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27 novembro, 2012

Valter Hugo Mãe vence Prémio Literário Portugal Telecom

  Valter Hugo Mãe
Valter Hugo Mãe
D.R.
 
O escritor português é o vencedor da décima edição do Prémio Literário Portugal Telecom 2012, com o seu romance A máquina de fazer espanhóis.
 
 A Máquina de Fazer Espanhóis é o 4º volume de uma série composta por O Nosso Reino (2004), O Remorso de Baltazar Serapião (2006, vencedor do Prémio Saramago) e O Apocalipse dos Trabalhadores (2008).
Nuno Ramos venceu na categoria de poesia e Dalton Trevisan na de conto/crónica. Os vencedores foram anunciados ontem, em S. Paulo.
O Prémio Portugal Telecom de Literatura em língua portuguesa, que nesta edição completou 10 anos, distribuiu-se pela primeira vez pelas categorias poesia, romance e conto/crónica e incluiu um Grande Prémio.

26 novembro, 2012

Populaire de Regis Roinsard

Populaire
Année: 2011
Date de Sortie: 28 Novembre 2012
Réalisateur: Regis Roinsard
Acteurs: Romain Duris, Déborah François, Berenice Béjo, Shaun Benson, Nicolas Bedos, Mélanie Bernier, ... Eddy Mitchell, Miou-Miou, Féodor Atkine, Marius Colucci
Genre: Comédie
Pays de production: France


Synopsis du film Populaire
 
Printemps 1958. Rose Pamphyle, 21 ans, vit avec son père, veuf bourru qui tient le bazar d’un petit
village normand. Elle doit épouser le fils du garagiste et est promise au destin d’une femme au foyer docile et appliquée. Mais Rose ne veut pas de cette vie. Elle part pour Lisieux où Louis Echard, 36 ans, patron charismatique d’un cabinet d’assurance, cherche une secrétaire. L’entretien d’embauche est un fiasco. Mais Rose a un don : elle tape à la machine à écrire à une vitesse vertigineuse. La jeune femme réveille malgré elle le sportif ambitieux qui sommeille en Louis… Si elle veut le poste, elle devra participer à des concours de vitesse dactylographique. Qu’importent les sacrifices qu’elle devra faire pour arriver au sommet, il s’improvise entraîneur et décrète qu’il fera d’elle la fille la plus rapide du pays, voire du monde ! Et l’amour du sport ne fait pas forcément bon ménage avec l’amour tout court…
 

Populaire : bande annonce # 1 VF

24 novembro, 2012

Dalí au centre Pompidou






Du mercredi 21 novembre 2012 au lundi 25 mars 2013
 
Disparu en 1989, le peintre et sculpteur Salvador Dali a marqué l'histoire de l'art du XXe siècle. De nationalité espagnole, Salvador Dali était un artiste aux idées contre-révolutionnaires et qui a su surprendre le monde avec ses sujets extravagants.

Cette exposition, consacrée à l'univers du peintre, sculpteur et scénariste surréaliste espagnol, vous invite à découvrir les œuvres de
Dali. 

Crédit : Centre Pompidou, 2012 Exposition Salvador Dali © Hervé Véronèse
 
EN IMAGES - Dali au Centre Pompidou
                       Crédit : Centre Pompidou, 2012 Exposition Salvador Dali © Hervé Véronèse
 
 
EN IMAGES - Dali au Centre Pompidou
                Crédit : © Salvador Dali, Fundació Gala-Salvador Dali, ADAGP, Figueres, Paris 2012

23 novembro, 2012

Um poema de Helberto Helder (23 novembro 1930)

 
 
Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
      
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.


Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.


Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.


- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.


Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.


As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.


Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.


- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.


Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.


Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.


Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.


Herberto Helder,  «Ou o Poema Contínuo», Assírio & Alvim, 2001

16 novembro, 2012

José Saramago - 90 anos

Foto retirada do site da FJS
 
 
 Dia 16 de novembro, data do nascimento de José Saramago, será doravante o Dia do Desassossego, numa iniciativa da Fundação José Saramago.
 
