Texto e fotografias publicadas no Facebook (13.01.2026) pela BNP
Al Berto (Alberto Raposo Pidwell Tavares) nasceu em Coimbra, a 11 de janeiro de 1948. Passou a juventude em Sines. Frequentou diversos cursos de Artes Plásticas, quer em Portugal quer em Bruxelas, onde se exilou em 1967. Foi lá que fundou, em 1969, a Associação Internacional Monfaucon Research Center, um coletivo cujo propósito era questionar as normas sociopolíticas da época e fomentar mudanças através da produção cultural. Em 1971 abandona a pintura e dedica-se exclusivamente à literatura, estreando-se com À Procura do Vento num Jardim d’Agosto (1977), a que se segue Lunário (1988), O Anjo Mudo (1993) e Horto de Incêndio (1997). Em 1988 foi distinguido com o Prémio Pen Club de Poesia pela obra O Medo (1987), que reúne a obra poética publicada até à data da sua primeira edição.
O espólio de Al Berto (BNP Esp. E49, 45 caixas) inclui manuscritos, correspondência, documentos biográficos e alguns exemplares da obra impressa em diferentes línguas. Entre os manuscritos, encontramos um caderno com a primeira versão de Lunário (E49/Cx.28). São 187 folhas paginadas e carimbadas com o nome do autor. A primeira folha apresenta o título e as datas de produção (1986/1987), bem como uma epígrafe retirada da obra de Marguerite Yourcenar O tempo, esse grande escultor («Não se possui ninguém (mesmo os que pecam não o conseguem) e, sendo a arte a única forma de posse verdadeira, o que importa é recriar um ser e não prendê-lo. […] Só se possuem eternamente os amigos de quem nos separamos»), posteriormente substituída por uma citação de Hector Bianciotti (L’amour n’est pas aimé).
Lunário, obra devedora das deambulações europeias do autor, acompanha Beno (que partilha o aniversário com Al Berto), a sua vida boémia e as suas paixões efémeras: «O café só começaria a encher por volta das dez da noite. A essa hora iniciar-se-ia o habitual desfile de rostos maquilhados, de poses inesperadas, de gritos e de gargalhadas, de gestos e de cumplicidades que só se cumprem durante a noite. Uma outra cidade se levantava assim que o dia recolhia. Cidade de excessos e de abismos, de sangue e de música, de drogas e de sexo, de banalidades e de beleza. E de ternura e de paixão»."







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