Centro de Artes de Sines – Esplanada da Casa Preta | 26 e 27 de Julho | 18h30 | Org. Câmara Municipal de Sines / livraria a das artes
26: MÁRIO DE CARVALHO O FMM e a livraria a das artes juntam-se para trazer até Sines o consagrado autor Mário de Carvalho, que apresentará a sua última obra “A arte de morrer longe”. Uma oportunidade de escutar as palavras de um dos mais estimados autores portugueses, traduzido em diversas línguas e galardoado com o Grande Prémio APE, o Prémio Fernando Namora, o Grande Prémio de Literatura ITF/DST e, em 2009, o prémio Vergílio Ferreira.
27: valter hugo mãe Al Berto fê-lo em alguns poemas mas este autor fá-lo sem excepção. valter hugo mãe caracteriza a sua produção literária pela omnipresença de minúsculas, para, tal como afirma, “acelerar a própria escrita (…) agilizando assim o texto”. O autor apresenta-nos o seu último romance “a máquina de fazer espanhóis”, após ter editado títulos como “o remorso de baltazar serapião” e “o apocalipse dos trabalhadores” e ter sido galardoado com o Prémio Literário José Saramago (2007)
Centro de Artes de Sines e Centro Cultural Emmerico Nunes
16 de Julho a 25 de Setembro
Inauguração 16 de Julho, às 22h00
Todos os dias, 14h00-20h00
Entrada livre
Produção e parceria Câmara Municipal de Sines / Centro Cultural Emmerico Nunes
Realizada no âmbito da 13.ª edição do projecto Verão Arte Contemporânea do Centro Cultural Emmerico Nunes, numa parceria com a Câmara Municipal de Sines, a exposição “A Secreta Vida das Palavras”, comissariada por João Pinharanda, tem como ponto de partida a relação que Al Berto, poeta de Sines e do mundo, estabeleceu ao longo da sua vida com as imagens. Com formação em artes plásticas, Al Berto tem a par da obra literária uma rica obra visual e sempre revelou interesse pela arte do seu tempo, como testemunha o livro “A Secreta Vida das Imagens”, onde, a partir de obras concretas, usa a Palavra para procurar o segredo que reside no coração das Imagens. Nesta exposição percorre-se o caminho inverso: um conjunto de artistas contemporâneos procura, através da pintura, da escultura, da fotografia, do vídeo, do som ou da instalação, as Imagens que revelam o segredo que habita no coração das Palavras. A exposição reúne dois conjuntos de obras. O primeiro resulta de visitas a Sines e de um período de residência na cidade onde estiveram presentes duas autoras consagradas, Ana Vieira e Ana Jotta, e um conjunto de mais jovens artistas, como Edgar Massul, Fernando Mesquita, João Ferro Martins, Nuno Cera, Pedro Reis, Rodrigo Oliveira, Rodrigo Peixoto, Sara Santos e Vasco Costa. O segundo conjunto, que dialoga com o primeiro, reúne obras existentes de artistas citados em livro por Al Berto, como são os casos de Dacosta, Cesariny, Carlos Nogueira, Sarmento, António Correia, Rosa Carvalho, Manuel Rosa, Calapez, Rui Sanches, Ilda David’, Cabrita Reis, Croft, Casqueiro, Chafes, entre outros.
(A partir do texto do comissário)
in FMM, programa de atividades paralelas ao Festival
«Acho que na sociedade actual nos falta filosofia.
Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.»
