MAR

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05 novembro, 2013

Um poema de Clarice Lispector



Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem

a importância das pessoas que passaram por suas
vidas.
O Futuro mais brilhante é baseado num passado
Intensamente vivido.

Você só terá sucesso na vida
Quando perdoar os erros e as decepções do passado

A vida é curta, mas as emoções
Que podemos deixar dura uma eternidade
A vida não é de se brincar
Por que em pleno dia se morrer

Clarice Lispector

Colóquio Internacional Almada Negreiros


Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa
13, 14 e 15 de Novembro 2013


No ano em que se completam 120 anos sobre o nascimento de Almada Negreiros e 100 anos sobre a sua primeira exposição, O Projecto Modernismo Online, em parceria com o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional e do Instituto de História de Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, organiza o Colóquio Internacional Almada Negreiros.


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Ondjaki vence prémio Saramago 2013






Com o romance Os transparentes o escritor angolano, de 36 anos, vence a 8ª edição do prémio José Saramago.

A distinção foi anunciada hoje, na sede da Fundação José Saramago, no mesmo dia em que é publicado o seu novo livro, Uma escuridão bonita, com ilustrações de António Jorge Gonçalves. 


É o segundo prémio que o escritor recebe este ano, depois do Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil.



"Este prémio não é meu, este prémio é de Angola." Foi assim que Ondjaki agradeceu o prémio. "Eu não ando sozinho, faço-me acompanhar dos materiais que me passaram os mais velhos. Na palavra 'cantil' guardo a utopia, para que durante a vida eu possa não morrer de sede."

"Este é um livro sobre uma Angola que existe dentro de uma Luanda que eu procurei escrever e descrever. Fi-lo com o que tinha dentro de mim entre verdade, sentimento, imaginação. E amor. É uma leitura de carinho e de preocupação. É um abraço aos que não se acomodam mas antes se incomodam. É uma celebração da nossa festa interior, trazendo as makas, os mujimbos, algumas dores, alguns amores. Penso que todos queremos uma Angola melhor", referiu o escritor no seu discurso de agradecimento.


Instituído pela Fundação Círculo de Leitores, o prémio, que é atribuído de dois em dois anos, distingue uma obra literária no domínio da ficção, romance ou novela, escrita em língua portuguesa, por um autor com idade não superior a 35 anos à data da publicação do livro, e cuja primeira edição tenha saído em qualquer país lusófono.



Paulo José Miranda, Adriana Lisboa, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo e Andréa del Fuego foram os nomes premiados  nas edições anteriores.

02 novembro, 2013

Mia Couto vence prémio internacional de literatura Neustadt






O escritor moçambicano Mia Couto foi distinguido com o prémio internacional de literatura Neustadt, atribuído de dois em dois anos pela Universidade de Oklahoma desde 1970.  


Os outros escritores nomeados para o que é considerado o prémio Nobel norte-americano foram o argentino César Aira, a vietnamita Duong Thu Huong, o ucraniano Ilya Kaminsky, o japonês Haruki Murakami, o norte-americano Edward P. Jones, o sul-coreano Chang-rae Lee, o palestiniano Ghassan Zaqtan e Edouard Maunick, das Ilhas Maurícias.


Em declarações à agência Lusa, Mia Couto dedicou  o prémio à sua família, que apelidou de "primeira nação"  e a "Moçambique, por todas as razões, mas agora ainda mais, porque temos de ficar mais juntos nessa busca por opções de paz, por alternativas de desenvolvimento".




Mia Couto, com 58 anos,  já recebeu os seguintes prémios:


1995 - Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos
1999 - Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra
2001 - Prémio Mário António, pelo livro O último voo do flamingo
2007 - Prémio União Latina de Literaturas Românicas
2007 - Prémio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura
2012 - Prémio Eduardo Lourenço 2011
2013 - Prémio Camões 2013

01 novembro, 2013

Prémios P.E.N. 2012 atribuídos ex aequo na Poesia e no Ensaio



           

Hélia Correia com A Terceira Miséria (Relógio de Água) e Manuel de Freitas com Cólofon (Fahrenheit 451) vencem, em ex aequo, o prémio P.E.N. Poesia.


