MAR

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25 novembro, 2018

A Biblioteca Magica de Bibbi Bokken de Jostein Gaarder,




A Biblioteca Mágica narra a história de dois primos adolescentes, Nils e Berit, que vivem na Noruega. Como moram em cidades distantes, decidem comprar um diário para manterem o contacto e nele escreverem tudo o que lhes acontece de importante. Esta troca de correspondência torna-se assim bastante original. Acontece que logo no acto de compra do diário surge algo de particular e imprevisível (ou não!). Nils na primeira carta que escreve à prima, conta o episódio. 

Mal a aventura começou e já o leitor se encontra envolvido num grande mistério. Muitas questões se vão levantando e os dois primos prometem desvendar todo este mistério que parece envolver uma biblioteca mágica. 

Em A biblioteca mágica de Bibbi Bokken, livro juvenil, de leitura fácil e cativante, o grande herói é o livro e a sua história, numa trama cheia de suspense e aventura que leva os leitores a empreender uma fascinante viagem pelo mundo dos livros.



Eça de Queirós e Os Maias na FCG





Escritor português, José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de Novembro de 1845, na Póvoa de Varzim e morreu a 16 de Agosto de 1900, em Paris. 

É considerado um dos maiores romancistas realista da literatura portuguesa. Foi jornalista e diplomata. É no estrangeiro que escreve a maioria das suas obras. Em 1888, publica Os Maias. 


Os Maias, de Eça de Queirós - Grandes Livros




A Fundação Calouste Gulbenkian monta uma exposição para "que se possa ver tudo o que Eça trazia no saco". Comemora-se os 130 anos da publicação de Os Maias. Esta mostra incide nesta obra, mas haverá também referência às restantes obras bem como a muitos objectos do seu espólio da Casa de Tormes.

A exposição encontra-se patente de 30 de novembro a 18 de fevereiro 2019.






21 novembro, 2018

Princípio de Karenina



Mais um livro fabuloso de Afonso Cruz. Numa escrita poética, metafórica com descrições cinematográficas, o autor narra a história de uma personagem que conta a sua vida à filha que nunca conheceu. 
Diria que este livro apresenta dois grandes eixos de ideias: rotina, escuridão, medo, infelicidade e novidade, claridade e felicidade. O primeiro imposto pelo pai e seguido pelo filho, o segundo provocado pela chegada da estrangeira. 

“Passados tantos anos, ainda sinto um sabor estranho na boca quando pronuncio a palavra que a tua mãe disse na sala, no dia em que a conhecemos, a palavra que começou o derradeiro ataque contra o edifício que eu construíra com os blocos de pedra da educação paterna.” (p. 101)


20 novembro, 2018

Um poema de Al Berto


                        Obras anos 70 - foto de J.M. Cavalinhos (http://cabodesines.blogspot.com)


MAR-DE-LEVA
(sete textos dedicados à vila de Sines)
1976

7

a noite chega-me irrequieta de cíclicos ventos, cintilam peixes pelas paredes do quarto
durmo sobre as águas e tenho medo
encolho-me no leito estreito, no fundo dele, onde o linho já não fulgura
queda a queda, voo

não consigo dormir com esta ferida
as máquinas sussurram, trepam pelas paredes, escancaram portas, invadem a casa, ocupam os sonhos
sirenes, alarmes lancinantes, cremalheiras da noite ressoando no limite do corpo

levanto-me e saio para a rua
caminho na chuva adocicada da manhã, as pedras acendem-se por dentro,
reconhecem-me
uma voz líquida arrasta-se no interior dos meus passos, ecoa pelos recantos ainda vivos do teu corpo

em ti acostam os barcos e a sombra dos grandes navios do mundo
vive o peixe, agitam-se algas e medusas de mil desejos
em ti descansam os pássaros chegados doutras rotas
secam as redes, põe-se o sol
em ti se abandona a ressaca das ondas e o sal dos meus olhos
as árvores inclinadas, os frutos e as dunas
em ti pernoita a seiva cansada das palavras, o suco das ervas e o açúcar transparente das camarinhas
em ti cresce o precioso silêncio, as ostras doentes e as pérolas dos mares sem rumo
em ti se perdem os ventos, a solidão do mar e este demorado lamento


Al Berto
in O Medo
Assírio & Alvim





18 novembro, 2018

Na Memória dos Rouxinóis de Filipa Martins


É o primeiro romance que leio dos quatro que Filipa Martins já publicou. É uma viagem surpreendente à memória de várias personagens de diferentes gerações da família Rousinol, à magia da matemática da criptografia e dos números primos. 

No entanto, não é só de memória e de recordação que se trata, é bem mais do que isso, há o inevitável esquecimento (tão necessário para evoluir), o amor e a desilusão nas relações, o envelhecimento e a confissão no final da vida. 

Filipa Martins consegue muito bem encadear as diferentes narrativas através de uma escrita poética, ritmada por vezes provocadora. Não sendo, no entanto, uma leitura linear, requer alguma concentração para nos situarmos no tempo e no espaço. É um livro que leva o leitor a reflectir sobre a sua própria vida, sobre as decisões que toma no dia-a-dia.



08 novembro, 2018

Lavoura Arcaica de Raduan Nassar




É o primeiro livro que leio deste autor. Leitura difícil, perturbadora mas fascinante. Revela uma escrita laboriosa, de excessos, repleta de metáforas e de parábolas. Pura prosa poética! 
No entanto, é este excesso que transporta para o leitor o carácter perturbado e também excessivo, impulsivo e delirante do protagonista, André, desejoso de independência. 

Voltarei a pegar nele, sem dúvida nenhuma.



02 novembro, 2018

Se esta rua falasse de James Baldwin




James Baldwin é considerado um dos escritores incontornáveis da literatura americana do século XX e no entanto, em Portugal, este é o seu único livro publicado. Trata-se de uma voz influente sobre questões raciais e direitos civis. 

Concretamente, este livro aborda o amor de um jovem casal, apaixonadíssimo, que vai ficar separado injustamente durante um tempo. Será uma travessia difícil, onde a injustiça impera, todavia a esperança e o amor vencerão. 

É Tish, a rapariga negra, que vai relatar-nos a sua história, o seu amor por Fonny e o apoio incondicional da sua família. Este apoio familiar será o pilar da vida da protagonista que lhe permitirá vencer todas as injustiças que ela e Fonny carregam. 

Livro maravilhoso. Linda história de amor plena de sentimentos contraditórios: amor e raiva, dor e alegria, mágoa e esperança. Relato cruel de um racismo sempre presente.