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30 setembro, 2013

Philip Roth nomeado Comandante da Legião de Honra de França



 



O escritor norte-americano Philip Roth recebeu, na sexta-feira, a insígnia de Comandante da Legião de Honra de França das mãos do ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, numa cerimónia realizada na única livraria francesa de Nova Iorque.

A mais alta distinção do governo francês foi concedida a Philip Roth pela sua contribuição para a literatura global e pela sua longa relação com França.


 
in LEYA BIS

26 setembro, 2013

Exposição arquitectura de urbanismo na Av. Duque D'Ávila

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AVENIDA DUQUE D'ÁVILA

ARQUITECTURA URBANISMO 2000-2012
ARCHITECTURE URBANISME 2000-2012

25 setembro -  20 outubro 2013/ 25 septembre - 20 octobre 2013
40 expositores, em formato MUPI, mostram mapas, plantas, fotos e perspectivas de arquitectos. São 100 projectos que ilustram as novas respostas à construção e desenvolvimento das metrópoles.

40 présentoirs en, format Mupi, montrent des cartes, des plans, des photos et des perspectives d’architectes. Ce sont 100 projets qui illustrent les nouvelles réponses à la construction et au développement des métropoles. 

Exposição integrada no tratado de amizade Paris- Lisboa.

23 setembro, 2013

Morreu António Ramos Rosa (17.10.1924 - 23.09.2013)




Quem escreve



Quem escreve quer morrer, quer renascer

num ébrio barco de calma confiança.

Quem escreve quer dormir em ombros matinais

e na boca das coisas ser lágrima animal

ou o sorriso da árvore. Quem escreve

quer ser terra sobre terra, solidão

adorada, resplandecente, odor de morte

e o rumor do sol, a sede da serpente,

o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho,

o negro meio-dia sobre os olhos.



António Ramos Rosa
       

22 setembro, 2013

Leituras

 
Sinopse
«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.»

Passado nos recônditos fiordes islandeses, este romance é a voz de uma menina diferente que nos conta o que sobra depois de perder a irmã gémea. Um livro de profunda delicadeza em que a disciplina da tristeza não impede uma certa redenção e o permanente assombro da beleza.
O livro mais plástico de Valter Hugo Mãe. Um livro de ver. Uma utopia de purificar a experiência difícil e maravilhosa de se estar vivo.
 
 
 
"A Desumanização é o resultado do amor (no sentido do encantamento) do autor pela Islândia, o país da neve, do gelo e dos fiordes."
 
Miguel Real in JL 
 
 
 
 

Sinopse
 
Daniel tinha um plano, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. Às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a vida parecia fácil - e a felicidade também. De repente, porém, tudo se complicou: Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego, deixando de poder pagar a prestação da casa; a mulher, também desempregada, foi-se embora com os filhos à procura de melhores oportunidades; os seus dois melhores amigos encontram-se ausentes: um, Xavier, está trancado em casa há doze anos, obcecado com as estatísticas e profundamente deprimido com o facto de o site que criaram para as pessoas se entreajudarem se ter revelado um completo fracasso; o outro, Almodôvar, foi preso numa tentativa desesperada de remendar a vida. Quando pensa nos seus filhos e no filho de Almodôvar, Daniel procura perceber que tipo de esperança resta às gerações que se lhe seguem. E não quer desistir. Apesar dos escombros em que se transformou a sua vida, a sua vontade de refazer tudo parece inabalável. Porque, sem futuro, o presente não faz sentido.
Índice Médio de Felicidade é um romance admirável e extremamente actual sobre um optimista que luta até ao fim pela sua vida e pela felicidade daqueles que ama. Dramático e realista, mas com momentos hilariantes, confirma o talento de David Machado como um dos melhores ficcionistas da sua geração.
 
 

17 setembro, 2013

Paris-Lisboa

Foto: PT A propósito das celebrações dos 15 anos do Acordo de Amizade e Cooperação Paris-Lisboa, leva-se a cabo, de 19 de Setembro a 17 de Outubro, um programa feito de cruzamentos entre a Cultura das duas capitais.

