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29 março, 2011

Aniversário (poema de Fernando Pessoa)


Aniversário Fernando Pessoa

(Álvaro de Campos)


No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.



No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.



Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...

A que distância!...

(Nem o eco...)


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!


O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhaslágrimas),


O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!



Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,

O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...



Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...





in, Poesia, Álvaro de Campos

Assírio & Alvim

28 março, 2011

Mísia agraciada pelo governo francês



Mísia vai ser novamente agraciada pelo governo francês. É a segunda vez que Mísia é agraciada pelo governo francês. Em Janeiro de 2004 foi condecorada pelo Ministro da cultura francês, Jean-Jacques Aillagon, com o grau de Cavaleiro desta mesma Ordem. Um ano depois, recebeu do Presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë, a Grande Medalha de Vermeil da Cidade. A fadista vai receber as insígnias de Oficial da Ordem das Artes e Letras do Embaixador de França em Portugal, Pascal Teixeira da Silva. A cerimónia está marcada para 30 de Março no Palácio de Santos, em Lisboa.
Este ano Mísia, além do lançamento do novo álbum totalmente constituído por fados tradicionais com letras escritas por mulheres, irá actuar em Nova Iorque, no âmbito da apresentação do filme “Passione”, de John Turturro.

Souto de Moura vence o prémio Pritzker 2011

ishot 10 500x305 Estádio Municipal de Braga

Estádio Municipal de Braga


Casa das Histórias - Paula Rego, Cascais

Souto Moura vence o prémio Pritzker 2011, o Nobel da arquitectura.


"Durante as últimas três décadas, Eduardo Souto Moura produziu um corpo de trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitectura tradicional. Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza”, pode-se ler no comunicado emitido pelo júri do prémio.


Entre os projectos mencionados, o júri destacou a obra do Estádio Municipal Braga, mais conhecido como o estádio AXA, construído numa antiga pedreira.

Nascido em 1952, no Porto, Eduardo Souto Moura é o segundo arquitecto português a receber esta distinção, depois de Álvaro Siza Vieira ter vencido em 1992.

Eduardo Souto Moura sucede , assim, a nomes como Oscar Niemeyer, Frank Gehry, Jean Nouvel e Rem Koolhaas. Entre as suas obras mais conhecidas, destacam-se, além do Estádio Municipal de Braga, a Casa das Histórias em Cascais, a Casa das Artes no Porto, a Estação de Metro da Trindade, o Centro de Arte Contemporânea de Bragança, o Hotel do Bom Sucesso em Óbidos, o Mercado da Cidade de Braga, a Marginal de Matosinhos-Sul, o Crematório de Kortrijk (Bélgica), o Pavilhão de Portugal na 11ª Bienal de Arquitectura de Veneza (Itália) ou a Casa Llabia (Espanha).

in Público

27 março, 2011

"Poesia" de Lee Chang-Dong



Sinopse:Uma avó, com um neto problemático a seu cargo, é desafiada, pela primeira vez na vida, a escrever um poema. E, enquanto tenta encontrar a beleza presente no seu quotidiano, enfrenta a realidade nua e crua que existe, muito além da sua imaginação, apercebendo-se de que a vida talvez não seja tão bela como supunha...

Festivais e Prémios:- Festival de Cannes 2010 - Melhor Argumento

Actores: Yun Junghee - Soon-mi
An Naesang - Pai de Kibum
Kim Hira - M. Kang
Lee David - Jongwook

27 de Março - Dia Mundial do Teatro


No dia 27 de Março comemora-se o Dia Mundial do Teatro. Espectáculos teatrais, encontros e eventos celebram essa arte, numa tentativa de destacar o seu significado e a sua importância. O Dia Mundial do Teatro foi criado em 1961, pelo Instituto Internacional de Teatro, ligado à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

20 março, 2011

21 de Março - Dia Mundial da Poesia





Pudesse Eu
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes! 

