MAR

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31 dezembro, 2013

Um poema de Miguel Torga



Tempo

Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia! 



 in Cântico do Homem

30 dezembro, 2013

A Paisagem Nórdica do Museu do Prado no MNAA


Museu Nacional de Arte Antiga 

03-12-2013 a 30-03-2014. 



Obras-primas do Museu do Prado em Lisboa. São 57 as pinturas pertencentes ao museu madrileno, de grandes mestres da paisagem do século XVII que podem ser vistas no MNAA.


A mostra resulta de um acordo formalizado pelos directores das duas instituições: António Filipe Pimentel, do Museu Nacional de Arte Antiga, e Miguel Zugaza, do Museu do Prado. Este acordo inédito e de renovação automática determina uma série de iniciativas entre os dois museus, incluindo a divulgação e estudo dos respectivos acervos.

“Rubens, Brueghel, Lorrain - A Paisagem Nórdica do Museu do Prado” é a primeira iniciativa. Comissariada por Teresa Posada Kubissa, conservadora do Museu do Prado na área de pintura flamenga e Escolas do Norte (até 1700), a exposição viajou por algumas cidades espanholas antes de chegar à capital portuguesa.



25 dezembro, 2013

um Poema de Fernando Pessoa





Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se vai mais uma quadra
Sinto mais Natal nos pés.

Não quero ser dos ingratos
Mas, com este obscuro céu,
Puseram-me nos sapatos
Só o que a chuva me deu.

Fernando Pessoa, In Poesia 1918-1930 

20 dezembro, 2013

de Al Berto




O mar está cor de chumbo, o dia arrasta-se húmido, não me apetece fazer nada,sento-me em frente à janela e tento esvaziar-me de pensamentos  mais complexos que me assolam.

desejar que, repentinamente, o mar recuasse até à linha do horizonte, significaria tê-lo de volta aqui, ao pé de mim, um instante depois, nas minhas costas.

Al Berto, Diários

13 dezembro, 2013

Maria Mota, galardoada com o Prémio Pessoa 2013




A investigadora Maria Manuel Mota foi distinguida com o Prémio Pessoa 2013, anunciou hoje o júri, em Sintra, pelos seus estudos sobre a malária. O Prémio Pessoa é concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período e na sequência de uma atividade anterior tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do País.


Reunido em Seteais o Júri do Prémio Pessoa 2013, constituído por Francisco Pinto Balsemão (Presidente), Fernando Faria de Oliveira (Vice-Presidente), António Barreto, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques decidiu atribuir o Prémio Pessoa 2013 a Maria Manuel Mota.

Maria Manuel Mota nasceu no Porto em Abril de 1971, licenciou-se em Biologia pela Universidade do Porto, onde também fez o Mestrado em Imunologia e doutorou-se em Parasitologia Molecular na University College of London.

Depois de um pós doutoramento na New York University Medical Center, foi investigadora principal no Instituto Gulbenkian da Ciência. È, desde 2005, investigadora principal do Instituto de Medicina Molecular e Professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. A sua área científica é a malária, uma das causas principais de mortalidade a nível mundial. O grupo que constitui tem desenvolvido investigação fundamental com vista a esclarecer os mecanismos pelos quais o parasita se desenvolve no hospedeiro humano.


11 dezembro, 2013

Morreu Nadir Afonso





O arquiteto e pintor, Nadir Afonso, mestre da abstração geométrica, morreu hoje aos 93 anos.

Após ter vivido a infância em Chaves, onde nasceu a 4 de Dezembro de 1920, Nadir Afonso mudou-se para o Porto, onde foi estudar Arquitetura em 1938 na Escola de Belas-Artes. Estudou também em França, na Beaux-Arts de Paris, onde chega em 1946.

Foi da sua geração a figura que mais frutos colheu dos contactos com a vanguarda internacional: “Viveu em Paris. Trabalhou com Le Corbusier, foi colega do [compositor] Xenákis, que também foi arquitecto, foi amigo e colega de Vasarely. Também trabalhou com o Niemeyer em São Paulo. Expôs na Galeria Denise René, centro das vanguardas construtivistas do pós-guerra em Paris.”


