MAR

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19 agosto, 2013

Dia Mundial da Fotografia

                          S. Torpes - Sines (GR)


"Quando ceguei decidi ser fotógrafo"

Al Berto

09 agosto, 2013

Três poemas de Urbano Tavares Rodrigues (6.12. 1923 — 9.08. 2013)







Mulheres do Alentejo


Mulheres do Alentejo
Com papoilas nos olhos
São primaveras erguidas
Contra os bastões contra as balas
Oculto o rosto
Seus negros chapéus descidos
Frene ao sol
O claro choro nas mãos
Com bagos de amanhã.
São cor de terra
Cor de trabalho
Cor da habituação à dor.
Nossa Pátria do sofrimento
E do valor
Meu sinal de luz
Em toda a palavra que escrevo
Meu território do regresso e do futuro
Minha praia de secura
Percorrida pelo ódio e pelo pânico
Eis o ardente povo torturado
Esperança viva de um sonho feito carne
Mulheres searas fontes azinheiras
Nossa esperança, ainda em flor e fruto
No vermelho das feridas deste País de Abril




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Margem esquerda


Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação

Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte

Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústia em botão
Dor cerrada em Baleizão

A foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravada
Ó minha terra vermelha
Como bandeira sonhada



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Primavera

A Primavera vem dançando
com os seus dedos de mistério e turquesa
Vem vestida de meio dia e vem valsando
entre os braços dum vento sem firmeza

Nu como a água o teu corpo quieto e ausente
Só este inquieto esvoaçar do teu sorriso
Loiro o rosto o olhar não sei se mente
se de tão negro e parado é um aviso
do destino que me fixa finalmente

Ai, a Primavera vai passando
com os seus dedos de mistério e de turquesa
Segue Primavera vai cantando
Que será do nosso amor nesta praia de incerteza



03 agosto, 2013

Eça Agora


Eles vão continuar 'Os Maias'
 
 
125 anos depois da primeira edição de Os Maias, o Expresso apresenta uma coleção especial, composta por sete volumes e onde se escreve a continuação do romance de Eça de Queirós, até aos dias da fundação do jornal Expresso.
 
A cena final do romance acontece  em janeiro de 1887, e toda a ação se desenrola a partir desse preciso momento: José Luís Peixoto escreve  o primeiro capítulo e prolonga-o até 1910,  seguido por José Eduardo Agualusa que o leva até 1925, Mário Zambujal é o escritor que se segue e vai até 1930, José Rentes de Carvalho situa a história na década de 30, Gonçalo M. Tavares, nos anos 50 e 60 e, finalmente,  Clara Ferreira Alves cria a década de 70.

As personagens, pela mão dos diferentes autores, vão ganhar  vida própria. A criação de José Luís Peixoto evidencia isso mesmo pelo que o projeto promete ser deveras  interessante. 
 
Sendo Os Maias um romance do século XIX, que descreve  notavelmente os defeitos do nosso país, pergunta-se de que forma os autores demonstrarão a atualidade e a premência deste romance?