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30 junho, 2010

Encontros com escritores

Centro de Artes de Sines – Esplanada da Casa Preta | 26 e 27 de Julho | 18h30 | Org. Câmara Municipal de Sines / livraria a das artes

Mário de Carvalho26: MÁRIO DE CARVALHO
O FMM e a livraria a das artes juntam-se para trazer até Sines o consagrado autor Mário de Carvalho, que apresentará a sua última obra “A arte de morrer longe”. Uma oportunidade de escutar as palavras de um dos mais estimados autores portugueses, traduzido em diversas línguas e galardoado com o Grande Prémio APE, o Prémio Fernando Namora, o Grande Prémio de Literatura ITF/DST e, em 2009, o prémio Vergílio Ferreira.

valter hugo mãe27: valter hugo mãe
Al Berto fê-lo em alguns poemas mas este autor fá-lo sem excepção. valter hugo mãe caracteriza a sua produção literária pela omnipresença de minúsculas, para, tal como afirma, “acelerar a própria escrita (…) agilizando assim o texto”. O autor apresenta-nos o seu último romance “a máquina de fazer espanhóis”, após ter editado títulos como “o remorso de baltazar serapião” e “o apocalipse dos trabalhadores” e ter sido galardoado com o Prémio Literário José Saramago (2007)

in FMM

Exposição “A Secreta Vida das Palavras”



Centro de Artes de Sines e Centro Cultural Emmerico Nunes
16 de Julho a 25 de Setembro
Inauguração 16 de Julho, às 22h00
Todos os dias, 14h00-20h00
Entrada livre
Produção e parceria Câmara Municipal de Sines / Centro Cultural Emmerico Nunes

Realizada no âmbito da 13.ª edição do projecto Verão Arte Contemporânea do Centro Cultural Emmerico Nunes, numa parceria com a Câmara Municipal de Sines, a exposição “A Secreta Vida das Palavras”, comissariada por João Pinharanda, tem como ponto de partida a relação que Al Berto, poeta de Sines e do mundo, estabeleceu ao longo da sua vida com as imagens. Com formação em artes plásticas, Al Berto tem a par da obra literária uma rica obra visual e sempre revelou interesse pela arte do seu tempo, como testemunha o livro “A Secreta Vida das Imagens”, onde, a partir de obras concretas, usa a Palavra para procurar o segredo que reside no coração das Imagens. Nesta exposição percorre-se o caminho inverso: um conjunto de artistas contemporâneos procura, através da pintura, da escultura, da fotografia, do vídeo, do som ou da instalação, as Imagens que revelam o segredo que habita no coração das Palavras. A exposição reúne dois conjuntos de obras. O primeiro resulta de visitas a Sines e de um período de residência na cidade onde estiveram presentes duas autoras consagradas, Ana Vieira e Ana Jotta, e um conjunto de mais jovens artistas, como Edgar Massul, Fernando Mesquita, João Ferro Martins, Nuno Cera, Pedro Reis, Rodrigo Oliveira, Rodrigo Peixoto, Sara Santos e Vasco Costa. O segundo conjunto, que dialoga com o primeiro, reúne obras existentes de artistas citados em livro por Al Berto, como são os casos de Dacosta, Cesariny, Carlos Nogueira, Sarmento, António Correia, Rosa Carvalho, Manuel Rosa, Calapez, Rui Sanches, Ilda David’, Cabrita Reis, Croft, Casqueiro, Chafes, entre outros.

(A partir do texto do comissário)
in FMM, programa de atividades paralelas ao Festival

18 junho, 2010

José Saramago

«Acho que na sociedade actual nos falta filosofia.

Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.»


José Saramago

José Saramago


Morreu José Saramago



O escritor português, Prémio Nobel de Literatura em 1998, faleceu hoje com 87 anos,em Lanzarote, Ilhas Canárias.