Foi depois do período brasileiro, entre 1952 e 1954, que Nadir Afonso decidiu abandonar definitivamente a arquitetura para se dedicar em exclusivo à pintura.

No período das décadas de 1940 e 1950, distante de Portugal, “realiza uma obra por vezes mal avaliada na extensão, complexidade e actualidade das suas propostas". "É ele que faz a primeira pintura cinética em Portugal”, continua Pedro Lapa, referindo-se ao objecto cinético Espacillimité (1956). Por último, Lapa refere os muitos livros que escreveu e publicou, “desenvolvendo uma actividade de teorização e reflexão ímpar no contexto dos artistas portugueses das sua geração”.


07 dezembro, 2013

EUA: Português vence prémio internacional de psicologia










Nos EUA, o professor catedrático António Damásio foi distinguido com o Prémio Grawemeyer 2014 na área da Psicologia. O português foi condecorado pela hipótese que apresentou sobre os marcadores somáticos, que mostra a forma como as emoções influenciam a tomada de decisões. 

Segundo a 'Temas e Debates', editora que chancela as obras do investigador, o Prémio Grawemeyer para Psicologia, entregue anualmente pela Universidade de Louisville, no Kentucky, tem vindo a distinguir "os mais destacados estudiosos da cognição e da neurociência pelas suas ideias revolucionárias". 

Damásio, de 69 anos, é titular da cátedra David Dornsife de Neurociência, professor de psicologia e neurologia e ainda director do Brain and Creativity Institute (Instituto do Cérebro e da Criatividade).


in Boas Notícias sapo.pt

05 dezembro, 2013

Um Adeus a Madiba


Nelson Mandela
18 julho 1918 - 5 dezembro 2013


Vencedores do Prémio Portugal Telecom de Literatura




O romance O Sonâmbulo Amador, do escritor brasileiro José Luiz Passos, é o grande vencedor da 11ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, escolhido entre os vencedores de cada categoria - romance, conto e poesia - tendo também recebido o prémio de melhor livro de romance. O anúncio foi feito numa cerimónia realizada no auditório Ibirapuera, em São Paulo, no Brasil.


Os outros livros vencedores da noite foram Essa coisa brilhante que é a chuva, de Cíntia Moscovich, na categoria de contos, e Sentimental, de Eucanaã Ferraz, na categoria de poesia.


02 dezembro, 2013

Maria Velho da Costa vence prémio Vida Literária da APE





O prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), foi atribuído esta segunda-feira à romancista Maria Velho da Costa. A decisão foi unânime e o presidente da APE, José Manuel Mendes, justificou a escolha sublinhando a “criatividade da escritora”, o seu “percurso pessoal e literário”, e ainda o modo inventivo como a autora, que já recebera em 2002 o prémio Camões, trabalha a língua portuguesa.

Nascida em Lisboa em 1938, Maria Velho da Costa estreou-se em 1966 com O Lugar Comum, é co-autora das célebres Novas Cartas Portuguesas (1972) e escreveu alguns dos mais significativos romances da ficção portuguesa posterior ao 25 de Abril, como Casas Pardas (1977), Missa in Albis (1988) ou o mais recente Myra (2008), que venceu os prémios PEN, Máxima, Correntes d’Escrita e DST. A sua obra, que vem sendo traduzida desde os anos 70 nas principais línguas europeias, revolucionou como poucas o romance em língua portuguesa.

in Público


Miguel Torga, José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Óscar Lopes, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade, Urbano Tavares Rodrigues, Mário Cesariny, Vítor Aguiar e Siva, Maria Helena da Rocha Pereira e João Rui de Sousa são os outros distinguidos com o Prémio Vida Literária, que não era atribuído desde 1990.

