MAR

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27 outubro, 2008

PNETliteratura


Divulgação de um novo site, muito interessante, sobre literatura, deixo o comentário de Luís Carmelo, Editor e Coordenador da PNETliteratura:


"A literatura é um rio que se reconhece, hoje em dia, através de uma identidade multifacetada: um vastíssimo esteio de afluentes que disputa os limites de uma fronteira sempre impossível de traçar.É neste limbo dinâmico, ponteado por marés imprevistas, que o site PNETliteratura se situa.Sem dizer que não à turbulência ou à contingência. Interrogando, enquanto publica; dando a ver, enquanto relativa."

26 outubro, 2008

Jacques Brel - 30 anos

Foi no dia 9 de Outubro de 1978 que Jacques Romain Georges Brel partiu... Já lá vão 30 anos ... Apenas para relembrar ...



From: Verseautoujours



From: PLbrettfan

A Faca não Corta o Fogo - Herberto Helder

Foi extremamente difícil comprar o último livro de Herberto Helder, editado pela Assíro & Alvim. Para quem vive fora dos grandes centros, torna-se quase impossível. Foi necessário deslocar-me à capital e aí calcorrear livrarias e grandes centros livreiros para ouvir sempre a mesma resposta: "lamentamos, mas está esgotado!". Até que me lembrei da existência de uma livraria, num centro comercial, um pouco escondida, mas com uma oferta de títulos de qualidade excepcional. E lá estava ele, em cima do balcão!
Não me lembro, durante a minha vida de leitora ( já razoavelmente longa)de ter procurado tanto... mas a alegria de, finalmente, o ter na mão compensa ...

Transcrevo o primeiro poema. Assim, quem não comprou o livro sempre poderá usufruir da escrita de Herberto Helder. (prometo transcrever mais)

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontradopor dentro do amor.

23 outubro, 2008

Entre les Murs (A Turma ) estreia em Portugal


O filme «Entre les murs» (A Turma), de Laurent Cantet, Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2008 e candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, abre, no dia 29, a Festa do Cinema Francês, em Faro. E pode ser visto, nas salas de cinéma do país, a partir do dia 30.


"O filme, centrado nas dificuldades de um professor perante alunos de um liceu num bairro problemático de Paris, não é uma obra "sobre a autoridade" na escola, afirmou hoje (22 de Outubro) em Lisboa o realizador Laurent Cantet.

Premiado com a Palma de Ouro no último festival de Cannes, o filme retrata o quotidiano de uma turma multiétnica de um liceu francês e baseia-se num livro de François Bégaudeau, que interpreta o papel de professor, contracenando com actores não profissionais.

"Este filme não é um documentário, não procurei dar uma imagem global da escola, mas contar o que se passa nesta turma entre este professor e estes 25 alunos. Quis também escolher os momentos em que há tensão, diálogo", afirmou Laurent Cantet aos jornalistas, quando questionado sobre as críticas que têm sido feitas por alguns professores.
"Os professores a que a imprensa tem dado voz são críticos em relação ao filme", disse o realizador, acrescentando que, se fosse feita uma sondagem, haveria mais professores a considerá-lo interessante.
"Os professores são uma profissão muito exposta e protegem-se por detrás das paredes da escola", sublinhou o realizador, explicando que "A Turma" (Entre les Murs, no original) não é um filme "para falar de autoridade".
Laurent Cantet, 47 anos, disse também que o fez numa dupla perspectiva, sem privilegiar o ponto de vista de professores ou de alunos.
"A turma transforma-se numa tribuna em que cada um pode falar", adiantou Laurent, indicando que a sua preocupação foi falar do tipo de relações que se podem estabelecer entre um professor e os seus alunos.
A ideia de escola apresentada neste filme não corresponde à do tempo de Laurent Cantet, dado que há 30 anos "não havia este tipo de `mistura` de origens e de meios sociais muito diferentes", explicou o realizador, pai de dois adolescentes que frequentam uma escola da periferia de Paris.
O realizador explicou ainda que gosta de trabalhar associando actores profissionais e não profissionais, o que considera uma "experiência enriquecedora", e adiantou acreditar que os jovens escolhidos para participar nesta obra ficaram motivados.
"Foi importante verem o seu talento reconhecido, algo a que não estão muito habituados", indicou Cantet.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