Vitorino e Janita Salomé com Grupo de Cantadores do Redondo (Portugal), Castelo, 18h00 Cacique’97 (Moçambique / Portugal), Av. Vasco da Gama, 19h30 Nat King Cole en Espagnol (EUA / Cuba / Portugal), Castelo, 21h30 Las Rubias del Norte (EUA), Castelo, 23h00 Céu (Brasil), Castelo, 00h30 Novalima (Peru), Av. Vasco da Gama, 02h30
29 de Julho (quinta-feira)
34 Puñaladas (Argentina), Castelo, 18h00 Wimme (Finlândia / Povo Sami), Av. Vasco da Gama, 19h30 Yasmin Levy (Israel), Castelo, 21h30 N’Diale – Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio (Bretanha / Mali), 23h00 The Mekons (Reino Unido / EUA), Castelo, 00h30 Grupo Fantasma (EUA), Av. Vasco da Gama, 02h30
30 de Julho (sexta-feira)
Kimi Djabaté (Guiné-Bissau), Castelo, 18h00 The Rodeo (França), Av. Vasco da Gama, 19h30 Barbez (EUA), Castelo, 21h30 Sa Dingding (China), Castelo 23h00 Tinariwen (Mali / Sahara), Castelo, 00h30 Forro in the Dark (Brasil), Av. Vasco da Gama, 02h30 Bailarico Sofisticado convida Selecta Alice (Portugal), Av. Vasco da Gama, 04h00
31 de Julho (sábado)
Guadi Galego (Galiza), Castelo, 18h00 Galaxy (Timor-Leste), Av. Vasco da Gama, 19h30 Lole Montoya (Espanha), Castelo, 21h30 Cheick Tidiane Seck feat. Mamani Keita (Mali), Castelo, 23h00 Staff Benda Bilili (R. D. Congo), Castelo, 00h30 U-Roy (Jamaica), Av. Vasco da Gama, 02h30 Batida (Portugal / Angola), Av. Vasco da Gama, 04h00
Nota: Elementos do programa anunciado podem sofrer alterações.
Quando o vento se levanta e passa, tua cabeça adormecida põe-se a brilhar. Em redor dela um halo de sombra onde a minha mão entra, vagarosamente, pedindo-te um sinal. Procuro o rosto com os dedos afiados pelo desejo. Toco a alba das pálpebras que, de súbito, se abrem para mim. Um fio de luz coalha na saliva do lábio. Ouvimos o mar, como se tivéssemos encostado a cabeça ao peito um do outro. Mas não há repouso nesta paixão. O dia cresce, sem luz - e os pássaros soltam-se do pólen dos sonhos, embatem contra os nossos corpos. Nada podemos fazer. Um risco de passos ensaguentados alastra pelo chão da cidade. A noite cerca-nos, devora-nos. Estamos definitivamente sozinhos. Começamos, então, a imitar a vida um do outro. E, abraçados, amamo-nos como se fosse a última vez... O tempo sempre esteve aqui, e eu passei por ele quase sempre sozinho. No entanto, recordo, deixaste-me sobre a pele um rasgão que já não dói. Mas quando a memória da noite consegue trazer-te intacto, fecho os olhos, o corpo e a alma latejam de dor. Dantes, o olhar seduzia e matava outro olhar. Agora, odeio-te por não me pertenceres mais. Odeio-te. Abro os olhos. Regresso ao meu corpo e odeio-te. E, quem sabe se no meio de tanto ódio não te perdoaria - mas ambos sabemos que o perdão não existe. Se fugias, perseguia-te. Mas o olhar começava a cegar. Sentia-te, já não te via. E o pior é que o tacto também esqueceu, rapidamente, a sensualidade da pele e o calor do sexo. O rosto aprendido de cor. Hoje, tudo se sobrepõe. Nomes, rostos, gestos, corpos, lugares...um montão de cinzas que me deixaste como herança. Não devo perder tempo com o ciúme. A paixão desgastou-me. E nunca houve mais nada na minha vida - paixão ou ódio. Só isto: se me aparecesses agora, tenho a certeza, matava-te.
