MAR

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27 abril, 2014

Morreu Vasco Graça Moura (3-1-1942 / 27-4-2014)


Poeta, ensaísta, romancista, tradutor de grandes poetas, ensaísta, homem de cultura, grande defensor da língua portuguesa. Vasco Graça Moura nasceu no Porto, na Foz do Douro, em 1942, licenciou-se em Direito, pela Universidade de Lisboa, e chegou a exercer a advocacia, de 1966 a 1983, até a carreira literária se estabelecer em pleno.



Soneto do amor e da morte


quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

25 abril, 2014

25 de abril ... 40 anos



ilustração de Rie Nakajima


Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
onde emergimos da noite e do silêncio
e livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Adresen

23 abril, 2014

Dia Mundial do Livro


"Um livro é um animal vivo." (Aristóteles)

" Que é um livro? Uma sucessão de pequenos sinais. apenas isso. Compete ao leitor extrair por si-próprio as formas, as cores e os sentimentos a que esses sinais correspondem." (Anatole France)

"Pode-se avaliar a beleza de um livro pelo vigor dos safanões que ele nos deu e pelo tempo que levamos depois a recompor-nos." (Gustave Flaubert)

" O livro, como incomparável instrumento de cultura (é o único que permite todas as espécies de convivência entre a mensagem, o mensageiro e o receptor), pede imaginação, dinamismo, de que as mais das vezes somos carecidos." (Fernando Namora)

                             

17 abril, 2014

Morreu Gabriel Garcia Márquez (6-3-1927/17-4-2014)






O escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez morreu, hoje, aos 87 anos.

Gabriel Garcia Márquez era um dos autores mais importantes do século XX. Venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1982.


Principais obras:

Cem Anos de Solidão (1967)
Relato de um náufrago (1970)
O Outono do Patriarca (1975)
Crónica de uma morte anunciada (1981)
Cheiro de Goiaba (1982)
O Amor nos Tempos do Cólera (1985)
Do Amor e Outros Demónios (1994)
Notícia de um sequestro (1966)
Viver para Contar (2002)
Memória de minhas putas tristes (2004)

02 abril, 2014

Leituras de março



Dois livros autobiográficos. O primeiro relata vivências da vida quotidiana e das vicissitudes da história. O segundo aborda a vida familiar centrada na infância do narrador.
dois romances muito diferentes, mas ambos cativantes que se leem de um fôlego.


21 março, 2014

Um poema de Al Berto no Dia Mundial da Poesia



OUTRO DIA

cai na manhã do coração desolado
a toutinegra que longe daqui cantava e
nesse instante
a tristeza do rosto subiu ao lábios
para queimar a morte próxima do corpo e
da terra

mas se a noite vier
cheia de luzes ilegíveis de véus
de relógios parados - ergue as asas
fere o ar que te sufoca e não te mexas
para que eu fique a ver-te estilhaçar
aquilo que penso e já não escrevo - aquilo
que perdeu o nome e se bebe como cicuta
junto ao precipício e à beleza do teu corpo

depois
deixarei o dia avançar com o barco
que levanta voo e traz as más notícias dos jornais
e o cheiro espesso das coisas esquecidas - os óculos
para ver o mar que já não vejo e um dedo incendiado
esboçando na poeira uma janela de ouro
e de vento

Al Berto, O Medo

19 março, 2014

O Pai





Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.


Pablo Neruda, in "Crepusculário"





11 março, 2014

Leituras de fevereiro


       


A Bibliotecária de Auschwitz é um daqueles livros que deixam marcas e que te impedem de iniciar outro porque ainda estás a viver no mundo interior da sua história.
Firmin é uma história divertida e triste que os apaixonados por livros não podem deixar de ler.

02 março, 2014

Morreu o realizador francês Alain Resnais (1922-2014)



O mestre do cinema francês Alain Resnais, realizador do clássico dos anos 60 "Hiroshima Meu Amor", morreu sábado à noite em Paris, aos 91 anos.


O realizador foi homenageado, neste anoa, na 64ªedição do Festival de Berlim, onde estreou o seu último filme, "Amar, beber e cantar".

Autor de clássicos  como "Hiroshima Meu Amor" "Nuit et Brouillard" e "O Último Ano em Marienbad", Alain Resnais é uma referência fundamental na história do moderno cinema francês.


"Hiroshima meu amor" (com argumento de Marguerite Duras) foi a sua primeira longa-metragem, em 1959.