FR Dans le cadre de la célébration du 15éme anniversaire du pacte d’amitié Paris-Lisbonne, un programme où les deux capitales cherchent les croisements culturels.
19 setembro/septembre > 17 outubro/octobre 2013 
15 anos de amizade / 15 Ans d’Amitié

 




Se a amizade é o valor que inspira o tratado de amizade Paris-Lisboa, não há melhor maneira de a comemorar do que através da cultura, convite para o encontro e a descoberta, estímulo para a aproximação e o reconhecimento, incentivo para a criação e para a renovação. Como dizia André Malraux: “A cultura não se herda, conquista-se.” Numa altura de grandes ameaças e incertezas, é preciso defender, valorizar e reafirmar os nossos ideais comuns, os sonhos que partilhamos, as nossas aspirações convergentes. Esta festa é, portanto, uma festa da amizade. E uma dinâmica que, vinda do passado, nos une, e nos transporta  para o futuro.

António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

 

Si l’amitié est la valeur inspirant le traité d’amitié Paris-Lisbonne, il n’y a pas de meilleure manière de la célébrer qu’à travers la culture, invitation à la rencontre et à la découverte, encouragement au rapprochement et à la reconnaissance, incitation à la création et au renouvellement. Comme le disait André Malraux, “la culture ne s’hérite pas, elle se conquiert”. À une époque de grandes menaces et d’incertitudes, nous avons besoin de défendre, de valoriser et de réaffirmer nos idéaux communs, nos rêves partagés, nos aspirations convergentes. Cette célébration est donc une fête de l’amitié. Et une dynamique qui, venue du passé, nous lie et nous conduit vers l’avenir.
 António Costa, Maire de Lisbonne


 


En mettant à l’honneur la culture pour célébrer notre  amitié, nous voulons rappeler que Lisbonne et Paris sont avant tout liés par une communauté d’esprit
et par une même recherche de sens, en ces heures  où nous en avons plus que jamais besoin. La culture  et le partage sont en effet indispensables aujourd’hui  pour donner un nouvel élan à notre citoyenneté  européenne. Je forme le voeu qu’un public nombreux  vienne vivre à travers ce programme des émotions artistiques et humaines inoubliables, et que les liens  qui unissent Lisbonne et Paris soient toujours plus  forts et plus fructueux.

Bertrand Delanoë, Maire de Paris
 

Na homenagem à cultura para celebrar a nossa amizade, queremos relembrar que Lisboa e Paris estão principalmente ligadas por uma comunhão de espírito e por uma busca comum de sentido, nestes momentos em que, mais do que nunca, delas precisamos.
A cultura e a partilha são realmente indispensáveis hoje em dia para dar um novo impulso à nossa cidadania europeia. Espero, sinceramente, que um imenso público participe neste programa de emoções artísticas e humanas inesquecíveis, e que os laços que unem Lisboa e Paris sejam cada vez mais fortes e mais profícuos.

Bertrand Delanoë, Presidente da Câmara Municipal de Paris
 
 
 
 
 

16 setembro, 2013

3ª Trienal de Arquitectura de Lisboa




A terceira Trienal de Arquitectura de Lisboa, Close, Closer já abriu ao público. Há várias   atividades integradas na cidade de Lisboa: exposições,  workshops, jantares, parlamentos, projecções , teatros, concursos e conversas públicas, entre muitas outras.
 
Consultar o programa em  www.close-closer.com



14 setembro, 2013

Al Berto à LER (1989)





É preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do café, de que nos servimos de manhã, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo. Talvez isso tenha a ver com a posição do escritor, que é uma posição universal, no lugar de Deus, acima da condição humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir… Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que é um demiurgo. Ou tem esse lado. Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que não tem nada a ver com aquilo que existe à flor da pele. Tem a ver com uma experiência radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo.

 

13 setembro, 2013

Florbela de Vicente Alves do Ó tem 15 nomeações para os Sophia




O filme Florbela de Vicente Alves do Ó foi nomeado em 15 categorias para os prémios Sophia. De entre elas, destacam-se a de Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Actor (Ivo Canelas) e Melhor Actriz (Dalila Carmo).