17 junho, 2010

FMM - 2010


Programa 2010

28 de Julho (quarta-feira)

Vitorino e Janita Salomé com Grupo de Cantadores do Redondo (Portugal), Castelo, 18h00
Cacique’97 (Moçambique / Portugal), Av. Vasco da Gama, 19h30
Nat King Cole en Espagnol (EUA / Cuba / Portugal), Castelo, 21h30
Las Rubias del Norte (EUA), Castelo, 23h00
Céu (Brasil), Castelo, 00h30
Novalima (Peru), Av. Vasco da Gama, 02h30

29 de Julho (quinta-feira)

34 Puñaladas (Argentina), Castelo, 18h00
Wimme (Finlândia / Povo Sami), Av. Vasco da Gama, 19h30
Yasmin Levy (Israel), Castelo, 21h30
N’Diale – Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio (Bretanha / Mali), 23h00
The Mekons (Reino Unido / EUA), Castelo, 00h30
Grupo Fantasma (EUA), Av. Vasco da Gama, 02h30

30 de Julho (sexta-feira)

Kimi Djabaté (Guiné-Bissau), Castelo, 18h00
The Rodeo (França), Av. Vasco da Gama, 19h30
Barbez (EUA), Castelo, 21h30
Sa Dingding (China), Castelo 23h00
Tinariwen (Mali / Sahara), Castelo, 00h30
Forro in the Dark (Brasil), Av. Vasco da Gama, 02h30
Bailarico Sofisticado convida Selecta Alice (Portugal), Av. Vasco da Gama, 04h00


31 de Julho (sábado)

Guadi Galego (Galiza), Castelo, 18h00
Galaxy (Timor-Leste), Av. Vasco da Gama, 19h30
Lole Montoya (Espanha), Castelo, 21h30
Cheick Tidiane Seck feat. Mamani Keita (Mali), Castelo, 23h00
Staff Benda Bilili (R. D. Congo), Castelo, 00h30
U-Roy (Jamaica), Av. Vasco da Gama, 02h30
Batida (Portugal / Angola), Av. Vasco da Gama, 04h00


Nota: Elementos do programa anunciado podem sofrer alterações.

13 junho, 2010

Al Berto


étreinte - Pablo Picasso

Cartas

Quando o vento se levanta e passa, tua cabeça adormecida põe-se a brilhar. Em redor dela um halo de sombra onde a minha mão entra, vagarosamente, pedindo-te um sinal.
Procuro o rosto com os dedos afiados pelo desejo. Toco a alba das pálpebras que, de súbito, se abrem para mim.
Um fio de luz coalha na saliva do lábio.
Ouvimos o mar, como se tivéssemos encostado a cabeça ao peito um do outro. Mas não há repouso nesta paixão.
O dia cresce, sem luz - e os pássaros soltam-se do pólen dos sonhos, embatem contra os nossos corpos.
Nada podemos fazer.
Um risco de passos ensaguentados alastra pelo chão da cidade. A noite cerca-nos, devora-nos. Estamos definitivamente sozinhos.
Começamos, então, a imitar a vida um do outro. E, abraçados, amamo-nos como se fosse a última vez...
O tempo sempre esteve aqui, e eu passei por ele quase sempre sozinho.
No entanto, recordo, deixaste-me sobre a pele um rasgão que já não dói. Mas quando a memória da noite consegue trazer-te intacto, fecho os olhos, o corpo e a alma latejam de dor.
Dantes, o olhar seduzia e matava outro olhar. Agora, odeio-te por não me pertenceres mais. Odeio-te. Abro os olhos. Regresso ao meu corpo e odeio-te. E, quem sabe se no meio de tanto ódio não te perdoaria - mas ambos sabemos que o perdão não existe.
Se fugias, perseguia-te. Mas o olhar começava a cegar. Sentia-te, já não te via. E o pior é que o tacto também esqueceu, rapidamente, a sensualidade da pele e o calor do sexo. O rosto aprendido de cor.
Hoje, tudo se sobrepõe. Nomes, rostos, gestos, corpos, lugares...um montão de cinzas que me deixaste como herança.
Não devo perder tempo com o ciúme. A paixão desgastou-me. E nunca houve mais nada na minha vida - paixão ou ódio.
Só isto: se me aparecesses agora, tenho a certeza, matava-te.