20 fevereiro, 2014

Manuel Jorge Marmelo vence Prémio Literário Casino da Póvoa 2014,



Detalhe da capa do livro premiado pelo festival Correntes d'Escrita


Manuel Jorge Marmelo venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa 2014,  com o romance Uma Mentira Mil Vezes Repetida.


O livro, publicado em 2011 pela Quetzal, foi escolhido pelo júri constituído por Isabel Pires de Lima, Carlos Quiroga, Patrícia Reis, Pedro Teixeira Neves e Sara Figueiredo Costa. O prémio será entregue no próximo sábado, dia 22, na sessão de encerramento da 15.ª edição do Festival Literário Correntes d'Escritas.

Manuel Jorge Marmelo nasceu em 1971, no Porto, estreou-se na literatura em 1996 e tem mais de 20 títulos publicados e, entre eles  encontram-se os romances Somos Todos Um Bocado Ciganos, Aonde o Vento Me Levar, Os Fantasmas de Pessoa e As Mulheres deviam vir com Livro de Instruções.

Ganhou, em 2005, o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco com o livro O Silêncio de Um Homem Só.



18 fevereiro, 2014

15ª edição de Correntes d'Escritas



Póvoa de Varzim, o 15º Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica – decorre de 20 a 22 de fevereiro com janela aberta para o mar.

Embora o livro seja “a personagem principal do Correntes d’Escritas”, diferentes personagens secundárias interagem neste enredo nomeadamente: arte, cinema, teatro e fotografia.





13 fevereiro, 2014

Cartoonista português vence Press Cartoon Europe



Rodrigo de Matos venceu o Grande Prémio Press Cartoon Europe com um trabalho sobre futebol e a crise económica portuguesa.

O Press Cartoon Europe é uma iniciativa do organismo Press Cartoon Belgium, para distinguir os melhores cartoons publicados em jornais, revistas e meios de comunicação na Internet, oriundos da Europa.

Rodrigo Matos conquistou o Grande Prémio com um cartoon que revela um mendigo com uma tigela nas mãos, a ser servido com uma concha onde está colocada uma bola de futebol, fazendo referência à crise económica em Portugal e ao apuramento de Portugal para o campeonato do mundo, este ano, no Brasil.


06 fevereiro, 2014

A menina que roubava livros






Trata-se da adaptação do livro de Markus Zusak e conta a história de uma menina que transforma a vida de todos ao seu redor quando é levada para viver com sua nova família na Segunda Guerra Mundial na Alemanha. Ela aprende a ler com a sua nova família e com um judeu refugiado, que eles escondem, na cave. Para estas duas personagens, o poder das palavras e da imaginação são um  escape dos tumultuosos acontecimentos que vão acontecendo nos subúrbios duma pobre cidade alemã. A Menina que Roubava Livros é uma história de uma sobrevivente perante a violência humana, mas também sobre a amizade.

A Menina que Roubava Livros


02 fevereiro, 2014

Ernest & Celestine ganha Magritte do melhor filme



O filme de animação Ernest & Celestine ganha três Magritte: o do melhor filme, o do melhor realizador e o do melhor som.






Realização: Benjamin Renner; Vincent Patar; Stéphane Aubier

Casting: Lambert Wilson (Ernest) e Pauline Brunner (Celestine)

Data: 12 dezembro 2012

Género: filme de animação

Duração: 1 hora e 19 minutos

Filmagem: França


31 janeiro, 2014

Nominations aux Césars









La liste des nommés :

Meilleur film : Les Garçons et Guillaume, à table ! (Guillaume Gallienne), L'Inconnu du lac (Alain Guiraudie), La Vie d'Adèle (Abdellatif Kechiche), Neuf Mois ferme (Albert Dupontel), Jimmy P. (Psychothérapie d'un Indien des plaines) , Le Passé Asghar Farhadi) et La Vénus à la fourrure (Roman Polanski).

Meilleur réalisateur : Abdellatif Kechiche (La Vie d'Adèle), Asghar Farhadi (Le Passé), Albert Dupontel (9 mois ferme), Alain Guiraudie (L'Inconnu du lac), Arnaud Desplechin (Jimmy P. - Psychothérapie d'un Indien des plaines), Guillaume Gallienne (Les Garçons et Guillaume, à table !) et Roman Polanski (La Vénus à la fourrure).