Os Sophia (nome da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen), que pretendem premiar o que de melhor se faz no cinema em Portugal, vão ser entregues a 6 de Outubro pela Academia Portuguesa de Artes e Ciências Cinematográficas.



11 setembro, 2013

Rosa Maria Martelo ganha Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho”

Rosa Maria Martelo
recebe o Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho”  
no próximo dia 18 de Setembro, pelas 17h30, pelo seu livro “O Cinema da Poesia” (Ed. Documenta), na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão.



 Rosa Maria Martelo venceu o Grande Prémio de Ensaio "Eduardo Prado Coelho" com o livro O Cinema da Poesia . O prémio é atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.
 
O júri  foi constituído por Clara Rocha, José Cândido Martins e José Carlos Seabra Pereira.
 
A autora é professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e já publicou, entre outras, as seguintes obras:
- Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia 
- Em Parte Incerta. Estudos de Poesia Portuguesa Contemporânea
- Vidro do mesmo Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961 
- A Forma Informe. Leituras de Poesia
-  A Porta de Duchamp (poesia)
 

09 setembro, 2013

Novo quadro de Van Gogh


                                                              Pôr-do-sol em Mont Majour


O Museu Van Gogh, em Amesterdão, revelou a identificação de um novo quadro do pintor holandês. A obra foi pintada na região de Arles, em França, onde Van Gogh tinha chegado no início de 1888.
 
Depois de um trabalho de investigação que durou dois anos, o Museu Van Gogh pôde agora assegurar a autenticidade desta obra que mede cerca de 1 x 1 metros e pertence a um coleccionador particular.
 
Na investigação que efectuaram sobre o quadro, os dois especialistas, Louis van Tilborgh e Teio Meedendorp, confirmaram a similitude dos pigmentos com os que o pintor usou noutros trabalhos feitos em Arles, na mesma altura – nomeadamente na pintura The Rocks.
 
O quadro vai  ser mostrado ao público a partir de 24 de Setembro, integrado na exposição Van Gogh at Work, que o Museu de Amesterdão tem patente desde Maio e até 12 de Janeiro de 2014.
 
 
 
 

19 agosto, 2013

Dia Mundial da Fotografia

                          S. Torpes - Sines (GR)


"Quando ceguei decidi ser fotógrafo"

Al Berto

09 agosto, 2013

Três poemas de Urbano Tavares Rodrigues (6.12. 1923 — 9.08. 2013)







Mulheres do Alentejo


Mulheres do Alentejo
Com papoilas nos olhos
São primaveras erguidas
Contra os bastões contra as balas
Oculto o rosto
Seus negros chapéus descidos
Frene ao sol
O claro choro nas mãos
Com bagos de amanhã.
São cor de terra
Cor de trabalho
Cor da habituação à dor.
Nossa Pátria do sofrimento
E do valor
Meu sinal de luz
Em toda a palavra que escrevo
Meu território do regresso e do futuro
Minha praia de secura
Percorrida pelo ódio e pelo pânico
Eis o ardente povo torturado
Esperança viva de um sonho feito carne
Mulheres searas fontes azinheiras
Nossa esperança, ainda em flor e fruto
No vermelho das feridas deste País de Abril




______________________


Margem esquerda


Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação

Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte

Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústia em botão
Dor cerrada em Baleizão

A foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravada
Ó minha terra vermelha
Como bandeira sonhada



___________________________

Primavera

A Primavera vem dançando
com os seus dedos de mistério e turquesa
Vem vestida de meio dia e vem valsando
entre os braços dum vento sem firmeza

Nu como a água o teu corpo quieto e ausente
Só este inquieto esvoaçar do teu sorriso
Loiro o rosto o olhar não sei se mente
se de tão negro e parado é um aviso
do destino que me fixa finalmente

Ai, a Primavera vai passando
com os seus dedos de mistério e de turquesa
Segue Primavera vai cantando
Que será do nosso amor nesta praia de incerteza



03 agosto, 2013

Eça Agora


Eles vão continuar 'Os Maias'
 
 
125 anos depois da primeira edição de Os Maias, o Expresso apresenta uma coleção especial, composta por sete volumes e onde se escreve a continuação do romance de Eça de Queirós, até aos dias da fundação do jornal Expresso.
 
