MAR

MAR

20 maio, 2019

Antes de Ser Feliz de Patrícia Reis



SINOPSE

O princípio possível começa na Figueira da Foz, uma cidade que é uma espécie de décor, guardiã de memórias de Verão e outras vivências. Um miúdo apaixona-se na idade em que os sentimentos são voláteis e sem importância. O objecto do seu amor é uma rapariga difícil, esquiva e perturbada.
Há a morte da mãe dela, as tardes de praia no areal imenso, as idas a Buarcos, as festas do Casino.
E ainda um pai tímido e um tio criativo atrelado a um cão chamado Tejo. O amor não se desfaz com o tempo. O miúdo chega a rapaz e depois faz-se homem. Parte para Lisboa mas regressa sempre, como uma fatalidade. Espera que ela, a mulher que o obriga a parar no tempo, volte também à cidade, tome conta da sua herança e lhe dê outra vida.
Enquanto espera, acompanha o pai dela na doença, organiza papéis e pensamentos, vai a funerais, pendura um Canaletto precioso. Herda a casa que, em tempos, foi chão sagrado para ela; ela, que finge que não está.

OPINIÃO

Comprei este livro em 2010 aquando da sua publicação e ficou esquecido na estante entre tantos outros. Não merecia tal destino. Trata-se de uma novela belíssima porém triste. Pedro e Inês (só por si estes nomes indiciam algo) são os protagonistas e vivem na Figueira da Foz. Pedro ama Inês logo no primeiro dia que a conhece quando ela, na escola, se senta ao seu lado. Brincam juntos. Crescem juntos. Pedro torna-se um jovem pacato, silencioso, observador, preso pelo coração a Inês. Inês vive uma adolescência perturbada. 
Inês inadaptada à vida que leva, foge para Londres e afasta-se das suas raízes. Pedro mais tarde vai para Lisboa, mas não esquece o seu amor e regressará à terra com a esperança de que ela volte. 
A novela termina sem se saber o desfecho. Nada é dito sobre o futuro… 
Sente-se a tristeza e o leitor tem pena de Pedro que constrói a sua vida acreditando no regresso de Inês. 

Recomendo muito!


14 maio, 2019

72.º Festival de Cannes



O júri que atribuirá a Palma de Ouro será presidido pela realizadora neozelandesa Jane Campion.

Na competição, o festival conta com filmes de Jean-Luc Godard, Mike Leigh, David Cronenberg, Ken Loach, Tommy Lee Jones e Olivier Assayas.


Fora de competição, Cannes estreará a longa-metragem «Pontes de Sarajevo», composto por curtas-metragens de 13 realizadores europeus, entre os quais Teresa Villaverde, com o filme «Sara e sua mãe».

Na secção "Un Certain Regard", serão mostradas algumas primeiras obras, entre as quais «Lost River», realizada pelo  norte-americano Ryan Gosling; «La chambre bleue», de Mathieu Amalric  e «The salt of the earth», de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado.



13 maio, 2019

Em tudo havia beleza [Ordesa] de Manuel Vilas




SINOPSE

Impelido por esta convicção, Manuel Vilas compõe, com uma voz corajosa, desencantada, poética, o relato íntimo de uma vida e de um país. Simultaneamente filho e pai, autor e narrador, Vilas escava no passado, procurando recompor as peças, lutando para fazer presente quem já não está. Porque os laços com a família, com os que amamos, mesmo que distantes ou ausentes, são o que nos sustém, o que nos define. São esses mesmos laços que nos permitem ver, à distância do tempo, que a beleza está nos mais simples gestos quotidianos, no afecto contido, inconfessado, e até nas palavras não ditas. 

Falando desde as entranhas, Vilas revela a comovente debilidade humana, ao mesmo tempo que ilumina a força única da nossa condição, a inexaurível capacidade de nos levantarmos de novo e seguirmos em frente, mesmo quando não parece possível. É desenhando um caminho de regresso aos que amamos que o amor pode salvar-nos.

Confessional, provocador, comovente, Em tudo havia beleza é uma admirável peça de literatura, em que se entrelaçam destino pessoal e colectivo, romance e autobiografia. Manuel Vilas criou um relato íntimo de perda e vida, de luto e dor, de afecto e pudor, único na sua capacidade de comover o leitor, de fazer da sua história a história de todos nós.

OPINIÃO

Em tudo havia beleza [Ordesa], é a primeira obra de Manuel Vilas editada no nosso país. Nela, o autor cruza a sua vida e a dos seus pais com a história política e social de Espanha sobretudo dos anos sessenta e setenta. 

Trata-se de um longo e repetitivo lamento, de “uma dor amarela”, de muitas e minuciosas recordações, de medos, de perdas, de sofrimento, de saudade, de solidão e de arrependimento (“Fui um pobre diabo. Não entendi a vida”). Mas também o reconhecimento do amor incondicional pelos seus pais. 

Trata-se de uma interpelação à morte, de um longo estágio de luto quer pela morte dos pais, de familiares e amigos e do próprio divórcio. Os pais são fantasmas que lhe aparecem em casa e que com ele dialogam. 

“Estou a falar desses seres, dos fantasmas, dos mortos, dos meus pais mortos, do amor que senti por eles, desse amor que não se vai embora.” 

Neste romance autobiográfico, o autor de forma simples, clara e directa explica o (seu) sentido da vida e faz-nos reflectir sobre o essencial da existência humana. 

“Este livro é a minha verdade. (…) Para mim, foi importante contar a minha verdade, como filho, mas também como pai.”



04 maio, 2019

as velhas de Hugo Mezena



SINOPSE

A partir de um conjunto de histórias de mulheres sem grande história, Hugo Mezena descreve, com delicadeza e mestria, as fragilidades e anseios de quem deixou de sonhar com o dia seguinte. 
Um livro extremamente tocante sobre as eternas-crianças que envelhecem dentro de cada ser humano, e a forma como o Portugal moderno as trata.
O novo livro de um autor-revelação elogiado unanimemente pela crítica literária.


OPINIÃO

Vinte e três narrativas curtas, vinte e três velhas. Em poucas palavras e numa linguagem simples, sincera e directa Hugo Mezena diz muito sobre estas mulheres que envelheceram e que vivem num mundo próprio, numa casa vazia repleta de memórias presentes, de memórias perdidas, de rotinas perdidas, de nomes esquecidos ou trocados, de poucas ou nenhumas visitas, de algumas coscuvilhices entre vizinhas, de fantasmas… 

Em todas estas histórias tão diferentes (ou talvez não) percebe-se que a solidão e a perda são pontos comuns. 

A realidade destas vidas faz parte do nosso dia-a-dia, da nossa sociedade cada vez mais insensível e alheia à velhice, aos idosos que vivem isolados, que são abandonados, que são depositados em lares e esquecidos. 

Reitero a simplicidade e a beleza das narrativas que muito nos fazem reflectir sobre o nosso presente e sobretudo sobre o nosso futuro. Antevi, de imediato, mais uma história, a da “Dona Graciosa”, pois para lá caminho…