Al Berto, O Anjo Mudo

Isabel Soveral – Le Navigateur du Soleil Incandescent

Le Navigateur du Soleil Incandescent / quatrième lettre de Isabel Soveral teve a sua estreia absoluta no Sábado, 12 de Junho, inserida no programa do Cascais Days / Dias de Cascais – Miso Music 25.
Le Navigateur du Soleil Incandescent /quatrième lettre é uma peça para flauta, clarinete, piano, violino, violoncelo & electrónica, sendo interpretada pelo Sond’Ar-te Electric Ensemble, dirigido por Pedro Neves.
Sobre a obra fica um texto escrito pela compositora:

O texto Le Navigateur du Soleil Incandescent ,de Al Berto, articula-se na conjugação dois planos emocionais: um melancólico, bastante lírico, em que Al Berto retrata o amor, a saudade do amor, a fantasia de uma saudade; e outro, em que Al Berto retrata a solidão: a solidão em Al Berto é a solidão do terror, o estado de revolta e de desespero. É neste plano que aparece o seu texto mais autobiográfico.
Do texto original, trabalhei com o poeta uma sequência de fragmentos, que articulados de forma cronológica em relação ao texto inicial, dão forma ao enredo do ciclo no qual se inclui esta obra: Le Navigateur du Soleil Incadescent /quatrième lettre para grupo de câmara e sons electrónicos. Resulta uma sequência de monólogos, em que o personagem, o Navegador, se entrega ao desespero/melancolia da ausência de um amor que o salve do seu destino solitário.

Isabel Soveral
in http://ideias-soltas.net/2010/06/11/isabel-soveral-le-navigateur-du-soleil-incandescent-em-estreia/

Al Berto 11/1/1948 - 13/6/1997


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pequeníssimos recados escritos à pressa
amachucados nos dedos

foi bela a madressilva
subindo pela noite da morada esquecida

pedras exactas poeiras perfumadas
bichos de lume dormitando na flexibilidade da argila
areias cobertas de insectos ossos dentes
e o rio por onde partem as noites de cansaço

luminosa floração luas ácidas despenhando-se
fendas de terra cidades costeiras pássaros
frágeis caminhos desvendados em pleno voo
durante a lucidez tremenda do sonho

restam-me os corredores de vidro
onde posso afagar os restos carbonizados do corpo
abro a porta que dava acesso ao rosto
desço os degraus musgosos do pátio
atravesso o jardim de alvenaria onde vivi
todo este tempo antes de me precipitar

Al Berto

10 junho, 2010

«Parfums de Lisbonne» IV edição



Está a deccorrer até 27 de Junho o Parfums de Lisbonne, festival de urbanidades cruzadas entre lisboa e Paris, organizado pela Companhia de teatro bilingue Cá & Lá /Ici & Là, com a colaboração do centro Cultural Português em Paris, dos Leitores de português e da Cátedra Lindley Cintra e da Mairie do 14ème arrondissement de Paris. Festival multidisciplinar - cinema, teatro, poesia, dança, música - e com a habitual programação de cinema na sala MK2 de Beaubourg, o Festival tem como tema «A Festa». Este ano também faz uma abordagem à celebração do centenário da República Portuguesa. Este ocorre em interacção com o público, na rua, em bairros de Paris, Lisboa e Caldetes(Catalunha).

Cristina Carvalho em Sines


03 junho, 2010

Festival Silêncio 2010


Festival Silêncio 2010 decorre de 16 a 26 de Junho, em Lisboa. Espectáculos, workshops, debates e masterclass integram o programa da 2ª edição do Festival!

Agora que só se fala de futebol...

"Também o futebol deixou de acreditar em prodígios. Agora só importa a técnica. Ora, a técnica não é outra coisa senão o biquini no corpo pulsante da moça. O prodígio é aquilo que o biquini esconde."

José Eduardo Agualusa, in crónica "Nelson Rodrigues, Papa, samba e futebol" da revista Ler, Junho 2010.

