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27 janeiro, 2013

Lanzarote instala escultura em homenagem a José Saramago

José Saramago homenageado em Lanzarote com escultura
Fotografia © Fundação José Saramago/Direitos Reservados
 
Uma escultura de uma oliveira com quase cinco metros vai ser instalada junto à casa onde o escritor José Saramago (1922-2010) viveu, em Tías, Lanzarote, em homenagem ao Nobel da Literatura português.
 
De acordo com um comunicado da Fundação José Saramago, em Lisboa, a escultura em aço vai ser instalada na rotunda que dá acesso ao complexo onde fica a casa e a biblioteca do escritor, em Tías, no dia 18 de março, data do segundo aniversário da abertura deste espaço ao público.

A escultura, da autoria de José Perdomo a partir de um desenho de Esther Viña, ambos de Lanzarote, representa uma oliveira feita com as letras iniciais de José Saramago: o tronco é a letra "j" e os ramos são todos em forma da letra "s".
De acordo com a fundação, a iniciativa tem como objetivo deixar um testemunho da permanência de José Saramago em Lanzarote, onde se instalou em 1993, repartindo a presença na ilha com sucessivas estadas em Lisboa.
Foi em Lanzarote que escreveu o livro "Ensaio sobre a Cegueira" (1995) e todas as obras que se seguiram.
 

19 janeiro, 2013

Eugénio de Andrade (19.jan.1923 - 13.jun.2005)

 
 
As Amoras

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.     
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
  
Eugénio de Andrade

18 janeiro, 2013

Maria do Rosário Pedreira vence Prémio Inês de Castro 2012





Maria do Rosário Pedreira vence o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2012, pelo livro “Poesia reunida”, publicado em setembro passado.
 
 A obra “Poesia Reunida”, publicada pela Quetzal, integra as obras de Maria do Rosário Pedreira, “A Casa e o Cheiro dos Livros” (1996), “O Canto do Vento nos Ciprestes” (2001) e “Nenhum Nome Depois” (2004) e o inédito “A Ideia do Fim”.
 
 
Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa, em 1959. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Universidade Clássica de Lisboa (1981). Coordenou os serviços da Editora Gradiva, foi diretora de publicações da Sociedade Portugal-Frankfurt/97 e editou os catálogos das exposições temáticas da Expo'98, entre outros. Em 1998, tornou-se editora da publicação Temas e Debates.
 
__________
 
O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros
O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros.
As tardes vão-se repetindo no terraço, onde as palavras
são pequenos lugares de memória. Estou divorciada dos
outros pelo tempo destas entrelinhas - longe de casa,
tenho sonhos que não conto a ninguém, viro devagar

a primeira página: em fevereiro, eles ainda faziam amor
à sexta-feira. De manhã, ela torrava pão e espremia
laranjas numa cozinha fria. Havia mais toalhas para lavar
ao domingo, cabelos curtos colados teimosamente ao espelho.
Às vezes, chovia e ambos liam o jornal, dentro do carro,
antes de se despedirem. As vezes, repartiam sofregamente
a infância, postais antigos, o silêncio - nada

aconteceu entretanto. Regresso, pois, à primeira linha,
à verdade que remexe entre as minhas mãos. Talvez os olhos
estivessem apenas desatentos sobre o livro; talvez as histórias
se repitam mesmo, como as tardes passadas no terraço, longe
de casa. Aqui tenho sonhos que não conto a ninguém.



Maria do Rosário Pedreira in A Casa e o Cheiro dos Livros

11 janeiro, 2013

Um poema de Al Berto





procuro-te no meio dos papéis escritos
atirados para o fundo do armário de vidrinhos
comias uvas no meio da página


a seguir era como se fosse noite
havia olhares que se cruzavam corpos
deambulações pela praia
era noite e alguém se aproximava


eu estava passeando os dedos
pelas nódoas frescas do vinho sobre a mesa o caderno
onde de quando em quando rabiscava um rosto
e listas de nomes que não queria esquecer


paguei o pão o vinho o queijo
levantei-me
tu cortaste-me a fuga vagarosamente preparada
pediste-me um cigarro


na outra página estávamos rindo
estendidos no pobre embarcadouro de madeira
planeávamos atravessar a noite mágica do rio


a página seguinte está em branco
mas lembro-me que te agarrei a mão e disse
todos os cigarros do mundo são para ti