Meilleure actrice : Fanny Ardant (Les Beaux jours), Bérénice Bejo (Le Passé),Catherine Deneuve (Elle s'en va), Sara Forestier (Suzanne), Sandrine Kiberlain (9 mois ferme), Emmanuelle Seigner (Vénus à la fourrure), Léa Seydoux (La Vie d'Adèle).

Meilleur acteur : Mathieu Amalric (Vénus à la fourrure), Albert Dupontel (9 mois ferme), Guillaume Gallienne (Les garçons et Guillaume, à table !), Fabrice Lucchini(Alceste à bicyclette), Michel Bouquet (Renoir) et Mads Mikkelsen (Michael Kohlhaas).

Meilleure actrice dans un second rôle : Marisa Borini (Un Château en Italie), Françoise Fabian (Les Garçons et Guillaume, à table !), Julie Gayet (Quai d'Orsay), Adèle Haenel (Suzanne), Géraldine Pailhas (Jeune et Jolie).

Meilleur acteur dans un second rôle : Niels Arestrup (Quai d'Orsay), Patrick Chesnais (Les Beaux Jours), Patrick d'Assumcao (L'Inconnu du lac), François Damiens (Suzanne) et Olivier Gourmet (Grand Central).

Meilleur espoir féminin : Lou de Laâge (Jappeloup), Pauline Etienne (La Religieuse),
Adèle Exarchopoulos (La Vie d'Adèle), Golshifteh Farahani (Syngué Sabour - Pierre de patience), Marine Vacth (Jeune et Jolie).

Meilleur espoir masculin : Paul Bartel (Les Petits Princes), Pierre Deladonchamps(L'Inconnu du lac), Paul Hamy (Suzanne), Vincent Macaigne (La Fille du 14 juillet) et
Nemo Schiffman (Elle s'en va).

Meilleur premier film : La Bataille de Solférino (Justine Triet), La Cage dorée(Ruben Alves), En solitaire (Christophe Offenstein), La Fille du 14-Juillet (Antonin Peretjatko) et
Les Garçons et Guillaume, à table ! (Guillaume Gallienne).

Meilleure adaptation : Guillaume Gallienne (Les Garçons et Guillaume, à table !), Arnaud Desplechin, Julie Peyr, Kent Jones (Jimmy P.), Antonin Baudry, Christophe Blain, Bertrand Tavernier (Quai d'Orsay), David Ives, Roman Polanski (La Vénus à la fourrure) et Kechiche, Ghalya Lacroix (La Vie d'Adèle).

Meilleur film documentaire : Comment j'ai détesté les maths (Olivier Peyon), Le Dernier des injustes (Claude Lanzmann), Il était une forêt (Luc Jacquet), La Maison de la radio (Nicolas Philibert) et Sur le chemin de l'école (Pascal Plisson).

Meilleur scénario : Albert Dupontel (9 mois ferme), Philippe Le Guay (Alceste à bicyclette), Alain Guiraudie (L'Inconnu du lac), Asghar Farhadi (Le Passé) et
Katell Quillévéré, Mariette Désert (Suzanne).

Meilleurs costumes : Florence Fontaine (L'Ecume des jours), Madeline Fontaine(L'Extravagant Voyage du jeune et prodigieux T.S. Spivet), Olivier Bériot (Les Garçons et Guillaume, à table !), Anina Diener (Michael Kohlhaas) et Pascaline Chavanne (Renoir).

Meilleurs décors : Stéphane Rozenbaum (L'Ecume des jours), Aline Bonetto (L'Extravagant Voyage du jeune et prodigieux T.S. Spivet), Sylvie Olivé (Les Garçons et Guillaume, à table !), Yan Arlaud (Michael Kohlhaas) et Benoît Barouh(Renoir).

Meilleur film d'animation de long-métrage : Aya de Yopougon (Marguerite Abouet, Clément Oubrerie), Loulou l'incroyable secret (Eric Omond) et Ma Maman est en Amérique, elle a rencontré Buffalo Bill (Marc Boréal, Thibaut Chatel).

Meilleur film d'animation de court-métrage : Lettres de femmes (Augusto Zanovello) et Mademoiselle Kiki et les Montparnos (Amélie Harrault).

Meilleur court-métrage : Avant que de tout perdre (Xavier Legrand), Bambi(Sébastien Lifshitz), La Fugue (Jean-Bernard Marlin), Les Lézards (Vincent Mariette) et Marseille la nuit (Marie Monge).