A cena final do romance acontece  em janeiro de 1887, e toda a ação se desenrola a partir desse preciso momento: José Luís Peixoto escreve  o primeiro capítulo e prolonga-o até 1910,  seguido por José Eduardo Agualusa que o leva até 1925, Mário Zambujal é o escritor que se segue e vai até 1930, José Rentes de Carvalho situa a história na década de 30, Gonçalo M. Tavares, nos anos 50 e 60 e, finalmente,  Clara Ferreira Alves cria a década de 70.

As personagens, pela mão dos diferentes autores, vão ganhar  vida própria. A criação de José Luís Peixoto evidencia isso mesmo pelo que o projeto promete ser deveras  interessante. 
 
Sendo Os Maias um romance do século XIX, que descreve  notavelmente os defeitos do nosso país, pergunta-se de que forma os autores demonstrarão a atualidade e a premência deste romance?



21 julho, 2013

Mia Couto nomeado para o Prémio Neustadt de Literatura nos EUA





Mia Couto integra a lista de finalistas da 23.ª edição do Prémio Internacional Neustadt de Literatura 2014, anunciada pela revista World Literature Today, da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos da América.

A lista de nomeados  inclui também o escritor argentino César Aira, a vietnamita Duong Thu Huong, o ucraniano Ilya Kaminsky, o japonês Haruki Murakami, o norte-americano Edward P. Jones, o sul-coreano Chang-rae Lee, o palestiniano Ghassan Zaqtan e Edouard Maunick, das Ilhas Maurícias.

O Prémio Neustadt “é o mais prestigiado galardão literário internacional atribuído nos Estados Unidos” a escritores de diferentes nacionalidades, “exclusivamente com base no mérito literário”, sendo por isso considerado o “’Nobel’ americano”.

O prémio é atribuído de dois em dois anos, através da Universidade local, e tem o valor de 50 mil dólares (cerca de 38 mil euros). Foi atribuído pela 1.ª vez em 1970.


Os membros do júri do prémio  reúnem-se em Outubro, na Universidade de Oklahoma. O vencedor é  anunciado a 1 de Novembro, durante o Festival Neustadt Internacional de Cultura e Literatura. 



20 julho, 2013

Sob o signo de Amadeo. Um século de arte

Sob o signo de Amadeo. Um século de arte - exposição comemorativa 30º aniversário CAM


 26 julho 2013 a 19 janeiro 2014
14.00 às 18.00
Centro de Arte Moderna


No ano em que comemora o trigésimo aniversário da sua abertura ao público, o CAM apresenta o melhor da sua coleção, numa grande mostra com obras de 1910 até aos dias de hoje. Com o título SOB O SIGNO DE AMADEO UM SÉCULO DE ARTE, vai ocupar todas as salas do Centro de Arte Moderna, reunindo uma vasta e criteriosa escolha daquela que é considerada a mais significativa coleção de arte portuguesa do século XX. Pela primeira vez será apresentado o acervo completo de Amadeo de Souza-Cardoso, o grande pioneiro do modernismo em Portugal, e uma das grandes referências da Arte do século XX

17 julho, 2013

Rokia Traoré no FMM

 
 



        No dia 25 de julho, Rokia vai estar, de novo  e pela terceira vez, presente no palco do castelo do FMM, em  Sines, para apresentar o seu mais recente trabalho "Beautiful Africa".

FMM SINES - 18 a 27 JULHO





Com 43 espetáculos, entre 18 e 27 de julho, o Festival Músicas do Mundo  comemora o seu 15.º aniversário.

 





 

13 julho, 2013

José Luís Peixoto ganha Prémio Salerno Livro d'Europa



Livro



O escritor José Luís Peixoto  venceu a primeira edição do Prémio Salerno Livro d`Europa, em Itália, com a obra Livro.
 
O júri  que decidiu o prémio, com um valor pecuniário de 5 mil euros, foi constituído por 50 leitores e 50 personalidades ligadas ao meio editorial italiano.
 