O Medo 

05 janeiro, 2013

Os Miseráveis



 
 
Os Miseráveis é uma adaptação para cinema, da aclamada peça vista por mais de 60 milhões de espectadores em 42 países e traduzida para 21 línguas por todo o globo, alcançando ainda recordes de bilheteira em tudo o mundo no seu 27.º aniversário. Liderada por Tom Hooper, vencedor do Oscar® de Melhor Realizador com “O Discurso do Rei”, a produção Working Title/Cameron Mackintosh, é protagonizada por Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen.
Com a França do século XIX como pano de fundo, Os Miseráveis conta uma apaixonante história de sonhos desfeitos, de um amor não correspondido, paixão, sacrifício e redenção, num testemunho intemporal da sobrevivência do espírito humano. Jackman interpreta um ex-prisioneiro, Jean Valjean, perseguido durante décadas pelo cruel polícia Javert (Russell Crowe), depois de ter quebrado a sua liberdade condicional. Quando Valjean aceita cuidar de Cosette, a filha da operária Fantine (Anne Hathaway), as suas vidas mudam para sempre.
Baseado no conto épico de Victor Hugo, Tom Hooper traz para o grande ecrã, a sua espetacular interpretação do musical que está há mais tempo em cena no mundo. Com estrelas internacionais e grandes temas, nomeadamente, “I Dreamed a Dream”, “Bring Him Home”, “One Day More” e “On My Own”; Os Miseráveis, o show dos shows, renasce agora como uma experiência cinematográfica arrebatadora.

02 janeiro, 2013

Dois poemas de António Ramos Rosa


                                         (foto retirada de "No cemitério dos livros esquecidos...)


Caminhas por um bosque azul entre a aridez e a frescura
Buscas o repouso móvel e um rio de pássaros
Quantas ilhas submersas no teu peito
Escreves o silêncio e o vento que te enlaça
Abraças-te a um corpo escuro um corpo de água
No vazio e no torvelinho modelas a Presença
Entre palavras de pedra e palavras de chuva
esculpes um deus  ignorante e instantâneo
Não te perdes entre os elementos enlaçados
ou no labirinto de lábios que te envolve a cabeça

António Ramos Rosa

(Um grande bem haja ao Rui Correia que me cedeu este poema)


___________________


O livro está aberto e há demasiada luz.
Tudo o que escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformar a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.


António Ramos Rosa

23 dezembro, 2012

Dois poemas




Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.


David Mourão Ferreira

___________________


Ansiedade (e esperança)
Quero compor um poema
onde fremente
cante a vida
das florestas das águas e dos ventos.

Que o meu canto seja
no meio do temporal
uma chicotada de vento
que estremeça as estrelas
desfaça mitos
e rasgue nevoeiros — escancarando sóis!

Manuel da Fonseca

18 dezembro, 2012

Um texto de Valter Hugo Mãe



Os professores

Achei por muito tempo que ia ser professor.
Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar.
Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze
anos de idade. A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito.
... Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso
ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém.

Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o
Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho
pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões.

Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho
comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.
Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que
induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto
imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza.

Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.

Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da
escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e
acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

Dá -me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa.

Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.

Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade.
E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto.

As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os
alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento.

E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a
suicidar-se. Odeia e odeia-se.

 Valter Hugo Mãe in  Jornal de Letras, 19 setembro 2012

14 dezembro, 2012

Richard Zenith vence Prémio Pessoa 2012


 
O escritor norte-americano Richard Zenith é o vencedor do Prémio Pessoa 2012. Zenith é investigador pessoano, tradutor e crítico literário, responsável pela tradução para inglês de autores como Camões, Sophia de Mello Breyner, Drummond e Antero de Quental.
 
