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14 agosto, 2019

Autobiografia de José Luís Peixoto



SINOPSE

Na Lisboa de finais dos anos noventa, um jovem escritor em crise vê o seu caminho cruzar-se com o de um grande escritor. Dessa relação, nasce uma história que mescla realidade e ficção, um jogo de espelhos que coloca em evidência alguns dos desafios maiores da literatura. 

A ousadia de transformar José Saramago em personagem e de chamar Autobiografia a um romance é apenas o começo de uma surpreendente proposta narrativa que, a partir de certo ponto, não se imagina como poderá terminar. José Luís Peixoto explora novos temas e cenários e, ao mesmo tempo, aprofunda obsessões, numa obra marcante, uma referência futura.

OPINIÃO

Autobiografia. “Texto ficcional de cariz biográfico”. É assim que está definido na obra pelo José. 
Na minha opinião, trata-se de uma abordagem da vida de José Saramago muito inteligente numa intersecção de realidade e de ficção.
Em Lisboa, nos finais da década de 90, os destinos de José, aspirante a escritor, e Saramago, escritor consagrado, cruzam-se. José escreveu o seu primeiro romance e vive em plena angústia pela falta de inspiração para um segundo romance. É durante este impasse que José é convidado a escrever a biografia de Saramago.

A estrutura da narrativa, o diálogo recorrente com o leitor, a inclusão de personagens e de acontecimentos de vários livros de Saramago torna a leitura do livro Autobiografia cativante. Há um entendimento claro da literatura enquanto jogo de espelhos, enquanto “espaços vazios a serem preenchidos por quem os interpreta”. Há (ou não) uma coincidência de nomes: José, o narrador; José Saramago o escritor biografado; Sr. José, personagem de Todos os Nomes, último livro publicado por Saramago (2 de Julho de 1997) e o próprio José Luís Peixoto. Há sobreposição de vidas, de espaços e de factos que confundem ainda mais o leitor na distinção entre a realidade e a ficção. Mas o que importa mesmo é deixar-se embrenhar pelo enredo fabuloso.

Recomendo vivamente.





08 janeiro, 2018

O Caminho imperfeito de José Luís Peixoto



Como o próprio autor o referiu "É um livro que fala sobre diversos caminhos, todos eles imperfeitos".  
O fio condutor do livro é a viagem que o autor realizou com o ilustrador Makarov à Tailândia, e que, de forma minuciosa, nos apresenta o seu olhar, a sua percepção sobre a cultura, a história e os costumes deste país. 
Não se pode, no entanto, concluir que se trata de um livro de viagens, no meu entender é um livro de reflexão pessoal e intimista. 
Nas três partes que compõem o livro, o autor apresenta-nos fragmentos dessa mesma viagem, de uma outra viagem a Las Vegas e da sua vida pessoal e familiar. É através da sua memória que o autor procura conhecer-se e encontrar-se naquele que é o caminho imperfeito da sua vida, convidando o leitor à partilha dessa descoberta. Confesso que foi um prazer viajar com o José Luís Peixoto pelos caminhos imperfeitos que nos proporcionaram estas páginas.



20 dezembro, 2014

José Luís Peixoto em Sines







José Luís Peixoto esteve ontem, em Sines, na Livraria À Das Artes para apresentar o seu novo livro. 

Galveias é uma homenagem à localidade alentejana onde o escritor nasceu há 40 anos, e que pretende divulgar “a realidade do interior de Portugal, onde há problemas bastante graves”. 

Como já é habitual, o autor, óptimo comunicador, conseguiu um ambiente agradabilíssimo e uma boa participação do público presente que encheu o espaço da Livraria. 





13 julho, 2013

José Luís Peixoto ganha Prémio Salerno Livro d'Europa



Livro



O escritor José Luís Peixoto  venceu a primeira edição do Prémio Salerno Livro d`Europa, em Itália, com a obra Livro.
 
O júri  que decidiu o prémio, com um valor pecuniário de 5 mil euros, foi constituído por 50 leitores e 50 personalidades ligadas ao meio editorial italiano.
 
Livro foi publicado em 2010, pela Quetzal Editores, e foi também finalista do Prémio Femina, atribuído em França.
 
O Prémio Salerno Livro d’Europa teve, como outros finalistas, a francesa Jakuta Alikavazovic, autora de La Bionda e il Bunker, na tradução italiana, o suíço  Arno Camenisch , autor de  Dietro la Stazione, o italiano Paolo Di Paolo, com Mandami Tanta Vita e a alemã Judith Schalansky com Lo Splendore Casuale delle Meduse.
 
José Luís Peixoto já venceu  em 2001, o Prémio Saramago com o romance Nenhum Olhar, e foi  distinguido com os prémios Daniel Faria e Cálamo Outra Mirada, ambos em 2008.
E Cemitério de Pianos (2006) está na primeira lista do Prémio Impact Dublin.

05 maio, 2013

Um poema de José Luís Peixoto

 
 
Mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo.
Eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são
todas as estrelas que existem.


 
José Luis Peixoto


 © Justine Brax in Petite mangue
 
 
 
 
 

07 novembro, 2012

Leituras

 
Desde o interior da ditadura mais repressiva do mundo, desde um país coberto por absoluto isolamento, Dentro do Segredo.
Em Abril de 2012, José Luís Peixoto foi um espectador privilegiado nas exuberantes comemorações do centenário do nascimento de Kim Il-sung, em Pyongyang, na Coreia do Norte.
Também nessa ocasião, participou na viagem mais extensa e longa que o governo norte-coreano autorizou nos últimos anos, tendo passado por todos os pontos simbólicos do país e do regime, mas também por algumas cidades e lugares que não recebiam visitantes estrangeiros há mais de sessenta anos.
A surpreendente estreia de José Luís Peixoto na literatura de viagens leva-nos através de um olhar inédito e fascinante ao quotidiano da sociedade mais fechada do mundo.
Repleto de episódios memoráveis, num tom pessoal que chega a transcender o próprio género, Dentro do Segredo é um relato sobre o outro que, ao mesmo tempo, inevitavelmente, revela muito sobre nós próprios.
O novo livro de José Luís Peixoto,Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, chega às livrarias portuguesas, a 16 de Novembro de 2012.
 
informação retirada da página Quetzal

08 março, 2012

um poema de José Luís Peixoto


   La Rêverie, 1877 - Pierre-Auguste Renoir
               

A Mulher Mais Bonita do Mundo

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão

16 outubro, 2011

Leituras


Começará a ser distribuído na apresentação na Quinta de Leitura (Teatro do Campo Alegre, Porto) a 27 de Outubro de 2011.
Chegará às livrarias de todo o país a 28 de Outubro de 2011.


A meio deste mês de Outubro será publicado Claraboia, o romance que José Saramago escreveu mas nunca quis publicar em vida.

"Comissão das Lágrimas" de António Lobo Antunes


"Um doloroso canto de uma mulher torturada" foi o ponto de partida para Comissão das Lágrimas, o novo livro de António Lobo Antunes. Já nas livrarias.

02 maio, 2010

Às mães - 3 poemas


Jan Vermeer



Palavras para a Minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

____________________

Mãe...

Mãe — que adormente este viver dorido,
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas ate o fio
Do meu pobre existir, meio partido...

Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio...
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido...

Eu dava o meu orgulho de homem — dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava.

Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu podesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!

Antero de Quental, in "Sonetos"_______________________

Mãe

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga, in 'Diário IV'

23 fevereiro, 2010

um poema de José Luís Peixoto

Wassily Kandinsky

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva, cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

José Luis Peixoto, in a criança em ruínas