Novas aquisições




Joaquim Gonçalves e Miguel Pirrayt na Secundária Poeta Al Berto






Joaquim, o "vendedor de sonhos" da livraria A das Artes, acompanhado à guitarra por Miguel, foi, desta vez, "vender" textos de sua autoria e de escritores portugueses a um grupo de alunos e professores da escola secundária Poeta Al Berto. Excelente maneira de motivar os jovens (e os menos jovens) para a leitura.

31 maio, 2010

Prémio Camões 2010 atribuído a Ferreira Gullar


Júri atribuiu ao escritor brasileiro Ferreira Gullar o maior prémio de prestígio da língua portuguesa.

Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira), nasceu no dia 10 de Setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão, quarto filho dos onze que teriam seus pais, Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.

Site oficial:
http://literal.terra.com.br/ferreira_gullar/


BIBLIOGRAFIA

1. Individuais

Poesia:

Um pouco acima do chão, 1949

A luta corporal, 1954

Poemas, 1958

João Boa-Morte, cabra marcado para morrer (cordel), 1962

Quem matou Aparecida? (cordel), 1962

A luta corporal e novos poemas, 1966

História de um valente, (cordel, na clandestinidade, como João Salgueiro), 1966

Por você por mim, 1968

Dentro da noite veloz, 1975

Poema sujo, 1976

Na vertigem do dia, 1980

Crime na flora ou Ordem e progresso, 1986

Barulhos, 1987

O formigueiro, 1991

Muitas vozes, 1999

Poemas reunidos:

Toda poesia, 1980

Antologias:

Antologia poética, 1977

Ferreira Gullar - seleção de Beth Brait, 1981

Os melhores poemas de Ferreira Gullar - seleção de Alfredo Bosi, 1983

Poemas escolhidos, 1989

Poesia completa, teatro e prosa, org. de Antonio Carlos Secchin, 2008

Contos:

Gamação, 1996

Cidades inventadas, 1997

Teatro:

Um rubi no umbigo, 1979

Crónicas:

A estranha vida banal, 1989

O menino e o arco-íris, 2001

Memórias:

Rabo de foguete - Os anos de exílio, 1998

Biografia:

Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde, 1996

Ensaios:

Teoria do não-objeto, 1959

Cultura posta em questão, 1965

Vanguarda e subdesenvolvimento, 1969

Augusto do Anjos ou Vida e morte nordestina, 1977

Tentativa de compreensão: arte concreta, arte neoconcreta - Uma contribuição brasileira, 1977

Uma luz no chão, 1978

Sobre arte, 1983

Etapas da arte contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta, 1985

Indagações de hoje, 1989

Argumentação contra a morte da arte, 1993

"O Grupo Frente e a reação neoconcreta", 1998

Cultura posta em questão/Vanguarda e subdesenvolvimento, 2002

Rembrandt, 2002

Relâmpagos, 2003

Disco:

Antologia poética de Ferreira Gullar (música de Egberto Gismonti), 1979

Televisão:

Adaptações:

Episódios da série "Aplauso", Rede Globo, 1979:
- Ilha das cabras, Ugo Betti
- As pequenas raposas, Lilian Helmann
- A lição, Eugéne Ionesco
- O preço, Arthur Miller
- Judas em Sábado de Alelúia, Martins Penna
- Só o faraó tem alma, Silveira Sampaio

Textos originais:

Dona Felinta Cardoso, a rainha do agreste, 1979

Episódios do seriado "Carga Pesada", Rede Globo, 1980:
- Em nome da santa
- O foragido
- Lance final
- Disputa
- Peru de Natal

Episódios do seriado "Obrigado doutor", Rede Globo, 1981:
- A crise
- Uma bela adormecida
- Go home
- Arma branca
- O comício
- O bode

Insensato coração, "Quarta nobre", Rede Globo, 1983.