Em 1988 começou a traduzir o Livro do Desassossego de Bernardo Soares para inglês (tradução publicada em 1991 sob o título The Book of Disquietude). Nessa altura fez muitas pesquisas no espólio de Pessoa. Em 1998 publicou Fernando Pessoa & Co. - Selected Poems, prémio de tradução atribuído pelo PEN Club norte-americano. Neste mesmo ano, preparou para a Assírio & Alvim uma edição do Livro do Desassossego e, com base nesta edição, fez uma nova tradução para inglês, The Book of Disquiet, publicada pela Penguin em 2001.
"A dedicação de Richard Zenith à língua e à literatura portuguesas levou-o ainda a traduzir para inglês autores clássicos e contemporâneos como Antero de Quental, Sophia de Mello Breyner, Nuno Júdice e António Lobo Antunes. Richard Zenith conta igualmente com uma produção original de poemas e contos dispersos por publicações várias". É autor de um livro de contos publicado em 2003 pela editora Quasi, Terceiras Pessoas. Tem também poemas seus publicados em revistas norte-americanas.
 
 
Notícia completa em Público
 
Esta é a 26.ª edição do Prémio Pessoa. A lista dos antigos galardoados é composta pelos seguintes nomes:
  • 1987 - José Mattoso
  • 1988 - António Ramos Rosa
  • 1989 - Maria João Pires
  • 1990 - Menez
  • 1991 - Cláudio Torres
  • 1992 - António e Hanna Damásio
  • 1993 - Fernando Gil
  • 1994 - Herberto Helder
  • 1995 - Vasco Graça Moura
  • 1996 - João Lobo Antunes
  • 1997 - José Cardoso Pires
  • 1998 - Eduardo Souto Moura
  • 1999 - Manuel Alegre e José Manuel Rodrigues
  • 2000 - Emanuel Nunes
  • 2001 - João Bénard da Costa
  • 2002 - Manuel Sobrinho Simões
  • 2003 - José Joaquim Gomes Canotilho
  • 2004 – Mário Cláudio
  • 2005 – Luís Miguel Cintra
  • 2006 – António Câmara
  • 2007 – Irene Flunser Pimentel
  • 2008 - João Luís Carrilho da Graça
  • 2009 – D. Manuel Clemente
  • 2010 – Maria do Carmo Fonseca
  • 2011 – Eduardo Lourenço
  • 2012 - Richard Zenith
 

09 dezembro, 2012

Clarice Lispector 10 Dez 1920 - 9 Dez 1977




Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.

Clarice Lispector

________________

O sonho

Sonhe com aquilo  que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

Clarice Lispector

06 dezembro, 2012

Morreu Oscar Niemeyer (15-12-1907 / 6-12-2012)





  O brasileiro que revolucionou a Arquitetura Moderna, com a introdução da linha curva e novas possibilidades de utilização do betão, morreu hoje aos 104 anos no Rio de Janeiro. Oscar Niemeyer deixa meio milhar de obras, entre as quais a cidade de Brasília.

Ler mais:expresso.sapo.pt
 
Brasília

Brasília
Desenhada por Lúcio Costa Niemeyer e Pitágoras
Lógica e lírica
Grega e brasileira
Ecuménica
Propondo aos homens de todas as raças
A essência universal das formas justas
Brasília despojada e lunar como a alma de um poeta
muito jovem
Nítida como Babilónia
Esguia como um fuste de palmeira
Sobre a lisa página do planalto
A arquitectura escreveu a sua própria paisagem
 
O Brasil emergiu do barroco e encontrou o seu número
 
No centro do reino de Ártemis
— Deusa da natureza inviolada —
No extremo da caminhada dos Candangos
No extremo da nostalgia dos Candangos
Athena ergueu sua cidade de cimento e vidro
Athena ergueu sua cidade ordenada e clara como um pensamento
 
E há no arranha-céus uma finura delicada de coqueiro

Sofia de Mello Breyner Andresen , in Geografia, 1967
 
 

 

27 novembro, 2012

Valter Hugo Mãe vence Prémio Literário Portugal Telecom

  Valter Hugo Mãe
Valter Hugo Mãe
D.R.
 
O escritor português é o vencedor da décima edição do Prémio Literário Portugal Telecom 2012, com o seu romance A máquina de fazer espanhóis.
 