Sophia de Mello Breyner Andresen
__________
Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
________
Vestígios
noutros tempos

quando acreditávamos na existência da lua

foi-nos possível escrever poemas e

envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído

pelas salivas proibidas - noutros tempos

os dias corriam com a água e limpavam

os líquenes das imundas máscaras



hoje

nenhuma palavra pode ser escrita

nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras

ou se expande pelo corpo estendido

no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se



onde se pode - num vocabulário reduzido e

obcessivo - até que o relâmpago fulmine a língua

e nada mais se consiga ouvir



apesar de tudo

continuamos e repetir os gestos e a beber

a serenidade da seiva - vamos pela febre

dos cedros acima - até que tocamos o místico

arbusto estelar

e

o mistério da luz fustiga-nos os olhos

numa euforia torrencial



Al Berto

19 março, 2011

Fête de la francophonie






A festa da francofonia organizada em Portugal entre 14 e 20 de Março, é uma ocasião
para relembrar que setenta Estados e governos conduzem em 2011 uma acção comum
Este ano, sob o signo dos prazeres partilhados, esta festa pretende desvendar algumas
das riquezas culturais dos países que ela reúne, em torno da língua francesa em toda a
sua diversidade. Esta acção situa-se no contexto da promoção, na Europa e no mundo,
da diversidade linguística e da abertura intercultural.
Portugal é por essência um país da globalização; francofonia e lusofonia têm muitos
pontos em comum e muitas coisas a dizer-se.
A língua francesa e as culturas francófonas são reconhecidas em Portugal pelas suas
contribuições intelectuais, artísticas – ou gastronómicas – e por todos os pensamentos
e valores humanistas que estes sustentam. Desejamos que este tema dos prazeres
partilhados seja seja uma vez mais este ano a ocasião para dar a conhecer estas várias
dimensões e revelar aos lusófonos a diversidade e a beleza de todos estes sabores
linguísticos e culturais francófonos.
A festa da francofonia é realizada em Portugal por um grupo amigável de parceiros e
Embaixadas. Desejamo-vos a todos uma alegre festa da francofonia.

HYMNE À LA FRANCOPHONIE


Philippe Richard, installé depuis vingt en Chine, en 2009, a réuni vingt enfants de 4 à 12 ans, déjà ou futurs francophones, pour interpréter une de ses chansons, un hymne à la Francophonie, dans un clip qui sera présenté lors du gala d’ouverture de la Semaine de la Francophonie organisé par l’Association des francophones de Pékin (mars 2009) et ouvert à tous les amis de la Francophonie.



FRANCOPHONIE
Paroles et musique : Philippe Richard

Je suis né(e) en Europe en France Moi en Océanie Je suis né(e) en Afrique Et moi en Amérique Je suis né(e) en Asie

NOUS SOMMES TOUS DES ENFANTS DU MONDE DE PAYS DIFFERENTS MAIS NOS MOTS ET NOS CHANTS JOUENT A LA MEME RONDE ECOUTEZ DANS LE VENT

FRANCOPHONIE, MELODIE FRANCOPHONIE, C’EST MA VIE

J’ai grandi en Europe en France Moi en Océanie J’ai grandi en Afrique Et moi en Amérique J’ai grandi en Asie

NOUS SOMMES TOUS DES ENFANTS DU MONDE, DE PAYS DIFFERENTS MAIS NOS MOTS ET NOS CHANTS JOUENT A LA MEME RONDE, ECOUTEZ DANS LE VENT