20 outubro, 2008

O Ultimo Eça - Paris

Conferências Internacionais
O Último Eça
Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian, Paris

21 Outubro - 18h30

Programa:

Conferência Apresentada por Marie-Hélène Piwnik

Héritières portugaises d’Emma Bovary:l’adultère féminin dans l’oeuvre d’Eça de Queiroz
por Elena Losada Soler,
université de Barcelona
e
Eça de Queiroz au seuil de la modernité por Lucette Petit,
université Paris III-Sorbonne Nouvelle


O Jogo do Anjo

Pois é! Já li o novo livro de Carlos Ruiz Zafón e recomendo vivamente.
O espaço é Barcelona,o mesmo de A sombra do Vento, a intriga gira à volta de livros e livrarias. O que muito me agrada! Depois, mistura-se com amor, amizade, ciúmes, e .... mais não digo!
Garanto que o autor "cozinhou" muito bem a intriga, no final de cada capítulo, ele deixa os ingredientes necessários para o apuramento do seguinte. Pelo que temos de o ler de um só fôlego.


Apresentação do O Jogo do Anjo (From: eljuegodelangel)


Imagens sobre O Jogo do Anjo (From: eljuegodelangel)

18 outubro, 2008

Grace - Hall of Mirrors

1. Lost
2. Open Road
3. Imagine One Day
4. Just Look Away
5. Bang Bang
6. Gambler
7. Working Together
8. To The East
9. Geisha
10. Butterfly
11. Go Your Way
12. Who Will Tell Them
13. New Day
14. All You'Ll Need


From: mimydu49 - Imagine on day

17 outubro, 2008

Novas leituras nas bancas das livrarias



"Em O Jogo do Anjo, o catalão Carlos Ruiz Zafón explora novos ângulos da cidade onde ambientou A Sombra do Vento, sucesso que já ultrapassou a marca dos 10 milhões de exemplares em todo o mundo e, no Brasil, já figura há mais de um ano na lista de mais vendidos. Enquanto guia seus leitores por cenários familiares, como a pequena livraria Sempere e Filhos e o mágico Cemitério dos Livros, Zafón constrói uma história que mistura o amor pelos livros, a paixão e a amizade. Na Barcelona dos anos 20, David Martín é um jovem escritor fracassado, obcecado por um amor impossível e abatido por uma doença fatal. Até que vê sua sorte mudar ao receber uma oferta irrecusável. "


Sinopse
Mestre das paixões, neste romance Sándor Márai dedica-se não aos triângulos amorosos mas a outras questões igualmente susceptíveis de despertar emoções fortes: o que une um grupo de jovens revoltados contra tudo e a tudo dispostos.E arrisca-se a levar o leitor ao centro de um enredo de erros e fúrias, cumplicidades e traições, sofrimento e cobardia – de inconfessáveis atracçõese de ambíguas repulsas. Porque trata das vicissitudes e aventuras de um grupo de rapazes, ou melhor, um bando, como se definem a si próprios, no final da Primavera de 1918, numa pequena cidade da Hungria distante da frente e onde a vida, aparentemente calma, é profundamente abalada pela guerra.Entregues a si próprios enquanto os pais combatem na frente, estes rapazes decidem libertar os demónios da sua revolta impelidos por um ódio ardente contra o mundo, pela sua imaginação e pela sua arrogância –e também por um erotismo, tão mais aceso quanto mais implícito –, deixando a guerra para o mundo dos adultos e inventando jogos demasiado perigosos. Um obscuro actorque se torna o seu mentor oculto, envolvendo-os nas suas perversas tramóias, acabará conduzindo-os a um trágico e inevitável epílogo



