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08 maio, 2012

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Sinopse

A Terceira Miséria é um notável poema composto por 33 fragmentos que evidencia as raízes da formação helenística de Hélia Correia. No início, uma citação de Hölderlin: “Para quê, perguntou ele, para que servem / Os poetas em tempo de indigência?”. A autora identifica os três tempos de miséria: a primeira, a deserção dos Deuses; a segunda, a sua morte. A terceira “é esta, a de hoje, / A de quem já não ouve nem pergunta, / A de quem não recorda”. O poema termina com o chamamento da Grécia clássica no seu apogeu cultural, numa referência a Lord Byron. No centro desta profunda reflexão sobre a crise europeia contemporânea encontram-se os temas do desconhecimento do passado, do abandono da herança cultural e da perda da mitologia grega como forma de interpretação da realidade (“Nós, os ateus, nós os monoteístas, / Nós os que reduzimos a beleza / A pequenas tarefas”). E a resposta à função dos poetas em tempo de crise: a de propor um inicio fazendo ressurgir a “Atenas [que] se mantém oculta / E de algum modo intacta, por debaixo / Do alcatrão, do ferro retorcido”.

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