Obras traduzidas pelo autor:

Teatro:


Ubu rei, Alfred Jarry, 1972
Cyrano de Bergerac, Edmond Rostand, 1985
Lés pays des éléphants, Louis-Charles Sirjacq, 1989
As mil e uma noites, 2000
Don Quixote de la Mancha, Cervantes, 2002

Literatura infanto-juvenil:

Fábulas, La Fontaine, 1997
Um gato chamado Gatinho, 2000
O rei que mora no mar, 2001

2. Em parceria:

Teatro:

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, com Oduvaldo Viana Filho, 1966

A saída? Onde fica a saída?, com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa, 1967

Dr. Getúlio, sua vida e sua glória, com Dias Gomes, 1968

Televisão:

Araponga, com Dias Gomes e Lauro César Muniz, 1990

As noivas de Copacabana, com Dias Gomes e Marcílio Moraes, 1992

Imprensa:

"O cavalheiro da esperança" (entrevista com o arquiteto Oscar Niemeyer), com Bruno Tolentino, 1997

26 maio, 2010

Luandino Vieira

Ontem, o Dia de África foi comemorado na Escola Secundária Poeta Al Berto com José Luandino Vieira. O escritor encantou com as suas estórias alunos, professores e funcionárias.




25 maio, 2010

"O murro" de João Negreiros

Poema feito à Imagem - "O Murro" from Abraham Tark on Vimeo.



O murro

ontem disseram-me que eu era razoável e eu parti
todos os dentes a quem me disse tal coisa

é que não aguentei

porque não insultou minha mãezinha e seus hábitos
conjugais como eu estava à espera?

porque não insultou a minha mãezinha afirmando
que todos os homens do globo poderiam ser o meu
paizinho?

porque não me disse que cheirava mal?

porque não me inventou uma corcunda?

porque não aproveitou conjugando as duas
correntes e descreveu minha mãezinha como
um ser desprovido de higiene e com protuberâncias
dorsais que rivalizariam com os picos da Europa?

chamar-me a mim razoável?!

eu que sou extraordinário de tão ruim

eu que estou nos pólos com os iões

eu que faço tudo para me destacar

violo meninas em plena avenida para depois salvar
o mundo

dou o antídoto aos venenos e o veneno sem antídoto

mato pessoas que idolatro e amo tudo a quem não
gosto


eu que sou magnânimo na intermitência da ruindade

eu rei dos povos e súbdito dos mendigos

eu sou o contrário do razoável

ninguém me ama com medo de se apaixonar

todos me batem com jeito de açoitar o puro-sangue
que se habituou ao cheiro da glória que não se quer
render á vida para procriar

eu sou o Deus triste que está na lama das estrelas

o imperador de palácios vazios

o vagabundo de séquito interminável

a divindade a quem faltam promessas

o risco sem medo

a justiça sem pecador

vivo para lá da lei na origem dos decretos

chamar-me a mim razoável quando sou limpo
sem rasuras

sem razão

chamar coerente a quem inventou a loucura é dar pão
aos patos quando o mar está revolto

dá-me antes um murro em plena face
resvalando a jeito de me partir o nariz para depois
me tratares
com curativos pintados de bonecos de infância que
estava no armário dos medicamentos

ser razoável é pior que mau

é melhor que bom

e é igual a mais ou menos

ser razoável é nem sequer estar

é estar sem querer

é comer sem gosto

é borrar sem cheiro

é morrer sem choro

é cantar sem alma

é estragar o que está precisamente maduro

é esquecer o que acabou de se fazer

é dar as costas à felicidade e o virar de cara ao
infortúnio

ser razoável é ser medíocre ser medíocre é pior que
mau

é melhor que bom

e é igual a qualquer coisa

dá-me antes outro murro para retomar os sentidos e
me lembrar que no extremo está a virtude

nos pólos está mais frio e as criaturas são mais brancas

mais pretas

com mais chifres

e mais longe de casa porque abominam o que é
doméstico

o cão de colo que me perdoe mas sou o urso polar
o esquimó fresquinho que o menino não chega a
lamber porque está no fundo da arca paraalém do rio
mais gelado e do pingo do nariz

chamar-me a mim razoável é chamar ao homem
selvagem e à mulher mulher dele

chamar-me a mim razoável é chamar é chamar a vós também
que levais os ouvidos tapados

chamar-me a mim razoável é dizer a mim e a todos
que não há hipótese de mudar isto para melhor

chamar-me a mim razoável é dizer a mim e a todos
que não há hipótese de mudar isto para pior