Sinopse
Por encomenda do seu editor, um famoso escritor sul-africano radicado em Sydney, na Austrália, escreve um livro com as suas opiniões sobre os temas mais quentes do nosso tempo: conflitos étnicos, terrorismo, globalização, desastres ecológicos, experiências genéticas. Como já não é capaz de digitar os seus próprios textos, o velho escritor contrata uma vizinha, a jovem e sedutora filipina Anya, para transcrever as fitas onde grava as suas polémicas reflexões.
Diário de Um Mau Ano entrelaça esse «livro dentro do livro»com os relatos íntimos, na primeira pessoa, de Anyae do próprio escritor. O pessoal e o universal iluminam-se reciprocamente, colocando em evidência a dificuldade de comunicação entre a tradicional cultura humanista do velho autor e a energia irreverente da jovem dactilógrafa. Entretanto, Alan, o ganancioso namorado de Anya, troça de tudo aquilo em que o escritor acredita e conspira contra ele.
Comprovando mais uma vez o seu domínio sobre várias vozes, génerose registosnarrativos, Coetzee discute ao mesmo tempo o mundo contemporâneo e a sua representação no imaginário e na literatura.

13 outubro, 2008

Guillaume Depardieu




From: dcurtet74

Guillaume Depardieu (1971-2008)


O actor francês, filho de Gérard Depardieu, morreu, hoje, com 37 anos duma "pneumonia fulminante".


PARIS (AFP) - L'acteur Guillaume Depardieu est décédé ce lundi à l'hôpital de Garches (Hauts-de-Seine), à l'âge de 37 ans, après "avoir contracté un virus qui a provoqué une pneumonie foudroyante", a-t-on appris auprès de Artmedia, l'agent de son père Gérard Depardieu.
Il était un acteur à la sensibilité à fleur de peau, longtemps écrasé par la personnalité et la célébrité de son père, le comédien Gérard Depardieu.
Le 6 juin 2003, il avait été amputé de la jambe droite pour mettre fin aux souffrances provoquées par une infection contractée à la suite de 17 opérations subies après un accident de moto en octobre 1995.
Né le 7 avril 1971, Guillaume Depardieu, fils de Gérard et d'Elisabeth Depardieu, également comédienne, connaît une jeunesse rebelle, marquée par la vitesse, la violence, la drogue et l'alcool qui le conduiront en prison.
Sa longue et mince silhouette apparaît en 1990 dans un téléfilm de Cyril Collard, "Taggers".
Un an plus tard, il partage pour la première fois l'affiche avec son père dans "Tous les matins du monde" d'Alain Corneau. Les deux comédiens, qui entretiennent des relations difficiles, se retrouveront dans deux téléfilms de Josée Dayan, "Les misérables" et "Le comte de Monte-Cristo".
Il faudra attendre "Aime ton père" de Jacob Berger, sorti en 2002, pour que s'apaise la confrontation entre Guillaume Depardieu et un père auquel il a longtemps reproché son absence. Les deux acteurs y incarnent un père et un fils dont les relations ressemblent à celles qu'eux-mêmes entretiennent dans la vie et que le jeune homme évoquera en 2004 dans le livre d'entretiens "Tout donner", avec Marc-Olivier Fogiel.
Guillaume Depardieu a tourné près d'une vingtaine de films, parmi lesquels plusieurs longs métrages de Pierre Salvadori ("Cible émouvante", "Les apprentis" qui lui vaut en 1996 le César du meilleur espoir, "Comme elle respire", "Les marchands de sable").