Livro foi publicado em 2010, pela Quetzal Editores, e foi também finalista do Prémio Femina, atribuído em França.
 
O Prémio Salerno Livro d’Europa teve, como outros finalistas, a francesa Jakuta Alikavazovic, autora de La Bionda e il Bunker, na tradução italiana, o suíço  Arno Camenisch , autor de  Dietro la Stazione, o italiano Paolo Di Paolo, com Mandami Tanta Vita e a alemã Judith Schalansky com Lo Splendore Casuale delle Meduse.
 
José Luís Peixoto já venceu  em 2001, o Prémio Saramago com o romance Nenhum Olhar, e foi  distinguido com os prémios Daniel Faria e Cálamo Outra Mirada, ambos em 2008.
E Cemitério de Pianos (2006) está na primeira lista do Prémio Impact Dublin.

11 julho, 2013

Festival Terras sem Sombra - sessão de encerramento, Sines






A 10ª edição de Terras sem Sombra - Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo, tem como lema “Punctum contra Punctum. Polifonias de Machaut a Ligeti” e decorrerá em oito localidades baixo-alentejanas, aliando os concertos a acções de sensibilização para a preservação da biodiversidade.
A decorrer desde Abril,o último concerto realiza-se no dia 13 de Julho com a Camerata Bocherini e a soprano María José Moreno, na igreja matriz de Sines.


Igreja Matriz do Santíssimo Salvador, Sines

13 JULHO - 21h20
 
NA MÃO DE DEUS
 
 
 ARNOLD SCHOENBERG, LUIGI BOCCHERINI
Soprano María José Moreno
Camerata Boccherini
Violinos Massimo Spadano e Ludwig Durichen
Violeta Luigi Mazzucato
Violoncelo David Etheve
Contrabaixo Tod Williamson

08 julho, 2013

Maria Bethânia e Dona Cleo lendo Fernando Pessoa - FLIP 2013





 
 
Na 11ª edição da FLIP,  a cantora Maria Bethânia e a crítica literária Cleonice Berardinelli, "Dona Cleo", leram poemas de Fernando Pessoa.
 
A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) teve lugar  nos dias 03 a 07 de Julho e teve, este ano,  como homenageado o escritor Graciliano Ramos.

Dos poemas lidos destaco:
 
Todas as Cartas de Amor são Ridículas


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.



As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.



Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor
É que são
Ridículas.



Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.



A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.



(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
 
 
Álvaro de Campos
 

30 junho, 2013

Um poema de António Ramos Rosa


                                       foto retirada de proibidoler.com



Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol. 




 
António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

27 junho, 2013

Camille Claudel 1915, um filme de Bruno Dumont

Camille Claudel Affiche


A atriz Juliette Binoche contracena com internos de um asilo  psiquiátrico.
O filme narra alguns dias na vida da artista, Camille Claudel. Expõe o seu desespero no interior do asilo  e a espera pela visita de seu irmão, Paul Claudel (Jean-Luc Vincent).
 
Camille Claudel foi uma escultora famosa no início do século passado, irmã do poeta Paul Claudel e amante de Auguste Rodin. Caída em desgraça devido a problemas mentais (o constante medo de envenenamento, a sensação de perseguição, ...) e a desavenças familiares, é num asilo que a encontramos pela primeira vez, nua à beira de uma banheira sendo convidada pelas freiras a tomar um banho e lavar as mãos, essas mãos que ela traz sempre tão sujas.


                                       

26 junho, 2013

Exposição Entre Memória e Arquivo

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Esta exposição aborda as relações entre o arquivo e a fotografia nas práticas artísticas contemporâneas. Por um lado, o arquivo enquanto estrutura de registo, organização e classificação da memória determina o que é suscetível de ser preservado ou não; por outro, a fotografia está implicada no registo de aspetos específicos do real, que são resgatados ao esquecimento. A consideração de uma sobreposição destes aspetos define o âmbito de Entre Memória e Arquivo, que reúne trabalhos de diversos artistas, tempos e espaços geográficos e tem curadoria de Ruth Rosengarten. Nas suas palavras, «o arquivo – enquanto metodologia ou enquanto medium – tem sido uma figura central na produção artística dos últimos cinquenta anos, apesar das suas raízes se encontrarem nas vanguardas do início do século XX».
 
