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14 fevereiro, 2017

Todas as Cartas de Amor são Ridículas?





Todas as Cartas de Amor são Ridículas



Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, in "Poemas"  (Heterónimo de Fernando Pessoa)



______________________


Segunda-feira à tarde


Seria um mentiroso se não dissesse ainda
mais do que disse hoje na carta desta manhã dizer-te justamente a ti,
perante a qual posso falar tão livremente
como perante ninguém porque ainda ninguém
se pôs de tal modo ao meu lado como tu, consciente e 
voluntariamente, apesar de tudo, apesar de tudo
(distingue o Apesar de Tudo do grande a Despeito de )
As mais belas das tuas cartas (e
isto é dizer muito, pois são,
no seu todo, quase linha por linha, o que de mais belo
aconteceu na minha vida) são aquelas 
em que justificas o meu "medo" e 
simultaneamente procuras explicar que não 
tenho de o ter.Pois também eu, por muito que
às vezes pareça um defensor subornado
do meu medo, no fundo, o justifico provavelmente, 
mais sou feito dele e ele talvez seja o que eu tenho de melhor. E já  que ele é o
melhor de mim, talvez seja também a única coisa que te 
agrada. Porque, de outro modo, que se poderia encontrar 
em mim que fosse tão digno de ser amado. Isto é, no entanto, digno de ser amado.

(...)


in, Três Cartas a Milena Jesenská, Franz Kafka (edição fac-similada do manuscrito)




09 fevereiro, 2017

Luminoso Afogado - Monólogo a partir de Al Berto

Mais uma iniciativa promovida pelo CAS para assinalar os 20 anos da morte do poeta. 







Exposição: José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno


Fundação Calouste Gulbenkian
Até 5 de junho 2017
Quarta a segunda, 10:00 - 18:00

«Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.» (José de Almada Negreiros, 1927)