 
"Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar"
José Saramago

12 novembro, 2012

Mapas e o Espírito da Oliveira - Graça Morais


Data:10 de Novembro 2012 a 06 de Janeiro 2013
Promotor:Câmara Municipal de Bragança | Centro de Arte Contemporânea Graça Morais
Local:Centro de Arte Contemporânea Graça Morais
 
 
 
"(...)A composição é livre, esbatem-se lógicas ao ponto de misturar universos e espaços temporais muito distintos. Simultaneamente as suas linhas de desenho deixam uma forte impressão de independência em relação ao suporte, isto é, como se fossem inteiramente autónomas e não precisassem da tela para existirem. Na maioria dos trabalhos domina a sobreposição de imagens, mas é também comum a ausência do limite dos desenhos, isto como se tivessem sido abruptamente interrompidos ou suprimidos a um todo, como se tivessem uma continuidade para além dos limites da tela, desafiando o espectador a continuá-los ou a conclui-los.
Numa reinvenção das formas, Graça Morais associa simultaneamente no mesmo plano referentes reais a figuras do fantástico, justapõe planos, faz alusões à mitologia grega ou a cenas medievais, originando o reencontro da ancestralidade com a atualidade, do real tradicional com o fantástico erudito."
 
Comissariado: Jorge da Costa

in CACGM






11 novembro, 2012

.... Al Berto

SINES, 17 de Maio 1982
 
 
5h da tarde
 
 
    Onde poderei viver em completo silêncio? Onde?
    ... Se as velas dos barcos que por aqui não passam me turvam os sonhos de branco.
    E o peso das ilhas sobre o ventre, enquanto durmo, é desumano.
    E a insónia, o tormento da continuada vigília, quando terminará?
 
Al Berto, Diários
 
 


09 novembro, 2012

Scholastique Mukasonga, Prix Renaudot 2012



Elle ne figurait pas dans la sélection, mais elle a été distinguée ce 7 novembre avec le prix Renaudot pour son quatrième livre et premier roman Notre-Dame du Nil, publié dans la collection Romans noirs chez Gallimard. La Rwandaise Scholastique se considère comme une « écrivaine francophone, pas française ». Et elle est une survivante. Aujourd’hui âgée de 56 ans, elle a perdu sa mère et 37 membres de sa famille lors du génocide rwandais en 1994.

Scholastique Mukasonga, prix Renaudot 2012.
Scholastique Mukasonga, prix Renaudot 2012.
C. Hélie/Gallimard
 
 
Née en 1956, Scholastique Mukasonga, d’origine tutsie, vit depuis 1992 en Normandie, dans le nord de la France. C’est pourquoi elle a échappé au génocide perpétré en 1994 contre son peuple. Depuis, les morts continuent à vivre en elle. Dans de nombreuses interviews, elle souligne que le génocide des Tutsis était inéluctable. Dans ses livres précédents, elle revient sur son enfance marquée par la violence, le déplacement de sa famille à Nyamata au Bugesera, une région insalubre du Rwanda, les humiliations issues des conflits ethniques, les racines de ce mal qui se termine dans une terrible purification ethnique, avec un million de morts en cent jours.
 
in RFI
 

07 novembro, 2012

Leituras

 
Desde o interior da ditadura mais repressiva do mundo, desde um país coberto por absoluto isolamento, Dentro do Segredo.
Em Abril de 2012, José Luís Peixoto foi um espectador privilegiado nas exuberantes comemorações do centenário do nascimento de Kim Il-sung, em Pyongyang, na Coreia do Norte.
Também nessa ocasião, participou na viagem mais extensa e longa que o governo norte-coreano autorizou nos últimos anos, tendo passado por todos os pontos simbólicos do país e do regime, mas também por algumas cidades e lugares que não recebiam visitantes estrangeiros há mais de sessenta anos.
A surpreendente estreia de José Luís Peixoto na literatura de viagens leva-nos através de um olhar inédito e fascinante ao quotidiano da sociedade mais fechada do mundo.
Repleto de episódios memoráveis, num tom pessoal que chega a transcender o próprio género, Dentro do Segredo é um relato sobre o outro que, ao mesmo tempo, inevitavelmente, revela muito sobre nós próprios.
O novo livro de José Luís Peixoto,Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, chega às livrarias portuguesas, a 16 de Novembro de 2012.
 
informação retirada da página Quetzal

06 novembro, 2012

Um poema de Sophia


Foto GR (Porto Covo)


OS AMIGOS


Voltar ali onde
A verde rebentação da vaga
A espuma o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam intacta a impetuosa
Juventude antiga –
Mas como sem os amigos
Sem a partilha o abraço a comunhão

Respirar o cheiro a alga da maresia
E colher a estrela do mar em minha mão



Sophia de Mello Breyner Andreses, in Musa

04 novembro, 2012

Leituras

 
 
 
Sinopse:
 
Ondjaki, o escritor angolano já bem conhecido do público por obras como o assobiador (2002), quantas madrugadas tem a noite (2004), os da minha rua (2007), AvóDezanove e o segredo do soviético (2008), entre outros títulos, sempre colocou Angola, e em particular Luanda, de onde é natural, no centro da sua escrita.

