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02 setembro, 2014

Leituras de Agosto




  

      
Três leituras muito diferentes, mas todas muito interessantes. 
No 1º livro, Valter Hugo Mãe coloca como protagonistas duas mulheres que nos vão narrando as suas histórias como mulheres a dias, as suas paixões e as dificuldades inerentes da vida.

No 2º livro, há também duas personagens com um percurso diferente, mas ligadas por um estranho mistério. Trata-se de um livro maravilhoso repleto de enigmas, de ações estranhas e de simbologia. 

O Volume I de Guerra e Paz é um clássico que narra a vida da aristocracia russa, no início do sec. XIX, bem como as investidas e os sucessos de Napoleão. Escrita extraordinária de Tolstoi que consegue manter-nos preso à narrativa. 



22 setembro, 2013

Leituras

 
Sinopse
«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.»

Passado nos recônditos fiordes islandeses, este romance é a voz de uma menina diferente que nos conta o que sobra depois de perder a irmã gémea. Um livro de profunda delicadeza em que a disciplina da tristeza não impede uma certa redenção e o permanente assombro da beleza.
O livro mais plástico de Valter Hugo Mãe. Um livro de ver. Uma utopia de purificar a experiência difícil e maravilhosa de se estar vivo.
 
 
 
"A Desumanização é o resultado do amor (no sentido do encantamento) do autor pela Islândia, o país da neve, do gelo e dos fiordes."
 
Miguel Real in JL 
 
 
 
 

Sinopse
 
Daniel tinha um plano, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. Às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a vida parecia fácil - e a felicidade também. De repente, porém, tudo se complicou: Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego, deixando de poder pagar a prestação da casa; a mulher, também desempregada, foi-se embora com os filhos à procura de melhores oportunidades; os seus dois melhores amigos encontram-se ausentes: um, Xavier, está trancado em casa há doze anos, obcecado com as estatísticas e profundamente deprimido com o facto de o site que criaram para as pessoas se entreajudarem se ter revelado um completo fracasso; o outro, Almodôvar, foi preso numa tentativa desesperada de remendar a vida. Quando pensa nos seus filhos e no filho de Almodôvar, Daniel procura perceber que tipo de esperança resta às gerações que se lhe seguem. E não quer desistir. Apesar dos escombros em que se transformou a sua vida, a sua vontade de refazer tudo parece inabalável. Porque, sem futuro, o presente não faz sentido.
Índice Médio de Felicidade é um romance admirável e extremamente actual sobre um optimista que luta até ao fim pela sua vida e pela felicidade daqueles que ama. Dramático e realista, mas com momentos hilariantes, confirma o talento de David Machado como um dos melhores ficcionistas da sua geração.
 
 

05 junho, 2013

As bibliotecas por Valter Hugo Mãe



Biblioteca do mosteiro de Strahov, Praga
 

 As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.
Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.
Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.
O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.
Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.
Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde  voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como
carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.
As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.
Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra.
Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.
As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.
Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho. Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.
Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor.


in Jornal de Letras

18 dezembro, 2012

Um texto de Valter Hugo Mãe



Os professores

Achei por muito tempo que ia ser professor.
Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar.
Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze
anos de idade. A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito.
... Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso
ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém.

Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o
Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho
pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões.

Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho
comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.
Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que
induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto
imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza.

Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.

Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da
escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e
acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

Dá -me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa.

Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.

Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade.
E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto.

As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os
alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento.

E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a
suicidar-se. Odeia e odeia-se.

 Valter Hugo Mãe in  Jornal de Letras, 19 setembro 2012

27 novembro, 2012

Valter Hugo Mãe vence Prémio Literário Portugal Telecom

  Valter Hugo Mãe
Valter Hugo Mãe
D.R.
 
O escritor português é o vencedor da décima edição do Prémio Literário Portugal Telecom 2012, com o seu romance A máquina de fazer espanhóis.
 
 A Máquina de Fazer Espanhóis é o 4º volume de uma série composta por O Nosso Reino (2004), O Remorso de Baltazar Serapião (2006, vencedor do Prémio Saramago) e O Apocalipse dos Trabalhadores (2008).
Nuno Ramos venceu na categoria de poesia e Dalton Trevisan na de conto/crónica. Os vencedores foram anunciados ontem, em S. Paulo.
O Prémio Portugal Telecom de Literatura em língua portuguesa, que nesta edição completou 10 anos, distribuiu-se pela primeira vez pelas categorias poesia, romance e conto/crónica e incluiu um Grande Prémio.

06 maio, 2012

"Os livros abrigam-nos por dentro"

Home, instalação de Miler Lagos

Instalação do artista colombiano Miler Lagos, intitulada de Home.  Trata-se de um iglu construído com livros cuidadosamente empilhados para criar uma cúpula compacta.  A obra esteve exposta, no ano passado, na Galeria MagnanMetz, em Nova York.

