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20 janeiro, 2011

Museu Gulbenkian eleito por site americano um dos sete "melhores pequenos museus do mundo"

Lisboa, 20 jan (Lusa) - O Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, foi eleito pelo sítio online de viagens norte-americano "The Savvy Explorer" um dos sete “Melhores Pequenos Museus do Mundo”, grupo onde figuram espaços museológicos de Paris, Veneza e Zurique.

De acordo com uma nota divulgada pelo Museu, inaugurado na sede da fundação, em Lisboa, em 1969, com o espólio do empresário e colecionador arménio Calouste Gulbenkian, o editor do sítio, Michael Tulipan, destaca a apresentação “engenhosa” da coleção.

Descrevendo Calouste Gulbenkian como "um colecionador ávido", Tulipan destaca ainda o percurso expositivo deste museu montado por ordem cronológica e por área geográfica, proporcionando ao visitante "uma viagem pela história mundial da cultura humana, região por região".

Considera ainda “imperdíveis” os quadros “notáveis” de Pascal Dagnon-Bouveret e as peças “meticulosas” de Arte Nova produzidas por René Lalique que podem ser vistas no museu Gulbenkian.

Neste conjunto escolhido por Michael Tulipan estão outros seis "pequenos museus", como a Kunsthaus Zurich (Zurique), o Musée de l'Orangerie (Paris) e a Colecção Peggy Guggenheim (Veneza), na Europa, e os museus The Clark (Massachusetts), Phoenix Museum of Art (Arozona) e a Frick Collection (Nova Iorque), nos Estados Unidos.

Para justificar as escolhas, Michael Tulipan sustenta que as grandes cidades, a nível mundial, possuem centros de arte famosos - como o MOMA, em Nova Iorque, o Louvre, em Paris, ou o Prado, em Madrid -, recebem um grande número de visitantes, mas que os museus mais pequenos "podem merecer também uma visita".

"Além de proporcionarem uma visão mais concisa sobre um período ou artista, revelam-se excelentes escolhas para os visitantes que têm limitações de tempo ou para aqueles que visitaram já os grandes museus", justifica ainda.

Visitado diariamente por mais de 2.000 internautas, o "The Savvy Explorer" (www.thesavvyexplorer.com), também edita guias sobre cidades e é especialmente dirigido a turistas que pretendem tirar o máximo partido das suas viagens sem gastar muito dinheiro.

Apresenta ainda sugestões sobre os melhores restaurantes, hotéis e locais para visitar.

Segundo o Turismo de Portugal, este sítio sobre viagens está a preparar um guia sobre Lisboa.

AG.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Fim

19 janeiro, 2011

Eugénio de Andradre (19.1.1923/13.6.2005)

AS PALAVRAS

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

(CORAÇÃO DO DIA)


18 janeiro, 2011

Um cê a mais - Manuel Halpern




Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.

Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual .em atuante com um cê a atrapalhar.

Prix des Deux Magots


Le prix des Deux Magots a été fondé en 1933, le jour même où le prix Goncourt était attribué à André Malraux pour son roman La Condition humaine.
Ce jour-là une bibliothécaire de l'Ecole des beaux-arts et Roger Vitrac l'auteur de Les Enfants au pouvoir, prenant l'apéritif à la terrasse des Deux Magots décidèrent de créer un prix littéraire.
" - Constituons un jury de treize membres choisis parmis nos amis. Nous verserons chacun 100 francs et nous couronnerons l'ouvrage d'un jeune écrivain qui recevra 1300 francs, ce qui n'est pas négligeable".
Vers 18 heures la majorité du jury était réunie et c'est à main levée que le premier prix des Deux Magots était attribué au premier roman d'un jeune écrivain nommé Raymond Queneau pour son livre Le Chiendent. Le lendemain, Monsieur Boulay, propriétaire du café, apprenant par les journaux la création du prix des Deux Magots, proposait de régler dans l'avenir le montant du prix.