           



Rosa Maria Martelo com O Cinema na Poesia (Assírio & Alvim)  e Fernando Rosas com Salazar e  o Poder, a Arte de Saber Durar (Tinta da China), são os vencedores, também em ex aequo,  do prémio P.E.N. Ensaio. 


  

Ao romance Travessa d’Abençoada (Sextante Editora) de João Bouza da Costa é atribuído o prémio P.E.N. Narrativa.




Raquel Nobre Guerra vence o prémio P.E.N. Primeira Obra com o título Groto Sato (Mariposa Azul).


  O P.E.N. (Poetas, Ensaístas, Novelistas) Club foi constituído legalmente em Portugal, em 1979, fazendo parte do P.E.N Club Internacional, que é a maior e a mais antiga organização de escritores do mundo, criada em 1921, por escritores ingleses. O seu primeiro presidente foi John Galsworthy, Prémio Nobel da Literatura em 1932.


15 outubro, 2013

Gabriela Ruivo Trindade vence Prémio Leya


                                                      Foto retirada da internet


O romance Uma Outra Voz, escrito por uma portuguesa radicada em Londres,  retrata a emigração para África de uma família de Estremoz.


Com cerca de 300 páginas, é um romance contado a várias vozes, com personagens femininas muito fortes, em que o ponto de vista da história se vai alterando. Júdice, tal como Alegre, explicou que não se trata de uma narração simples, mas de um romance em que por vezes encontramos documentos visuais que nos permitem ver melhor o que foi essa época: “Junta fotografia com ficção.”

A obra vencedora foi escolhida por um júri que incluiu Manuel Alegre, os escritores Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, e ainda José Carlos Seabra Pereira, da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, da Universidade de São Paulo.

Segundo o grupo Leya, esta foi, até agora, a edição “mais concorrida e internacional” do prémio, com 491 originais oriundos de 14 países. Instituído em 2008 com o objectivo de distinguir anualmente um romance inédito escrito em língua portuguesa. 



13 outubro, 2013

José Eduardo Agualusa vence prémio Fernando Namora





O último romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa, Teoria Geral do Esquecimento, é o vencedor do Prémio Literário Fernando Namora. O júri salienta que “esta obra engrandece o apurado estilo literário da ficção do autor”.
 
A narrativa do livro de José Eduardo Agualusa centra-se em Luanda, começando nas vésperas da proclamação da independência (11 de Novembro de 1975), quando uma portuguesa decide erguer um muro para se separar do edifício onde mora, acabando por sobreviver isolada durante cerca de 30 anos.
 
Nos finalistas, para além de Agualusa estavam os escritores Afonso Cruz (Jesus Cristo Bebia Cerveja), Ana Cristina Silva (O Rei do Monte Brasil), Julieta Monginho (Metade Maior) e Rui Nunes (Barro).
 

10 outubro, 2013

Nobel da Literatura - Alice Munro





O Prémio Nobel da Literatura 2013 foi atribuído à canadiana Alice Munro, anunciou hoje a Academia de Ciências Sueca. A escritora, de 82 anos, foi apresentada como "mestre do conto contemporâneo" e é a 13ª mulher a receber este galardão.

Na biografia que divulga da escritora, a academia sueca aplaude os contos de Munro, que focam "a fragilidade da condição humana", e elogiam a "narrativa afinada" da escritora, "que se caracteriza pela clareza e pelo realismo psicológico". "Alguns críticos consideram-na um Tchekhov canadiano", acrescenta a academia. 

"As suas histórias passam-se frequentemente em pequenas localidades, onde a luta por uma existência socialmente aceitável muitas vezes resulta em relações tensas e conflitos morais - problemas que resultam de diferenças geracionais e ambições de vida que colidem", escreve ainda. Os seus textos descrevem frequentemente "eventos do dia-a-dia, mas decisivos; verdadeiras epifanias que iluminam a história e deixam questões existenciais aparecer num relâmpago". 