Le Navigateur du Soleil Incandescent / quatrième lettre de Isabel Soveral teve a sua estreia absoluta no Sábado, 12 de Junho, inserida no programa do Cascais Days / Dias de Cascais – Miso Music 25. Le Navigateur du Soleil Incandescent /quatrième lettre é uma peça para flauta, clarinete, piano, violino, violoncelo & electrónica, sendo interpretada pelo Sond’Ar-te Electric Ensemble, dirigido por Pedro Neves. Sobre a obra fica um texto escrito pela compositora:
O texto Le Navigateur du Soleil Incandescent ,de Al Berto, articula-se na conjugação dois planos emocionais: um melancólico, bastante lírico, em que Al Berto retrata o amor, a saudade do amor, a fantasia de uma saudade; e outro, em que Al Berto retrata a solidão: a solidão em Al Berto é a solidão do terror, o estado de revolta e de desespero. É neste plano que aparece o seu texto mais autobiográfico. Do texto original, trabalhei com o poeta uma sequência de fragmentos, que articulados de forma cronológica em relação ao texto inicial, dão forma ao enredo do ciclo no qual se inclui esta obra: Le Navigateur du Soleil Incadescent /quatrième lettre para grupo de câmara e sons electrónicos. Resulta uma sequência de monólogos, em que o personagem, o Navegador, se entrega ao desespero/melancolia da ausência de um amor que o salve do seu destino solitário.
pequeníssimos recados escritos à pressa amachucados nos dedos
foi bela a madressilva subindo pela noite da morada esquecida
pedras exactas poeiras perfumadas bichos de lume dormitando na flexibilidade da argila areias cobertas de insectos ossos dentes e o rio por onde partem as noites de cansaço
luminosa floração luas ácidas despenhando-se fendas de terra cidades costeiras pássaros frágeis caminhos desvendados em pleno voo durante a lucidez tremenda do sonho
restam-me os corredores de vidro onde posso afagar os restos carbonizados do corpo abro a porta que dava acesso ao rosto desço os degraus musgosos do pátio atravesso o jardim de alvenaria onde vivi todo este tempo antes de me precipitar
Está a deccorrer até 27 de Junho o Parfums de Lisbonne, festival de urbanidades cruzadas entre lisboa e Paris, organizado pela Companhia de teatro bilingue Cá & Lá /Ici & Là, com a colaboração do centro Cultural Português em Paris, dos Leitores de português e da Cátedra Lindley Cintra e da Mairie do 14ème arrondissement de Paris. Festival multidisciplinar - cinema, teatro, poesia, dança, música - e com a habitual programação de cinema na sala MK2 de Beaubourg, o Festival tem como tema «A Festa». Este ano também faz uma abordagem à celebração do centenário da República Portuguesa. Este ocorre em interacção com o público, na rua, em bairros de Paris, Lisboa e Caldetes(Catalunha).
Festival Silêncio 2010 decorre de 16 a 26 de Junho, em Lisboa. Espectáculos, workshops, debates e masterclass integram o programa da 2ª edição do Festival!
"Também o futebol deixou de acreditar em prodígios. Agora só importa a técnica. Ora, a técnica não é outra coisa senão o biquini no corpo pulsante da moça. O prodígio é aquilo que o biquini esconde."
José Eduardo Agualusa, in crónica "Nelson Rodrigues, Papa, samba e futebol" da revista Ler, Junho 2010.
Joaquim, o "vendedor de sonhos" da livraria A das Artes, acompanhado à guitarra por Miguel, foi, desta vez, "vender" textos de sua autoria e de escritores portugueses a um grupo de alunos e professores da escola secundária Poeta Al Berto. Excelente maneira de motivar os jovens (e os menos jovens) para a leitura.
Júri atribuiu ao escritor brasileiro Ferreira Gullar o maior prémio de prestígio da língua portuguesa.
Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira), nasceu no dia 10 de Setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão, quarto filho dos onze que teriam seus pais, Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.