Pedro Lapa
Diretor Artístico

23 junho, 2013

Texto lindíssimo de António Lobo Antunes - na prova de português do 12º ano






O meu trabalho está praticamente terminado. Escrevi os livros que queria, da maneira como queria, dizendo o que queria: não altero uma linha ao que fiz e, se me dessem mais cem anos de vida em troca deles, não aceitava. Era exactamente isto que ambicionava fazer. Há uns dez dias acabei o último. Se tiver tempo, e embora a obra esteja redonda
 
(sempre esteve na minha cabeça deixar a obra redonda)
 
é possível, seria possível acrescentar uma espécie de post-scriptum. Não sei se vou fazê-lo. Sai um livro em 2012, para o ano uma coleção destes textozitos, em 2014 o que agora terminei e uma última coleção destas prosinhas e acabou-se. No caso de continuar capaz farei então a tal espécie de post-scriptum. E, após isso, ninguém lerá uma só palavra posta por mim num pedaço de papel. Tenho a certeza do valor da minha obra e orgulho-me dela. Em certa medida, no entanto, não me considero o seu autor: foi-me ditada e afigura-se-me um pouco desonesto que o meu nome esteja na capa. O que rodeia a literatura, todas estas traduções, todos estes prémios, todo o ruído que acompanha o sucesso, nunca foi muito importante para mim. Não o é nada agora. Olho o monte de páginas que ficará no meu lugar na paz de um campo que tratei sozinho: resta-me voltar para casa e fechar a porta. Outros que cuidem dele se o entenderem: já não me diz respeito. Se há pessoas que olham o que construí como difícil de entender é porque não compreendem a complexidade da vida, e isso não é culpa minha, é defeito delas. Von Neumann, o descobridor da teoria dos jogos, enunciou-o claramente há anos, ao explicar o problema das variáveis vivas e das variáveis mortas. E as variáveis mortas, tal como ele o demonstrou, são quase inúteis. Basta encostar o ouvido às coisas e a nós mesmos, encostar com atenção o ouvido às coisas e a nós mesmos para nos apercebermos disso. O medo de saber apavora-nos. A ideia de tomar consciência arrepia-nos. Recusamos a possibilidade de viver no interior de nós mesmos. O facto de um livro contar uma história apazigua o nosso lado infantil. Não serve de nada salvo para nos tranquilizar. E continuarmos por fora do que nos inquieta, nos assusta, nos alerta: não escrevi a fim de trazer paz a ninguém. Não me interessou entreter nem divertir nem agitar bichos de peluche diante de pessoas crescidas. Fiz livros para adultos de pé e olhos abertos. Numa conversa com George Steiner, quando eu gabava o Monte dos Vendavais ele interrompeu-me brandamente
 
- Não acha um bocado histérico?
 
ao princípio protestei, depois calei-me, depois dei-lhe razão. O facto é que eu não tinha sabido ler. O facto é que eu tinha, sem dar conta disso, pedido um sininho para adormecer. Steiner estava certo e eu errado. Erro muitas vezes, aliás. Mas estou seguro que não errei no meu trabalho, e foi extenuante encontrar a minha voz tal como cada frase me é, me foi sempre extenuante: é a mão que escreve mas o corpo inteiro paga caro, e o cansaço físico de cada dia de escrita é imenso. Para além disso, ao corrigir, metade do que fiz, mais de metade do que fiz, segue para o lixo. Demasiada carne, demasiada gordura até chegar ao osso. A partir de agora, nem mais uma entrevista para um jornal que seja, uma televisão, uma rádio. O que tenho a dizer escrevi-o. Quem tiver olhos que leia, quem não conseguir ler desista. Todas as frases ditas pelo autor são supérfluas. E, a maior parte das vezes, pior que supérfluas: erradas. Não é possível falar racionalmente do que não é racional, explicar o que se passa antes das palavras, desarticular o que é feito de uma peça apenas e a vida do autor só para ele mesmo e, na melhor das hipóteses, para mais meia dúzia de criaturas, poderá ter interesse. A arte, mistério impenetrável, não cabe na razão lógica e qualquer tentativa de a desmontar será sempre inútil. Se fosse possível desmontá-la não seria arte. Permanecerá para sempre secreta e insolúvel. Pode bordar-se em torno mas fora da muralha, nada tem que ver com a inteligência, a razão, o raciocínio dedutivo: existe em si mesma, por si mesma e para si mesma, apenas permeável ao inconsciente e, no entanto, ao tocar-nos no inconsciente muda a nossa percepção do mundo e de nós mesmos em consequência de um mecanismo que nos escapa. Só o mistério nos faz viver, insistia Lorca, só o mistério nos faz viver.
Pelo teu amor dói-me o ar
o coração e o chapéu.