Com o presente romance, de novo aparece Luanda - a Luanda atual do pós-guerra, das especificidades do seu regime democrático, do «progresso», dos grandes negócios, do «desenrasca» - como pano de fundo de uma história que é um prodígio da imaginação e um retrato social de uma riqueza surpreendente.

Combinando com rara mestria os registos lírico, humorístico e sarcástico, os transparentes dá vida a uma vasta galeria de personagens onde encontramos todos os grupos sociais, intercalando magníficos diálogos com sugestivas descrições da cidade degradada e moderna.


Ana Teresa Pereira vence Grande Prémio de Romance e Novela da APE

 Imagem




O prémio  foi atribuído por maioria a Ana Teresa Pereira, uma das cinco finalistas ao galardão, entre 103 obras admitidas ao concurso apoiado pela Secretaria de Estado da Cultura. Maria Teresa Horta, com As luzes de Leonor, Mário Cláudio com Tiago Veiga, Nuno Júdice com O Complexo de Sagitário e Teolinda Gersão com Cidade de Ulisses, foram os outros finalistas.

A autora conquistou o prémio com o romance O Lago (ed. Relógio d'Água, 2011). A história narra o envolvimento entre a atriz Jane e Tom, nome recorrente de uma personagem em outras obras da escritora, que aqui veste a pele de encenador da peça, na qual Jane participa.

Nasceu no Funchal em 1958, e estreou-se em 1989  com o romance Matar a Imagem, que venceu o Prémio Caminho de Literatura Policial. Em 2005, foi contemplado com o prémio literário atribuído pelo Pen Clube português no género da Ficção, pelo livro Se nos encontrarmos de novo, e, em 2007, ganhou o Prémio Máxima de Literatura 2007, com o seu romance A neve.
 
 

25 outubro, 2012

As Idades do Mar - Exposição no Museu Calouste Gulbenkian

A Evasão de Rochefort, 1881 - Édouard MANET (1832-1883) | Paris, musée d’Orsay © 2012.
White Images/Scala, Florence
Óleo sobre tela 80 x 73 cm Paris, Musée d’Orsay Inv. RF 1984-158

 

Figura de Branco, Biarritz, 1906 | Joaquín SOROLLA BASTIDA (1863-1923).
Óleo sobre tela 63 x 91,5 cm Museo Sorolla, Madrid n.º inv. 773

As Idades do Mar

Museu Calouste Gulbenkian
 26 outubro 2012 - 27 janeiro 2013    

O mar é o tema central da exposição que o Museu Calouste Gulbenkian vai apresentar a partir do dia 26 de outubro, na Galeria de Exposições Temporárias da Fundação. Em exposição vão estar mais de uma centena de obras, dos séculos XVI ao XX, provenientes de 51 instituições nacionais e estrangeiras, com o apoio excecional do Museu d’Orsay.



Van Goyen, Lorrain, Turner, Constable, Friedrich, Courbet, Boudin, Manet, Monet, Signac, Fattori, Sorolla, Klee, De Chirico, Hopper, são alguns dos 89 autores presentes na exposição com obras de superior qualidade. Também a pintura portuguesa, através de Henrique Pousão, Amadeo de Souza-Cardoso, João Vaz, Maria Helena Vieira da Silva e Menez, entre outros, contribuirá para esta abordagem exaustiva e por vezes inesperada de um motivo tão fascinante – e simultaneamente com especial significado na história e cultura portuguesas.
 