João Boa-Morte, cabra marcado para morrer (cordel), 1962
Quem matou Aparecida? (cordel), 1962
A luta corporal e novos poemas, 1966
História de um valente, (cordel, na clandestinidade, como João Salgueiro), 1966
Por você por mim, 1968
Dentro da noite veloz, 1975
Poema sujo, 1976
Na vertigem do dia, 1980
Crime na flora ou Ordem e progresso, 1986
Barulhos, 1987
O formigueiro, 1991
Muitas vozes, 1999
Poemas reunidos:
Toda poesia, 1980
Antologias:
Antologia poética, 1977
Ferreira Gullar - seleção de Beth Brait, 1981
Os melhores poemas de Ferreira Gullar - seleção de Alfredo Bosi, 1983
Poemas escolhidos, 1989
Poesia completa, teatro e prosa, org. de Antonio Carlos Secchin, 2008
Contos:
Gamação, 1996
Cidades inventadas, 1997
Teatro:
Um rubi no umbigo, 1979
Crónicas:
A estranha vida banal, 1989
O menino e o arco-íris, 2001
Memórias:
Rabo de foguete - Os anos de exílio, 1998
Biografia:
Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde, 1996
Ensaios:
Teoria do não-objeto, 1959
Cultura posta em questão, 1965
Vanguarda e subdesenvolvimento, 1969
Augusto do Anjos ou Vida e morte nordestina, 1977
Tentativa de compreensão: arte concreta, arte neoconcreta - Uma contribuição brasileira, 1977
Uma luz no chão, 1978
Sobre arte, 1983
Etapas da arte contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta, 1985
Indagações de hoje, 1989
Argumentação contra a morte da arte, 1993
"O Grupo Frente e a reação neoconcreta", 1998
Cultura posta em questão/Vanguarda e subdesenvolvimento, 2002
Rembrandt, 2002
Relâmpagos, 2003
Disco:
Antologia poética de Ferreira Gullar (música de Egberto Gismonti), 1979
Televisão:
Adaptações:
Episódios da série "Aplauso", Rede Globo, 1979: - Ilha das cabras, Ugo Betti - As pequenas raposas, Lilian Helmann - A lição, Eugéne Ionesco - O preço, Arthur Miller - Judas em Sábado de Alelúia, Martins Penna - Só o faraó tem alma, Silveira Sampaio
Textos originais:
Dona Felinta Cardoso, a rainha do agreste, 1979
Episódios do seriado "Carga Pesada", Rede Globo, 1980: - Em nome da santa - O foragido - Lance final - Disputa - Peru de Natal
Episódios do seriado "Obrigado doutor", Rede Globo, 1981: - A crise - Uma bela adormecida - Go home - Arma branca - O comício - O bode
Ubu rei, Alfred Jarry, 1972 Cyrano de Bergerac, Edmond Rostand, 1985 Lés pays des éléphants, Louis-Charles Sirjacq, 1989 As mil e uma noites, 2000 Don Quixote de la Mancha, Cervantes, 2002
Literatura infanto-juvenil:
Fábulas, La Fontaine, 1997 Um gato chamado Gatinho, 2000 O rei que mora no mar, 2001
2. Em parceria:
Teatro:
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, com Oduvaldo Viana Filho, 1966
A saída? Onde fica a saída?, com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa, 1967
Dr. Getúlio, sua vida e sua glória, com Dias Gomes, 1968
Televisão:
Araponga, com Dias Gomes e Lauro César Muniz, 1990
As noivas de Copacabana, com Dias Gomes e Marcílio Moraes, 1992
Imprensa:
"O cavalheiro da esperança" (entrevista com o arquiteto Oscar Niemeyer), com Bruno Tolentino, 1997
Ontem, o Dia de África foi comemorado na Escola Secundária Poeta Al Berto com José Luandino Vieira. O escritor encantou com as suas estórias alunos, professores e funcionárias.
ontem disseram-me que eu era razoável e eu parti todos os dentes a quem me disse tal coisa
é que não aguentei
porque não insultou minha mãezinha e seus hábitos conjugais como eu estava à espera?
porque não insultou a minha mãezinha afirmando que todos os homens do globo poderiam ser o meu paizinho?
porque não me disse que cheirava mal?
porque não me inventou uma corcunda?
porque não aproveitou conjugando as duas correntes e descreveu minha mãezinha como um ser desprovido de higiene e com protuberâncias dorsais que rivalizariam com os picos da Europa?
chamar-me a mim razoável?!
