro Cultural Emmerico Nunes sentiram necessidade de homenagear Al Berto, por ocasião dos dez anos da sua morte. Sentiram urgência em celebrar o poeta refixando as suas próprias palavras. Sentiram, afinal, precisão de regressar. De regressar ao mar, tornando ao sudoeste, ao mar de leva, seguindo os desertos e as cidades e anotando no jornal desta breve viagem algumas geografias assumidas por Al Berto. Ao Sul. No Alentejo.