Autor: Carlos Reis
Título: Diálogos com Lídia Jorge
N.º de páginas: 364
Editora: D. Quixote
Edição: Fevereiro 2025
Classificação: Diálogos
N.º de Registo: (3719)
OPINIÃO ⭐⭐⭐⭐
Diálogos com Lídia Jorge, de Carlos Reis, é uma obra de grande relevância, não apenas pela ampla informação que reúne sobre o percurso literário da autora, mas sobretudo pela natureza intimista e franca da conversa que aqui se estabelece. Conduzidos com rigor e perspicácia por Carlos Reis, estes diálogos cruzam reflexões sobre a sociedade portuguesa — do passado ao presente — e sobre a actualidade mundial, iluminando a forma como a literatura se inscreve no nosso tempo.
Na Introdução (p. 53), Carlos Reis observa que “uma obra literária (…) é uma entidade dinâmica, eventualmente sujeita a revisão; nela, o escritor inova, mas escuta os ecos do passado, apreende as grandes questões do seu tempo e incorpora‑as (…) num conjunto em busca da coerência.” Esta afirmação funciona como chave de leitura para o que se desenrola ao longo dos sete diálogos: uma troca autêntica, viva, profundamente humana.
Lídia Jorge, por vezes discordante mas sempre respeitosa, argumenta e contra‑argumenta com humor subtil e alguns risos. Partilha memórias, vivências, métodos de escrita e inquietações, mas também reflecte sobre o poder da literatura, a ética do gesto literário, o desconcerto do mundo, a era digital e as influências que a acompanharam. A sua visão do mundo nasce da narrativa enquanto testemunha de um tempo histórico, social e cultural.
O volume inclui ainda um apêndice com a carta de Lídia Jorge a Eduardo Lourenço, documento que acrescenta uma nota de cumplicidade intelectual e afectiva entre dois nomes maiores da nossa cultura, funcionando como um fecho simbólico e luminoso.
Em síntese, este livro é imprescindível para compreender a obra e o pensamento de Lídia Jorge. E subscrevo a afirmação inicial da autora: para a construção deste volume, “Carlos Reis emprestou o seu saber enquanto ensaísta, crítico e grande leitor que é. Trata‑se de um texto a dois, duas faces sem nenhuma das quais, de forma igual, não existiria a moeda.” (pp. 18‑19). Uma verdade evidente.

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