On le retrouve également dans "Pola X" de Léos Carax, "Marthe ou la promesse du jour" (Jean-Loup Hubert), "Alliance cherche doigt" (Jean-Pierre Mocky), "Peau d'ange" (Vincent Perez) et plus récemment, "Le pharmacien de garde" (Jean Veber), "Célibataires" (Jean-Michel Verner) ou "Ne touchez pas la hache" (Jacques Rivette).
En 2008, il est dans deux films présentés au dernier festival de Cannes et qui sont sortis en salle ces dernières semaines. "De la guerre", de Bertrand Bonello, et "Versailles", qui décrit la relation touchante entre un enfant et un jeune marginal, de Pierre Schoeller.
Chevelure blonde en bataille et le corps couturé de cicatrices héritées de son passé agité, Guillaume Depardieu apportait à ce personnage de SDF rebelle toute sa présence, sa rugosité mais aussi sa tendresse.
"Guillaume, c'est un bloc émotionnel pur qui rentre dans le cadre. Il ne fait pas les choses à la légère. Je l'ai vu pleurer en disant: +J'ai raté le plan+. Seulement si les gens ne sont pas capables de lui faire face, il peut sans doute broyer", avait déclaré Bertrand Bonello au journal Le Monde.
Guillaume Depardieu, dont la soeur, Julie, est aussi comédienne, était père d'une fille.
Il avait envisagé de créer en mai 2003 une fondation pour rassembler les témoignages sur les maladies nosocomiales, mais le projet n'avait finalement pas abouti. "C'était un garçon très gentil, hyper attachant et excessif en tout", a témoigné lundi à l'AFP Alain-Michel Ceretti, fondateur du Lien, une association d'aide aux victimes d'infections nosocomiales.
L'acteur, qui avait connu à plusieurs reprises des démêlés avec la justice, avait été condamné fin juin par le tribunal de Versailles à deux mois de prison ferme pour avoir conduit un scooter en état d'ivresse.
En août, il avait été placé quelques heures en garde à vue après avoir eu un accident de scooter alors qu'il était en état d'ébriété.
Guillaume Depardieu préparait un album de chansons, dont la sortie était envisagée pour 2009.

11 outubro, 2008

Herberto Helder - a faca não corta o fogo


Herberto Helder, um dos maiores poetas portugueses vivos, publicou quinta-feira , dia 9 de Outubro, um novo livro, intitulado A Faca não Corta o Fogo -- súmula & inédita, editado pela Assírio & Alvim.

O livro reúne uma parte da reescrita da sua obra anterior e alguns inéditos, tem 207 páginas de poesia e uma capa ilustrada por Ilda David, em tons de azul e amarelo.

De Herberto Helder, um poeta que deu a última entrevista em 1968, que recusou o Prémio Pessoa em 1994 e que vive em auto-reclusão, pouco se sabe, além de que se chama Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira, nasceu no Funchal, a 23 de Novembro de 1930, e reside em Lisboa, com a mulher, Olga.
Frequentou, a partir de 1949 e durante três anos, o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, mas não o concluiu.

Em 1954, publica o seu primeiro poema, em Coimbra.

Em 1958, publica o seu primeiro livro, O Amor em Visita.
Nos anos seguintes viveu em França, Holanda e Bélgica.

Regressa a Portugal em 1960, torna-se encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, profissão que o fez percorrer vilas e aldeias do Baixo Alentejo, Beira Alta e Ribatejo.
Em 1961 e 1962, edita os livros A Colher na Boca, Poemacto e Lugar.

Em 1963, começa a trabalhar para a Emissora Nacional como redactor do noticiário internacional e publica Os Passos em Volta.
Em 1968, envolve-se na publicação de um livro sobre o Marquês de Sade, que desencadeia um processo judicial em que foi condenado.
Em 1971, vai para Angola trabalhar numa revista. Como repórter de guerra, sofre um grave acidente e fica hospitalizado três meses.
Regressa a Lisboa e parte novamente, agora para os Estados Unidos, em 1973, ano em que publica Poesia Toda, reunindo a sua produção poética até à data, e faz uma tentativa falhada de publicar Prosa Toda.
A Portugal, voltaria só depois do 25 de Abril, já em 1975, para trabalhar na rádio e em revistas, como meio de sobrevivência, tendo sido editor da revista literária Nova, de que se publicaram apenas dois números.
Depois de publicar, nos anos seguintes, mais algumas obras, entre as quais Cobra (1977), O Corpo, o Luxo, a Obra (1978) e Photomaton & Vox (1979), remete-se ao silêncio.