A última crónica de Valter Hugo Mãe, no JL nº 1085, intitula-se "Um livro por uma casa" (foi aí que descobri esta instalação) e entre muitas coisas interessantes, escreveu o seguinte:

"(...) Pensámos, eu e os miúdos com quem falava, como haveria de ser feita a troca de um livro por uma casa. E um acabou por ter a ideia perfeita. Teria de ser um livro tão bonito e tão divertido que, alguém que tivesse casas a mais, poderia preferir ler aquela história abdicando alegremente de uma propriedade. " 

É um texto fabuloso! 

05 outubro, 2011

Valter Hugo Mãe: "Escrevi um livro para ter um filho"

Valter Hugo Mãe: "Escrevi um livro para ter um filho"


Aos 40 anos, Valter Hugo Mãe diz que é importante "assumir a tristeza para reclamar a esperança".
O auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto acolheu, a 27 de setembro, o lançamento da última obra de Valter Hugo Mãe, três dias depois do seu lançamento em Lisboa.
(...)

A grande aventura afetiva

Crisóstomo, aos 40 anos, sentia a tristeza de não ter um filho, "via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios (...) e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía". Quando encontrou Camilo, de 14 anos, deixado sozinho na vida pela morte do avô, Crisóstomo "pensou que aquele era seu filho". É desta forma que Valter Hugo Mãe começa a desenhar um mosaico de personagens carregadas de ausências e que compõem, cada uma com o seu passado, os primeiros capítulos do livro. Apenas mais à frente, na narrativa, as personagens se conhecem e criam espontaneamente vontade de se pertencerem.
Numa conversa conduzida por Anabela Mota Ribeiro, Valter Hugo Mãe explicou que a tese do livro é mostrar como, espontaneamente, a vida das pessoas se entrelaça e cria uma rede de relações - uma família que se inventa. É nesse património afetivo que "nos pousamos e nos vamos segurando, algo que faz parte da inteligência de estar vivo". Nem sempre as relações de sangue são as mais importantes. Essa é a grande aventura afetiva da humanidade: "as pessoas por quem eu sou incondicionalmente", afirma o escritor. Apenas a vontade de pertencer a alguém é a definição pura de família.
Hugo Mãe afirma que escreveu este livro para ter um filho e pensa já no próximo que escreverá: "para ter uma filha - a história de uma mulher enquanto filha e de uma mulher enquanto mãe". Para o escritor, um livro é um ato de generosidade. É isso que gostaria de deixar às pessoas. Um livro tem tudo a ver com estar completo pois "o amor não é uma coisa linear".
O seu maior esforço neste livro foi fazer com que Crisóstomo fosse feliz. "Não que o Crisóstomo seja eu, mas ele é no fundo quem eu gostaria de ser", disse. Às restantes personagens, que se sentem pela metade, pela sua dimensão física ou porque são reduzidas pela sociedade, o escritor destaca a sua autenticidade. "São pessoas que não têm por que mascarar o que dizem, inspiradas nas pessoas do lugar onde vivo."

A escrita e a vida

Cada vez que começa a escrever um livro, Valter Hugo Mãe anota todos os "nomes, palavras, expressões, vozes" que lhe surgem "do nada". São momentos dispersos, que mais tarde podem ou não incorporar a narrativa. O livro será uma "versão depurada de todas essas ideias". "Tenho que chegar a um ponto no livro em que nada me incomode", realça.
Falou sobre autores: Kafka, que o fascinou sempre, a poesia de Herberto Helder, Luís Miguel Nava, Al Berto, Adília Lopes ou Clarice Lispector, a única existencialista para quem tem paciência, por ser "um fenómeno literário em redor do que é e do que não é". Saramago ou Lobo Antunes e os anos 80 são como o tempo de afirmação de ambos, que o autor considera a um nível semelhante.
Aos 40 anos, o autor revê-se na frase do livro "assumir a tristeza para reclamar a esperança. Todos temos uma distância do sofrimento. O conhecimento dessa distância, mostra a que distância estamos da felicidade".
A "solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós", remata.
Por Sara Pinto Rodrigues in JPN
Publicado: 05.10.2011

18 setembro, 2011

leituras...

o filho de mil homens - capa valter hugo mae

O Filho de mil homens conta a história de Crisóstomo que, chegando aos quarenta anos, lida com a tristeza de não ter tido um filho. Do sonho de encontrar uma criança que o prolongue e de outros inesperados encontros, nasce uma família inventada, mas tão pura e fundamental como qualquer outra.
As histórias do Crisóstomo e do Camilo, da Isaura do Antonino e da Matilde mostram que para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando contudo de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor. As suas vidas ilustram igualmente que o amor, sendo uma pacificação com a nossa natureza, tem o poder de a transformar.
Tocando em temas tão basilares à vida humana como o amor, a paternidade e a família, O filho de mil homens exibe, como sempre, a apurada sensibilidade e o esplendor criativo de Valter Hugo Mãe. 


19 julho, 2011

entrevista ao escritor Valter Hugo Mãe



O programa entrevista o escritor português , responsável por um dos momentos de maior emoção da Flip ao ler um depoimento sobre sua relação com o Brasil.

