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07 abril, 2018

A Avó e a Neve Russa de João Reis




O protagonista desta história é uma criança de dez anos que nos narra a história da sua avó Babushka, doente com cancro nos pulmões contraído em Chernobyl. Como sobrevivente, emigra para o Canadá onde vive com os seus netos, Andrei e o narrador (não chagamos a saber o seu nome). 

A história em si é cativante uma vez que a criança vai tentar de tudo para salvar a sua avó. Há momentos ternurentos e momentos divertidos. A criança, que se considera o homenzinho da casa, é muito curiosa e muito instruída, porém, e apesar de ter já um “rico vocabulário”, confunde certas palavras (xenofilia e xenofobia; ornitologia e oncologia, macroscópio e microscópio,… ). Estes equívocos fazem-nos sorrir um pouco e revelam a inocência própria das crianças. 

Porém (é a palavra preferida do narrador, e, tal como ele, também eu a repito), há certos momentos, sobretudo quando a criança nos revela os seus pensamentos sobre os mais diversos temas (políticos, religiosos, sociais, ou outros) que me causam uma certa perplexidade, na medida em que me questiono se o narrador já tem maturidade para tais considerações. 

Apesar deste aspecto, recomendo a leitura do livro porque o mais relevante é o carinho que uma criança de dez anos revela pela sua avó idosa e doente e a esperança de lhe curar os pulmões destruídos pelos “ares venenosos de Chernobyl”.




2 comentários:

Alexandra Martins disse...

A maturidade é sempre dependente da criança, os meus filhos surpreendem-me diariamente. Mas creio que neste livro o protagonista retira quase todas as ideias políticas, sociais e etc do que os adultos lhe dizem e do que lê em livros que não são para a sua idade, e depois mistura tudo. Pelo menos é a ideia com que fiquei. :)
Alexandra M.

Graciosa Reis disse...

Completamente de acordo com o seu comentário. Aliás o protagonista refere esse aspecto ao longo do livro, que os seus conhecimentos são o resultado das suas leituras e das conversas que tem com os vários vizinhos. Mas mesmo assim, penso que há um exagero.

Boas leituras,

Graciosa Reis