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29 março, 2010

Prémio Pritzker para Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa


O Prémio Pritzker, o mais conceituado galardão de arquitectura do mundo, foi hoje entregue aos arquitectos japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa. O júri elogia o uso que Sejima e Nishizawa fazem da luz e das transparências nos edifícios que desenharam um pouco por todo o mundo - do Japão à Holanda, passando pela Alemanha, Inglaterra, Espanha ou França. São os autores do edifício do New Museum de Nova Iorque (2007) e estão a desenvolver o projecto para o pólo multifuncional Serralves 21, que deverá albergar as reservas da Fundação de Serralves.

A dupla de arquitectos pertence à firma SANAA e representa a quarta vez que profissionais japoneses recebem o Pritzker - os três primeiros foram Kenzo Tange (1987), Fumihiko Maki (1993) e Tadao Ando (1995). O vencedor de 2009 foi o suíço Peter Zumthor e o prémio distinguiu recentemente Zaha Hadid (2004) ou Jean Nouvel (2008).

O júri, que revelou hoje a sua escolha, elogia Sejima e Nishizawa pela "criação de edifícios que interagem de forma bem sucedida com os seus contextos e com as actividades que contêm, criando uma sensação de preenchimento e riqueza de experiências". Outro adjectivos para se aplicarem ao seu trabalho: "delicado, poderoso, preciso, fluido e engenhoso", lê-se na agência Reuters.

A directora executiva do Pritzker, Martha Thorne, acrescenta ainda que a arquitectura desta dupla "explora as ideias de leveza e transparência e força as fronteiras destes conceitos a ir até novos extremos".

Sejima e Nishizawa são responsáveis pelo Pavilhão de Vidro do Museu de Arte de Toledo (2006), pelo New Museum de Nova Iorque (2007), o O-Museum em Nagano (Japão) e o Museu do Século XXI de Arte Contemporânea em Kanazawa (também no Japão, 2004), o De Kunstline Theatre na Holanda (2007), a Escola Zollverein de Gestão e Design em Essen (Alemanha, 2006) e o edifício temporário no relvado do Pavilhão Serpentine, em Londres. Também desenharam o Rolex Learning Center, na Escola Politécnica Federal em Lausanne, Suíça (nas imagens) em 2009.

27 março, 2010

Prémio Agustina Bessa-Luís para Raquel Ochoa

Raquel Ochoa, autora de 29 anos, venceu o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís com o romance A Casa-Comboio.

O Prémio Agustina Bessa-Luís, destinado a obras inéditas de escritores com menos de 35 anos, esteve aberto a concurso no ano passado mas não foi atribuído devido à “falta de qualidade das obras a concurso”.

O enredo deste primeiro romance vencedor “baseia-se na aventura de uma família indo-portuguesa, originária de Damão, que sobrevive e se adapta à turbulenta História mundial do último século, evocando uma saga nos tempos em que a Índia longínqua era portuguesa. Quatro gerações habitam Nagar-Aveli, Damão e, por fim, Lisboa. Uma casa é abandonada para sempre. Este romance histórico é baseado num relato verídico”.

Mais informação no Público e textos da autora para ler no seu blogue,O mundo lê-se a viajar

in Os Meus Livros



Sinopse
Uma família indo-portuguesa. Um século de história. Quatro gerações que evocam 450 anos de aventura mítica, nos quais a Índia longínqua era portuguesa. Em pano de fundo, a partida, o acaso e a sorte de quem se vê constantemente obrigado a fazer as malas, o desenraizamento, a inquietação, o inesperado, a imprevisibilidade dos destinos que se cruzam. A imagem dada pelo título é elucidativa: uma casa em movimento. Uma beleza poética singular. Uma verdadeira revelação.

Salon du Livre à Paris



http://www.salondulivreparis.com/

21 março, 2010

Um poema de João Negreiros

"é agora que os mato agora": curta-metragem de Sérgio Castro com João Negreiros



é agora que os mato agora


é agora

é a esses que eu mato agora

é agora

é a esses que eu quero agora

é agora

os que são melhores do que eu que eu mato agora

é agora que os mato por inveja

e depois por pena

e depois por medo

e depois por raiva

raiva louca roxa que me leva o sangue às ideias

é agora

é já

nem mais um de espera

é agora que os desfaço

nem mais um de vida

é agora que os mato com a angústia que levo destes anos todos

é agora a hora da vingança que não leva a nada mas que eu preciso para respirar de novo o ar dos homens

para ser de novo um homem

é agora que eu preciso de matar alguém para estar cá de novo como dantes antes de me darem conta do sorriso que veio no segundo a seguir ao parto