Munro é sobretudo conhecida pelos seus contos e publicou muitas coleções ao longo dos anos, nomeadamente "Amada Vida", "Fugas" e "O Amor de Uma Boa Mulher", publicadas em Portugal pela editora Relógio d'Água. 

in SICnotícias

07 outubro, 2013

Escritaria 2013 dedicado a Mário de Carvalho




O Festival  Escritaria, que decorreu no passado fim de semana, em  Penafiel, foi dedicado as  escritor Mário de Carvalho

É escolhida uma frase do autor homenageado para ficar para sempre inscrita nas ruas de Penafiel em forma de arte pública. Toda a cidade se envolve na homenagem. Há alusões à obra de Mário de Carvalho nas montras das lojas, painéis com fotografias e excertos das suas obras espalhados pela cidade, teatro de rua, animação e conferências.
 
Este festival que vai na sua 6ª edição  já teve edições dedicadas a António Lobo Antunes, José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues, Agustina Bessa-Luís e Mia Couto.

Florbela conquista 6 prémios Sophia




Florbela, do realizador Vicente Alves do Ó, conquistou o maior número de prémios.  Tabu, de Miguel Gomes, foi considerado o melhor filme português do ano. Os dois foram os grandes vencedores dos novos prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema, entregues numa cerimónia, no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.
 
Florbela, baseado na biografia da poetisa Florbela Espanca, tinha  com 15 nomeações e conquistou seis prémios. Entre eles destacam-se os de Melhor Realizador (Vicente Alves do Ó), Melhor Atriz (Dalila Carmo), Melhor Atriz Secundária (Anabela Teixeira) e Melhor Fotografia (Luís Branquinho).


 



Lista dos vencedores dos prémios de cinema Sophia

Vencedores da 1ª edição  dos prémios Sophia, atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema:


Melhor Filme: "Tabu", Miguel Gomes.

Melhor realização: Vicente Alves do Ó, "Florbela".

Melhor ator principal: Carlos Santos, "Operação Outono".

Melhor atriz principal: Dalila Carmo, "Florbela".

Melhor ator secundário: Albano Jerónimo, "As Linhas de Wellington".

Melhor atriz secundária: Anabela Teixeira, "Florbela".

Melhor argumento original: Carlos Saboga, "As Linhas de Wellington".

Melhor argumento adaptado: Bruno de Almeida, Frederico Delgado Rosa e John Frey, "Operação Outono".

Melhor Fotografia: Luís Branquinho, "Florbela".

Melhor direcção artística: Isabel Branco, "As Linhas de Wellington".

Melhor som: Jaime Barros, Tiago Matos e Elsa Ferreira, "Florbela".

Melhor Guarda-Roupa: Sílvia Grabowski, "Florbela".

Melhor Caracterização: Íris Peleira, "As Linhas de Wellington".

Melhor Montagem: Telmo Churro e Miguel Gomes, "Tabu".

Melhor Música: The Legendary Tigerman e Rita Redshoes, "A Estrada de Palha".

Melhor Documentário em longa-metragem: "É na Terra não é na Lua", Gonçalo Tocha.

Melhor Curta-Metragem de Ficção: "Cerro Negro", João Salaviza.

Melhor Curta-Metragem de Animação: "Kali, o pequeno vampiro", Regina Pessoa.

Melhor Curta-Metragem em Formato de Documentário: "Raúl Brandão Era Um Grande Escritor", João Canijo.


Prémio Carreira Acácio de Almeida, diretor de fotografia,

Prémio Carreira José Manuel Castello Lopes, distribuidor

Prémio Carreira Laura Soveral, atriz

Prémio Sophia de Mérito e Excelência Manoel de Oliveira, realizador

Ana Cristina Silva ganha Prémio Urbano Tavares Rodrigues


Foto: Ana Cristina Silva é a vencedora da primeira edição do Prémio Literário de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues, atribuído ao livro "O Rei do Monte Brasil" publicado em 2012.

