MAR

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26 maio, 2012

Partiu um amigo...

                                                                 Cézanne


Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"

23 maio, 2012

Portugal premiado na VIII Bienal Ibero-americana de Arquitectura e Urbanismo

foto retirada de biau.es




Entre as 26 obras finais que, este ano, o júri da Bienal Ibero-americana de Arquitectura e Urbanismo (BIAU) decidiu galardoar, seis são de Portugal, fazendo do nosso país o mais premiado de todos. A selecção final foi feita a partir de uma lista de 152 candidatos, vindos de 22 países, com o intuito de premiar e dar reconhecimento às melhores obras de arquitectura e desenvolvimento urbano que foram desenvolvidas, nos últimos anos, em Portugal, Espanha e América do Sul.

A decisão foi dada a conhecer, pela organização, no dia 18, tendo sido contempladas, além de Portugal, ideias concretizadas em Espanha (com cinco obras), México (três), Argentina, Colômbia e Paraguai (duas cada), e ainda Chile, Equador e Venezuela (um cada).

Os seis premiados portugueses foram: o lar Alcácer do Sal, da autoria de Francisco Aires Mateus e Manuel Aires Mateus; as Estações de Teleférico na zona histórica de Vila Nova de Gaia, de Ana Cristina Alves Guedes e Francisco Castello Branco Vieira de Campos; a ponte pedonal sobre a ribeira de Carpinteira, na Covilhã, de João Luís Carrilho da Graça, António Adão da Fonseca e Carlos Quinaz; o projecto de reabilitação da Casa do Arco – onde vai ser instalada a Casa da Escrita, em Coimbra – e que teve o ‘dedo’ de João Mendes Ribeiro; a renovação urbana da praça do Toural, em Guimarães, projectada por Maria Manuel Oliveira; assim como dois edifícios na freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, idealizados por Ricardo Alberto Bagão Quininha e Bak Gordon.



  ponte pedonal da Covilhã

22 maio, 2012

Dalton Trevisan - Prémio Camões 2012

Dalton Trevisan vence Prémio Camões 2012

                                                   


Dalton Trevisan, escritor brasileiro de 86 anos ganhou o Prémio Camões 2012, a distinção mais importante da literatura de língua portuguesa.


O escritor brasileiro, que completa dia 14 de junho 87 anos, foi premiado pela sua "dedicação ao fazer literário", disse Silviano Santiago, um dos membros do júri.

O escritor brasileiro tem-se destacado no conto e "O Vampiro de Curitiba" (1965) é uma das suas obras mais conhecidas. Recentemente, escreveu "Vozes do Retrato - Quinze Histórias de Mentiras e Verdades" (1998), "O Maníaco do Olho Verde" (2008), "Violetas e Pavões" (2009), "Desgracida" (2010) e "O Anão e a Ninfeta" (2011).

Dalton Trevisan é também conhecido por viver afastado da vida pública. O escritor não dá entrevistas e não gosta de ser fotografado. Assina apenas como D. Trevis e vive "escondido" dos media em Curitiba, cidade onde nasceu.

"Escondeu-se no anonimato para vencer um concurso de contos no Paraná, em 1968. Gosta de filmes de bangue-bangue [cowboys] e de passear pelas ruas da capital paranaense", diz a biografia publicada no site da sua editora, o grupo editorial "Record".

Dalton Trevisan, antes de ter livros impressos, chegou a publicar os seus contos em folhetos. Licenciado em Direito, foi crítico de cinema e, em 1996, recebeu, no Brasil, o prémio Ministério da Cultura de Literatura. Os seus livros já foram traduzidos para inglês, espanhol e italiano.

Ler mais: Expresso


17 maio, 2012

Dia Internacional dos Museus



18 de Maio - Dia Internacional dos Museus - entre as 10h00 e as 18h00
19 de Maio - Noite dos Museus - entre as 18h00 e as 24h00.