27 julho, 2010

Mário de Carvalho e Valter Hugo Mãe em Sines







Mário de Carvalho e Valter Hugo Mãe estiveram, ontem e hoje respectivamente, em Sines para apresentação dos seus últimos livros. Estas iniciativas estão integradas na programação do FMM 2010 em parceria com a livraria A das Artes. Foram dois momentos muito agradáveis, que nos fizeram esquecer o calor estonteante destes dias.

30 junho, 2010

Encontros com escritores

Centro de Artes de Sines – Esplanada da Casa Preta | 26 e 27 de Julho | 18h30 | Org. Câmara Municipal de Sines / livraria a das artes

Mário de Carvalho26: MÁRIO DE CARVALHO
O FMM e a livraria a das artes juntam-se para trazer até Sines o consagrado autor Mário de Carvalho, que apresentará a sua última obra “A arte de morrer longe”. Uma oportunidade de escutar as palavras de um dos mais estimados autores portugueses, traduzido em diversas línguas e galardoado com o Grande Prémio APE, o Prémio Fernando Namora, o Grande Prémio de Literatura ITF/DST e, em 2009, o prémio Vergílio Ferreira.

valter hugo mãe27: valter hugo mãe
Al Berto fê-lo em alguns poemas mas este autor fá-lo sem excepção. valter hugo mãe caracteriza a sua produção literária pela omnipresença de minúsculas, para, tal como afirma, “acelerar a própria escrita (…) agilizando assim o texto”. O autor apresenta-nos o seu último romance “a máquina de fazer espanhóis”, após ter editado títulos como “o remorso de baltazar serapião” e “o apocalipse dos trabalhadores” e ter sido galardoado com o Prémio Literário José Saramago (2007)

in FMM

25 janeiro, 2010

valter hugo mãe também canta

WALTER HUGO MÃE canta com todas as letras, sobretudo as maiúsculas, com a caixa (torácica) bem alta, uma surpresa para quem ouve e para quem o conhece. É que canta mesmo, à séria, apostando no esplendor da voz, quase num acto de vaidosismo, que contradiz a sua aparente timidez. Inscreve-se assim numa lista de escritores-cantores, onde também se incluem Jack Kerouac, William Bourroughs ou, aqui por Portugal, Jacinto Lucas Pires, para não falar no grande cantor-escritor Chico Buarque. Nesta linhagem walter hugo mãe (não sei se o cantor também se escreve assim, só com minúsculas, fica a dúvida) é dos melhores. A sua voz explode entre a música, lembrando a força expressiva de um Antony. A letra de Meio Bicho e Fogo é tão complexa quanto estranha, uma mensagem arrevesada, raríssima no pop português. Um labirinto de imagens, de mensagem difusa, porventura borgiano. A música de Miguel Pedro (Mão Morta/Mundo Cão) tem uma estrutura inteligente que favorece a voz, através da forma como prepara o clímax do refrão. walter hugo mãe não só é o escritor português de que toda a gente fala como é um cantar que vai dar que falar.

Artigo retirado de JL





Meio-bicho e fogo

parte o navio para o labirinto,

sai o navio no fio vermelho,

vai ardendo na linha da água

e o combustível vem do temporal...



e a fuga do amor que vier?

não há fuga,

eu sou tão impuro!

e segue o navio para o labirinto,

para mim...



que tonto e difícil

o mítico corpo,

meio bicho e fogo,

minotauro bomba

prestes a rebentar, já segue morto...

o navio a afundar sob o temporal!



não há fuga do amor que vier!

não há fuga,

eu sou tão impuro!

e segue o navio para o labirinto,

para mim.

para o labirinto,

para o fim...

(nota: o teledisco é feito com desenhos de Esgar Acelerado)

23 janeiro, 2010

a máquina de fazer espanhóis de valter hugo mãe


Em "a máquina de fazer espanhóis", romance que marca a passagem da editora QuidNovi para a Objectiva(chancela Alfaguara), valter hugo mãe criou um grupo de idosos para perceber, enquanto escritor, "que violência é essa de pensar a morte mesmo ao pé dela", ali no extremo da vida, quando o corpo se torne um inimigo e um traidor. (...)o autor considera ser este o seu livro mais autobiográfico:"É o mais pesoal, o que mais me magoou, aquele em que chorei mais; e é também o que mais se aproxima da minha intimidade, ou do meu medo de estar vivo." Ao moldar o protagonista, valter teve presente a figura do pai, desaparecido há precisamente 10 anos, ...

in Actual, 23 Jan. 2010

06 janeiro, 2010

um poema de valter hugo mae

Henri Fantin-Latour (Grenoble, 14-01-1836/Orne, 25-10-1904),

sofro o fio que o
cabelo alinha no chão. a
noite que vem comer a luz
ao dia. minha voz
superior. deus certamente
corrige meus olhos. vejo o
frio, a paralisia do
vento. e preocupo-me
lentamente. um estar vivo
sem qualquer obrigação. vou
dizendo o escuro pormenorizadamente

walter hugo mãe