Les autres laurétas: consuter ici

17 janeiro, 2011

Patagónia Express – Luis Sepúlveda


«Homenagem a um comboio que já não existe, mas que continua a viajar na memória dos homens e mulheres da Patagónia, estes “apontamentos de viagem” – como lhes chamou Luis Sepúlveda – tornaram-se num dos livros de referência do grande autor chileno.
Desde os seus primeiros passos na militância política, que o levaram à prisão e depois ao exílio em diferentes países da América do Sul, até ao reencontro feliz, anos depois, com a Patagónia e a Terra do Fogo, é uma longa viagem (e uma longa memória) aquela que Luis Sepúlveda nos propõe neste seu livro.
Ao longo dele, confrontamo-nos com uma extensa galeria de personagens inesquecíveis e com um conjunto de histórias magníficas, daquelas que só um grande escritor é capaz de arrancar aos labirintos da vida.»

Colóquio Internacional Sophia de Mello Breyner Andresen


Espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen
Doação do Espólio, Exposição e Colóquio

Assinalando a entrega do Espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen à Biblioteca Nacional de Portugal, terá lugar, no edifício desta instituição, no dia 26 de Janeiro de 2011, uma sessão com o programa seguinte:

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16H
Cerimónia de assinatura do termo de doação do espólio de SMBA
pelo Director da BNP, Jorge Couto, e pelos filhos da Autora.


16H15
Usarão da palavra alguns membros da Comissão de Honra,
amigos da Autora.

18H
Leitura de Poemas por Beatriz Batarda e Luís Miguel Cintra.

18H30
Inauguração da exposição “Sophia de Mello Breyner Andresen
– Uma vida de poeta”, que será apresentada pelas Comissárias,
Paula Morão e Teresa Amado.

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Nos dias 27 e 28 de Janeiro terá lugar nas instalações da Fundação Gulbenkian o COLÓQUIO INTERNACIONAL SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, promovido por Maria Andresen de Sousa Tavares e realizado com a colaboração do Centro Nacional de Cultura.

A confluência nestes três dias da cerimónia de entrega do Espólio, da abertura da Exposição e da realização do Colóquio visa sublinhar a importância da obra da Autora, ao mesmo tempo que se proporciona a investigadores portugueses e estrangeiros o acesso a documentos (autógrafos e outros) que possibilitarão novas perspectivas de estudo.

Para levar a cabo estes projectos foi determinante a cooperação do Centro Nacional de Cultura através do empenho do seu presidente, Guilherme d'Oliveira Martins, assim como de Teresa Tamen e Conceição Reis Gomes.

As iniciativas referidas assinalam a conclusão da primeira fase de trabalho sobre este Espólio, que consistiu na inventariação - organização, classificação e identificação - dos documentos. Estas tarefas foram realizadas entre Setembro de 2008 e Setembro de 2010, por Manuela Vasconcelos (técnica da BNP) e por Maria Andresen de Sousa Tavares, com a participação temporária de Luísa Sarsfield Cabral. O trabalho decorreu nas instalações do Centro Nacional de Cultura, que disponibilizou para esse efeito todo o apoio logístico necessário. A equipa contou com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do Banco Português de Investimento.


A obra de Sophia na Colóquio/Letras

A obra de Sophia na Colóquio/Letras


O novo número da revista Colóquio/Letras é dedicado, em grande parte, à obra de Sophia de Mello Breyner Andresen, no mês em que se realiza o congresso internacional sobre a autora e que decorrerá nos dias 27 e 28 de Janeiro na Fundação Gulbenkian, em colaboração com o Centro Nacional de Cultura.


Giulia Lanciani, Piero Ceccucci, Pedro Eiras, Richard Zenith, Luis Maffei, Rosa Maria Martelo, Paula Morão, Teresa Amado e Maria Andresen de Sousa Tavares assinam artigos sobre a obra e o espólio da autora de Livro Sexto. São ainda publicados depoimentos de Gastão Cruz, Michel Chandeigne, Ponç Pons e Eucanaã Ferraz. A crónica é de Miguel Sousa Tavares – Roma, Piazza Navona.


