MAR

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13 junho, 2013

Um poema de Al Berto



                                                                    Idanha a Velha - Agosto 2012


para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado

deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
cansada de pousio - uma terra
necessitada de águas de sons de afectos para
intensificar o esplendor do teu firmamento

passa um bando de andorinhões rente à janela
sobrevoam o rosto que surge do mar - crepúsculo
donde se soltaram as abelhas incompreensíveis
da memória

luzeiros marinhos sobre a pele - peixes
que se enforcam com a corda de noctilucos
estendida nesta mudança de estação

 
in Horto de Incêndio

2 comentários:

Índigo disse...

Este me gusta tanto que lo hice algo mío traduciéndolo. ¡Es tan bello!

Graciosa Reis disse...

Aprecio muito o facto de gostar tanto de Al Berto e de o traduzir. É o meu poeta de eleição. Já fiz um trabalho sobre ele.