Mais informação em FCG

24 outubro, 2012

Diários de Al Berto

Amanhã , nas livrarias um novo livro de Al Berto com edição e apresentação de Golgona Anghel
Sinopse
Embora não haja uma organização definida pelo autor, nem indicações quanto à edição dos diários, Al Berto alimentava o corpo dos cadernos com notas e esboços, acreditando, por vezes, que esse devir-obra da sua própria vida pudesse ganhar uma dimensão diferente, uma outra "força", "outra leitura" se ponderasse a sua publicação. Decidimos agora, de acordo com a vontade dos herdeiros legais e, ao mesmo tempo, fazendo eco do desejo de Al Berto, tornar públicos estes documentos privados. Nestes Diários sobressai o registo diário de algo que servia para um uso pessoal e íntimo. Estamos perante um corpus que se expõe a si mesmo, que se dá no ritmo efervescente da criação mas também na sua fragilidade, na dúvida.
Índice:

Prefácio "Caminhos nocturnos, incertas travessias"       .....  9
Critérios de edição                                                           ..... 21

Diário 1982                                                                      ..... 25
Diário 1984                                                                      . ... 54
Diário 1985                                                                      . ... 201
Diário 1991                                                                      . ... 311                                            
Diário 1994                                                                      . ... 399
Diário 1996 - 1997                                                           . ... 469
Diário 1995 -1997                                                            . ... 529




Quarta. 8 maio 91 / Lx.

(...)
Todos os dias se torna mais difícil encontrar um sentido para a vida.
(...)
um grande desespero isto tudo, este país, esta cidade, esta gente. e, apesar de tudo, amo este país, sou louco por Lisboa (...) mas faltam heróis, faltam pessoas com carisma - falta gente que saiba dizer e viver enormidades. é tudo demasiado mesquinho, muito comadres de cá para lá, pequenino. (...) Volta Camilo! E não esqueças a bengala! há que zurzir de novo...zurzir. (p. 396)



Informação retirada da página Wook.pt


20 outubro, 2012

Valérie Rouzeau - Prémio Apollinaire

Vrouz


O Prémio Apollinaire, considerado como o "Goncourt da poesia", foi atribuído a Valérie Rouzeau pela antologia Vrouz publicada no mês de março, pela Table Ronde.



 
"Bonne qu’à ça ou rien
Je ne sais pas nager pas danser pas conduire
De voiture même petite
Pas coudre pas compter pas me battre pas baiser
Je ne sais pas non plus manger ni cuisiner
(Vais me faire cuire un œuf)
Quant à boire c’est déboires."

"Aussi je est un hôte d’on ne sait qui ni quoi
Mystère en bout de course comme à la balançoire
La vie assujettit drôlement ses invités
Alors je vante le vent par ma lucarne ouverte
Et je ne confonds pas auspices avec hospices
Rouzeau avec réseau dentiste avec temps triste
Pater avec par terre pleure avec meurs meurs meurs
Tu pisseras moins moins moins
Mon poème ne compte pas davantage
Que la conversation bruyante de mon prochain
M’empêchant de poursuivre par ici sauf
A fermer ma lucarne ou la repeindre en bleu
Appeler ma prochaine
Ou m’écrier au feu."
 
Vrouz, Table Ronde, 2012
 

19 outubro, 2012

3 poemas de Manuel António Pina


                                               Imagem retirada do blog "Guardador de livros"


Algumas coisas

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

in Aquele que Quer Morrer, Regra do Jogo, 1978



Na biblioteca

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,


quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,


em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,


as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.


Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’


in Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal , Assírio & Alvim, 2011


 

Todas as palavras

As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito perto,
como uma respiração,
e não reconheci,
ou desistiram e
partiram para sempre,
deixando no poema uma espécie de mágoa
como uma marca de água impresente;
as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te
nem foram capazes de dizer-me;
as que calei por serem muito cedo,
e as que calei por serem muito tarde,
e agora, sem tempo, me ardem;
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);
as que perdi, verbos e
substantivos de que
por um momento foi feito o mundo
e se foram levando o mundo.
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.


 

 
in Todas as palavras - poesia reunida, Assírio & Alvim, 2012

Morreu Manuel António Pina (1943-2012)

Manuel António Pina tinha 68 anos
Imagem Lusa
 
 
Morreu esta tarde no Porto o poeta Manuel António Pina, 68 anos, Prémio Camões 2011. A sua obra poética está reunida no volume Todas as Palavras (2012), editado pela Assírio & Alvim.
 
 
Manuel António Pina, 68 anos, nasceu no Sabugal em 1943, e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Para além de poeta também um consagrado autor de literatura infanto-juvenil. Ao longo de mais de 30 anos foi colunista do Jornal de Notícias. A sua obra está publicados em Espanha, França, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Croácia, Bulgária, Rússia e Estados Unidos.
 