Para além do vasto número de recensões, abrangendo as mais diversas áreas, dão-se a conhecer inéditos de Yves Bonnefoy, António Osório, Pedro Tamen, Ana Luísa Amaral e Eucanaã Ferraz. Yves Bonnefoy e Ana Marques Gastão assinam artigos no âmbito da temática Literatura e outras Artes. As imagens deste número são do artista plástico Jorge Martins.


MUROS DE ABRIGO, DE ANA VIEIRA

Muros de Abrigo
Centro de Arte Moderna - Fund. Calouste Gulbenkian, Lisboa

Hall e Nave

tel.: 21.782 3474

até 27 março

3ª a domingo, 10h-18h

www.cam.gulbenkian.pt



A exposição Muros de Abrigo propõe uma releitura da obra de Ana Vieira (Coimbra, 1940) num olhar retrospetivo desde o final dos anos 60 até ao presente, mostrando o seu lugar singular na arte contemporânea e, a um tempo, a sua incessante criatividade e preocupações que aí permanecem. O título da exposição é retirado do relato de uma memória de infância da artista, no qual recorda como diariamente se dirigia para os muros de abrigo no fundo da quinta dos pais, em São Miguel, e abria sucessivamente todas as portas. Mas o título, mais do que reforçar o reconhecido topos hermenêutico da obra de Ana Vieira, a casa, permitirá novas aproximações: em primeiro lugar, é o próprio muro de abrigo da arte sacralizada no seu pedestal que é posto em causa, num esvaziamento que questiona o seu poder e função (o primeiro núcleo da exposição); por outro lado, as suas obras interrogam o modo de perceção do mundo, levantando barreiras, véus, dificuldades, muros. Neste segundo núcleo, mais do que dar a ver, as obras dão a não-ver, dirigindo o visitante a, literalmente, atravessar o "branco".

16 janeiro, 2011

Cairo Novo
Sinopse
Neste romance pleno de suspense de Naguib Mahfouz, um niilista ambicioso e amargo, uma estudante bela e pobre e um funcionário corrupto envolvem-se num ménage à trois condenado.