eu que sou extraordinário de tão ruim
eu que estou nos pólos com os iões
eu que faço tudo para me destacar
violo meninas em plena avenida para depois salvar o mundo
dou o antídoto aos venenos e o veneno sem antídoto
mato pessoas que idolatro e amo tudo a quem não gosto
eu que sou magnânimo na intermitência da ruindade
eu rei dos povos e súbdito dos mendigos
eu sou o contrário do razoável
ninguém me ama com medo de se apaixonar
todos me batem com jeito de açoitar o puro-sangue que se habituou ao cheiro da glória que não se quer render á vida para procriar
eu sou o Deus triste que está na lama das estrelas
o imperador de palácios vazios
o vagabundo de séquito interminável
a divindade a quem faltam promessas
o risco sem medo
a justiça sem pecador
vivo para lá da lei na origem dos decretos
chamar-me a mim razoável quando sou limpo sem rasuras
sem razão
chamar coerente a quem inventou a loucura é dar pão aos patos quando o mar está revolto
dá-me antes um murro em plena face resvalando a jeito de me partir o nariz para depois me tratares com curativos pintados de bonecos de infância que estava no armário dos medicamentos
ser razoável é pior que mau
é melhor que bom
e é igual a mais ou menos
ser razoável é nem sequer estar
é estar sem querer
é comer sem gosto
é borrar sem cheiro
é morrer sem choro
é cantar sem alma
é estragar o que está precisamente maduro
é esquecer o que acabou de se fazer
é dar as costas à felicidade e o virar de cara ao infortúnio
ser razoável é ser medíocre ser medíocre é pior que mau
é melhor que bom
e é igual a qualquer coisa
dá-me antes outro murro para retomar os sentidos e me lembrar que no extremo está a virtude
nos pólos está mais frio e as criaturas são mais brancas
mais pretas
com mais chifres
e mais longe de casa porque abominam o que é doméstico
o cão de colo que me perdoe mas sou o urso polar o esquimó fresquinho que o menino não chega a lamber porque está no fundo da arca paraalém do rio mais gelado e do pingo do nariz
chamar-me a mim razoável é chamar ao homem selvagem e à mulher mulher dele
chamar-me a mim razoável é chamar é chamar a vós também que levais os ouvidos tapados
chamar-me a mim razoável é dizer a mim e a todos que não há hipótese de mudar isto para melhor
chamar-me a mim razoável é dizer a mim e a todos que não há hipótese de mudar isto para pior
chamar-me a mim razoável é dizer a mim e a todos que estamos a mudar tudo para mais ou menos
exijam o murro em plena face gritem pelo murro
façam o abaixo-assinado pelo murro
mil milhões de assinaturas pelo murro em plena face
recebamo-lo com um sorriso com menos dentes e sangue a escorrer livre
e o sangue que nos escoa da boca vai dar cor a isto
vai-vos sujar os casaquinhos imaculados que se venderão a preços simbólicos nas feiras e por maquias estratosféricas nas lojas de haute-couture
e na impossibilidade de encontrar o equilíbrio
o conforto
o quentinho
o meio
encontramos a humanidade que é feita de defeitos
amores impossíveis
rotas ocasionais
céus carregados
searas em chama
florestas virgens
assomos de bravura
loucuras temporárias
e tranquilidades passageiras
e tu que levas os dentes partidos só porque alguém não te quis perfeito sabes agora a importância de saber
tu que lavas a boca no chafariz na despedida do incisivo sabes agora ao que vens
ao que venho
ao que vimos
sabes agoraque somos
somos tudo
somos completamente tudo
somos o que sobra do sorriso depois dos dentes se afogarem pela rapidez do rio
João Negreiros in a verdade dói e pode estar errada
A Avenida Champs-Elysées foi interditada ao trânsito, ontem e hoje, para uma exposição inédita: apresentar ao homem citadino a importância da agricultura. A iniciativa transformou o coração de Paris num campo florido, com pastagens para alimentação de gado e exposição de animais, dando assim, novos odores, cores e sons à paisagem urbana.