Pede aos amigos que não falem dele num documentário que António José de Almeida pretende realizar para a RTP2, em 2007.
O documentário, "Meu Deus, faz com que eu seja sempre um poeta obscuro", acabou por ser feito, mas apenas adensou o mistério em torno da figura do poeta, já que 17 das 29 pessoas contactadas pela produção se recusaram a dar o seu testemunho.

Sobre o novo livro de Herberto, disse o poeta Gastão Cruz à Lusa: "Não sei o que espero, somente que se situe, como decerto acontecerá, no nível da sua restante obra poética".
Por sua vez, Helder Macedo sublinhou: "Qualquer publicação do Herberto Helder tem a importância que o Herberto Helder tem. Ou seja, uma enorme importância".

O Jornal de Letras dedica-lhe quatro páginas e publica um excerto de um dos inéditos:

isto que às vezes me confere o sagrado,
quero eu
dizer: paixão: tirar,
pôr, mudar uma palavra, ou melhor: ficar
certo
com vírgula no meio da luz,
dividindo,
erguendo-me do embrulho da carne
obsessiva:
que eu habite durante uma espécie de
eternidade
o clarão -
isto não o entendo, esta pancada desferida
no máximo concreto: copo,
cigarros,
o livro, e do próprio meu: a ininterrupta
amargura da memória, o tão pouco de
quente respiração - isto
eu não entendo (...)

09 outubro, 2008

Sheila Jordan em Sines


Cantora de Jazz Sheila Jordan, de 80 anos, actua amanhã, no Centro de Artes de Sines

A cantora descobriu o jazz através de Charlie Parker, vindo a casar-se com o seu pianista Duke Jordan. Na década de 1940, integrava um grupo que interpretava melodias de Parker e improvisava.
Segundo o crítico de música José Carlos Monteiro Costa, em 1951 Sheila "mudou-se para Nova Iorque onde ganhou uma maior experiência de bebop e estudou teoria musical do jazz com o pianista Lennie Tristano".
Na década de 1950, cantava no Page Three, em Greenwich Village, "quando George RusseI a ouviu e recomendou à editora discográfica Blue Note", afirmou Monteiro Costa.
Em 1980, formou um quarteto com o pianista Steve Kuhn, Harvie Swartz e Bob Moses. Mais tarde, formou um duo com o contrabaixista Swartz, com o qual visitou Portugal.

Le Clézio - Prémio Nobel da literatura 2008


Jean-Marie-Gustave Le Clézio nasceu em 1940, em Nice.


A Academia considerou Le Clézio "um escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, explorador de uma humanidade além da civilização dominante". O escritor se destacou como romancista com Deserto, em 1908, uma obra que, segundo a Academia "contém imagens magníficas de uma cultura perdida no deserto do norte da África, com a descrição da Europa vista pelos imigrantes indesejados".


1ª reacção de Le Clézio à rádio sueca


Obras do autor:

Le procès-verbal. Gallimard, Paris. 1963 (Prix Renaudot)

Le jour où Beaumont fit connaissance avec sa douleur. Mercure de France, Paris. 1964