Saiba mais em http://www.portaldaliteratura.com/noticias.php?id=484

#literatura #premioliterario #anacristinasilva




Ana Cristina Silva ganhou o Prémio Urbano Tavares Rodrigues - Prémio Literário de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues-  com o romance O Rei do Monte Brasil.
 
O prémio, de iniciativa conjunta da FENPROF e SECRE, é atribuído pela primeira vez, em 2013.



03 outubro, 2013

Saudades...(85 anos)




Canção para a Minha Mãe


E sem um gesto, sem um não, partias!
Assim a luz eterna se extinguia!
Sem um adeus, sequer, te despedias,
Atraiçoando a fé que nos unia!

Terra lavrada e quente,
Regaço de um poeta criador,
Ias-te embora antes do sol poente,
Triste como semente sem calor!

Ias, resignada, apodrecer
À sombra das roseiras outonais!
Cor da alegria, cântico a nascer,
Trocavas por ciprestes pinheirais!

Miguel Torga, in Diário




02 outubro, 2013

Um poema de Pablo Neruda








Perto do mar a música é mais sábia

Perto do mar a música é mais sábia:
humaniza o seu som,
E põe nas suas cadências um estranho
...
estremecimento do coração.

À sua modulação humana, junta
esse gemer, esse implorar
que vem do fundo dos séculos
para na areia cantar.

Perto do mar há ternuras novas
em sua plena virtude,
e é maravilha na maravilhosa
natureza em plenitude.

Com mais eternidade nos seus timbres
grande e humilde é simultaneamente.
À alma oferece o seu recolhimento
em milagroso germinar.

À alma oferece tudo o que é vida:
o devaneio, a dor,
e tudo se torna puro e luminoso
banhado em ritmo criador.

Pablo Neruda


01 outubro, 2013

14ª Festa do Cinema Francês




A Festa do Cinema Francês está de novo em Portugal organizada pelo Institut Français du Portugal, para um mês inteiro do melhor da cinematografia francesa. São 46 os filmes exibidos em 12 salas do País. Este evento decorre entre 10 de Outubro e 10 de Novembro.
 
O reencontro entre o melhor do cinema e da cultura francesa e o nosso país vai acontecer em 7 cidades: Lisboa: 10- 20 Out; Almada: 16- 20 Out; Coimbra: 22- 26 Out; Beja: 29 Out- 03 Nov; Faro: 30 Out- 02 Nov; Guimarães: 31 Out- 04 Nov; Porto: 04- 10 Nov.
 
 
A programação completa em Festa do Cinema Francês
 
 
 
Hiroshima, mon amour, de Alain Resnais é um dos filmes que pode ser visto, em Lisboa.
 
"Mais do que um exemplar único na história da sétima arte, este filme é aquilo a que nos atrevemos a chamar um poema cinematográfico. Um casamento entre a literatura e o cinema onde ambos estabelecem uma relação de extrema complementaridade capaz de conduzir o espectador numa viagem surpreendente por entre a arte da palavra e das imagens em movimento."




30 setembro, 2013

Philip Roth nomeado Comandante da Legião de Honra de França



 



O escritor norte-americano Philip Roth recebeu, na sexta-feira, a insígnia de Comandante da Legião de Honra de França das mãos do ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, numa cerimónia realizada na única livraria francesa de Nova Iorque.

A mais alta distinção do governo francês foi concedida a Philip Roth pela sua contribuição para a literatura global e pela sua longa relação com França.


 
in LEYA BIS

26 setembro, 2013

Exposição arquitectura de urbanismo na Av. Duque D'Ávila

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AVENIDA DUQUE D'ÁVILA

ARQUITECTURA URBANISMO 2000-2012
ARCHITECTURE URBANISME 2000-2012

25 setembro -  20 outubro 2013/ 25 septembre - 20 octobre 2013
40 expositores, em formato MUPI, mostram mapas, plantas, fotos e perspectivas de arquitectos. São 100 projectos que ilustram as novas respostas à construção e desenvolvimento das metrópoles.

40 présentoirs en, format Mupi, montrent des cartes, des plans, des photos et des perspectives d’architectes. Ce sont 100 projets qui illustrent les nouvelles réponses à la construction et au développement des métropoles. 