FRANCOPHONIE, MELODIE FRANCOPHONIE, C’EST MA VIE

FRANCOPHONIE, POESIE FRANCOPHONIE, POUR LA VIE POUR LA VIE

17 março, 2011

um poema de Al Berto

Caspar David Friedrich (1774-1840)

a leitura dos dias faz-se a partir de vitrais de água
e sombra de palavras
paisagens cidades descobertas algures sob os dedos
estranguladas na incerteza mineral da noite
onde o cansaço me devora impedindo-me de prosseguir

e ao aproximar-me do centro vertiginoso da página
o movimento da mão torna-se lento e a caligrafia meticulosa
a sede devassa a escassez dos corpos
o monólogo embate
despenha-se pelas brancas margens da desolação

o enigma de escrever para me manter vivo
a memória desaguando a pouco e pouco no esquecimento perfeito
para que nada sobreviva fora deste corpo viandante

vou assinalar os percursos da ausência e as visões
doutros lugares de sossegados amarantos... alimentar a escrita
com o sangue de cidades e de facas engorduradas
onde os corpos adquirem a violência noctívaga da fala
desfazendo-se depois na carícia viscosa dos néons

mas existe sempre um qualquer lume eterno
um coração feliz à esquina dos sonhos
surge agora o deserto que toda a noite procurei
está em cima desta mesa de trabalho no meio das palavras
donde nascem indescifráveis sinais... irrompe
o movimento doutro corpo colado ao aparo da caneta
desprende-se da folha de papel agride-me e foge
deixando-me as mãos tolhidas num fio de tinta


Al Berto, O Medo

07 março, 2011

O Discurso do Rei de Tom Hooper




  • Título Original: The King´s Speech
  • Intérpretes: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Derek Jacobi, Timothy Spall, Michael Gambon
  • Realização: David Seidler
  • Distribuido em Portugal por: ZON Lusomundo
  • Género: Drama/História‎‎
  • Ficha Técnica: Duração: 1h58m | Origem: EUA, 2010

Após a morte de seu pai, o Rei George V, e da escandalosa abdicação do Rei Eduardo VIII, Bertie, que toda a sua vida sofreu de um debilitante problema de fala, é coroado Rei George VI de Inglaterra. Com o país à beira de uma guerra e a necessitar desesperadamente de um líder, a sua mulher, Elizabeth, futura Rainha-mãe, encaminha o marido para um excêntrico terapeuta da fala, Lionel Logue. Depois de um começo difícil, os dois homens iniciam uma terapia pouco ortodoxa e acabam por formar um vínculo inquebrável. Com a ajuda da sua família, do seu governo e de Winston Churchill, o Rei vai superar a gaguez e tornar-se numa inspiração para o povo.



Filme vencedor de 4 Óscares de 2011 nas seguintes categorias:

Melhor Filme
Melhor Realizador
Melhor Actor Principal
Melhor Argumento Original


02 março, 2011

Arquitecto João Luis Carrilho da Graça agraciado pelo governo francês


O arquitecto português vai ser homenageado pelo seu trabalho, nesta quinta-feira, pelo embaixador de França em Portugal, Pascal Teixeira da Silva. João Luis Carrilho da Graça vai receber as insígnias de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras.

Em comunicado, a embaixada francesa explicou que "o governo francês pretende homenagear o talento de um dos mais prestigiados arquitectos portugueses, reconhecido a nível internacional"

Entre as suas importantes obras contam-se o Teatro e Auditório de Poitiers (TAP) em França, o Núcleo Arqueológico do Castelo de São Jorge em Lisboa, o Museu do Oriente, a Escola Superior de Música de Lisboa, o Centro de Documentação e Informação no Palácio de Belém, o Pavilhão do Conhecimento dos Mares da Expo 98, a Recuperação e Musealização das Ruínas de São Paulo em Macau e a Escola Superior de Comunicação Social em Lisboa.

O arquitecto deixará ainda a sua marca no futuro de Lisboa, com o novo Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia que deverá ficar concluído em 2013.

Ao longo da sua carreira, João Luis Carrilho da Graça já foi distinguido com a Ordem do Mérito da República Portuguesa e foi agraciado pela Associação Internacional dos Críticos de Arte em 1992, pelo conjunto da sua obra. Do seu currículo fazem ainda parte os prémios "Luzboa 2004", o Prémio Fernando Pessoa em 2008 e o Prémio Piranesi Prix de Rome em 2010.

in Público