MAR

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29 janeiro, 2018

O Livreiro de Paris de Nina George





Trata-se de um livro sobre livros, sobre o amor e a amizade, mas sobretudo sobre a redenção. O protagonista, Jean Perdu vende livros num barco, atracado no Sena, que transformou em livraria e à qual atribuiu o nome excepcional de Farmácia Literária. Isto porque Jean se recusa a vender um livro qualquer aos seus clientes. Ele receita-lhes livros que vão de encontro aos seus problemas. No entanto, este “farmacêutico”, leitor de almas não consegue resolver o seu próprio problema que dura há vinte anos, desde que Manon, a sua amada, o abandonou deixando-lhe uma carta que ele nunca leu. Ele isola-se do mundo, vive fechado nas suas memórias e na dor de um amor perdido. Só passado todo esse tempo, quando finalmente leu a carta, que lhe foi entregue por outra mulher, ele compreendeu a razão pela qual Manon, o deixara. Este acontecimento vai alterar por completo a sua vida. Foge de Paris, no seu barco, e dirige-se até ao sul (Provença) para tentar resolver esse capítulo da sua vida. Se não conseguir afastar os fantasmas que o perseguem nunca mais conseguirá ser feliz. 
Com ele viaja um jovem escritor, Max, que também procura inspiração para um novo livro. A viagem revela-nos várias peripécias, dá-nos a conhecer algumas personagens divertidas e divulga-nos livros interessantes. 

O livro é interessante com algum sentido de humor, e acaba por conquistar o leitor porque o amor, a amizade, a perda, o autoconhecimento e a reconciliação com o passado são os pontos fortes desta obra.



Olhares sobre Al Berto

O Estendal Poético sobre Al Berto, criado pelos alunos, professores e funcionários da escola está agora  patente no Centro de Artes de Sines. O Estendal, no CAS, pretende assinalar a data de nascimento do poeta, que comemoraria os seus 70 anos, no dia 11 de janeiro.







21 janeiro, 2018

é no peito a chuva de Gonçalo Naves



O autor revela-nos uma escrita trabalhada, cuidada e arriscada, atrevo-me a dizer, porque subverte algumas regras estabelecidas na nossa gramática. No entanto, fá-lo já com mestria à semelhança de alguns escritores famosos. O que não é um defeito, mas uma característica que exige apenas uma maior atenção durante a leitura. 

Gosto da temática abordada, o Gonçalo apesar de ser ainda um jovem já demonstrou que está atento e informado. Neste segundo livro, temos a dicotomia cidade/ campo. Como na cidade existe a solidão, a doença, a miséria, as pessoas deslocam-se para o campo e aí encontram a pureza da natureza, o belo e a bondade. Recorrendo a algumas, poucas personagens, o autor expõe a sua visão e de forma inteligente vai interagindo com o leitor na busca de um entendimento.


14 janeiro, 2018

Voltemos à escola de Paulo M. Morais



Paulo M. Morais escreveu este livro apaixonante baseado nas suas visitas atentas e curiosas à Escola da Ponte. Através de uma escrita simples, objectiva e emocionada o autor vai-nos relatando um projeto que já dura há 40 anos e que se preocupa verdadeiramente em formar jovens (do 1.º ao 9.º anos) responsáveis, críticos e autónomos através de um processo de aprendizagem democrático, cívico e participativo. Nesta escola não há barreiras, há direitos e deveres e afectos. Cada um aprende ao seu ritmo, ultrapassa as suas dificuldades e quando surgem dúvidas, desalentos, incertezas, há sempre alguém pronto para ajudar.

Já conhecia, isto é, já tinha lido algo sobre esta escola, mas só agora fiquei com uma noção mais clara daquilo que lá é feito. Como professora, trabalho numa escola tradicional que formata os seus alunos e os impede de reflectir, de criticar, de criar porque nunca há tempo para esses aspectos ( “é preciso cumprir o programa” , ouve-se dizer a tantas vozes).

Há, no entanto, uma questão que coloco e que é a seguinte: havendo em Portugal uma escola com autonomia, com um projecto diferente e aliciante por que razão o nosso Ministério não o aplica noutras escolas (com carácter experimental, de início) e tende a ir copiar outros modelos, de países com características bem diversas das nossas. (Eu até conheço a resposta…).

Este livro é de leitura obrigatória para todos os que se preocupam com a educação! 

Obrigada Paulo M. Morais por ter concretizado este trabalho.


11 janeiro, 2018

Al Berto faria hoje 70 anos.


Quando aqui não estás

Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer
a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas
um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz
quero morrer
com uma overdose de beleza
e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador



Al Berto


08 janeiro, 2018

O Caminho imperfeito de José Luís Peixoto



Como o próprio autor o referiu "É um livro que fala sobre diversos caminhos, todos eles imperfeitos".  
O fio condutor do livro é a viagem que o autor realizou com o ilustrador Makarov à Tailândia, e que, de forma minuciosa, nos apresenta o seu olhar, a sua percepção sobre a cultura, a história e os costumes deste país. 
Não se pode, no entanto, concluir que se trata de um livro de viagens, no meu entender é um livro de reflexão pessoal e intimista. 
Nas três partes que compõem o livro, o autor apresenta-nos fragmentos dessa mesma viagem, de uma outra viagem a Las Vegas e da sua vida pessoal e familiar. É através da sua memória que o autor procura conhecer-se e encontrar-se naquele que é o caminho imperfeito da sua vida, convidando o leitor à partilha dessa descoberta. Confesso que foi um prazer viajar com o José Luís Peixoto pelos caminhos imperfeitos que nos proporcionaram estas páginas.



06 janeiro, 2018

O Fogo e as Cinzas de Manuel da Fonseca






Trata-se de mais um livro excepcional de onze contos magistralmente escritos.
Mais uma vez, o autor tem a preocupação de narrar a gente alentejana que vive em dificuldades e que reage duramente ao lento progresso que se vai instalando nas vilas. A pouco e pouco a população vai perdendo as suas características e os hábitos de convívio que mantinha no largo da vila. Os poucos que teimam em permanecer ficam condenados à pobreza e ao abandono.