Exposição Lisboa em Pessoa



Local da Exposição: Aeroporto de Lisboa (chegadas – Praça Cilindro)
Duração: de 25 de Novembro de 2013 a 31 de Janeiro de 2014

Organização: Casa Fernando Pessoa
Curadoria: Inês Pedrosa


"Fernando Pessoa (1888-1935), considerado o maior poeta português do século XX e um dos mais destacados criadores da literatura mundial, viveu dentro do planeta das palavras de uma forma vertiginosa, desdobrando-se em personagens tão reais como ele próprio – os heterónimos. 
Ao universo composto pelo poeta da natureza Alberto Caeiro, pelo neoclassicista Ricardo Reis e pelo decadente, futurista e modernista Álvaro de Campos, Pessoa acrescentou ainda muitas outras figuras, entre as quais um detective, um frade, um filósofo, vários tradutores, diaristas, um fidalgo que se suicida, uma mulher corcunda que está a morrer de tuberculose e um astrólogo (Rafael Baldaya que, além de conceber cartas astrológicas de amigos, clientes e personalidades da História universal, desenhou os mapas astrológicos do próprio Pessoa e dos seus três principais heterónimos, tendo-se também dedicado ao estudo do ocultismo).
A Bernardo Soares, um fictício ajudante de guarda-livros classificado como semi-heterónimo por ter uma personalidade semelhante à do autor, foi atribuído o Livro do Desassossego. Esta obra em prosa tornou mundialmente conhecido Fernando Pessoa, a partir da sua edição, em 1982. 
Pessoa caracterizou o seu projecto literário como “um drama em gente, em vez de em actos”, e cultivou a arte do fingimento: “Eu simplesmente sinto com a imaginação”.
Lisboa foi mais do que o cenário da prodigiosa arquitectura literária de Pessoa – foi a sua casa (feita de muitas moradas), o seu porto de abrigo e desabrigo, a sua segurança funcionária e o seu desvario, território de encontros e oceano de solidão. Como escreveu Teresa Rita Lopes, no prefácio ao guia de Lisboa que o próprio Poeta escreveu (“Lisboa: o que o turista deve ver”, edição Livros Horizonte): “Para Pessoa, Lisboa foi mais do que uma cidade, foi a pátria, condensadamente. E desde que nela lançou âncora, em 1905, nunca mais daí saíu”. 
Comemorando os 125 anos de nascimento deste escritor universal, a Casa Fernando Pessoa – a morada de Pessoa nos seus últimos 15 anos de vida, de 1920 a 1935 – recupera as suas ruas e trajectos, as suas deambulações e os seus lugares em Lisboa, a sua cidade e, por isso mesmo, cidade-símbolo da sua extraordinária aventura literária."

Inês Pedrosa, Directora da Casa Fernando Pessoa


Mais informação e fotos em: http://www.lisboaempessoa.com/galeria.html

01 dezembro, 2013

III Congresso Internacional Fernando Pessoa





Após três dias de encantamento, no Teatro Aberto, ilustres pessoanos desassossegaram com comunicações riquíssimas os muitos participantes que aí acorreram. Terminou, ontem, o III Congresso Internacional de Fernando Pessoa, em Lisboa e no final da sessão foi atribuída a Ordem do Desassossego. Nesta edição, foram quatro os agraciados: Teresa Rita Lopes, Richard Zenith, Patrick Quillier e António Carrapatoso. 
Teresa Rita Lopes é a pessoana portuguesa mais consagrada de sempre. 
O norte-americano Richard Zenith é o Prémio Pessoa 2013 e o mais reconhecido investigador internacional do poeta português.
Patrick Quillier é o responsável pela tradução e edição da maior parte da obra de Fernando Pessoa publicada em França.
António Carrapatoso é o responsável pela decisão da Vodafone em patrocinar a digitalização integral da biblioteca particular de Pessoa, tornando-a disponível para consulta na internet, de forma gratuita, em todo o mundo.
Para finalizar o evento, os participantes foram contemplados com a leitura magnífica do poema Ultimatum de Álvaro de Campo, por Diogo Dória.