O Cairo dos anos 30 é palco de enormes desigualdades sociais e económicas. É também uma época de mudança, quando as universidades começam a abrir as portas às mulheres e filosofias revolucionárias oriundas da Europa agitam os debates entre os jovens. Mahgoub é um estudante ferozmente orgulhoso que está determinado a esconder dos seus amigos idealistas a sua pobreza e a sua falta de princípios. Quando se dá conta de que não há emprego para quem não tem conhecidos, concorda, desesperado, em fazer parte de um elaborado plano fraudulento. No entanto, o que começa como mera estratégia de sobrevivência depressa se transforma em muito mais para Mahgoub e a sua cúmplice, uma jovem de nome Ihsan igualmente desesperada. À medida que se movem na sofisticada alta sociedade, a sua frágil farsa começa a desintegrar-se e o terrível preço do pacto faustiano de Mahgoub torna-se claro…
Naguib Mahfouz (este ano celebra-se o centenário do seu nascimento)
Romancista egípcio, Naguib Mahfouz nasceu a 11 de Dezembro de 1911 em Gamaliya, nas cercanias do Cairo. Filho de um funcionário público, teve acesso a uma educação esmerada.
Após ter concluído os seus estudos secundários, ingressou na Universidade do Cairo, de onde obteve o seu diploma em 1934. Enquanto prosseguia um curso de pós-graduação, Mahfouz tomou a decisão de se tornar escritor a tempo inteiro.
Começou por colaborar para a imprensa com artigos e contos, reunindo estes últimos num volume aparecido em 1938. No ano seguinte conseguiu alcançar uma certa estabilidade ao seguir as pisadas do pai, tornando-se funcionário público no Ministério dos Assuntos Islâmicos.
Também nesse ano de 1939 publicou o seu primeiro romance, Abath al-Aqdar, obra em que, com volumes como Radubis (1943) e Kifah Tibah (1944), o autor procura fazer abranger a totalidade da história do Egipto. Em meados da década de 50, surgiu com Al-Thulatiya (1956-57, A Trilogia do Cairo), obra em que descreve as andanças da família de Al-Sayyid Amad Abd Al-Jawad durante três gerações, desde a Primeira Grande Guerra até ao tempo presente.
A Revolução do Egipto, ocorrida em 1952, depôs o monarca Farouk I e instaurou um regime liderado por Gamal Abdel Nasser. Desagradado com a situação, o escritor votou-se ao silêncio durante alguns anos. Reapareceu em 1959 com trabalhos de índole prolífica e variada.
Alterando o seu discurso e recorrendo à alegoria e ao simbolismo para veicular as suas opiniões políticas, publicou Al-Liss Wa-Al-Kilab (1961, O Ladrão e os Cães), romance que conta a história de um gatuno de convicções marxistas e que, após ter sido aprisionado e eventualmente libertado, procura a vingança e encontra a morte.
Após ter exercido as funções de director do Gabinete de Censura egípcio, Mahfouz retomou o mesmo cargo junto da Fundação Para o Desenvolvimento Do Cinema, entre os anos de 1954 e 1969. A partir de então tornou-se consultor cinematográfico para o Ministério da Cultura do seu país, acabando por se reformar em 1972.
Entretanto, em 1965 surgiu Al-Shahhadh (O Pedinte) e, dois anos depois,Miramar (1967), romance que descreve a vida de uma rapariga através de quatro narradores, cada um deles representando uma corrente de pensamento político diferente.
Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1988, Naguib Mahfouz caiu no desagrado dos fundamentalistas islâmicos que, em 1994, enviaram dois assassinos ao seu encontro. Apunhalaram o escritor no pescoço com uma faca de cozinha, mas falharam o atentado e, capturados, foram ambos condenados à morte no ano seguinte.
Faleceu no Cairo a 30 de Agosto de 2006, com 94 anos.

Paulo Nozolino, “Makulatur”


GALERIA QUADRADO AZUL (LISBOA)
Largo dos Stephens, 4
1200-457 LISBOA

24 FEV - 21 ABR 2011

INAUGURAÇÃO:
24 de Fevereiro 2011, 22h

O fotógrafo Paulo Nozolino vai mostrar 12 fotografias em seis dípticos numa exposição intitulada 'Makulatur', que será inaugurada a 24 de Fevereiro na Galeria Quadrado Azul, em Lisboa.

De acordo com a galeria, os temas das imagens prendem-se com "a perda, a raiva e a mácula". Esta exposição é definida como "a mais pessoal de sempre de Paulo Nozolino. Sóbria e contida, uma reflexão sobre a vida e a morte".

Nascido em Lisboa há 55 anos, Paulo Nozolino residiu em Londres entre 1975 e 1978, estudou fotografia e começou uma longa série de viagens pela Europa, América e Ásia, fixando-se em Paris durante a década de 1990. Publicou a obra 'Penumbra' em 1996, resultado de 12 anos de viagens pelo mundo árabe, com exposição realizada em Lisboa, no CCB. A Maison Européenne de la Photographie, em Paris, dedicou-lhe uma exposição em 2001 intitulada 'Nada', e em 2005 foi alvo de uma grande exposição antológica no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto.

Recebeu o Prémio Nacional de Fotografia em 2006. No ano passado, o artista devolveu o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura 2009, em repúdio pelo "comportamento obsceno e de má-fé" na actuação do Estado, por motivos relacionados com impostos aos artistas.



