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21 março, 2012

Um poema de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos (1888-1935)

 

Trabalho de Paulo Miguel Pinheiro Martinho (2010)

publicado no seu blogue http://madeiraviva.blogspot.com/


Todas as cartas de amor são 
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas. 

Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras, 
Ridículas. 

As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser 
Ridículas. 

 Mas, afinal, 
Só as criaturas que nunca escreveram 
Cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

Quem me dera no tempo em que escrevia 
Sem dar por isso 
Cartas de amor 
Ridículas. 

A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

(Todas as palavras esdrúxulas, 
Como os sentimentos esdrúxulos, 
São naturalmente 
Ridículas).

Álvaro de Campos, in Poesia Completa

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