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23 outubro, 2017

Os Despojos do Dia de Kazuo Ishiguro





Os Despojos do Dia, de Kazuo Ishiguro, é um romance magnífico sobre um mordomo digno e responsável que dedicou a sua vida a servir cavalheiros importantes, na mansão Darlington Hall. Durante uma viagem de seis dias sugerida pelo seu novo patrão, Stevens, o mordomo, escolhe cuidadosamente o seu percurso e decide visitar uma governanta que trabalhou sob a sua administração e que deixou Darlington Hall para se casar. Ao longo desta viagem, Stevens recorda com saudade as suas escolhas pessoais e profissionais. Percebe-se que a personagem foi exemplar no seu trabalho, mas revela ter dificuldade em expressar sentimentos. Quando reencontra Miss Kenton, entende que o tempo passou e que nada pode fazer para alterar o rumo da sua vida. 

Numa dessas recordações, Stevens afirma “Este patrão personifica tudo quanto considero nobre e admirável. Doravante dedicar-me-ei a servi-lo”. Este pensamento define muito bem a forma de pensar e de ser deste mordomo. 

Recomendo vivamente a leitura.

Kazuo Ishiguro foi nomeado Prémio Nobel da Literatura, 2017



20 outubro, 2017

João Pinto Coelho vence prémio Leya 2017





João Pinto Coelho venceu o prémio Leya 2017 com o romance Os Loucos da Rua Mazur. Em 2014, o autor foi finalista, deste prémio com o grande romance Perguntem a Sarah Gross.

"É um livro muito bem escrito, com muita força", disse Manuel Alegre sobre o livro que aborda a temática do extermínio dos judeus, acrescentando que o romance tem "personagens fortíssimas".


Dos 400 originais que foram apresentados a concurso, o júri selecionou cinco finalistas.

O Prémio Leya, no valor de 100 mil euros, foi criado em 2008 com o objetivo de distinguir um romance inédito escrito em português.

É o maior prémio para uma obra inédita escrita em língua portuguesa. 






Ana Margarida Carvalho vence Grande Prémio da APE



Ana Margarida Carvalho venceu mais uma vez o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) com a obra Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato.



Em 2013, vencera como seu primeiro livro Que Importa a Fúria do Mar.

Desde que foi instituído em 1982, o prémio de 15 mil euros já foi atribuído a 29 autores, sendo que seis já o receberam duas vezes: Ana Margarida Carvalho, Vergílio Ferreira, Agustina Bessa-Luís, António Lobo Antunes, Maria Gabriela Llansol e Mário Cláudio.




 

11 outubro, 2017

Aldeia Nova de Manuel da Fonseca




Temos 12 pequenos contos que focam aspetos do quotidiano dos habitantes da vila Cerromaior e de outras pequenas aldeias alentejanas, dos anos trinta. São histórias simples, mas que retratam bem a realidade do povo que labuta de sol a sol, que vive com dificuldades, que parte à procura de emprego, que sofre, que morre, que vive de intrigas e de favores. A descrição do espaço envolvente é muito importante para a compreensão dos acontecimentos. Verifica-se que há uma sequência cronológica porque algumas personagens são recorrentes. É o caso de Rui Parral que aparece como criança, mais tarde como estudante universitário e ainda como adulto.
Foi bom voltar a Manuel da Fonseca, excelente escritor que marcou uma época e que considero um pouco esquecido na nossa literatura.



04 outubro, 2017

O Tambor de lata de Günter Grass



Este romance, dividido em três partes/”livros”, narra a história, de Oskar Matzerath, um anão alemão, nascido em Danzig, na época, uma cidade sob o domínio alemão (hoje Gdänsk). 

O personagem encontra-se internado num hospital psiquiátrico após ter sido acusado de um crime que não cometeu e tenta perpetuar as memórias da sua infância e juventude, do quotidiano da sua família e amigos e, claro, da guerra e suas consequências. Para tal, serve-se do seu tambor de lata, que sempre o acompanhou, desde o seu terceiro aniversário, para narrar a sua vida ao enfermeiro Bruno. E a aparente loucura de Oskar permite que a narração, na primeira pessoa, seja também feita pelo seu tambor, confundindo-se com ele próprio. 

Günter Grass pretende criticar de forma irónica, por vezes surreal e grotesca, uma sociedade muito marcada pela guerra (invasão da Polónia e presença das tropas russas). Oskar com o seu tambor torna-se um instrumento do poder e a sua aparente loucura é uma forma de sobrevivência. Torna-se uma personagem fria, calculista, mas ao mesmo tempo feliz e sempre apaixonado.