Campanha nacional de recolha de livros para Moçambique

Embaixadores da campanha: Mariza e Eusébio

A primeira iniciativa da nossa Associação, "Livros para Moçambique", está no terreno! Com o apoio inestimável dos CTT e a colaboração de inúmeras entidades estamos certos do seu sucesso.
Durante o mês de Janeiro/2011 que agora começa todas as pessoas ou grupos poderão fazer entrega dos livros, em língua portuguesa, para doação em qualquer estação de correio das capitais de concelho do país.
Esses livros serão devidamente transportados para um armazém geral onde será feita uma primeira catalogação por tipo e género. Em seguida serão embalados e transportados em contentor apropriado para Moçambique onde se procederá a uma criteriosa distribuição por bibliotecas, escolas e outras instituições.
Acreditamos que esta acção poderá marcar a diferença na continuidade e nos objetivos da nossa Associação.






13 janeiro, 2011

Rodrigo Leão - Herberto Helder




Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.

Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.


In «Ou o Poema Contínuo», Assírio & Alvim, 2001

11 janeiro, 2011

um poema de Al Berto



lembro-me que tínhamos fome havia três dias
encostada ao mar da mesa-de-cabeceira dormia a fotografia
e o maço de português suave filtro
...a escuridão não era só exterior
conhecíamo-nos pelo tacto e pelo olfacto
tornámo-nos murmurantes
e tu refulges ainda no escuro dos quartos que conhecemos
cruzámos olhares cúmplices
falámos muito não me recordo de quê
e no calor dos corpos crescia o desejo
caminhámos pela cidade
eu metia as mãos nas algibeiras
onde tacteava tudo o que guardara e possuía
um lenço uma caixa de fósforos um bloco de notas
sentia-me feliz por quase nada possuir
a imagem azulada de tuas mãos flutuava diante de mim
gesticulava para me dizer que estávamos vivos
e apaixonados


Al Berto

05 janeiro, 2011

Morreu Malangatana


Foi nomeado pela UNESCO Artista pela Paz

Foi nomeado pela UNESCO Artista pela Paz

Foi nomeado pela UNESCO Artista pela Paz

Malangatana vendeu os primeiros quadros há 50 anos e com o dinheiro arranjou uma casa e foi buscar a família para Maputo. Meio século depois, morreu um homem do mundo, um amigo de Portugal e um dos moçambicanos mais famosos.

Malangatana Valente Ngwenya nasceu a 6 de junho de 1936 em Matalana, uma povoação do distrito de Marracuene, às portas da então Lourenço Marques, hoje Maputo. Foi pastor, aprendiz de curandeiro (tinha uma tia curandeira) e mainato (empregado doméstico).

A mãe bordava cabaças e afiava os dentes das jovens locais (uma moda da altura), o pai era mineiro na África do Sul. Com a mãe doente e um pai ausente, Malangatana foi viver com o tio paterno e estudou até à terceira classe. Aos 11 anos começou a trabalhar porque já era “adulto” e podia fazer tudo, de cuidador de meninos a apanha-bolas no clube de ténis.

Mais do que um pintor
Nos últimos 50 anos foi também muito mais do que pintor. Fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura. Fez experiências com areia, conchas, pedras e raízes. Foi poeta, actor, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais, filantropo e até deputado, da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência.

Notícia completa no Público

02 janeiro, 2011

MUMU de Joël Seria


Mumu
Bande annonce vf publié par CineMovies.fr - Les sorties ciné en vidéo



Réalisé par : Joël Seria
Avec : Sylvie Testud, Baltazar Dejean de la Bâtie, Jean-François Balmer, Bruno Lochet, Antoine de Caunes, Michel Galabru, Dominique Pinon, Helena Noguerra...

1947. L'année de ses 11 ans, Roger, gosse mal aimé, espiègle et spécialiste des bêtises, est envoyé en pension dans une petite école de village où règne Mumu, l'institutrice la plus vache de la région. Renvoyé déjà de plusieurs collèges, c'est sa dernière chance d'échapper à la maison de correction que lui promet son père depuis longtemps. Mais c'est sans compter sur la vigilance de Mumu qui, sous des aspects sévères, se révèle avoir un grand coeur.