La fièvre. Gallimard, Paris. 1965

Le déluge. Gallimard, Paris. 1966

L'extase matérielle. Gallimard, Paris. 1967

Terra Amata. Gallimard, Paris. 1967

Le livre des fuites. Gallimard, Paris. 1969

La guerre. Gallimard, Paris. 1970

Lullaby. Gallimard, Paris. 1970

Haï. Skira, Sentiers de la Création, Genève. 1971

Les géants. Gallimard, Paris. 1973

Mydriase. Fata Morgana, Montpellier 1973

Voyages de l'autre côté. Gallimard, Paris. 1975

Les prophéties du Chilam Balam. Gallimard, Paris. 1976

L'inconnu sur la terre. Gallimard, Paris. 1978

Vers les icebergs. Fata Morgana, Montpellier. 1978

Voyage au pays des arbres. (en collaboration avec Henri Galeron) Gallimard, Enfantimages, Paris. 1978

Mondo et autres histoires. Gallimard, Paris. 1978

Désert. Gallimard, Paris. 1980

Trois villes saintes. Gallimard, Paris. 1980

La Ronde et autres faits divers. Gallimard, Paris. 1982

Celui qui n'avait jamais vu la mer (suivi de) La montagne du dieu vivant. Folio Junior, Gallimard, Paris. 1982

Relation de Michoacan. Gallimard, Paris. (Adapté & Prés) 1984

Balaabilou. Albums Jeunesse, Gallimard, Paris. 1985

Le chercheur d'or. Gallimard, Paris. 1985

Le Jour où Beaumont fit connaissance avec sa douleur. (Reédition) Le Mercure de France 1985

Villa Aurore suivi de Orlamonde. Folio Junior, Gallimard, Paris. 1985

Voyage à Rodrigues. 1986

Le rêve mexicain ou la pensée interrompue. Gallimard, Paris. 1988

Printemps et autres saisons. Gallimard, Paris. 1989

La Grande vie suivi de Peuple du ciel. ill Georges Lemoine. Folio Junior, Gallimard, Paris. 1990

Onitsha. Gallimard, Paris. 1991

Peuple du ciel. ill. Georges Lemoine. Albums Jeunesse, Gallimard, Paris. 1991

Etoile errante. Gallimard, Paris. 1992

Pawana. Gallimard, Paris 1992

Diego et Frida. Stock. 1993

La Quarantaine. Gallimard, Paris. 1995

Poisson d'or. Gallimard, Paris. 1996

La fête chantée. Le Promeneur. 1997

Hasard suivi de Angoli Mala. Gallimard, Paris. 1999

Fantômes dans la rue. Elle, Aubin Imprimeur, Poitiers, 47p. 2000

Coeur brûlé et autres romances. Gallimard, Paris. 2000

Révolutions. Gallimard, Paris. 2003

L'Africain . Mercure de France. 2004

Ourania. Collection blanche, Gallimard, Paris, 2006.

O Arquipélago da Insónia


O Arquipélago da Insónia é o título do novo romance de António Lobo Antunes que será publicado em Outubro, pela editora "Dom Quixote".

07 outubro, 2008

Picasso et les maîtres

Picasso e seus Mestres, no Grand Palais,em Paris, a partir de 8 de Outubro 2008 e até 2 de Fevereiro de 2009.

Será certamente uma exposição excelente e for do comum. Para além das obras patentes nas galerias do Grand Palais, haverá dois outros conjuntos temáticos Picasso-Delacroix, no museu do Louvre e Picasso-Manet no museu d'Orsay.


Eis algumas das obras expostas. É só um aperitivo! O manjar completo terá de ser em Paris, bien sûr!

Pablo Picasso, Grand nu au fauteuil rouge Francisco Goya, La maya desnuda

Manet, Olympia

Titien, Venus se divertissant avec l'amour et la musique


Ingres, Odalisque

05 outubro, 2008

A descoberta da Arquitectura


Este ano, a ordem dos arquitectos centra as suas celebrações em actividades educativas no sentido de despertar e estimular nas crianças o gosto e sentido pela Arquitectura.


Eduardo Lourenço, 85 anos


Começa amanhã, na Fundação Gulbenkian, um congresso internacional sobre Eduardo Lourenço, promovido por iniciativa do Centro Nacional de Cultura, a pretexto dos 85 anos do autor.