Exposição integrada no tratado de amizade Paris- Lisboa.

23 setembro, 2013

Morreu António Ramos Rosa (17.10.1924 - 23.09.2013)




Quem escreve



Quem escreve quer morrer, quer renascer

num ébrio barco de calma confiança.

Quem escreve quer dormir em ombros matinais

e na boca das coisas ser lágrima animal

ou o sorriso da árvore. Quem escreve

quer ser terra sobre terra, solidão

adorada, resplandecente, odor de morte

e o rumor do sol, a sede da serpente,

o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho,

o negro meio-dia sobre os olhos.



António Ramos Rosa
       

22 setembro, 2013

Leituras

 
Sinopse
«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.»

Passado nos recônditos fiordes islandeses, este romance é a voz de uma menina diferente que nos conta o que sobra depois de perder a irmã gémea. Um livro de profunda delicadeza em que a disciplina da tristeza não impede uma certa redenção e o permanente assombro da beleza.
O livro mais plástico de Valter Hugo Mãe. Um livro de ver. Uma utopia de purificar a experiência difícil e maravilhosa de se estar vivo.
 
 
 
"A Desumanização é o resultado do amor (no sentido do encantamento) do autor pela Islândia, o país da neve, do gelo e dos fiordes."
 
Miguel Real in JL 
 
 
 
 

Sinopse
 
Daniel tinha um plano, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. Às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a vida parecia fácil - e a felicidade também. De repente, porém, tudo se complicou: Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego, deixando de poder pagar a prestação da casa; a mulher, também desempregada, foi-se embora com os filhos à procura de melhores oportunidades; os seus dois melhores amigos encontram-se ausentes: um, Xavier, está trancado em casa há doze anos, obcecado com as estatísticas e profundamente deprimido com o facto de o site que criaram para as pessoas se entreajudarem se ter revelado um completo fracasso; o outro, Almodôvar, foi preso numa tentativa desesperada de remendar a vida. Quando pensa nos seus filhos e no filho de Almodôvar, Daniel procura perceber que tipo de esperança resta às gerações que se lhe seguem. E não quer desistir. Apesar dos escombros em que se transformou a sua vida, a sua vontade de refazer tudo parece inabalável. Porque, sem futuro, o presente não faz sentido.
Índice Médio de Felicidade é um romance admirável e extremamente actual sobre um optimista que luta até ao fim pela sua vida e pela felicidade daqueles que ama. Dramático e realista, mas com momentos hilariantes, confirma o talento de David Machado como um dos melhores ficcionistas da sua geração.
 
 

17 setembro, 2013

Paris-Lisboa

Foto: PT A propósito das celebrações dos 15 anos do Acordo de Amizade e Cooperação Paris-Lisboa, leva-se a cabo, de 19 de Setembro a 17 de Outubro, um programa feito de cruzamentos entre a Cultura das duas capitais.

FR Dans le cadre de la célébration du 15éme anniversaire du pacte d’amitié Paris-Lisbonne, un programme où les deux capitales cherchent les croisements culturels.
19 setembro/septembre > 17 outubro/octobre 2013 
15 anos de amizade / 15 Ans d’Amitié

 




Se a amizade é o valor que inspira o tratado de amizade Paris-Lisboa, não há melhor maneira de a comemorar do que através da cultura, convite para o encontro e a descoberta, estímulo para a aproximação e o reconhecimento, incentivo para a criação e para a renovação. Como dizia André Malraux: “A cultura não se herda, conquista-se.” Numa altura de grandes ameaças e incertezas, é preciso defender, valorizar e reafirmar os nossos ideais comuns, os sonhos que partilhamos, as nossas aspirações convergentes. Esta festa é, portanto, uma festa da amizade. E uma dinâmica que, vinda do passado, nos une, e nos transporta  para o futuro.