chamar-me a mim razoável é dizer a mim e a todos
que estamos a mudar tudo para mais ou menos

exijam o murro em plena face
gritem pelo murro

façam o abaixo-assinado pelo murro

mil milhões de assinaturas pelo murro em plena face

recebamo-lo com um sorriso com menos dentes
e sangue a escorrer livre

e o sangue que nos escoa da boca vai dar cor a isto

vai-vos sujar os casaquinhos imaculados que se
venderão a preços simbólicos nas feiras e por maquias
estratosféricas nas lojas de haute-couture

e na impossibilidade de encontrar o equilíbrio

o conforto

o quentinho

o meio

encontramos a humanidade que é feita de defeitos

amores impossíveis

rotas ocasionais

céus carregados

searas em chama

florestas virgens

assomos de bravura

loucuras temporárias

e tranquilidades passageiras

e tu que levas os dentes partidos só porque alguém
não te quis perfeito sabes agora a importância de
saber

tu que lavas a boca no chafariz na despedida do
incisivo sabes agora ao que vens

ao que venho

ao que vimos

sabes agoraque somos

somos tudo

somos completamente tudo

somos o que sobra do sorriso depois dos dentes se
afogarem pela rapidez do rio


João Negreiros in a verdade dói e pode estar errada

24 maio, 2010

"Nature Capitale" coloca a agricultura na maior avenida de Paris




Fotos retiradas de express.fr
A Avenida Champs-Elysées foi interditada ao trânsito, ontem e hoje, para uma exposição inédita: apresentar ao homem citadino a importância da agricultura. A iniciativa transformou o coração de Paris num campo florido, com pastagens para alimentação de gado e exposição de animais, dando assim, novos odores, cores e sons à paisagem urbana.

Para saber mais em lepoint.fr ou nature capitale









23 maio, 2010

LUNG BOONMEE RALUEK CHAT (ONCLE BOONMEE CELUI QUI SE SOUVIENT DE SES VIES ANTERIEURES)

Crédits:
Apichatpong WEERASETHAKUL - Réalisation
Apichatpong WEERASETHAKUL - Scénario & Dialogues
Yukontorn MINGMONGKON - Images
Charin PENGPANICH - Images
Sayombhu MUKDEEPROM - Images
Akekarat HOMLAOR - Décors
Lee CHATAMETIKOOL - Montage
Akritchalerm KALAYANAMITR - Son
Koichi SHIMIZU - Son

Acteurs:
Natthakarn APHAIWONK - Huay (épouse de Boonmee)
Sakda KAEWBUADEE - Tong
Geerasak KULHONG - Boonsong (fils de Boonmee)
Jenjira PONGPAS - Jen
Thanapat SAISAYMAR - Oncle Boonmee

Synopsis
Oncle Boonmee souffre d’une insuffisance rénale aigüe et décide de finir ses jours auprès des siens à la campagne. Étrangement, les fantômes de sa femme décédée et de son fils disparu lui apparaissent et le prennent sous leurs ailes. Méditant sur les raisons de sa maladie, Boonmee va traverser la jungle avec sa famille jusqu’à une grotte au sommet d’une colline - le lieu de naissance de sa première vie...

Festival de Cannes 2010

Le Palmarès du Festival de Cannes 2010:

Longs métrages

Palme d'Or
LUNG BOONMEE RALUEK CHAT (ONCLE BOONMEE CELUI QUI SE SOUVIENT DE SES VIES ANTÉRIEURES) réalisé par Apichatpong WEERASETHAKUL

Grand Prix
DES HOMMES ET DES DIEUX réalisé par Xavier BEAUVOIS

Prix de la mise en scène
Mathieu AMALRIC pour TOURNÉE

Prix du scénario
LEE Chang-dong pour POETRY

Prix d'interprétation féminine
Juliette BINOCHE dans COPIE CONFORME réalisé par Abbas KIAROSTAMI

Prix d'interprétation masculine Ex-aequo
Javier BARDEM dans BIUTIFUL réalisé par Alejandro GONZÁLEZ IÑÁRRITU
Elio GERMANO dans LA NOSTRA VITA réalisé par Daniele LUCHETTI