Acteurs: Natthakarn APHAIWONK - Huay (épouse de Boonmee) Sakda KAEWBUADEE - Tong Geerasak KULHONG - Boonsong (fils de Boonmee) Jenjira PONGPAS - Jen Thanapat SAISAYMAR - Oncle Boonmee
Synopsis Oncle Boonmee souffre d’une insuffisance rénale aigüe et décide de finir ses jours auprès des siens à la campagne. Étrangement, les fantômes de sa femme décédée et de son fils disparu lui apparaissent et le prennent sous leurs ailes. Méditant sur les raisons de sa maladie, Boonmee va traverser la jungle avec sa famille jusqu’à une grotte au sommet d’une colline - le lieu de naissance de sa première vie...
Palme d'Or LUNG BOONMEE RALUEK CHAT (ONCLE BOONMEE CELUI QUI SE SOUVIENT DE SES VIES ANTÉRIEURES) réalisé par Apichatpong WEERASETHAKUL
Grand Prix DES HOMMES ET DES DIEUX réalisé par Xavier BEAUVOIS
Prix de la mise en scène Mathieu AMALRIC pour TOURNÉE
Prix du scénario LEE Chang-dong pour POETRY
Prix d'interprétation féminine Juliette BINOCHE dans COPIE CONFORME réalisé par Abbas KIAROSTAMI
Prix d'interprétation masculine Ex-aequo Javier BARDEM dans BIUTIFUL réalisé par Alejandro GONZÁLEZ IÑÁRRITU Elio GERMANO dans LA NOSTRA VITA réalisé par Daniele LUCHETTI
Prix du Jury UN HOMME QUI CRIE réalisé par Mahamat-Saleh HAROUN
Courts métrages Palme d'Or du court métrage CHIENNE D'HISTOIRE réalisé par Serge AVÉDIKIAN
Prix du Jury - court métrage MICKY BADER (MICKY SE BAIGNE) réalisé par Frida KEMPFF
Prix Un Certain Regard - Fondation Groupama Gan pour le Cinéma HAHAHA réalisé par HONG Sangsoo
Prix du Jury - Un Certain Regard OCTUBRE (OCTOBRE) réalisé par Daniel VEGA, Diego VEGA
Prix d'interprétation féminine Un Certain Regard LOS LABIOS (LES LEVRES) interprété par Victoria RAPOSO, Eva BIANCO, Adela SANCHEZ
Premier Prix de la Cinéfondation TAULUKAUPPIAAT (LES MARCHANDS DE TABLEAUX) réalisé par Juho KUOSMANEN
Deuxième Prix de la Cinéfondation COUCOU-LES-NUAGES réalisé par Vincent CARDONA
Troisième Prix de la Cinéfondation Ex-aequo HINKERORT ZORASUNE réalisé par Vatche BOULGHOURJIAN JA VEC JESAM SVE ONO ŠTO ŽELIM DA IMAM réalisé par Dane KOMLJEN
A 21ª edição do Estoril Open arrancou este sábado com a primeira jornada de encontros reservada às fases de qualificação do maior torneio de ténis internacional realizado anualmente em Portugal
mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz. sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"
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Mãe...
Mãe — que adormente este viver dorido, E me vele esta noite de tal frio, E com as mãos piedosas ate o fio Do meu pobre existir, meio partido...
Que me leve consigo, adormecido, Ao passar pelo sítio mais sombrio... Me banhe e lave a alma lá no rio Da clara luz do seu olhar querido...
Eu dava o meu orgulho de homem — dava Minha estéril ciência, sem receio, E em débil criancinha me tornava.
Descuidada, feliz, dócil também, Se eu podesse dormir sobre o teu seio, Se tu fosses, querida, a minha mãe!
Antero de Quental, in "Sonetos"_______________________
Mãe
Mãe: Que desgraça na vida aconteceu, Que ficaste insensível e gelada? Que todo o teu perfil se endureceu Numa linha severa e desenhada?