Meilleur film étranger : Blue Jasmine, de l'Américain Woody Allen, Django Unchained, de son compatriote Quentin Tarantino, Gravity, du Mexicain Alfonso Cuaron, Biancanieves, de l'Espagnol Pablo Berger, Alabama Monroe, du Belge Félix Van Groeningen, Dead Man Talking, du Belge Patrick Ridremont, et La Grande Bellezza, de l'Italien Paolo Sorrentino.

Meilleure musique : Alceste à bicyclette, Casse-tête chinois, L'Ecume des jours, Michael Kohlhaas et La Vénus à la fourrure.

Meilleure photographie : L'Extravagant voyage du jeune et prodigieux T. S. Spivet, L'Inconnu du lac, Michael Kohlhaas, Renoir et La Vie d'Adèle.

Meilleur montage : La Vie d'Adèle, Les Garçons et Guillaume, à table !, 9 mois ferme, L'Inconnu du lac et Le Passé.

Meilleur son : Les Garçons et Guillaume, à table !, Michael Kohlhaas, Renoir, L'Inconnu du lac, Le Passé et La Vie d'Adèle.



28 janeiro, 2014

Leituras de janeiro

       


Reler Eça é sempre oportuno e muitíssimo atual.
O deus das moscas é um livro perturbador que nos deixa a pensar sobre a problemática da condição humana e do que significa viver em sociedade... Um livro a ler.

27 janeiro, 2014

Entrevista a Antonio G. Iturbe a propósito de ‘A Bibliotecária de Auschwitz’





Escritor espanhol foi conhecer a sobrevivente do Holocausto que manteve uma biblioteca secreta em Auschwitz. E escreveu a sua história. Agora, passou por Portugal para promover o livro, que já lhe valeu um prémio “pela qualidade literária” e pela “defesa dos valores humanos”.



Foi doloroso escrever o romance?

O livro conta um momento terrível da História da Humanidade. E não podes transmitir emoção se não te emocionas... Como em todas as coisas, há uma parte boa e uma má. Foi doloroso, mas aprendi muito. Aprendi que não há que perder a esperança. Neste momento, em Espanha, toda a gente está deprimida e pessimista, só se fala da crise. Bom. Estas pessoas atravessaram a obscuridade mais negra de todas, sem nunca perderem a vontade de lutar. Construiram uma escola e mantiveram uma biblioteca ilegal. Mantiveram a esperança e a energia para fazer coisas. É um grande ensinamento. Se nos abandonamos ao pessimismo, paralizamos.

Que efeito espera que o livro tenha no leitor?

É difícil. Quando escrevemos, fazemo-lo para os leitores, porque nós, autores, já conhecemos a história. Se nos sentamos ao computador para construir e polir as frases, é para os outros. Por outro lado, o leitor não existe. É uma abstração. E quase sempre acabas por escrever para ti próprio. Escreves o que gostarias de ler. Mas não é uma pergunta de resposta fácil.

Este livro é também declaração de amor aos livros?

Totalmente. Mas é natural: eu adoro livros. Sou uma pessoa normal, com uma existência corriqueira, mas os livros fizeram com que a minha vida fosse especial. Ao ler, vivi grandes aventuras. Dei a volta ao Mundo, conheci histórias de amor tremendas, casos criminais incríveis. Os livros multiplicaram a minha vida por muitas. Não teria tido tempo – ou coragem – para viver todas as vidas que os livros me proporcionaram. Por isso, estou-lhes muito grato. Quando entro numa biblioteca, entro como numa Igreja – é um local de reverência para mim.


Entrevista completa in Correio da Manhã

21 janeiro, 2014

De Al Berto ... um tesouro!




as palavras foram alinhavadas pelos preguiçosos dedos
o texto transparece na claridade das manchas de tinta

Al Berto 


19 janeiro, 2014

Um poema de Eugénio de Andrade


Robert Doisneau



Urgentemente 

É urgente o Amor, 
É urgente um barco no mar. 

É urgente destruir certas palavras 
ódio, solidão e crueldade, 
alguns lamentos, 
muitas espadas. 

É urgente inventar alegria, 
multiplicar os beijos, as searas, 
é urgente descobrir rosas e rios 
e manhãs claras. 

Cai o silêncio nos ombros, 
e a luz impura até doer. 
É urgente o amor, 
É urgente permanecer. 


 Eugénio de Andrade



12 janeiro, 2014

Mário de Carvalho vence Prémio Fundação Inês de Castro





Mário de Carvalho venceu o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2013 com o livro de contos A Liberdade de Pátio.