é agora que os mato agora

para me encontrar

para lhes dar o que merecem mesmo sabendo não ser justo

vou-me preparar e comprar a gabardina mais coçada dos filmes de acção para me dar o primeiro gozo da vida depois da montra da drogaria partida pelo tijolo

é agora que os rasgo sem frases de libertação

mas com o urro de quem perdeu a voz pelo meio das humilhações

a dignidade que me ficou para trás irei recuperá-la nos vossos trémulos corpos no momento do abate

é agora que mato todos os que estiveram quase a fazer-me o mesmo

iam fazer-me o mesmo

quase me fizeram o mesmo

já praticamente me fizeram

já praticamente me fizeram o mesmo

eles fizeram-me antes

vou fazê-lo depois

vou fazê-los

vou comer-lhes o sangue e os olhos para que não me vejam chorar nem mais uma vez

tem que ser

tem mesmo que ser

nem podia ser de outra forma

eles obrigam-me

obrigaram-me

empunharam-me a arma

ergueram-me os pulsos a tapar o Sol com a baioneta

eles levam o veneno no copo para que eu fuja do brinde e lhes dê a sede de beber

é agora

é agora que os mato agora

aos que estavam quase a

assassino-os a sangue-frio em legítima defesa pois sei

sei muito bem

sei-os demais

são iguais a mim

eu estou a matá-los

se são iguais a mim matar-me-ão mais tarde

se são como eu penso

vão acabar comigo

por isso mato-os agora

pronto

matei

pronto

morreram

pronto

já está

pronto

não há

pronto

não há ninguém

não vive ninguém

matei-os antes de ir

termina assim

eles eram iguais mas

se eram iguais

se eram mesmo iguais deviam ter pensado o mesmo que eu

matando-me no preciso momento

mas não

não pensaram

não eram

eram outros

diferentes

não pensavam

não queriam

não quiseram

não fizeram

não porque estou cá

não lhes li os pensamentos

não sabia

eles foram-se sem dizer ao que vinham

e eu fiquei a pensar no que fiz

estou a pensar no que fiz

e eles não pensam porque não o fizeram

eu fiz primeiro

sou o primeiro a fazer

sou o primeiro a fazer

sou o inventor do mal

sou o primeiro a fazer

sou o assassino

sou o primeiro a fazer

sou o carrasco

sou o primeiro a fazer

sou eterno

sou o primeiro a fazer o mal

sou o último

o que ficou para trás

estarei sempre atrás

a assobiar a sombra do remorso

sou o que vos quis como a ele

como a si

como vós

e arrumo os barbitúricos de novo no armarinho

e lambo as feridas das arestas do revólver

e rasgo a fronha da almofada para devolver as penas ao ar

espero toda a vida por sobreviventes

e no fim dela mato-me


in a verdade dói e pode estar errada, de João Negreiros

Simone Veil entre à l'Académie Française


Ancienne ministre, ancienne présidente du Parlement Européen, ancienne membre du Conseil constitutionnel... et personnalité préférée des Français, Simone Veil fait son entrée à l’Académie Française, près d’un an et demi après son élection.

Simone Veil sera la sixième femme à entrer à l'Académie Française. Elle succède à Marguerite Yourcenar (1980), Jacqueline de Romilly (1988), Hélène Carrère d’Encausse (1990), Florence Delay (2000) et Assia Djebar (2006).

Cette nomination est un symbole : non seulement cette libératrice des Droits des Femmes rejoint une Institution où seulement 5 femmes avant-elles ont accédé au titre d’Immortelle (sur 708 Académiciens) ; mais c’est surtout une consécration pour cette femme de 82 ans qui a survécu à la Shoah et mené des combats politiques difficiles tels que le droit à l’avortement. Décidément, Simone Veil s’est souvent retrouvé comme une femme seule au milieu des hommes tout au long de sa vie.