O congresso realizar-se-á durante dois dias, e está dividido em sete painéis temáticos:

1º Painel – EUROPA E HISTÓRIA
Moderador : Rui Alarcão

2º Painel – DIVULGAR EDUARDO LOURENÇO
Moderador: José Carlos Vasconcelos

3º Painel – CULTURA PORTUGUESA
Moderador: Adriano Moreira

4º Painel – LITERATURA E CRÍTICA LITERÁRIA
Moderador: Almeida Faria

5º Painel – TEORIA POLÍTICA
Moderador: Manuel Alegre

6º Painel – LITERATURA E CRÍTICA LITERÁRIA
Moderadora: Lidia Jorge

7º Painel – FILOSOFIA E ENSAÍSMO
Moderador: Helder Macedo

Sessão de Encerramento:Testemunhos
Moderador: Guilherme d’Oliveira Martins

Ana Costa Lopes
Fernando J.B. Martinho
Gastão Cruz
Helder Macedo
João Bénard da Costa
José Saramago
José Carlos de Vasconcelos
Manuel Alegre
Maria Helena Rocha Pereira

Dinis Machado



Morreu o autor de O Que Diz Molero (Lisboa, 21 de Março de 1930 - Lisboa, 3 de Outubro de 2008)

O escritor e jornalista Dinis Machado morreu ontem aos 78 anos, vítima de cancro do pulmão, lançou apenas seis livros durante a sua vida – alguns originais que deixou vão chegar às livrarias nos próximos meses – mas foi com o título O Que Diz Molero (1977) que conquistou um lugar de destaque na literatura portuguesa.

Escreveu poesia, fez entrevistas e publicou três romances policiais sob o pseudónimo Dennis McShade na colecção Rififi, então dirigida por ele:

Mão direita do Diabo
(1967),
Requiem para D. Quixote (1967) e
Mulher e arma com guitarra espanhola (1968).

Também é autor de:

Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez
(1984),
Reduto quase final (1989)
Gráfico de vendas com orquídea (1999).

04 outubro, 2008

Fases da lua


obra: Varatojo (Leiria)
frase ..."é preciso que compreendas que tenho mais fases que a lua" : Amadeo Souza Cardoso
Poema : Al Berto, O Medo


se um dia a juventude voltasse
na pele das serpentes atravessaria toda a memória
com a língua em teus cabelos dormiria no sossego
da noite transformada em pássaro de lume cortante
como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida

sulcaria com as unhas o medo de te perder... eu
veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza
apenas um vazio sem dimensão nas algibeiras
porque só aquele que nada possui e tudo partilhou
pode devassar a noite doutros corpos inocentes
sem se ferir no esplendor breve do amor

depois... mudaria de nome de casa de cidade de rio
de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos
mas aconteça o que tem de acontecer
não estou triste não tenho projectos nem ambições
guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos
espalho a saliva das visões pela demorada noite
onde deambula a melancolia lunar do corpo

mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim
com suas raízes de escamas em forma de coração
e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido
pegaria sem hesitações no leme do frágil barco... eu
humilde e cansado piloto
que só de te sonhar morro de aflição.

Silêncio

http://i146.photobucket.com/albums/r263/egertgalvao/silencio.jpg

DOZE MORADAS DE SILÊNCIO

9

hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira

na aldeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos às pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças descalças
hoje
Al Berto, O Medo

03 outubro, 2008

VIII Feira do Livro Manuseado


VIII Feira do Livro Manuseado, na Praça da Figueira - Lisboa.

Diariamente, das 9 às 20 Horas, e até ao dia 18 de Outubro


Para quem gosta de livros: restos de stocks, fins de edição, promoções, saldos, livros com deficiente apresentação mas com conteúdo intocável, edições já raras.

02 outubro, 2008


"Elle est retrouvée! Quoi? L'éternité.
C'est la mer mêlée au soleil."

Arthur Rimbaud (Alchimie du Verbe, une Saison en Enfer)