 A Máquina de Fazer Espanhóis é o 4º volume de uma série composta por O Nosso Reino (2004), O Remorso de Baltazar Serapião (2006, vencedor do Prémio Saramago) e O Apocalipse dos Trabalhadores (2008).
Nuno Ramos venceu na categoria de poesia e Dalton Trevisan na de conto/crónica. Os vencedores foram anunciados ontem, em S. Paulo.
O Prémio Portugal Telecom de Literatura em língua portuguesa, que nesta edição completou 10 anos, distribuiu-se pela primeira vez pelas categorias poesia, romance e conto/crónica e incluiu um Grande Prémio.

26 novembro, 2012

Populaire de Regis Roinsard

Populaire
Année: 2011
Date de Sortie: 28 Novembre 2012
Réalisateur: Regis Roinsard
Acteurs: Romain Duris, Déborah François, Berenice Béjo, Shaun Benson, Nicolas Bedos, Mélanie Bernier, ... Eddy Mitchell, Miou-Miou, Féodor Atkine, Marius Colucci
Genre: Comédie
Pays de production: France


Synopsis du film Populaire
 
Printemps 1958. Rose Pamphyle, 21 ans, vit avec son père, veuf bourru qui tient le bazar d’un petit
village normand. Elle doit épouser le fils du garagiste et est promise au destin d’une femme au foyer docile et appliquée. Mais Rose ne veut pas de cette vie. Elle part pour Lisieux où Louis Echard, 36 ans, patron charismatique d’un cabinet d’assurance, cherche une secrétaire. L’entretien d’embauche est un fiasco. Mais Rose a un don : elle tape à la machine à écrire à une vitesse vertigineuse. La jeune femme réveille malgré elle le sportif ambitieux qui sommeille en Louis… Si elle veut le poste, elle devra participer à des concours de vitesse dactylographique. Qu’importent les sacrifices qu’elle devra faire pour arriver au sommet, il s’improvise entraîneur et décrète qu’il fera d’elle la fille la plus rapide du pays, voire du monde ! Et l’amour du sport ne fait pas forcément bon ménage avec l’amour tout court…
 

Populaire : bande annonce # 1 VF

24 novembro, 2012

Dalí au centre Pompidou






Du mercredi 21 novembre 2012 au lundi 25 mars 2013
 
Disparu en 1989, le peintre et sculpteur Salvador Dali a marqué l'histoire de l'art du XXe siècle. De nationalité espagnole, Salvador Dali était un artiste aux idées contre-révolutionnaires et qui a su surprendre le monde avec ses sujets extravagants.

Cette exposition, consacrée à l'univers du peintre, sculpteur et scénariste surréaliste espagnol, vous invite à découvrir les œuvres de
Dali. 

Crédit : Centre Pompidou, 2012 Exposition Salvador Dali © Hervé Véronèse
 
EN IMAGES - Dali au Centre Pompidou
                       Crédit : Centre Pompidou, 2012 Exposition Salvador Dali © Hervé Véronèse
 
 
EN IMAGES - Dali au Centre Pompidou
                Crédit : © Salvador Dali, Fundació Gala-Salvador Dali, ADAGP, Figueres, Paris 2012

23 novembro, 2012

Um poema de Helberto Helder (23 novembro 1930)

 
 
Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
      
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.


Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.


Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.


- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.


Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.


As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.


Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.


- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.


Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.


Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.


Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.


Herberto Helder,  «Ou o Poema Contínuo», Assírio & Alvim, 2001

16 novembro, 2012

José Saramago - 90 anos

Foto retirada do site da FJS
 
 
 Dia 16 de novembro, data do nascimento de José Saramago, será doravante o Dia do Desassossego, numa iniciativa da Fundação José Saramago.
 