António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

 

Si l’amitié est la valeur inspirant le traité d’amitié Paris-Lisbonne, il n’y a pas de meilleure manière de la célébrer qu’à travers la culture, invitation à la rencontre et à la découverte, encouragement au rapprochement et à la reconnaissance, incitation à la création et au renouvellement. Comme le disait André Malraux, “la culture ne s’hérite pas, elle se conquiert”. À une époque de grandes menaces et d’incertitudes, nous avons besoin de défendre, de valoriser et de réaffirmer nos idéaux communs, nos rêves partagés, nos aspirations convergentes. Cette célébration est donc une fête de l’amitié. Et une dynamique qui, venue du passé, nous lie et nous conduit vers l’avenir.
 António Costa, Maire de Lisbonne


 


En mettant à l’honneur la culture pour célébrer notre  amitié, nous voulons rappeler que Lisbonne et Paris sont avant tout liés par une communauté d’esprit
et par une même recherche de sens, en ces heures  où nous en avons plus que jamais besoin. La culture  et le partage sont en effet indispensables aujourd’hui  pour donner un nouvel élan à notre citoyenneté  européenne. Je forme le voeu qu’un public nombreux  vienne vivre à travers ce programme des émotions artistiques et humaines inoubliables, et que les liens  qui unissent Lisbonne et Paris soient toujours plus  forts et plus fructueux.

Bertrand Delanoë, Maire de Paris
 

Na homenagem à cultura para celebrar a nossa amizade, queremos relembrar que Lisboa e Paris estão principalmente ligadas por uma comunhão de espírito e por uma busca comum de sentido, nestes momentos em que, mais do que nunca, delas precisamos.
A cultura e a partilha são realmente indispensáveis hoje em dia para dar um novo impulso à nossa cidadania europeia. Espero, sinceramente, que um imenso público participe neste programa de emoções artísticas e humanas inesquecíveis, e que os laços que unem Lisboa e Paris sejam cada vez mais fortes e mais profícuos.

Bertrand Delanoë, Presidente da Câmara Municipal de Paris
 
 
 
 
 

16 setembro, 2013

3ª Trienal de Arquitectura de Lisboa




A terceira Trienal de Arquitectura de Lisboa, Close, Closer já abriu ao público. Há várias   atividades integradas na cidade de Lisboa: exposições,  workshops, jantares, parlamentos, projecções , teatros, concursos e conversas públicas, entre muitas outras.
 
Consultar o programa em  www.close-closer.com



14 setembro, 2013

Al Berto à LER (1989)





É preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do café, de que nos servimos de manhã, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo. Talvez isso tenha a ver com a posição do escritor, que é uma posição universal, no lugar de Deus, acima da condição humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir… Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que é um demiurgo. Ou tem esse lado. Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que não tem nada a ver com aquilo que existe à flor da pele. Tem a ver com uma experiência radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo.

 

13 setembro, 2013

Florbela de Vicente Alves do Ó tem 15 nomeações para os Sophia




O filme Florbela de Vicente Alves do Ó foi nomeado em 15 categorias para os prémios Sophia. De entre elas, destacam-se a de Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Actor (Ivo Canelas) e Melhor Actriz (Dalila Carmo).


Os Sophia (nome da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen), que pretendem premiar o que de melhor se faz no cinema em Portugal, vão ser entregues a 6 de Outubro pela Academia Portuguesa de Artes e Ciências Cinematográficas.



11 setembro, 2013

Rosa Maria Martelo ganha Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho”

Rosa Maria Martelo
recebe o Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho”  
no próximo dia 18 de Setembro, pelas 17h30, pelo seu livro “O Cinema da Poesia” (Ed. Documenta), na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão.



 Rosa Maria Martelo venceu o Grande Prémio de Ensaio "Eduardo Prado Coelho" com o livro O Cinema da Poesia . O prémio é atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.
 
O júri  foi constituído por Clara Rocha, José Cândido Martins e José Carlos Seabra Pereira.
 
