MAR

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08 agosto, 2017

Grandes Esperanças de Charles Dickens



Comprei este livro por volta de 79/80. Deve ter sido dos primeiros livros que comprei em Portugal, como sócia do Círculo de Leitores (está catalogado com o n.º 60). Tem capa dura, vermelha com letras douradas. Fui adiando a sua leitura até que me esqueci dele. Para dar resposta a um dos desafios de leitura que estou a cumprir, tinha de escolher um livro cujo título iniciasse com a letra do meu nome. Grandes Esperanças responde a essa condição, então, optei por lê-lo e em boa hora o fiz porque considero que é um romance avassalador.

Pip, a personagem principal, dialoga, através das suas memórias, com o leitor de uma forma sublime, e convoca-o a tomar conhecimento da sua história desde a infância até à vida de adulto. Pip é rígida e “convenientemente” educado pela sua irmã e pelo seu cunhado num lar humilde. Mais tarde, Pip herda inesperadamente uma fortuna e este facto vai provocar uma reviravolta quer na sua vida social quer na sua personalidade. Abandona a sua terra natal, a sua família e amigos e vai viver para Londres, passando a ser tratado por Senhor Pip.

Ao longo da narração, o leitor encontra-se dividido entre a sinceridade da personagem e a sua imoralidade ao afastar-se dos seus por ter vergonha da sua origem. Mas é nesta contradição da personalidade de Pip que vamos acompanhando todo o processo de construção da sua própria identidade, pela forma como reage perante situações inesperadas de violência, e de intriga, mas sobretudo perante as relações de amizade e de amor. No final, assistimos ao arrependimento e à busca pela redenção de Pip.


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