 
"Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar"
José Saramago

12 novembro, 2012

Mapas e o Espírito da Oliveira - Graça Morais


Data:10 de Novembro 2012 a 06 de Janeiro 2013
Promotor:Câmara Municipal de Bragança | Centro de Arte Contemporânea Graça Morais
Local:Centro de Arte Contemporânea Graça Morais
 
 
 
"(...)A composição é livre, esbatem-se lógicas ao ponto de misturar universos e espaços temporais muito distintos. Simultaneamente as suas linhas de desenho deixam uma forte impressão de independência em relação ao suporte, isto é, como se fossem inteiramente autónomas e não precisassem da tela para existirem. Na maioria dos trabalhos domina a sobreposição de imagens, mas é também comum a ausência do limite dos desenhos, isto como se tivessem sido abruptamente interrompidos ou suprimidos a um todo, como se tivessem uma continuidade para além dos limites da tela, desafiando o espectador a continuá-los ou a conclui-los.
Numa reinvenção das formas, Graça Morais associa simultaneamente no mesmo plano referentes reais a figuras do fantástico, justapõe planos, faz alusões à mitologia grega ou a cenas medievais, originando o reencontro da ancestralidade com a atualidade, do real tradicional com o fantástico erudito."
 
Comissariado: Jorge da Costa

in CACGM






11 novembro, 2012

.... Al Berto

SINES, 17 de Maio 1982
 
 
5h da tarde
 
 
    Onde poderei viver em completo silêncio? Onde?
    ... Se as velas dos barcos que por aqui não passam me turvam os sonhos de branco.
    E o peso das ilhas sobre o ventre, enquanto durmo, é desumano.
    E a insónia, o tormento da continuada vigília, quando terminará?
 
Al Berto, Diários
 
 


09 novembro, 2012

Scholastique Mukasonga, Prix Renaudot 2012



Elle ne figurait pas dans la sélection, mais elle a été distinguée ce 7 novembre avec le prix Renaudot pour son quatrième livre et premier roman Notre-Dame du Nil, publié dans la collection Romans noirs chez Gallimard. La Rwandaise Scholastique se considère comme une « écrivaine francophone, pas française ». Et elle est une survivante. Aujourd’hui âgée de 56 ans, elle a perdu sa mère et 37 membres de sa famille lors du génocide rwandais en 1994.

Scholastique Mukasonga, prix Renaudot 2012.
Scholastique Mukasonga, prix Renaudot 2012.
C. Hélie/Gallimard
 
 
Née en 1956, Scholastique Mukasonga, d’origine tutsie, vit depuis 1992 en Normandie, dans le nord de la France. C’est pourquoi elle a échappé au génocide perpétré en 1994 contre son peuple. Depuis, les morts continuent à vivre en elle. Dans de nombreuses interviews, elle souligne que le génocide des Tutsis était inéluctable. Dans ses livres précédents, elle revient sur son enfance marquée par la violence, le déplacement de sa famille à Nyamata au Bugesera, une région insalubre du Rwanda, les humiliations issues des conflits ethniques, les racines de ce mal qui se termine dans une terrible purification ethnique, avec un million de morts en cent jours.
 
in RFI
 

07 novembro, 2012

Leituras

 
Desde o interior da ditadura mais repressiva do mundo, desde um país coberto por absoluto isolamento, Dentro do Segredo.
Em Abril de 2012, José Luís Peixoto foi um espectador privilegiado nas exuberantes comemorações do centenário do nascimento de Kim Il-sung, em Pyongyang, na Coreia do Norte.
Também nessa ocasião, participou na viagem mais extensa e longa que o governo norte-coreano autorizou nos últimos anos, tendo passado por todos os pontos simbólicos do país e do regime, mas também por algumas cidades e lugares que não recebiam visitantes estrangeiros há mais de sessenta anos.
A surpreendente estreia de José Luís Peixoto na literatura de viagens leva-nos através de um olhar inédito e fascinante ao quotidiano da sociedade mais fechada do mundo.
Repleto de episódios memoráveis, num tom pessoal que chega a transcender o próprio género, Dentro do Segredo é um relato sobre o outro que, ao mesmo tempo, inevitavelmente, revela muito sobre nós próprios.
O novo livro de José Luís Peixoto,Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, chega às livrarias portuguesas, a 16 de Novembro de 2012.
 
informação retirada da página Quetzal

06 novembro, 2012

Um poema de Sophia


Foto GR (Porto Covo)