Manuel António Pina estreou-se na poesia em 1974 com o livro “Ainda Não É o Fim nem o Princípio do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde”. No ano anterior publicara o seu primeiro livro para crianças, “O País das Pessoas de Pernas para o Ar”.
 
Reconhecido como um dos melhores cronistas de língua portuguesa, Manuel António Pina publicou dezenas de livros de poesia e de literatura para crianças, mas só em 2003 se aventurou na ficção “para adultos”, com “Os Papéis de K.” O seu mais recente livro é "Todas as palavras - Poesia reunida", publicado este ano.
 
Além do Prémio Camões que lhe foi atribuído em 2011, Manuel António Pina foi distinguido ao longo da sua longa carreira literária e jornalística com inúmeros prémios, nomeadamente o Prémio de Poesia da Casa da Imprensa (1978) ; Prémio Gulbenkian (1987); Prémio Nacional de Crónica Press Club/ Clube de Jornalistas (1993); Prémio da Crítica, da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários" (2002); Prémio de poesia Luís Miguel Nava (2003) e Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT (2005).
 
A sua obra está traduzida em França (francês e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão), Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária.
 
 

11 outubro, 2012

Mo Yan ganha Prémio Nobel da Literatura 2012


Foto: Reuters

O escritor chinês Mo Yan venceu o Nobel da Literatura pelo trabalho que o comité considerou ser de um "realismo alucinatório".
Mo Yan, de 57 anos, consegue conjugar "com realismo alucinatório, lendas, histórias e elementos contemporâneos", destacou a Academia Sueca.

Em Portugal foi publicado em 2007 o livro "Peito grande, ancas largas", traduzido por João Martins e editado pela Ulisseia. 

Mo Yan (pseudónimo literário de Guan Moye) nasceu, em 1956, na província de Shandong, "no seio de uma família pobre" e "foi forçado a abandonar a escola primária durante a Revolução Cultural (1966-76)".

A sua primeira obra literária, um conto que começou a escrever enquanto ainda era soldado, saiu em 1981. Seis anos depois publicou um romance de grande sucesso, "Red Sorghum". Em 2011, Mo Yan ganhou o Premio Mao Dun, o mais importante galardão literário oficial do país, e foi eleito vice-presidente da Associação dos Escritores da China.
O seu mais recente romance, "Frog", aborda um tema especialmente sensível:  a prática de abortos forçados na China devido à drástica política de controlo  da natalidade imposta há três décadas sob a fórmula "um casal, um filho".
"Em todos os países há certas restrições à escrita", disse o autor numa  entrevista concedida há dois anos à revista Time. 

Mo Yan considera que "um escritor deve enterrar os seus pensamentos  e transmiti-los através dos personagens dos seus romances". 

 O pseudónimo que criou significa, aliás, "não fales". 

in SicNotícias

10 outubro, 2012

"Agnoia", novo espetáculo do Teatro do Mar

Litoral Alentejano Tetro do Mar Agnoia

“Agnoia” - Teatro do Mar
  12 e 13 de outubro -  22h00
 Castelo de Sines
 
Uma criação de Julieta Aurora Santos, a peça utiliza como cenário um carrossel verdadeiro, metáfora do “carrossel da vida”.
“Agnoia” é um espetáculo com uma narrativa de caráter poético, físico e visual. O seu título tem uma dupla raiz: do grego, ignorância, e, do português, o estado do doente que não conhece nada do que o cerca.
Tendo o cenário como base conceptual, “Agnoia” trabalha “as dicotomias consciência e realidade, humanidade e animalidade, inocência e perversidade, sonho e pesadelo” e reflete sobre “a natureza humana, numa permanente rotação onde o tempo - invenção humana - condiciona as ações e controla o pensamento”, conforme se lê no seu texto de apresentação.
“Agnoia” apresenta várias questões sobre o “carrossel da vida”: “E se o carrossel da vida pudesse parar ou fazer-nos retroceder? E se houvesse a possibilidade de experimentar outros caminhos, se realmente nos pudéssemos ver de fora ou mergulhar mais profundamente dentro de nós próprios? E se reduzíssemos a velocidade vertiginosa dos dias de modo a aproveitar mais cada instante? E se nunca tivéssemos perdido a capacidade de reconhecer a magia da vida e a beleza das coisas simples?”
 