A autora é professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e já publicou, entre outras, as seguintes obras:
- Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia 
- Em Parte Incerta. Estudos de Poesia Portuguesa Contemporânea
- Vidro do mesmo Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961 
- A Forma Informe. Leituras de Poesia
-  A Porta de Duchamp (poesia)
 

09 setembro, 2013

Novo quadro de Van Gogh


                                                              Pôr-do-sol em Mont Majour


O Museu Van Gogh, em Amesterdão, revelou a identificação de um novo quadro do pintor holandês. A obra foi pintada na região de Arles, em França, onde Van Gogh tinha chegado no início de 1888.
 
Depois de um trabalho de investigação que durou dois anos, o Museu Van Gogh pôde agora assegurar a autenticidade desta obra que mede cerca de 1 x 1 metros e pertence a um coleccionador particular.
 
Na investigação que efectuaram sobre o quadro, os dois especialistas, Louis van Tilborgh e Teio Meedendorp, confirmaram a similitude dos pigmentos com os que o pintor usou noutros trabalhos feitos em Arles, na mesma altura – nomeadamente na pintura The Rocks.
 
O quadro vai  ser mostrado ao público a partir de 24 de Setembro, integrado na exposição Van Gogh at Work, que o Museu de Amesterdão tem patente desde Maio e até 12 de Janeiro de 2014.
 
 
 
 

19 agosto, 2013

Dia Mundial da Fotografia

                          S. Torpes - Sines (GR)


"Quando ceguei decidi ser fotógrafo"

Al Berto

09 agosto, 2013

Três poemas de Urbano Tavares Rodrigues (6.12. 1923 — 9.08. 2013)







Mulheres do Alentejo


Mulheres do Alentejo
Com papoilas nos olhos
São primaveras erguidas
Contra os bastões contra as balas
Oculto o rosto
Seus negros chapéus descidos
Frene ao sol
O claro choro nas mãos
Com bagos de amanhã.
São cor de terra
Cor de trabalho
Cor da habituação à dor.
Nossa Pátria do sofrimento
E do valor
Meu sinal de luz
Em toda a palavra que escrevo
Meu território do regresso e do futuro
Minha praia de secura
Percorrida pelo ódio e pelo pânico
Eis o ardente povo torturado
Esperança viva de um sonho feito carne
Mulheres searas fontes azinheiras
Nossa esperança, ainda em flor e fruto
No vermelho das feridas deste País de Abril




______________________


Margem esquerda


Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação

Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte

Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústia em botão
Dor cerrada em Baleizão

A foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravada
Ó minha terra vermelha
Como bandeira sonhada



___________________________

Primavera

A Primavera vem dançando
com os seus dedos de mistério e turquesa
Vem vestida de meio dia e vem valsando
entre os braços dum vento sem firmeza

Nu como a água o teu corpo quieto e ausente
Só este inquieto esvoaçar do teu sorriso
Loiro o rosto o olhar não sei se mente
se de tão negro e parado é um aviso
do destino que me fixa finalmente

Ai, a Primavera vai passando
com os seus dedos de mistério e de turquesa
Segue Primavera vai cantando
Que será do nosso amor nesta praia de incerteza



03 agosto, 2013

Eça Agora


Eles vão continuar 'Os Maias'
 
 
125 anos depois da primeira edição de Os Maias, o Expresso apresenta uma coleção especial, composta por sete volumes e onde se escreve a continuação do romance de Eça de Queirós, até aos dias da fundação do jornal Expresso.
 
A cena final do romance acontece  em janeiro de 1887, e toda a ação se desenrola a partir desse preciso momento: José Luís Peixoto escreve  o primeiro capítulo e prolonga-o até 1910,  seguido por José Eduardo Agualusa que o leva até 1925, Mário Zambujal é o escritor que se segue e vai até 1930, José Rentes de Carvalho situa a história na década de 30, Gonçalo M. Tavares, nos anos 50 e 60 e, finalmente,  Clara Ferreira Alves cria a década de 70.

As personagens, pela mão dos diferentes autores, vão ganhar  vida própria. A criação de José Luís Peixoto evidencia isso mesmo pelo que o projeto promete ser deveras  interessante. 
 
Sendo Os Maias um romance do século XIX, que descreve  notavelmente os defeitos do nosso país, pergunta-se de que forma os autores demonstrarão a atualidade e a premência deste romance?