Opiário de Álvaro de Campos por Wordsong

Um poema de Al Berto

embebedavas-te
na travessia daquele verão bebias muito vinho
na vertigem de fogosos corpos pouco sabias
acerca do ciúme e da traição

confiavas demasiado em ti eras alto e magro
nunca traficaras armas em Harrar
tinhas o peito cansado o andar lento
e jamais pernoitaras sob o céu de Alexandria

escuta
a partir de hoje abandono-te para sempre
ao silêncio de quem escreve versos
em Portugal
tens trinta e sete anos como Rimbaud
talvez seja tempo de começares a morrer

Al Berto

Um poema de Rimbaud

Trois baisers

Elle était fort déshabillée
Et de grands arbres indiscrets
Aux vitres penchaient leur feuillée
Malignement, tout près, tout près.

Assise sur ma grande chaise,
Mi-nue, elle joignait les mains.
Sur le plancher frissonnaient d'aise
Ses petits pieds si fins, si fins.

— Je regardai, couleur de cire,
Un petit rayon buissonnier
Papillonner comme un sourire
À son sein blanc, — mouche au rosier !

— Je baisai ses fines chevilles.
Elle eut un doux rire brutal
Qui s'égrenait en claires trilles,
Un joli rire de cristal.

Les petits pieds sous la chemise
Se sauvèrent : "Veux-tu finir !"
— La première audace permise,
Elle feignait de me punir !

— Pauvrets palpitants sous ma lèvre,
Je baisai doucement ses yeux :
— Elle jeta sa tête mièvre
En arrière : "Ah ! c'est encor mieux !

Monsieur, j'ai deux mots à te dire..."
— Je lui jetai le reste au sein
Dans un baiser. — Elle eut un rire,
Un bon rire qui voulait bien...

Elle était fort déshabillée
Et de grands arbres indiscrets
Aux vitres penchaient leur feuillée
Malignement, tout près, tout près.


Arthur Rimbaud

Dois poemas de Pablo Neruda

Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

______________________

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda

Um poema de Eugénio de Andrade

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

Eugénio de Andrade

Um poema de Sophia de Mello Breyner

Biografia


Tive amigos que morriam, amigos que partiam

Outros quebravam o seu rosto contra o tempo.

Odiei o que era fácil

Procurei-te na luz, no mar, no vento.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Um poema de Al Berto

procurei dentro de ti o repercutido som do mar
a voz exacta das plantas e um naufrágio
o deslizar das aves, o amor obsessivo pelos espelhos
o rumor latejante dos sonhos, as cores dum astro explodindo
o cume nevado de cada montanha
difíceis rios, os dias

vivi talvez em Roma
no tempo em que ali chegavam os trigos da Sicília e os vinhos raros das
ilhas
a fama remota dos ladrões de Nuoro

todo o meu corpo estremeceu ao mudar de voz
cresci com o rapaz, embora nunca tivéssemos sido irmãos
e quando ficámos adultos para sempre
alguém lhe ofereceu o oficio de viajante

eu morri perto de Veneza
e quando atirava pedras aos pássaros sempre me ia lembrando de ti

Al Berto

Um poema de Al Berto

só conseguia amar-te se falasse de mim
sem cessar

hoje vivo quase sempre sozinho
paciência
os momentos de infelicidade estão esquecidos

uma pétala de luz percorre as linhas da mão
o rosto é aquele que sonhei
e não o que a noite dos espelhos tenta dar-me

eis o retrato de meu único amigo
a quem tudo revelo
o que me cresceu no coração

Al Berto

Um poema de Al Berto

a leitura dos dias faz-se a partir de vitrais de água
e sombra de palavras
paisagens cidades descobertas algures sobre os dedos
estrangulados na incerteza mineral da noite
onde o cansaço me devora impedindo-me de prosseguir

e ao aproximar-me do centro vertiginoso da página
o movimento da mão torna-se lento e a caligrafia meticulosa
a sede devassa a escassez dos corpos
o monólogo embate
despenha-se pelas brancas margens da desolação

o enigma de escrever para me manter vivo
a memória desaguando a pouco e pouco no esquecimento perfeito
para que nada sobreviva fora deste corpo viandante

vou assinalar os percursos da ausência e as visões
doutros lugares de sossegados amarantos...alimentar a escrita
com o sangue de cidades e de facas engorduradas
onde os corpos adquirem a violência noctívaga da fala
desfazendo-se depois na carícia viscosa dos néons

mas existe sempre um qualquer lume eterno
um coração feliz à esquina dos sonhos
surge o deserto que toda a noite procurei
está em cima desta mesa de trabalho no meio de palavras
donde nascem indecifráveis sinais...irrompe
o movimento doutro corpo colado ao aparo da caneta
desprende-se da folha de papel agride-me e foge
deixando-me as mãos tolhidas num fio de tinta