 
FICHA TÉCNICA
Dramaturgia e Encenação Julieta Aurora SANTOS | Atores Carlos CAMPOS, Luís João MOSTEIAS, Sandra SANTOS, Sérgio VIEIRA | Conceito Plástico Julieta Aurora SANTOS | Cenografia e Adereços / Construção Hugo CUSTÓDIO, Carlos CAMPOS | Figurinos e Caracterização Maria MATOS, Sandra SANTOS | Banda Sonora Tiago INUIT | Apoio ao Movimento Bruno ALEXANDRE | Desenho e Operação de Luz Hugo CUSTÓDIO | Direção Técnica Luís João MOSTEIAS | Operação de Som Maria MATOS | Produção Executiva e Promoção Artur CHAINHO | Secretariado Sónia CUSTÓDIO | Foto cartaz Christophe DESSAIGNE (www.midnight-digital.com) | Cartaz Ana GIL | Produção CONTRA REGRA - AAC

09 outubro, 2012

Edward Hopper (1882-1967) au Grand Palais




Edward Hopper, Nighthawks, 1942, Chicago, The Art Institute of Chicago, Friends of American Art Collection
        © The Art Institute of Chicago



Edward Hopper, Chop suey Collection de Barney A. Ebsworth
© Collection particulière




Grand Palais du 10 octobre 2012 au 28 janvier 2013
 

Cette rétrospective est la plus grande exposition parisienne du peintre américain organisée à Paris. 164 œuvres dont 128 peintures, aquarelles, gravures et illustrations, et certains de ses chefs-d’œuvre comme le fameux bar avec ses « oiseaux de nuits ». 55 tableaux sur la centaine qu'il a peints pendant sa période de maturité.
 

 
Les peintures d’Edward Hopper ont la simplicité trompeuse des mythes, l’évidence des images d’Epinal. Chacune d’elles est un condensé des savoirs hypothétiques, des rêves que nous inspire l’Amérique. Expression des sentiments les plus poignants, ou pures constructions mentales, ces peintures donnent lieu aux interprétations les plus contradictoires.
Romantique, réaliste, symboliste, et même formaliste, Hopper a été enrôlé tour à tour sous toutes les bannières. C’est cette complexité, signe de la richesse de cette oeuvre que s’efforce d’éclairer cette exposition.
Conçue chronologiquement, elle se compose de deux grandes parties : la première, consacrée aux années de formation, rapproche les œuvres de Hopper de celles de ses contemporains et de celles, découvertes à Paris, qui ont pu l’inspirer. La seconde partie à l’art de la maturité, des premières peintures emblématiques de son style personnel à ses œuvres ultimes.
 
Commissaire
Didier Ottinger, directeur adjoint du MNAM – Centre Pompidou
 
 
 


 
 

01 outubro, 2012

Hélio Oiticica - Museu é o Mundo



Hélio Oiticica morreu em 1980 com 42 anos.


Museu Colecção Berardo
Centro Cultural de Belém
21.09.2012 - 06.01.2013
 
 
No âmbito do Ano do Brasil em Portugal, o Museu Colecção Berardo dedica uma exposição à obra de Hélio Oiticica (1937-1980). O artista plástico brasileiro é considerado um dos artistas mais revolucionários do sec.XX e é cconhecido pelas suas criações inovadoras intituladas, por ele, como “arte amiga do ambiente”.
A exposição intitulada “Museu é o Mundo”, com curadoria de Fernando Cocchiarle e César Oiticica Filho (sobrinho do artista), abrange todos os períodos da sua produção, e inclui cerca de 117 obras, filmes, fotografias e documentos de grande interesse e actualidade, que serão apresentados cronologicamente, começando com o Grupo Frente, Metaesquemas, Pinturas Brancas, Bilaterais, Relevos Espaciais, Penetráveis, Bólides, Parangolés e Cosmococas.
 