Isto, aparentemente, não significa nada e, no entanto, faz-nos vibrar como cordas. Julgo que, até hoje, foi Pitágoras quem mais se aproximou da compreensão visceral da criação. A gente lê-o, sente-o a um pequeno passo da solução e dá fé que esse pequeno passo nunca será esboçado porque não é possível avançar.
 
O meu trabalho está praticamente terminado. O resto fica por vossa conta e eu estarei muito longe já. É inevitável. Governem-se, se forem capazes, com a chave que vos deixo, se é que ela existe, ou não existe, ou existem várias, ou existem muitas, mudando constantemente. De cada vez, por exemplo, que oiço um quarteto de Beethoven oiço música nova. Como se pode agarrar, digam-me lá, o que constantemente muda?

António Lobo Antunes, "Adeus",   Visão nº 1024

22 junho, 2013

Universidade de Coimbra classificada Património da Humanidade




A Universidade de Coimbra  foi classificada hoje Património Mundial da Humanidade pelo comité da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
 
Reunido no Camboja, o Comité do Património Mundial deliberou que o bem “Universidade Coimbra. Alta e Sofia”, proposto por Portugal, possuía inquestionável valor universal excepcional e que merecia ser classificado como Património de toda a Humanidade.

A área classificada pela UNESCO está situada em duas zonas do centro histórico da cidade de Coimbra: uma na encosta da cidade, a Alta, e a outra na parte baixa, a Sofia.
O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, afirma que "mais do que o reconhecimento do valor arquitetónico do complexo universitário de Coimbra, esta decisão da UNESCO sublinha o valor universal da cultura e da língua portuguesas e reconhece o papel central que Portugal teve na formação do Mundo, tal como hoje o conhecemos".

14 junho, 2013

José Eduardo Agualusa vence prémio Manuel António Pina



O livro "A rainha dos estapafúrdios" valeu ao escritor angolano José Eduardo Agualusa o prémio Manuel António Pina, criado este ano para distinguir obras da literatura para a infância e juventude, revelou hoje o júri à agência Lusa.
 
Com ilustrações de Danuta Wojciechowska, editado em 2012 pela D. Quixote, o livro narra as aventuras da perdigota Ana, uma pequena perdiz cinzenta que, à procura de uma plumagem mais colorida, cai num arco-íris e que, depois de muitas peripécias, se transforma na rainha da savana.
 
O júri foi consensual em atribuir o prémio desta primeira edição a "A rainha dos estapafúrdios", por ser a obra que reuniu todos os requisitos do galardão, criado em honra de Manuel António Pina, disse Adélia Carvalho, um dos elementos do júri.
 
 
 
in SOL

13 junho, 2013

Fernando Pessoa (125 anos)

 
 
 
Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
 

Um poema de Al Berto



                                                                    Idanha a Velha - Agosto 2012


para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado

deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
cansada de pousio - uma terra
necessitada de águas de sons de afectos para
intensificar o esplendor do teu firmamento

passa um bando de andorinhões rente à janela
sobrevoam o rosto que surge do mar - crepúsculo
donde se soltaram as abelhas incompreensíveis
da memória

luzeiros marinhos sobre a pele - peixes
que se enforcam com a corda de noctilucos
estendida nesta mudança de estação

 
in Horto de Incêndio