O prémio foi atribuído por unanimidade  por um júri composto pelo catedrático José Carlos Seabra, pelo escritor Mário Cláudio, pelo poeta e ensaísta Fernando Guimarães, pelo tradutor e poeta Frederico Lourenço e pelo escritor e crítico literário Pedro Mexia.

Maria do Rosário Pedreira, Pedro Tamen, Teolinda Gersão, José Tolentino de Mendonça, Hélia Correia e Gonçalo M. Tavares venceram as edições anteriores do Prémio Literário. 

A Fundação atribuíu ao poeta Gastão Cruz o prémio de carreira.

in Público.


11 janeiro, 2014

Um poema de Al Berto (data de aniversário)





às vezes...quando acordava
era porque tínhamos chegado

ficava a bordo encostado às amuradas
horas a fio
espiava a cidade as colinas inclinando-se
para a noite lodosa do rio
e o balouçar do barco enchia-me de melancolia

a noite trazia-me aragens com cheiro a corpos suados
cantares e danças em redor de fogos que eu não sabia
o ruído dos becos a luz fosca dum bar
se descesse a terra encontrar-te-ia ... tinha a certeza
para o voo frenético do sexo
e num suspiro talvez alagássemos os umbrais da noite
mas ficava preso ao navio ... hipnotizado
com o coração em desordem
os dedos explorando nervosos as ranhuras da madeira
os pregos ferrugentos as cordas
as luzes do cais revelavam-se corpos fugidios
penumbras donde se escapavam ditos obscenos
gemidos agudos sibilantes risos que despertavam em mim
a vontade sempre urgente de partir


in Salsugem

10 janeiro, 2014

Tintin nasceu há 85 anos








Tintin, o famoso repórter belga que protagonizou centenas de páginas de aventuras de banda desenhada, faz hoje 85 anos, desde que se apresentou a 10 de janeiro de 1929 no suplemento juvenil Le Petit Vingtième.

Acompanhado pelo fox terrier Milu, Tintin é considerado uma das mais populares personagens de banda desenhada, criada pelo belga George Remi (Hergé). A obra, composta por 24 aventuras, é traduzida em 77 línguas. 




08 janeiro, 2014

1º ENCONTRO «LITERATURA:PRESENTE, FUTURO»




A URGÊNCIA DA LITERATURA
Que livros e leitores queremos? Que país temos?
Helena Buescu e Antonio Carlos Cortez

Centro Cultural de Belém
11 e 12 Jan 2014 - 10:00 às 12:30 e 14:30 às 17:00 

Sala Luís de Freitas Branco
Entrada Livre 


Numa época de "crise das humanidades" e de necessidade de recuperar um convívio franco e salutar com o nosso património literário, convidamos diversos agentes culturais (instituições, escritores, ilustradores, professores e académicos, jornalistas, editores, livreiros) a pensar a literatura. Fortemente mediatizado, o mundo de hoje impele a juventude para outras formas de distracção e mesmo de alienação. Quando ler parece ser sinónimo de mero entretenimento, que leitores estamos a formar? Como se formam leitores com espírito crítico? Atendendo ao combate contra a iliteracia em Portugal, várias entidades associam-se à Fundação Centro Cultural de Belém para pensar a literatura que se escreve e se lê no nosso país, acentuando a urgência de fazer regressar aos programas escolares uma formação humanística.

in CCB

05 janeiro, 2014

Morreu Eusébio (1942-2014)



Eusébio faleceu esta madrugada em Lisboa, vítima de paragem cardiorrespiratória. Tinha 71 anos. Fica a memória e o exemplo de um homem humilde e dedicado.



04 janeiro, 2014

Um poema de Nuno Júdice


Chuva

Chove como sempre. E,
sempre que chove,
as pessoas abrigam-se
(as que não estavam à
espera que chovesse);
ou abrem, simplesmente,
o chapéu-de-chuva - de
preferência com fecho
automático. Porque, quando
chove, todos temos de
fazer alguma coisa: até
nós, que estamos dentro
de casa. Vão, uns, até
à janela, comentando:
“Que Inverno!”; sentam-se,
outros, com um papel
à frente: e escrevem
um poema, como este.

in Poesia Reunida 1967 - 2000

02 janeiro, 2014

Leituras de Dezembro

      

Dois livros encantadores que se lêem de uma assentada. Recomendo vivamente.


Um poema de Sebastião da Gama










"Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

─ Partimos. Vamos. Somos."