 
Parangolé1- P25 Capa 21 -Xoxoba- 1968 Fotografia: César Oiticica Filho
 

23 setembro, 2012

Paulo Nozolino no BES Arte & Finança

 
 
 
Europa, 1993-2003, Paulo Nozolino 

 
Usura
 20 de setembro 2012 a 4 de janeiro de 2013
 BES Arte e Finança, em Lisboa

Usura é o título da próxima exposição de Paulo Nozolino, que será inaugurada no dia 20 de Setembro no espaço BES Arte e Finança, em Lisboa. O nome (inspirado no canto XLV do poeta Ezra Pound, litania crítica dos ganhos provenientes dos juros), a sala escolhida (ligada a um banco) e a profunda crise económico-financeira que hoje atinge Portugal e a Europa podiam fazer antever uma mostra em tom amargo. Contudo, a intenção de Usura é mais profunda e procurará apelar "à memória dentro da actualidade e à compreensão da actualidade dentro da História". Os nove trípticos escolhidos com o comissário Sérgio Mah abordam acontecimentos fracturantes do século XX, num vasto comentário visual sobre "a infâmia" de certos "desvios traumáticos da Humanidade no decurso da modernidade capitalista" (Auschwitz, o declínio da Europa, o 11 de Setembro...). Motivado por uma abordagem que procura relacionar (confrontar, justapor) imagens, Nozolino recupera ainda conjuntos mais difíceis de situar no tempo e no espaço, relativos ao desaparecimento do mundo rural, à religião, à morte e à imigração. Para um fotógrafo que construiu obra sobretudo a partir de imagens únicas, esta exposição é particularmente relevante pelo facto de reunir pela primeira vez quase todos os seus trípticos, que começaram a ganhar forma em 1999, com Untitled, Blodelsheim. Este momento, marca, aliás, uma viragem na maneira como passa a encarar a exposição do seu trabalho, mais interessada em potenciar a observação relacional e estimular uma consciência crítica a partir de um movimento dialéctico entre imagens".

in Jornal Público, suplemento Ipsilon
(Quase) todos os trípticos de Nozolino
08.08.2012 - Sérgio B. Gomes

 
 
 
 

15 setembro, 2012

«Porta do Paraíso» 27 anos de restauro

 
 

A «Porta do Paraíso», obra icónica do Renascimento,  é um dos ex-libris de Florença.
E após um longo período de restauro,  pode ser agora contemplada no Museu da Catedral de Florença. ( A porta  que está no Batistério é uma réplica).

Oito toneladas de bronze e ouro constituem a obra de Lorenzo Ghiberti (1378-1455), construída entre 1426 e 1452. Ghiberti contou com a ajuda de outros artistas como Donatello, Luca della Robbia ou Benozzo Gozzoli, para construir a obra de 3,10 metros de largura, 5,20 metros de altura e 11 centímetros de espessura.

             

05 setembro, 2012

Novo livro de Al Berto para a rentrée




O poeta  Al Berto tinha um diário. Embora não haja uma organização definida pelo autor, nem ele tenha deixado indicações quanto à edição dos  diários, a editora Assírio & Alvim decidiu "de acordo com a vontade dos herdeiros  legais e, ao mesmo tempo, fazendo eco do desejo de Al Berto, tornar públicos estes documentos privados". Na conferência  de apresentação da rentrée do grupo da Porto Editora, esses Diários  do poeta de O Medo foram anunciados como uma das apostas para Outubro. "Não se trata de ir coscuvilhar uma gaveta perdida do poeta" explicou Vasco David da Assírio & Alvim, que assegura que esta obra "surpreenderá" não só pelo "olhar que fornece em relação à vida privada de Al Berto", mas também porque ali surgem pela primeira vez trechos que foram depois aproveitados para os seus livros. Além de "uma janela para a vida", os Diários de Al Berto são "uma janela para a obra".
 
Isabel Coutinho in Público

João Tordo é finalista do Prémio Literário Europeu

foto Paulo Spranger / Global Imagens
 
 
O escritor João Tordo é o único autor português entre os finalistas da 6.ª edição do Prémio Literário Europeu, cujo vencedor será conhecido, em Bruxelas, a 5 de dezembro.
O escritor João Tordo foi selecionado pela edição francesa de "O Bom Inverno" ("Le Bon Hiver"), traduzido por Dominique Nedellec, e publicado pela Actes Sud.
"O Bom Inverno" conta a história de um escritor frustrado e hipocondríaco que se desloca a Budapeste, Hungria, onde acaba por conhecer um escritor italiano mais jovem, mais enérgico e muito pouco sensato.
O jovem escritor italiano convence-o a ir com ele até Sabaudia, em Itália, onde o famoso produtor de cinema Dom Metzger reúne um leque de convidados excêntricos numa casa escondida no meio de um bosque.
 
Além de "O Bom Inverno", a Actes Sud publicou, de João Tordo, o romance "As Três Vidas" ("Le Domaine Du Temps").

Notícia completa em JN