Al Berto

Um poema de Al Berto

incêndio

se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva miudinha - não te assustes

são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm visitar-te

diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo - diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas - com eles no chão

Al Berto

19 março, 2010

Um percurso, dois sentidos - MNAC - Museu do Chiado


Columbano-Bordalo
Pinheiro
(1857-1929)

Retrato de Antero de Quental
1889
óleo sobre tela

Esta exposição pretende fornecer uma perspectiva global da Colecção, traçando um percurso que parte da actualidade para uma retrospectiva da arte portuguesa moderna e contemporânea, tendo como limite temporal a década de 1850.

O título da exposição, Um percurso, dois sentidos, evoca ainda a dupla missão do Museu: valorizar a dimensão histórica do seu acervo e, simultaneamente, acolher e divulgar as práticas artísticas contemporâneas.

17 março, 2010

Edvard Munch à la Pinacothèque de Paris



Le musée présente 60 peintures et 80 gravures issues de collections privées, et restées jusqu’ici dans l’ombre du tableau emblématique Le Cri. L’œuvre d’Edvard Munch, artiste considéré comme un des pionniers du fauvisme et de l’expressionnisme, se révèle dans toute sa diversité. L’expo permet aussi de mieux appréhender sa vie. Le peintre considérait par exemple L’Enfant malade (1885), exposé à la Pinacothèque, comme sa plus belle réussite. Né dans une famille décimée par la tuberculose, Munch s’est inspiré de sa propre expérience pour réaliser ce tableau.
Une autre partie des tableaux présentés à la Pinacothèque regorge de couleurs et de scènes bucoliques – contredisant l’image « angoissante » que le grand public conserve de l’œuvre du peintre
.

Au regard de cette exposition, Edvard Munch apparaît comme un artiste finalement inclassable, qui a inspiré de nombreux autres artistes par la suite.






Edvard Munch ou l'Anti-Cri > Marc Restellini
by culturexpo

15 março, 2010

João Negreiros publica 2 livros

João Negreiros, o escritor português revelação de 2009, publica dois novos livros.

O autor já tem publicado, na área do teatro, Silêncio e Os Vendilhões do Templo (2007), O segundo do fim e Os de sempre (2008)

e em poesia, o cheiro da sombra das flores (2007), seleccionado de entre as melhores obras de poesia ibérica publicadas entre 2007 e 2008 pelo Prémio Correntes d' Escritas de 2009, e luto lento (2008).

Prémios: 1º lugar no Prémio Internacional OFF FLIP de Literatura 2009 (Brasil), categoria Poesia; Prémio Professora Therezinha Dutra Megale, São Paulo e o Prémio Nuno Júdice 2009.

Manuscrito encontrado em Saragoça de Jan Potocki



Sinopse:
"Chegado a Espanha para assumir o posto de capitão dos Guardas Valões, o jovem oficial Alphonse Van Worden vê-se arrastado para uma estranha aventura. A serra Morena, que de forma intrépida escolhe atravessar no seu caminho para Madrid, goza à época (início do século XVIII) de uma sinistra reputação. Lugar maldito, habitado apenas por bandoleiros e ciganos, esconderijo de malfeitores e de demónios capazes de assaltar de mil terrores o viajante mais audaz. Alphonse atravessará este reino fantástico sucumbindo aos terrores e encantos de forças ocultas que colocarão à prova as suas frágeis certezas sobre a realidade.

Romance picaresco, conto fantástico, novela erótica, relato filosófico, livro que inclui todos os géneros narrativos, «Manuscrito encontrado em Saragoça» é considerado pela crítica uma obra-prima da literatura universal, comparável a Dom Quixote, Gulliver e O homem sem qualidades."

Livros por Vieira da Silva




14 março, 2010

Morreu Jean Ferrat




Aimer à perdre la raison

Refrain

Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaître de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison
______


Ah c'est toujours toi que l'on blesse
C'est toujours ton miroir brisé
Mon pauvre bonheur ma faiblesse
Toi qu'on insulte et qu'on délaisse
Dans toute chair martyrisée


Refrain
Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaître de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison
______


La faim, la fatigue et le froid
Toutes les misères du monde
C'est par mon amour que j'y crois
En elle je porte ma croix
Et de leurs nuits ma nuit se fonde