OS AMIGOS


Voltar ali onde
A verde rebentação da vaga
A espuma o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam intacta a impetuosa
Juventude antiga –
Mas como sem os amigos
Sem a partilha o abraço a comunhão

Respirar o cheiro a alga da maresia
E colher a estrela do mar em minha mão



Sophia de Mello Breyner Andreses, in Musa

04 novembro, 2012

Leituras

 
 
 
Sinopse:
 
Ondjaki, o escritor angolano já bem conhecido do público por obras como o assobiador (2002), quantas madrugadas tem a noite (2004), os da minha rua (2007), AvóDezanove e o segredo do soviético (2008), entre outros títulos, sempre colocou Angola, e em particular Luanda, de onde é natural, no centro da sua escrita.

Com o presente romance, de novo aparece Luanda - a Luanda atual do pós-guerra, das especificidades do seu regime democrático, do «progresso», dos grandes negócios, do «desenrasca» - como pano de fundo de uma história que é um prodígio da imaginação e um retrato social de uma riqueza surpreendente.

Combinando com rara mestria os registos lírico, humorístico e sarcástico, os transparentes dá vida a uma vasta galeria de personagens onde encontramos todos os grupos sociais, intercalando magníficos diálogos com sugestivas descrições da cidade degradada e moderna.


Ana Teresa Pereira vence Grande Prémio de Romance e Novela da APE

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O prémio  foi atribuído por maioria a Ana Teresa Pereira, uma das cinco finalistas ao galardão, entre 103 obras admitidas ao concurso apoiado pela Secretaria de Estado da Cultura. Maria Teresa Horta, com As luzes de Leonor, Mário Cláudio com Tiago Veiga, Nuno Júdice com O Complexo de Sagitário e Teolinda Gersão com Cidade de Ulisses, foram os outros finalistas.

A autora conquistou o prémio com o romance O Lago (ed. Relógio d'Água, 2011). A história narra o envolvimento entre a atriz Jane e Tom, nome recorrente de uma personagem em outras obras da escritora, que aqui veste a pele de encenador da peça, na qual Jane participa.

Nasceu no Funchal em 1958, e estreou-se em 1989  com o romance Matar a Imagem, que venceu o Prémio Caminho de Literatura Policial. Em 2005, foi contemplado com o prémio literário atribuído pelo Pen Clube português no género da Ficção, pelo livro Se nos encontrarmos de novo, e, em 2007, ganhou o Prémio Máxima de Literatura 2007, com o seu romance A neve.
 
 

25 outubro, 2012

As Idades do Mar - Exposição no Museu Calouste Gulbenkian

A Evasão de Rochefort, 1881 - Édouard MANET (1832-1883) | Paris, musée d’Orsay © 2012.
White Images/Scala, Florence
Óleo sobre tela 80 x 73 cm Paris, Musée d’Orsay Inv. RF 1984-158

 

Figura de Branco, Biarritz, 1906 | Joaquín SOROLLA BASTIDA (1863-1923).
Óleo sobre tela 63 x 91,5 cm Museo Sorolla, Madrid n.º inv. 773

As Idades do Mar

Museu Calouste Gulbenkian
 26 outubro 2012 - 27 janeiro 2013    

O mar é o tema central da exposição que o Museu Calouste Gulbenkian vai apresentar a partir do dia 26 de outubro, na Galeria de Exposições Temporárias da Fundação. Em exposição vão estar mais de uma centena de obras, dos séculos XVI ao XX, provenientes de 51 instituições nacionais e estrangeiras, com o apoio excecional do Museu d’Orsay.



Van Goyen, Lorrain, Turner, Constable, Friedrich, Courbet, Boudin, Manet, Monet, Signac, Fattori, Sorolla, Klee, De Chirico, Hopper, são alguns dos 89 autores presentes na exposição com obras de superior qualidade. Também a pintura portuguesa, através de Henrique Pousão, Amadeo de Souza-Cardoso, João Vaz, Maria Helena Vieira da Silva e Menez, entre outros, contribuirá para esta abordagem exaustiva e por vezes inesperada de um motivo tão fascinante – e simultaneamente com especial significado na história e cultura portuguesas.
 
Mais informação em FCG