Prix du Jury
UN HOMME QUI CRIE réalisé par Mahamat-Saleh HAROUN

Courts métrages
Palme d'Or du court métrage
CHIENNE D'HISTOIRE réalisé par Serge AVÉDIKIAN

Prix du Jury - court métrage
MICKY BADER (MICKY SE BAIGNE) réalisé par Frida KEMPFF


Prix Un Certain Regard - Fondation Groupama Gan pour le Cinéma
HAHAHA réalisé par HONG Sangsoo

Prix du Jury - Un Certain Regard
OCTUBRE (OCTOBRE) réalisé par Daniel VEGA, Diego VEGA

Prix d'interprétation féminine Un Certain Regard
LOS LABIOS (LES LEVRES) interprété par Victoria RAPOSO, Eva BIANCO, Adela SANCHEZ

Premier Prix de la Cinéfondation
TAULUKAUPPIAAT (LES MARCHANDS DE TABLEAUX) réalisé par Juho KUOSMANEN

Deuxième Prix de la Cinéfondation
COUCOU-LES-NUAGES réalisé par Vincent CARDONA

Troisième Prix de la Cinéfondation Ex-aequo
HINKERORT ZORASUNE réalisé par Vatche BOULGHOURJIAN
JA VEC JESAM SVE ONO ŠTO ŽELIM DA IMAM réalisé par Dane KOMLJEN

05 maio, 2010

Aux arbres citoyens - Yannick Noah


Ce titre est extrait de l'album : Charango
Année de sortie : 2006 Label : Sony BMG Music


Aux Arbres Citoyens

Le ciment dans les plaines
Coule jusqu'aux montagnes
Poison dans les fontaines,
Dans nos campagnes

De cyclones en rafales
Notre histoire prend l'eau
Reste notre idéal
"Faire les beaux"

S'acheter de l'air en barre
Remplir la balance :
Quelques pétrodollars
Contre l'existence

De l'équateur aux pôles,
Ce poids sur nos épaules
De squatters éphémers...
Maintenant c'est plus drôle

Puisqu'il faut changer les choses
Aux arbres citoyens !
Il est grand temps qu'on propose
Un monde pour demain !

Aux arbres citoyens
Quelques baffes à prendre
La veille est pour demain
Des baffes à rendre

Faire tenir debout
Une armée de roseaux
Plus personne à genoux
Fait passer le mot

C'est vrai la terre est ronde
Mais qui viendra nous dire
Qu'elle l'est pour tout le monde...
Et les autres à venir...

Puisqu'il faut changer les choses
Aux arbres citoyens !
Il est grand temps qu'on propose
Un monde pour demain !

Puisqu'il faut changer les choses
Aux arbres citoyens !
Il est grand temps qu'on s'oppose
Un monde pour demain !


plus le remps de savoir à qui la faute
De compter la chance ou les autres
Maintenant on se bat
Avec toi moi j'y crois

Puisqu'il faut changer les choses
Aux arbres citoyens !
Il est grand temps qu'on propose
Un monde pour demain !

Yannick Noah

in ados.fr

04 maio, 2010

ROBERT DESNOS no Institut Franco-Portugais



ROBERT DESNOS 1900-1945.
L HOMME QUI PORTAIT EN LUI
TOUS LES RÊVES DU MONDE

06 de Maio - 19h00 - IFP
teatro 5ªf, 19h00

Descritivo:
Leitura encenada, concebida e interpretada por Éric Cénat e Patrice Delbourg.

Produção: Théâtre de l Imprévu em parceria com a Bibliothèque francophone de Limoges.

Uma Selecção Le Printemps des Poètes.

Espectáculo em francês.
Lugar: Institut Franco-Portugais
Morada: Avenida Luís Bívar, 91 / 1050-143 Lisboa

02 maio, 2010

Roger Federer no Open do Estoril 2010


A 21ª edição do Estoril Open arrancou este sábado com a primeira jornada de encontros reservada às fases de qualificação do maior torneio de ténis internacional realizado anualmente em Portugal

Para saber mais:
http://pt.estorilopen.net/

Às mães - 3 poemas


Jan Vermeer



Palavras para a Minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

____________________

Mãe...