Como as estátuas, que são gente nossa Cansada de palavras e ternura, Assim tu me pareces no teu leito. Presença cinzelada em pedra dura, Que não tem coração dentro do peito.
Chamo aos gritos por ti — não me respondes. Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio. Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes Por detrás do terror deste vazio.
Mãe: Abre os olhos ao menos, diz que sim! Diz que me vês ainda, que me queres. Que és a eterna mulher entre as mulheres. Que nem a morte te afastou de mim!
A 80ª edição da Feira do Livro de Lisboa, organizada pela APEL começa, este ano, a 29de Abril e prolonga-se até 16 de Maio, contando, também com novo horário, stands e programação.
Programa: Dia 29 de ABRIL 14h30 - Dá-me um livro... Conta-me uma história. Que história é esta do livro que tu me dás, que queres conhecer e ainda não sabes ler? (Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa). 18h30 - República e Monarquia, debate moderado por Maria João Costa (Aud. APEL).
Dia 30 17h - Apresentação da obra Angelina Vidal - Escritora, jornalista, republicana, revolucionária e socialista (Aud. APEL). 21h15 - Stonesbones & Bad Spaguetti, folk/bluegrass (Palco Central)
Dia 1 de MAIO 11h30 - Histórias com cheiros (Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa). 18h30 - Os melhores livros do ano, debate moderado por José Mário Silva (Aud. APEL).
Dia 2 11h - Saxofones pedagógicos 4teto de saxofones: Pedro e o Lobo (Palco Central). 17h30 - Livros infantis, debate moderado por Luís Caetano (Aud. APEL).
Dia 3 21h15 - Nanã Sousa Dias 4teto, jazz/ /fusão (Palco Central).
Dia 4 14h30 - Oficinas de Expressão. Ouvimos histórias que nos encantam, para com as mãos criarmos a nossa própria história (Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa). 19h30 - Convesas com... Clara Pinto Correia (Espaço EDP).
Dia 5 14h30 - Aqui há ninho, aprender a construir um ninho artificial (Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa). 21h15 - Raspa de Tacho 4teto, música brasileira (Palco Central)
Dia 6 18h30 - Livro com arte, debate moderado por João Morales (Aud. APEL). 21h15 - Politonia 4teto, jazz (Palco Central).
Dia 7 18h30 - Os livros da minha vida, debate moderado por Filipa Melo (Aud. APEL). 21h15 - Jazz à Sexta: El Fad (Palco Central).
Dia 8 17h30 - Debate sobre os mistérios do sono, com Teresa Paiva e Helena Rebelo Pinto (Praça Verde). 21h15 - Kumpania Algazarra Octeto, ska/músicas do mundo (Palco Central).
Dia 9 11h - Exposição Reinventar e Ilustração, a partir de ilustrações de André Letria e Danuta (Espaço EDP). 17h30 - Bruxas, vampiros e zombies, debate moderado por Luís Caetano (Aud. APEL).
Dia 10 14h30 - Árvores de Lisboa, construção de painéis ilustrativos das espécies arbóreas de Lisboa. 21h15 - Poezz 5teto, poesia/jazza (Palco Central).
Dia 11 21h - Lisboa e a República, debate moderado por António Reis. 21h15 - Intempore 4teto de cordas, música clássica (Palco Central).
Dia 13 21h15 - Laura Ferreira 4teto, jazz vocal (Palco Central). 21h30 - Literatura bíblica e música (Aud. APEL).
Dia 14 18h30 - Poesia portuguesa no séc. XXI, debate moderado por José Mário Silva (Aud. APEL). 21h15 - Jazz à Sexta: Septeto do Hot Clube de Portugal (Palco Central).
Dia 15 15h - Bullying: Da impotência à violência, com Tânia Pais, Ana Almeida e Ana Vasconcelos (Espaço EDP).
Dia 16 11h - Crokorócódilo, marionetas de fios (Palco Central). 18h - Quero ser autor, e agora?, debate moderado por Filipa Melo (Aud. APEL)