No dia 18 de Maio será celebrado em todo o mundo o 35º aniversário do Dia Internacional dos Museus. este ano, o tema é "Museus num Mundo em Mudança: Novos Desafios, Novas Inspirações"

Nas comemorações do Dia dos Museus, as entradas serão gratuitas em todas as actividades


16 maio, 2012

Festival de Cannes 2012


A 65ª edição do Festival de Cinema de Cannes começa hoje e prolonga-se até ao dia 27 de maio.

O júri da secção principal será presidido pelo realizador italiano Nanni Moretti.

Para mais informações consultar o site oficial.

09 maio, 2012

Um poema de Mário Cesariny



Vladimir Kush


Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

Mário Cesariny


Um poema de Paul Éluard



L'Amoureuse


Elle est debout sur mes paupières
Et ses cheveux sont dans les miens,
Elle a la forme de mes mains,
Elle a la couleur de mes yeux,
Elle s'engloutit dans mon ombre
Comme une pierre sur le ciel.


Elle a toujours les yeux ouverts
Et ne me laisse pas dormir.
Ses rêves en pleine lumière
Font s'évaporer les soleils,
Me font rire, pleurer et rire,
Parler sans avoir rien à dire. 

Paul ELUARD, Mourir ne pas mourir (1924)


08 maio, 2012

Leituras

Imagem:


Sinopse

A Terceira Miséria é um notável poema composto por 33 fragmentos que evidencia as raízes da formação helenística de Hélia Correia. No início, uma citação de Hölderlin: “Para quê, perguntou ele, para que servem / Os poetas em tempo de indigência?”. A autora identifica os três tempos de miséria: a primeira, a deserção dos Deuses; a segunda, a sua morte. A terceira “é esta, a de hoje, / A de quem já não ouve nem pergunta, / A de quem não recorda”. O poema termina com o chamamento da Grécia clássica no seu apogeu cultural, numa referência a Lord Byron. No centro desta profunda reflexão sobre a crise europeia contemporânea encontram-se os temas do desconhecimento do passado, do abandono da herança cultural e da perda da mitologia grega como forma de interpretação da realidade (“Nós, os ateus, nós os monoteístas, / Nós os que reduzimos a beleza / A pequenas tarefas”). E a resposta à função dos poetas em tempo de crise: a de propor um inicio fazendo ressurgir a “Atenas [que] se mantém oculta / E de algum modo intacta, por debaixo / Do alcatrão, do ferro retorcido”.

06 maio, 2012

Um poema de Flobela Espanca

August Macke "Nu"


De Joelhos

“Bendita seja a Mãe que te gerou.”
Bendito o leite que te fez crescer
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama, pra te adormecer!

Bendita essa canção que acalentou
Da tua vida o doce alvorecer ...
Bendita seja a Lua, que inundou
De luz, a Terra, só para te ver ...

Benditos sejam todos que te amarem,
As que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!

E se mais que eu, um dia, te quiser
Alguém, bendita seja essa Mulher,
Bendito seja o beijo dessa boca!!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

"Os livros abrigam-nos por dentro"

Home, instalação de Miler Lagos

Instalação do artista colombiano Miler Lagos, intitulada de Home.  Trata-se de um iglu construído com livros cuidadosamente empilhados para criar uma cúpula compacta.  A obra esteve exposta, no ano passado, na Galeria MagnanMetz, em Nova York.

A última crónica de Valter Hugo Mãe, no JL nº 1085, intitula-se "Um livro por uma casa" (foi aí que descobri esta instalação) e entre muitas coisas interessantes, escreveu o seguinte:

"(...) Pensámos, eu e os miúdos com quem falava, como haveria de ser feita a troca de um livro por uma casa. E um acabou por ter a ideia perfeita. Teria de ser um livro tão bonito e tão divertido que, alguém que tivesse casas a mais, poderia preferir ler aquela história abdicando alegremente de uma propriedade. " 

É um texto fabuloso!