Mãe — que adormente este viver dorido,
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas ate o fio
Do meu pobre existir, meio partido...

Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio...
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido...

Eu dava o meu orgulho de homem — dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava.

Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu podesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!

Antero de Quental, in "Sonetos"_______________________

Mãe

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga, in 'Diário IV'

25 abril, 2010

Feira do Livro de Lisboa - 80ª Edição


A 80ª edição da Feira do Livro de Lisboa, organizada pela APEL começa, este ano, a 29de Abril e prolonga-se até 16 de Maio, contando, também com novo horário, stands e programação.


Programa:
Dia 29 de ABRIL
14h30 - Dá-me um livro... Conta-me uma história. Que história é esta do livro que tu me dás, que queres conhecer e ainda não sabes ler? (Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa).
18h30 - República e Monarquia, debate moderado por Maria João Costa (Aud. APEL).

Dia 30
17h - Apresentação da obra Angelina Vidal - Escritora, jornalista, republicana, revolucionária e socialista (Aud. APEL).
21h15 - Stonesbones & Bad Spaguetti, folk/bluegrass (Palco Central)

Dia 1 de MAIO
11h30 - Histórias com cheiros (Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa).
18h30 - Os melhores livros do ano, debate moderado por José Mário Silva (Aud. APEL).

Dia 2
11h - Saxofones pedagógicos 4teto de saxofones: Pedro e o Lobo (Palco Central).
17h30 - Livros infantis, debate moderado por Luís Caetano (Aud. APEL).

Dia 3
21h15 - Nanã Sousa Dias 4teto, jazz/ /fusão (Palco Central).

Dia 4
14h30 - Oficinas de Expressão. Ouvimos histórias que nos encantam, para com as mãos criarmos a nossa própria história (Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa).
19h30 - Convesas com... Clara Pinto Correia (Espaço EDP).

Dia 5
14h30 - Aqui há ninho, aprender a construir um ninho artificial (Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa).
21h15 - Raspa de Tacho 4teto, música brasileira (Palco Central)

Dia 6
18h30 - Livro com arte, debate moderado por João Morales (Aud. APEL).
21h15 - Politonia 4teto, jazz (Palco Central).

Dia 7
18h30 - Os livros da minha vida, debate moderado por Filipa Melo (Aud. APEL).
21h15 - Jazz à Sexta: El Fad (Palco Central).

Dia 8
17h30 - Debate sobre os mistérios do sono, com Teresa Paiva e Helena Rebelo Pinto (Praça Verde).
21h15 - Kumpania Algazarra Octeto, ska/músicas do mundo (Palco Central).

Dia 9
11h - Exposição Reinventar e Ilustração, a partir de ilustrações de André Letria e Danuta (Espaço EDP).
17h30 - Bruxas, vampiros e zombies, debate moderado por Luís Caetano (Aud. APEL).

Dia 10
14h30 - Árvores de Lisboa, construção de painéis ilustrativos das espécies arbóreas de Lisboa.
21h15 - Poezz 5teto, poesia/jazza (Palco Central).

Dia 11
21h - Lisboa e a República, debate moderado por António Reis.
21h15 - Intempore 4teto de cordas, música clássica (Palco Central).

Dia 12
21h15 - Mistura Fina 4teto, jazz/soul/ /R&B (Palco Central).

Dia 13
21h15 - Laura Ferreira 4teto, jazz vocal (Palco Central).
21h30 - Literatura bíblica e música (Aud. APEL).

Dia 14
18h30 - Poesia portuguesa no séc. XXI, debate moderado por José Mário Silva (Aud. APEL).
21h15 - Jazz à Sexta: Septeto do Hot Clube de Portugal (Palco Central).

Dia 15
15h - Bullying: Da impotência à violência, com Tânia Pais, Ana Almeida e Ana Vasconcelos (Espaço EDP).

Dia 16
11h - Crokorócódilo, marionetas de fios (Palco Central).
18h - Quero ser autor, e agora?, debate moderado por Filipa Melo (Aud. APEL)

in Visão on line