Refrain
Aimer à perdre la raison
Aimer à n'en savoir que dire
A n'avoir que toi d'horizon
Et ne connaître de saisons
Que par la douleur du partir
Aimer à perdre la raison

08 março, 2010

O Terceiro Reich de Roberto Bolaño


Sinopse:
"Udo Berger, que sempre quis ser um grande escritor, mas que tem de se conformar em ser o campeão de "jogos & estratégia de guerra em Stuttgart", decide ir ao Hotel del Mar, na Costa Brava catalã, com a sua nova namorada, Ingeborg (nome de uma das personagens de "2666"). O objectivo é treinar-se para participar num novo jogo de estratégia, justamente 'Terceiro Reich', e preparar-se para ganhar um torneiro internacional. Eles compartilham as suas férias com um outro casal alemão, Charlie e Hanna, até que o primeiro destes desaparece misteriosamente depois de se cruzar com dois sinistros personagens que também levantam suspeitas às autoridades locais: «O Lobo» e «O Cordeiro». Entretanto, Udo Berger é perseguido por um detective estranho e sombrio e, atormentado por essa perseguição sem sentido, acaba por entrar em delírio com a "«paisagem surreal da Costa Brava». Tudo isto acontece quando entra num jogo de vida ou morte com um personagem enigmático e de rosto desfigurado, El Quemado. Uma autêntica sinfonia de Literatura, Política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro."

Prémios AICA 2009 distinguem fotógrafo Paulo Nozolino e arquitecto Paulo Gouveia


Os prémios AICA/MC (Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura) 2009 foram atribuídos ao fotógrafo Paulo Nozolino e, a título póstumo, ao arquiteto Paulo Gouveia.

De acordo com o presidente da secção portuguesa da AICA, arquiteto Manuel Graça Dias, Paulo Nozolino foi escolhido na área das artes visuais enquanto que na área da arquitetura o júri elegeu o arquiteto açoreano falecido no ano passado.

Os prémios são atribuídos anualmente a duas personalidades "cujo percurso profissional seja considerado relevante pela crítica, e cujo trabalho tenha estado particularmente em foco no ano a que diga respeito".

Lisboa, 06 mar (Lusa)


Nascido em Lisboa em 1955, Paulo Nozolino é considerado um dos maiores fotógrafos da actualidade e as suas fotografias a preto e branco encontram-se em vários museus e colecções privadas, tendo recebido, entre outros, o Prémio Kodak (1988) e o Prix Fondation Leica (1989).

Paulo Gouveia (1939-2009), nascido em Angra do Heroísmo, deixou, entre outras obras emblemáticas no arquipélago dos Açores, o Museu do Vinho e a ampliação do Museu dos Baleeiros.

02 março, 2010

Goncourt du premier roman 2010



Le prix Goncourt du premier roman 2010 a été attribué à Laurent Binet pour "HHhH", l'histoire d'un monstre nazi, Reinhard Heydrich, artisan de la solution finale, et d'une mission lancée afin de l'éliminer.


Le titre énigmatique "HHhH" se réfère à l'un des surnoms donnés par les SS à Heydrich, "Himmlers Hirn heisst Heydrich" (Le cerveau d'Himmler s'appelle Heydrich), réputé l'homme le plus dangereux du IIIè Reich, bien plus que son chef Heinrich Himmler.

Patron de la Gestapo, créateur des services secrets et de sécurité (SD), Heydrich avait droit aussi aux surnoms de "Boucher de Prague", une ville où il sema la terreur à partir de 1941, de "bourreau" ou encore de "L'homme au coeur de fer", petit nom donné par Hitler lui-même, qui appréciait le physique "aryen" d'Heydrich, sa férocité et sa traque impitoyable des Juifs.

"HHhH", qui est aussi une réflexion sur les rapports entre réalité et fiction, Histoire et roman, était en lice avec "Fourrure" d'Adélaïde de Clermont-Tonnerre (Stock), "Un sentiment" de Natascha Cucheval (Fayard), "La peine du menuisier" de Marie Le Gall (Phébus) et "Les veilleurs" de Vincent Message (Seuil).

Laurent Binet, 37 ans, est agrégé de lettres, professeur de français en Seine-Saint-Denis depuis dix ans et chargé de cours à l'université.

Il a effectué son service militaire en Slovaquie où il a commencé à s'intéresser au personnage d'Heydrich et surtout à la tentative d'assassinat menée contre lui depuis Londres par le gouvernement tchécoslovaque en exil.

in, France24